Total de visualizações de página

Pesquisar estehttp://umbrasildecor.wordpress.com/2013/05/29/jornal-cobre-lancamento-de-escrito blog

sábado, 18 de junho de 2016

DO INDÍGENA GALDINO AO NEGRO RAFAEL

Segundo a história contada pelo dinheiro, os caras-pálidas aportaram em Terras Tupiniquins exatamente no ano de 1500, uma data redonda e fácil de ser devidamente introjetada e assimilada por qualquer neófito, trazendo como oferta de boa vontade, seus espelhos-TVs seguido de morte para os povos autóctones. A mesma técnica foi usada com os povos melanodérmicos, quando presenteados com bíblias seguida de cruéis torturas, que lhes foram oferendadas.

Como só se pode oferecer o que se possuí, esses povos  (autóctones e melanodérmicos), ofertaram em agradecimento, além de sua hospitalidade, o ensinamento do conceito do significado de humanidade. Mas os caras-pálidas, do alto do seu Monte de Lixo misturado a saberes pluriétnicos roubados, Monte a qual etiquetaram como Monte Olimpo, se mantiveram na idade das trevas da qual haviam se originado; desse modo, o Umbral se fez presente no equilíbrio permanente da natureza humana, onde o bem e o mal conviviam como fonte de conhecimento e não de uma dicotômica competição hierárquica.

Assim se inicia a saga de terror leucodérmico; queimando e encarcerando corpos que não correspondiam a seus espelhos ofertados; espelhos que simbolizavam a sua  boa vontade e a sua particular paz nas Terras invadidas. Através das suas mentiras repetidas transformadas em verdade, tiveram a habilidade de transformar as vítimas em réus, e fazer com que essas mesmas vítimas acreditassem em sua suposta culpabilidade. Dessa maneira, as próprias vítimas punem uma as outras  ad infinitamente, num eterno círculo vicioso, enquanto os caras-pálidas, refestelados, assistem e se deliciando com o mórbido espetáculo das queimas de corpo, torturas e encarceramentos indiscriminados e categóricos.

Entre os oprimidos aliados, conhecidos como pretos de sapatos e capitão-do-mato, grassa a animalidade e a ausência completa de qualquer discernimento, seja diante da queima de corpos ou da pérfida e infame tortura. A naturalização dos crimes brancos contra a humanidade, agora fazendo uso dos pretos de sapatos para amenizar a própria culpa, são naturalizados através da repetição progressiva dessa infâmia como lugar-comum, fazendo predominar a completa robotização entre esses aliados da Casagrande, enquanto no senso-comum, a opinião pública assimila tal distopia como valor, revertendo os valores ancestrais que são colocados como antiquados, arcaicos e similares. Destarte, estar socialmente na moda, requer a iniciação de queima, tortura e encarceramentos de corpos oprimidos, de forma direta ou indireta. Ou seja, sendo executor ou mero expectador.

A natureza predadora do novo mundo, do mundo leucodérmico, sangra o velho mundo, seguindo as premissas bíblicas Freudianas de que o filho deve matar o próprio pai; sem mencionar o casamento com a mãe; esses mórbidos valores antropofágicos arianos, como vírus, vem gangrenando o senso de humanidade, retirando a dignidade da vida coletiva, do comunismo, a vida em comum, ao mesmo tempo em que faz propaganda da família nuclear como valor único.

No Brazill, 63 corpos negros São esquartejado por dia, assim como o que resta dos autóctones, que somente na metade deste ano de 2016, calamitosamente já somam a espantosa quantia de mais de 800 mortes. A sociedade, dependente de pão e circo, religiosamente assiste ao espetáculo de suplícios dominicais enquanto comemoram datas fúnebres como as da Páscoa, Natal e correlatas. As efemérides dos calvários alheios são festejadas com pompas e circunstâncias, sem culpas ou mínimo pudor, sem a percepção de que nossa vez, na fila do sacrifício, se torna cada vez mais próxima.

Vai chegar o momento em que dançaram em volta de nossos corpos esquartejados e em chamas, e finalmente, seremos a atração principal: nossos quinze minutos de fama branca. Então, finalmente o oprimido que virou opressor, vai poder se equiparar ao seu brancoso senhor. Mas seus sapatos, certamente vai servir a outros pés pretos contemporâneo, que continuaram os passos da sangrenta saga leucodérmica, até que o fogo purifique as almas transmutando carvão em diamante. Então, nunca pergunte por quem os sinos dobram; pois eles dobram por você, por mim, por nós...

sexta-feira, 17 de junho de 2016

AUTODEFESA JÁ...!!

https://www.facebook.com/299199820174323/videos/832095276884772/


segunda-feira, 13 de junho de 2016

Meu estranho Diário

Do Diário de Bitita ao diário de Anne Frank, nas páginas desfolhadas, entre pontos, vírgulas e reticências, é marcado o compasso do ritmo ventricular, nos passos percorridos no espaço entre o cérebro e o coração; resultante do caminhar entre as duas vias, nas idas e vindas, no escutar, no falar e no silenciar da ação, como reação ao ser, enquanto ser, buscando Ser.

Na filosofia melanodérmica reza que devemos nos definir e falar por nós mesmos. Nosso diário tem se definido como uma gigante interrogação que grita, clama e exige ser lida, mesmo nos descaminhos; em dias de lutas e dias glórias, e principalmente após as derrotas vitoriosas entre as magias de todas as cores que colorem os ventrículos da vida.

Entre os genocídios categóricos, promovido pelo predador aparentemente incoerente e inocente; nas vozes que se silenciam e das vozes silenciadas; em consequência da enviesada leitura do mundo leucodérmico sangrador da vida corrente, existe o suicídio homicida resultante dessa luta entre a força bélica e a força da palavra falada e escrita.

Nesse campo de batalha enxadrezado, não de preto e branco como no diário de Anne, mas no tabloide preto e vermelho, como no Diário de Maria Carolina; a sangrenta luta entre a arma branca e a palavra armada, tem manchado de sangue negro as páginas da vida, ornamentando de vermelho o branco manto da morte que a palavra tem continuamente vivificado. Desse modo, no diário da morte, vida é sempre vírgula, nesse longo livro da existência.

Não temos mais o livro dos Sonhos; outrora assinalado e agora apagado; como referência, no rodapé desse livro da história contada pelo dinheiro e confeccionada pelo capital, desde o chicote até a caneta da pena constitucional. Após as primorosas baionetas, mantenedoras de caprichos arrogantes e indolentes, riscarem o peito perfurando corações, a letra morta vivificada, que fora escrita no livro da vida de quem partiu, salta na face branca agressora, assassina e destrutora, como faca afiada da língua castrada.

Os mundos, invisíveis e visíveis, interpenetrados, agora se chocam, num turbilhão de vozes e palavras; às vezes com pontos e vírgulas, em exclamações sem fim, mas que não podem se calar e nem serem caladas. São vozes que gritam no barulhento silêncio dos que se foram em consequência de irrelevantes caprichos que só se mantiveram pela força do chicote e da caneta.

Desse diário, de capa preta com páginas vermelhas, escorrem copiosas lágrimas de epopeias dos sacrifícios forjados para a edificação da humanidade como ser coletivo; por isso, essa escrita é coletiva; e tudo que escrevemos para o outro, escrevemos para nós; já que quando descrevemos o outro, descrevemos a nós mesmos; enquanto medirmos por nosso umbigo, por umbigos alheios somos medidos nesse processo do olho por olho pelo de coração por coração em meio a esse mar revolto de letras e palavras, com seus numerosos significados sem significantes no silêncio das vozes aquietadas...



domingo, 5 de junho de 2016

Da Caverna de Platão à Caverna do Dragão


Era uma vez, uma linda princesa que, enquanto esperava por seu príncipe, desembaraçava seus lindos cabelos lisos  com uma escova de ouro adornada com as mais belas pérolas do reino, enquanto do outro lado do continente, Tarzan, o rei da selva, se balançava dependurado num cipó africano, como Peter Park em sua aracnídea teia mágica, que mais parece o Peter Pan em sua eterna brincadeira... O que todos os heróis do mundo têm em comum com essas cenas...!?? A extrema brancura da tez .

Poderia citar uma extensa lista branca de heróis caras-pálidas, com valores de brancos e fazendo branquices. Mas vamos analisar mais de perto esses conceitos, princípios e definições que foram transformados em signos de representações pela magia da televisão.

Constatamos que, por ironia do destino, todos esses brancos heróis estão sempre enfrentando um vilão, aquele cara muito mal, o demônio estuprador que por coincidência é sempre personalizado por outra etnia: normalmente um negro ou indígena.

Mas, você que está lendo essa afirmativa, e que está procurando nos arcanos da memória uma forma de rebater ou desqualificar esse fato, não se culpe, já que, certamente você foi afetado pelo discurso branco de que só eles, os brancosos, são boas pessoas, são legais, fortes, bonitos e poderosos.


É obvio que é o que qualquer ser gostaria de ser, certo....!? Bom, bonito, gostoso; forte, poderoso e amado; e além de tudo, sempre do lado da “verdade” e da “justiça”. Por esse motivo, portanto é perfeitamente compreensível que o indivíduo passe a se identificar com tais personagens e com esses brancos valores repassados; já que paralelamente os vilões, são estigmatizados, a partir desses padrões estabelecidos pela promoção dessa branca propaganda sobre si mesmo, ao mesmo tempo em que desqualifica, deslegitima e calunia o que ele considera como o outro; esse mesmo outro tão falado por Sartre e que se encaixa perfeitamente em teses psicanalíticas Freudianas ou mesmo de Adler, que implicitamente já estabelecia uma psicopatologia para a pessoa de cor.

Desse modo, na lição da escola, quando falamos da história de quem construiu o Brasil, falamos sempre em terceira pessoa, quando nos referindo ao negro, já que essa identificação não nos cabe, nem qualquer carapuça correlata. Essa certeza aumenta ainda mais, se tornando convicção, principalmente quando assistimos os noticiários sangrentos, sensacionalistas e exóticos. Nós nos excluímos a partir do momento em que sentimos que essa coisa não vai pegar bem pro nosso currículo; estando em nossa zona de conforto; ser identificado como o selvagem, o gênio do mal ou qualquer marginal pré-estabelecido como tal; por isso, andamos sempre na moda, vamos ao Mc Donald’s e bebemos Coca-Cola e raramente damos esmola.


Essa não valorização de nós mesmo é o que nos impede de amar e de nos amar, de sermos humanizados e humanos de verdade; uma vez que nos tornamos meras caricaturas confeccionadas pelos trabalhadores dos estúdios da Disney. Transformaram a gente num boneco de ventríloquo personalizado, que é monitorado e tem cada movimento ditado assim o que fazemos, dirigidos e articulados pelos famosos diretores dos filmes hollywoodianos.


Nossas vivências foram midiaticamente extirpadas, depois de lobotomizados, cotidianamente temos o coração docemente arrancado para que a robotização se dê de maneira satisfatória para presa e predador. Pronto; estamos pronto para falar de nosso povo em terceira pessoa e repetir, como se fosse um mantra, o discurso brancoso, olhando o mundo sempre através das lentes do branco.

Muito bem, você acaba de ser adicionado, acionado, direcionado, norteado, selecionado e sorteado para viver feliz na Matrix da Caverna do Dragão[i], cujo final não será feliz, se a gente não descer do cavalo e tirá-lo da chuva, a fim de uma boa e longa conversa sobre Reis, rainhas e princesas de verdade; e assim, sair da caverna de Platão, para subir finalmente no palco da vida fazendo nossa própria história.






[i] Desenho animado exibido nos anos 80, cujos personagens guerreiros viviam presos num limbo; a missão deles era fugir desse lugar e para isso contava com a ajuda de um bondoso Mago, contra as armadilhas preparadas por um demoníaco Ser que queira leva-los para uma perigosa dimensão. Ao final da temporada do desenho, os fãs descobriram que os personagens, na verdade, era um grupo de amigos que havia morrido num acidente automobilístico e estavam as portas do inferno; e o bondoso Mago era o Diabo, enquanto o demoníaco ser era mesmo, seu protetor que sempre impedia que o diabo os levassem para seu reino através da sedução sobre a capa de bondade, verdade e justiça. Como nos filmes eurocentrados sempre seduzem, apresentando os heróis e heroínas brancos como defensores da justiça e da verdade.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Nosso Gólgota de cada dia nos dói hoje...

São 5 horas da manhã, assistindo os raios do sol que tenta preguiçosamente se levantar enquanto abro a porta de casa e saio pra trabalhar; logo no portão ao chegar, junto ao som do rangido, escuto com atenção o engatilhar de uma doze e um estampido, vendo o dedo nervoso no gatilho, de um policial escroque atrás do poste, e do seu comparsa com uma glock que me observam com olhos de açougueiro no matadouro próximo ao bueiro do esgoto, anunciando seu agouro.

Após alguns passos medidos, vigiados, tímidos e recatados na saída do lar, desço a ladeira dando passagem na esquina a um caveirão lotado de abutres em cima; esquivando da mira cretina, me esguio até o bar da Tia Ciata pra comprar uma bala de nata, a fim de adocicar o correr da adrenalina trocada... 

Mas desisto quando de relance, a minha visão além do alcance, na hora exata, me revela meia dúzia de doze P2 de 12, de costas uns para os outros, em forma de casamata; pensei: perdi minha bala, não mais tenho essa mamata de sorrir na saída de casa pro bar da Tia Ciata.

Finalmente chego ao trabalho estressado, atrasado, enfezado e arrasado, pensando na volta pra casa, toda sitiada por hienas e chacais dia e noite, noite e dia, como em qualquer semana normal em todos os meses de todos os anos, nesse Estado Democrático de Exceção, dessa República que mata e estupra essa senzala-nação por meio da euro-educação e muito tresnoitarão  sem nenhum pesar ou vacilação; e comemora com churrasco o nosso holocausto, só no pancadão.

É dia de festa na UPP, e a viatura, a porta voz da ditadura, que vem em toda noite escura trazer a mensagem do amigo oculto da escravatura. Assim, toda noite é noite de natal e todo dia é de carnaval, com direito a diabruras ou gostosuras dentro de um saco preto cheio de balas perdidas adornadas pelas manchetes dos jornais nacionais todos os dias normais.

E ao final de todos os dias, de saco cheio; Negro dentro de num saco preto do papai Noel branco blindado, para que os filhos da branquitude possam festejar a ação desgraça e a anunciação da morte na manjedoura, dos pretos meninos nascidos mortos pela raça racista no alto do morro: nosso Gólgota de cada dia nos dói hoje. 

Volto para casa contando infindáveis minutos de silêncio que faço todos os dias para cada alma que parte proporcionando quinze minutos de fama ao capitão do mato sacana que reclama de seu salário assassinando um novo otário: trucidando seu irmão preto sem emprego, sem teto e sem cama, que não pôde seu sonho realizar de um grande engenheiro se tornar.


Hoje, ainda volto pra casa, enquanto coleciono as minhas diásporas de cada dia... Mas amanhã, quem por mim fará um minuto de silêncio quando os sinos se dobrarem...!?? 

São 17h; vejo a lua cheia se anunciar no canto do urutau, enquanto no olhar da coruja que me previne do mal proveniente do poder sem pudor estatal, o gato branco que cruza a esquina assassina, falando das sete vidas dessa sina minha. Sigo a sequência da visão mostrada pela televisão e só agora compreendo o destino traçado para nossa nação.Visão da situação: voltando à eternidade do lar...Status; start...

Ps: os sinos tocam...










Do Livro da Morte; do capítulo holocausto negro; Fragmentos do versículo “Somos todos humanos”...


Dizem; ..."A ÁFRICA NÃO EXISTE"..; Eu digo: existem as Áfricas; da mesma forma que o negro não existe; existem os Negros. Na diversidade dessa negritude trilhada sobre espinhos brancos, muitíssimos pretos não resistem e se deixam gentrificar, tornando-se, desse modo, um patético Negropeu autêntico, produtos esses que seguram firmemente o chicote de nove caldas fornecido pelo sinhozinho, durante um macabro ritual de magia branca, sendo este o instrumento, passado no processo desse infame ritual, que sempre garantiu o processo da colonização mental, injetada e introjetada em seus pares através da cultural e da política, psicológica e socialmente . São esses pretos que, não conseguindo empretecer o mundo, embranquecem no corpo suas atitudes embranquecidas pelo pensamento, além daqueles Afromodistas que mantém suas atitudes obsequiosas para com os brancos, uma vez que são violentamente coagidos pelo medo e pela força.

Esses meios de alienação, que são habilmente usados pelo branco opressor, fazendo do olhar negro um branco olhar, faz nascer de um abraço negromata-leão e do sorriso negro a traição somente para com o seu irmão: De um lado o preto-grin[1], a réplica do branco, nos discursos e atitudes; e do outro o Capoeira[2], o guerreiro radical e marginal, saído de qualquer matagal, com fala informal, frente a um envernizado comício Estatal, cercado pelos pretos capitães (do mato) de empreendimento empresarial.  

Desde a independência do Brazill, os exércitos negros, a guarda negra, os lanceiros negros, e hoje, a polícia negra do homem branco, têm servido aos gerentes brancos do mundo, para coagir os próprios pretos a aceitarem a pecha de minoria e a agirem como minoria e, o pior de tudo, os leva a realmente se sentirem como minoria. E isso é reproduzido em todos os setores negros da vida negra nessa branca sociedade escravagista, hipócrita, indolente, infame e arrogante que é essa sociedade de valores invertidos, deturpados, equivocados e hediondos; nossa sociedade eurocêntrica.

Dessa maneira, o negro acreditando não possuir resistência ontológica, se queda diante dessa arriscosa infecção afetiva que o branco lhe transmite a partir do discurso do "somos todos humanos", num mundo onde o branco representa o capital e o negro representa o trabalho, enquanto negras e negros tropeçam nos escombros da própria solidão. como zumbis de hollywood; tenebrosos, sinistros, sozinhos (mesmo acompanhados) e amedrontadores.

As queridas pessoas brancas nos evitam, pensando que vamos ataca-las e devorar seus cérebros. Ou seja, fazer o mesmo que eles fizeram com a gente; nos tornaram acéfalos a ponto da gente não mais se reconhecer e não reconhecer nossos pares, nossos irmãos, nossos camaradas. Somos temidos, mas quando querem lembrar que são humanos, voltam-se para nós, a fim de roubar justamente o que lhes faltam: A humanidade.

Nós negros, somos casados com a terra, como afirma Fanon, e eles, os brancosos, se apropriaram de nossa companheira, que nos dá a vida, mas... Não conseguem possuí-la, mesmo estuprando-a. Então é a nós a quem eles recorrem quando estão ficando irremediavelmente robotizados, desumanizados ao extremo, para que possam resgatar a magia da força que dá a vida, através da humanidade; antes que pereçam como o brancoso Narciso.

São mortos-vivos que não sabem de sua condição de fantasmas da humanidade, de monstros da humanidade, praticantes dos crimes mais hediondos contra a humanidade; por isso, desejam a igualdade e lutam por essa igualdade predadora, onde a competição irracional garante a sobrevida. As ações afirmativas tuteladas por essas queridas pessoas brancas, que sempre esperam a reação correta por parte dos tutelados[1], mostra a gravidade dessa doença típica de zumbi de Hollywood, que é transmitida através da mídia, fixando-se como hospedeiro na alma negra, alquebrando seu espírito que se divorcia da natureza, tendo esse resultado desastroso como consequência.



Desse modo, a mãe África verte permanentes lágrimas em infindáveis minutos de silêncio constantes diante dessa ensurdecedora inquisição. Os mortos que ainda estão de pé e nem sabe que não sabem de seu fenecer espiritual, esses divorciados da terra, aguardam, como Zumbis de Hollywood, o barco da eternidade que chegará através dos rios de lágrimas e de sangue negro, vertidos de todas as mães e irmãs dos negros que não conheceram o Zumbi das terras da Afreaka; da terra-mãe; para levá-los para a outra margem, no além-mundo; para que um dia possam se noivar com a terra novamente e, quiçá, casar-se de novo com a vida.

Estamos mortos e somos mortos nos campos da paz branca na batalha do cotidiano; assassinados por zumbis brancosos mortos, que desejam e matam pela igualdade de espíritos. Espírito humano, Espírito de Ser humano, Espírito  das Terras de Palmares, do Zumbi que retornou na barcaça do além.











[1]Palavra essa atualizada em substituição ao termo “vassalagem”, para ficar em consonância com a política correta cunhada no conceito da troca de espelhos pela riqueza de todas as nações.  


[1] A caricatura do solícito negro serviçal, muito famosa na mídia dos anos 30.
[2] Quando falo do capoeira, me refiro não ao lutador de capoeira que é em sua maioria branco, mas falo do capoeirista que são negras e negros em sua maioria. Ou seja, o negro conhece os fundamentos e a magia que se esconde por trás de cada movimento, canto e toques executados; enquanto o para o branco, a capoeira é só mais um esporte marcial.