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sábado, 14 de abril de 2018

O Deseducar e o Desaprender Como Princípio Sabático Basilar da Decolonialidade

Vede a aurora-criança, como sorri e fulgura, no colo da mulata – aurora filha do dilúvio, neta da noite. Cam está redimido! Está gorada a praga de Noé.
– por Olavo Bilac
                              

                         
A educação, ministrada pelo dominador, foi o pulo do gato para a manutenção da violenta escravização contemporânea, já que de forma muito inteligente, trouxe em seu bojo o princípio da Assimilação fundamentado na religião como carro-chefe desse sistema educacional tupiniquim, fazendo com que o chicote estalasse com mais força e potencializasse as marcas profundamente, produzindo feridas indeléveis na alma que dilaceram no cerne toda a carne preta desse planeta, sendo habilmente impressas no DNA das gerações presentes e futuras, como um instrumento eficaz nesse processo de tortura permanente banalizada pelo mal nosso de cada dia que nos dói hoje.

É dessa forma que a ideia colonial de um deus Branco, de barba Branca, cabelos Brancos e olhos azuis, se faz imperar como figura dogmática absolutista a partir desse golpe mestre. Assim, a colonização mental se efetiva e se perpetua enquanto os opressores continuam tranquilamente a decidir racialmente os destinos de seus servos, encarcerados em sua própria mente, nesse Tempo Moderno onde o capitalismo cognitivo completa sua tarefa de dominação econômica e social, ditado através do padrão racial, estabelecido pela violência da colonização.

Dessa maneira, as dez mil religiões, dois mil e quinhentos deuses e as cento e duas versões bíblicas existentes na atualidade que pregam a mesmíssima coisa; o amor ao próximo; se transformaram em facções religiosas desde que um “santo” Papa[1] da chamada santa igreja romana, decidiu, em uma de suas bulas a qual podemos caracterizar como uma das primeiras fake News da história, que pessoas de pele negra haviam sido supostamente amaldiçoados por um de seus deuses arianos de pele branca, cabelos brancos e barba branca. Dessa maneira, passaram a ensinar esse ódio seletivo como narrativa divina, paradoxal aos mandamentos pregados por esses mesmos “históricos” deuses-caçulas arianos-homicidas, racistas e misóginos.

Dessa forma, os livros didáticos inauguram a interrupção da história da humanidade iniciando a pseudo-história greco-romana, plagiando despudoradamente as civilizações melanodérmicas, que foram relegadas ao exotismo, ao folclore e jogadas no campo do não-científico da vala do senso comum.

Dessa maneira, a civilização que desenvolveu a Matemática, Filosofia, Medicina, Astronomia, a Lógica, a Geometria, a Métrica... Enfim, as Ciências; além de civilizar os gregos, romanos e troianos; após essa dominação pela força bruta, deu-se início a era da razão eurocêntrica, que se define hoje pelo patriarcalismo, pela competição e seus extremos.

É desse modo que assimilação, perversamente introjetada pela Educação através dos livros didáticos, pelos meios de Comunicação e Informação e pelos livros sagrados das Religiões, fez com que fossemos guiados por nosso inconsciente; inconsciente este que se mostra absoluta e completamente colonizado. O resultado disso é que nem sabemos que não sabemos o que não sabemos e o que deixamos de saber sobre os fatos, das causas e dos motivos que nos levaram a ser guiados unicamente pela razão padrão eurocentrada e por como por vezes incontáveis defendermos radicalmente o discurso que sustenta tal razão.

Para desaprender esse nefasto aprendizado que nos ensinou destilar o ódio seletivo e o egocentrismo como modus vivendi, será preciso exercitar diuturnamente a nossa completa deseducação, para que possamos nos esvaziar dos conceitos enviesados e dos preconceitos estigmatizantes e finalmente será possível nos Desdogmatizar através da predisposição de nos redescobrir e definitivamente descobrir o Brasil. Esse é o 13º trabalho do Hércules da cor de uma noite sem Lua, que honra seus Rastas através da alteridade espargidas por seus Dreads Loaks desde o nascer ao pôr do Sol de todas as nossas auroras, solstícios e equinócios. Enfim, o predador e a presa se tornarão humanos.



Vede a aurora-criança, como sorri e fulgura, no colo dessa Negra- Filha original da Mãe-África, neta de uma noite sem luar. Cam está revivido! Está confirmada está alma que sempre foi, será e o é. - Por Rael Rasta




[1] Em 1452, o papa Nicolau V (1397-1455) emitiu a bula Dum Diversitas, autorizando os reis da Espanha e de Portugal a escravizarem não-cristãos. O papa mirava os povos do Oriente Médio, que resistiam ao evangelho e suas cruzadas, mas a medida beneficiou os traficantes negreiros a partir do século XV. Porém, desde 324 a igreja proibia, sob pena de excomunhão, que se ajudasse na fuga de escravos.


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