Total de visualizações de página

Pesquisar estehttp://umbrasildecor.wordpress.com/2013/05/29/jornal-cobre-lancamento-de-escrito blog

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Da Ética Étnica: Inter racialidade e intercessão racial...

A branquitude desvairada, na ânsia desmedida de monopolização total da cultura, a fim de dominar os povos colonizados; vem habilmente se apropriando e fazendo uso mordaz da pseudo solidariedade; qualidade esta, de propriedade exclusiva dos povos colonizados; para legitimar-se como malungo. Ou seja, como companheiro de caminhada.

Os vídeos clips lançado na mídia mundial para esse fim, são provas contundentes desse selvagem exercício infame; por exemplo, o clip USA FOR AFRICA - we are the world, gravado por diversos cantores norte americanos por ocasião da grande fome e guerra nos países africanos, ou mesmo a canção everybody hurts do grupo REM, também gravado por diversos cantores populares ingleses, por ocasião da tragédia do terremoto no Haiti; da mesma forma que muitíssimos outros fizeram no episódio Nélson Mandela e tantos outros momentos de sofrimentos intensos dos povos colonizados, proporcionados direta e indiretamente pelos vampirescos povos leucodérmicos; assim como estes movimentismos de "clips solidários" existem outras centenas exemplos-armadilha de pseudo solidariedade.

Essa afirmação é de cunho público e notório, uma vez que os artistas influentes se juntam, para gravar o citado clip, que vai angariar vastíssimos dividendos não computados; assim como os dízimos nas religiões; e seus trabalhos ai se encerram, com raríssimas exceções, dai, julgam ter feito o seu melhor, ficando com a doce ilusão de ter feito a diferença para aqueles, cujo resultado do solidário trabalho os seus esforços fora direcionado. Obviamente, os resultados desse trabalho está estampado na continuidade do sofrimento intenso que a mídia, de maneira escancaradamente sutil, tenta dissimular, escondendo a pilha de corpos nas valas coletivas a céu aberto, assim como outrora, ela só mostrou as valas coletivas e o sofrimento dos judeus brancos. Sendo assim, a cultura branca de se lavar as mãos é um dos poucos legados deixados pela monocultura eurocêntrica, além do comércio de armas e de drogas, que funciona racialmente, e de maneira radicalmente satisfatória para eles próprios, já que sabemos, através dos reais indícios que, definitivamente não negam, para quem vai realmente o resultado de todo esse "trabalho". 

Essa é a seleção natural, escolhida pelos povos leucodérmicos, para regrar o campeonato mundial desse perigoso jogo onde os competidores disputam a própria vida numa roleta russa, tendo como espectadores, as queridas pessoas brancas de olhos claros, que ironicamente, são auxiliadas de forma quase religiosa, pelos próprios contendores. Dessa modo, os heróis desses contedores, acabam sendo aqueles vampiros leucodérmicos que morrem de overdose, por acharem o jogo demasiadamente tedioso.

Destarte, a fabricação de heróis se dá através de atos similares a pseudo solidariedade. Ou seja, utilizando os mesmos princípios ao formar malungos vampiros como legítimos heróis de ética étnica. Essa qualidade dos eleitos heróis leucodérmicos estão estampada na face pálida colonizadora de sentimentos e adestradoras de pensamentos melanodérmicos, na medida em que ele acaba por formar e formatar o negro como réplica de si mesmo, agindo como um poderoso vírus que se alastra sem controle ou quaisquer limites de ação contra seus próprios pares.

Assim nasce o discurso de que, somos todos seres humanos, a estrambótica afirmação de que o racismo não existe, ou mesmo a improvável possibilidade da existência de um racismo reverso. O negro, direcionado por seus novos heróis, conseguem subverter a história na  medida em que valida toda e quaisquer histórias legitimada pelo dinheiro. Ser desinformado ou mal informado é a fórmula de se legitimar como cidadão de direito, ao mesmo tempo em que se abandona a felicidade da ignorância, que traz a irresponsabilidade sobre si mesmo, e equivocadamente sobre seus próprios atos.



Dessa maneira, os comerciais, os shows, as novelas e filmes se multiplicam propagando a inter racialidade como troféu de humanidade, quando na verdade ela, a inter racialidade,  se transforma numa ardilosa e inocente relação vampiresca, via de mão única, que reproduz a escravização mental do ser colonizado, tal qual a relação da viúva negra com o macho da espécie; um prazer que lhe custa o bem mais precioso que possuímos: a vida. Ela, essa relação, se resume a uma relação onde um anula o outro através da herança simbólica e/ou material de ambos. É nesse momento que amor rima simbolicamente com terror e solidariedade com maldade; é o nosso Delenga Cartago transformado em realidade eroticamente nua e crua. Se não somos sementes, nossa história corre o risco de findar nessa armadilha eurótico-cêntrica inter racial. Visto que, nessa intercessão, o ser negro é o único que percebe a mensagem cósmica dos tambores, sendo capaz de decifrar e transmitir seu sentido e seu alcance nessa caminhada onde imensos lençóis d'água ameaçam sua alma de fogo. por isso, tentam nos roubar os nutrientes humanizantes que faz luzir  nossa mensagem de vida na vastidão de bilhões de universos incandescentes, usando para isso, uma prosaica e cruel armadilha: o apelo a própria vida, delles...

Rael Preto







Delenga Cartago*: "destruam Cartago...!!!" Ordens dada por um general romano ao seu imenso e poderoso exército frente uma pequena cidade Africana chamada Cartago. Para melhor entender essa parte da história da humanidade, vamos contextualizá-la em seu momento em seus aspectos gerais.

A religião dos romanos, os seus deuses, seus ritos originalmente vieram do Egito. os 5.000 anos de idade da nação egípcias fizeram os gregos e os romanos adotarem seus deuses, filosofia,arte, moda, cultura. os negros romanos nunca negaram que sua ligação histórica, religiosa, e cultural veio da África etíope, egípcia, Cartago, e Grécia negra.

O centro cultural do Império Romano foi o Egito, especificamente Alexandria. lá um tinha os livros, os ritos, a tradição e as disciplinas de mistérios antigos que haviam sido desenvolvidos milhares de anos antes de Roma. Até o dia de hoje, as artes e ciências encapsulados nesses livros mordermos, são fundamentos para a construção bem sucedida e de qualquer sociedade humana.
Os gregos, que fortemente influenciaram Roma, foram no início uma colônia de egípcios e fenícios (vizinhos egípcios) para todos da África. As primeiras e mais antigas civilizações dos Creteans, Maltans, Pelasgians, Ionians e Therans veio da África. A população foi eram predominantemente Africano.

Roma tinha três ramos preto de origem, Rômulo e Remo por parte de regia Silvia que eram de sangue troianos, os troianos eram da estepe etíope, Roma era conhecida como atiópika. tinha um ramo dos etruscos que eram pardos e negros. Roma era também tinha uma colônia de plantação de cartagineses Lords negros e da família Nigrinus e propriedade em grande parte pela família Baarka, de Amilcar barka e hanibal barka, a guerras entre Roma e Cartago era uma guerra de independência total de Roma das garras de Cartago.

Você vai ver que parte de Roma começou como uma colônia ou vassalo do Kartha Hadashians (Cartago), se você fosse para analisar sua história muito bem. Foi a influência dos cartagineses que fizeram de Roma. Roma mais tarde obteve a sua independência e até, eventualmente, destruiu Cartago. No entanto, Cartago tinha mil anos de cultura elevada e preeminência antes de Roma nascer. No momento em que foi destruído pelos romanos, Cartago era um milenar Império Africano preto, governando o mundo então conhecido por suas ligações marítimas.

É verdade que os governadores, homens livres e os escravos de Roma se rebelaram contra Cartago e conquistou a sua independência nas duas famosas guerras púnicas. porque você encontra tantos Norte Africano Imperadores romanos, e altos funcionários no império romano? Romanos livres foram divididos em Patricans e libertos e plebeus. Houve uma enorme concentração pessoas de Mouras "negras" na classe patrícia bem como libertos. Os latinos eram em sua maioria plebeus os mais claros de pele eram da cor dos paquistaneses, sírios, ou turcos, Assim você vê que Roma era uma coleção de preto e pardos.

Os chamados brancos, aka os góticos rosa-vermelhos e Eslavos veio mais tarde sobre no curso dos mil anos de existência de Roma, em Roma eles eram os mendigos os peregrinos, as prostitutas e os plebeus de Roma, Quando eles aumentaram em número suficiente e por meio de guerra e política muitos destes albinos se juntaram a outros vindo da Ásia, Eles finalmente Estouraram as barreiras da Roma imperial que os havia contidos na Europa Central, no lado norte do rio Danúbio, os bárbaros góticos e hordas eslavas inundado Roma, Europa meridional e central, Europa Ocidental, bem como, explodiu em África, e em seguida, partir para o Américas e na Austrália. Como demônios libertados do inferno.

Esses bárbaros são os ancestrais diretos de hoje albinos europeus, os chamados: italianos, franceses, alemães, Inglês, Bélgica, Holanda, Suécia, Rússia e a totalidade das chamadas raças brancas da Europa de hoje. E esses descendentes gothic passaram mil anos, a história re-escrever, destruindo monumentos, queimando livros e bibliotecas, em uma tentativa de esconder a verdade sobre si mesmo, e para usurpar a majestade e excelência das grandes civilizações negras. Eles teriam que enganar as pessoas negras (os verdadeiros donos deste mundo) em uma vida de complacência e subordinação, em que eles são incapazes de afirmar a sua legitimidade. É por isso que eles têm investido tanta energia em re-escrito e recontar a história do Império Romano e e da Europa fazendo deste continente seu quartel general de la foram falsificadas historia política religiosa,cultural,artística, os personagens desta historia mudaram de cor, com a ascensão dos jornais e televisão ouve o bombardeio de informação falsa, junto com escolas, faculdades, igrejas,foram proclamadas a supremacia branca, tudo para esconder a real historia do homem brancos sem pátria, cultura, artes.

Eles sabem que são apenas bárbaros imitadores da cultura preto Africano por isso o maior medo deles é que se toque na historia grega romana como historia preta, porque estes dois países são a menina dos olhos do homem branco,e por meio deste duas nações que eles tem ludibriado o mundo.
enquanto todo mundo estiver ocupado com África reinos africanos, para eles esta bem, eles podem até engolir, mas partiu para Europa eles tremem na base porque sabem que la estão escondido o segredo da sua verdadeira origem, mas o mais hilário é que eles mesmos estão se destruindo cavando literalmente sua pro pia cova, porque seus estudos,e achados arqueológicos a cada dia revela que antes deles os pretos eram os senhores de toda Europa, para isto é só observar os achados arqueológicos que estão espalhados nos museus de toda Europa, e ainda os artefatos do império muro que estão visivelmente diante de seus olhos. contra fatos não a argumento.

nota: Ostia Antica é um grande sítio arqueológico, perto do subúrbio moderno de Ostia, que foi o local da cidade portuária de Roma antiga, que é de aproximadamente 30 km (19 milhas) a nordeste. "Ostia" (plur. De "ostium") é uma derivação de "os", a palavra latina para "boca". Na foz do rio Tibre, Ostia foi porto de Roma, mas devido ao assoreamento do site está agora a 3 km (2 milhas) do mar. [1] O local é conhecido pela excelente preservação dos seus edifícios antigos, magníficos frescos e mosaicos impressionantes.



sábado, 17 de dezembro de 2016

Era uma vez, um Povo todo Preto: Uma comovente história de tiro, porrada e bomba...

Para nós, negras e negros, o racismo, o machismo e o feminismo tem sido algo tétricamente devastador para nossa história; visto ser, a predadora monocultura branca, a cultura dominante, como juiz supremo que determina todas as causas e todas as coisas. 

Quando esse leucodérmico juiz supremo lhe impõe um papel a cumprir e um lugar cultural de direito, todos os atores sociais vão seguir tal precedente e configurar seu julgamento seguindo tal exemplo; do momento em que, nossa sociedade, seguindo o cinismo e a hipocrisia que legitimam todas as relações sócio-político-religioso-cultural, relações estas, que são baseadas unicamente sobre a égide das dissimulações regidas por princípios e conceitos ditados pela epistemologia leucodérmica; selecionando desse modo, suas verdades e a priori, expondo-as nas vitrines sociais as vistas dos ávidos euro-cidadãos-consumidor de direitos e benesses; seus subservientes figurantes anexos ao tapete vermelho; pretensos substitutos e pretendentes ao lugar de ser humano. Por fim, faz da alienação uma arma que transforma qualquer negro e negra numa réplica de um branco nos discursos e atitudes.

Aquele que consegue olhar esse mercado infame e ver esse expediente genocida ao qual nós, negras e negros somos submetidos diuturnamente, estará constantemente em luto ou lutando contra tal infâmia; diante dessa barbárie institucionalizada e naturalizada pelas queridas pessoas brancas; uma vez que, pelo retumbante silêncio passivo e pela vergonhosa permissividade, a sociedade escolheu ficar ao lado do opressor. Esse processo fúnebre se faz presente nos momentos mais sensíveis da humanidade melanodérmica; nos momentos de adoções ou nas divisões paternas das obrigações relativas aos filhos e filhas, diante de um lamentável divórcio, por exemplo.

Desse modo, todas as decisões tomadas nesse sentido, são para dividir as negras e negros, fazendo uso, ora do machismo, ora do feminismo, visando sempre o princípio da divisão étnico-racial. É público e notório a defesa desses conceitos eurocentrados, tanto do feminismo como do machismo, por mulheres e homens negros; de maneira tão inflamada, que já tornou-se lugar-comum. Esse contexto ocorre justamente numa contundente conjuntura de assassinatos categóricos de nosso povo preto.

Nosso amor, a nós mesmos e ao nosso próprio povo, passou a ser seletivo, e essa não-valorização de nós mesmos, nos impede de nos amar, uma vez que somos conduzidos pela cultura leucodérmica, que se fundamenta exclusivamente na hierarquia excludente, se mantendo através do estímulo a competição antropofágica, na medida em que transforma nossa sociedade num grande espetáculo, transmitido on line, direto dessa grande arena romana, onde somos impelidos pela branquitude, a lutar contra os nossos pares. Essa aguda infecção afetiva faz com que deixemos de perceber esse mecanismo usado, a fim de que não os incomodemos em sua trilha predatória de insana carnificina; trilha esta, praticada como mero exercício de distração dominical. O hétero, cis, brancu tenta provar a si mesmo que está exercendo o poder como senhor absoluto e incontestável do "outro", já que o pelourinho se tornou algo mal-visto, além de démodé para a velocidade desse vertiginoso mundo contemporâneo.

Esse é o resumo do contexto histórico desse mórbido espetáculo desumanizador, onde irmãos negros, desinformados ou mal-informados de sua própria história, divergem frente aos brancófagos na defesa dos conceitos euro-alienígenas. Esses irmãos e irmãs, julgam estar, de forma inédita, reinventado a roda ou redescobrindo o fogo, ao recomeçar a história do zero, desprezando todo o caminho percorrido por seus mais velhos. Uma vez que os princípios leucodérmicos os tem adestrado na falsa ideia do inovar, e sempre a valorizar o que é novo. Ou seja, a cultura leucodérmica; desprezando desse modo, o que veio antes, considerando como algo da alçada do folclore, portanto, desnecessário. Dessa forma, somos domesticados, na medida em que vivemos inflacionados de generosas informações e zerados daqueles conhecimentos importantes que realmente venham a fazer diferença nessa sociedade, onde vivemos num eterno looping, como aquele ratinho-cobaia em movimento perpétuo na roda-teste no interior de um euro-laboratório.

Deste modo, esse movimentismo nos dá a falsa sensação de que estamos realizando algo tremendamente importante em nossas vidas e em nossa pseudo-história, quando na verdade, somos como feras, enjauladas num espetáculo dirigido por meia dúzia de escravocratas, nesse grande circo em que se tornou a vida humana na terra; vida que deixou de ser escola, uma vez que não temos mais a pré-disposição de aprender as lições dadas por ela; vida que não tem nos poupado de suas constantes provas cotidianas, mostrando que, aquele que não sente a dor do irmão, já está, há muito, contaminado com a doença da branquidão e, mais do que nunca, é necessário perceber que a alma do branco está corrompida, mecanizada demais, e por isso eles se apropriam da negritude para roubar os nutrientes humanos, enquanto o resultado desse processo, é o tropeço das negras e negros nos escombros da própria solidão... CUREMO-NOS...Ou permaneceremos no limbo social desse entre-lugar nenhum do país das Maravilhas na Terra do Nunca...

Rael Preto

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Do objeto da REPARAÇÃO aos Descendentes de Africanos Escravizados no Brasil...



Oficialmente, do ano de 1500 a 1888 o Estado brazilleiro foi embaixador da escravatura em solo tupiniquim, sustentando violações e torturas, assassinatos e humilhações públicas daquelas pessoas que não tinha a cor da burguesia.

Após esse período oficial da legalização do Estado de direito a desumanização do povo negro através de seus governos, foi informalmente aberta a temporada de caça daquelas pessoas formadoras do povo negro, com o intuito único de exterminar esse mesmo povo, de maneira direta e indireta e com requintes de crueldades a gosto..

Dessa forma, foi instituída as políticas públicas para esse fim; política inserida principalmente na constituição de 1932, que tornava obrigação do Estado, o incremento da limpeza étnica conhecida como eugenia; antes foi tomada todas as precauções tais como a instituição da lei de terras, proibindo o acesso à terras aos africanos e seus descendentes, vítimas desse mesmo Estado.  

Atualmente, os descendentes desses escravizados, estão exilados das cidades e da cidadania, vivendo em guetos, extensão das senzalas; os atuais Campos de concentração, sendo tais territórios devidamente marginalizados pelo poder público, e o local onde as forças desse mesmo Estado têm a plena liberdade de torturar, humilhar e assassinar em nome do Estado, haja visto o número de corpos que superam os corpo das três grandes guerras num tempo recorde de atuação das forças estatais.

Bate-me e ameaças-me, agora que levantei minha cabeça e gritei "BASTA" (...) Condenas-me a escuridão eterna. Agora que minha alma eterna de África se iluminou e descobriu o ludibrio; e gritei, mil vezes gritei: "BASTA". Arma-me grades e queres crucificar-me. Agora que rasguei a venda cor-de-rosa e gritei "BASTA"...
(Noemi de Souza, poeta moçambicana)

Hoje o número estarrecedor de negros encarcerados, tornou-se lugar comum, pois o Estado aceita e acolhe satisfeito as ações coercitivas de seus agentes, na efetuação de quaisquer constrangimentos, humilhações e vilipêndios de toda a natureza, contra pessoas que não possuem a cor do poder ou que discordem de suas determinações na condução dos destinos desse povo. Cerca de 47% dos encarcerados nas cadeias da supremacia branca representada pelo Estado, não tem sequer acusações formalizadas, apenas estão lá.

Dessa maneira, o Estado-violador pratica esse crime histórico até mesmo sobre a égide da proteção dos sujeitos violados, afirmando obedecer as leis positivas impostas pelos tribunais internacionais que,  através de políticas de fomentos e proteção, exigem REPARAÇÃO aos sujeitos violados.

Os precedentes para que haja tal Reparação, são, escancaradamente escandalosos; e diante disso, tornou-se estúpido o acinte e o desprezo do Estado na desobediência das leis as quais ele se tornou signatário durante a conferência de Durbam;  é uma declaração explícita da ruptura de tudo que podemos conceber como humano ou humanidade.

Quando se trata de um povo com a cor certa, até mesmo as leis que os protegem, se não existirem, passam imediatamente a existir; a partir de esforços conjuntos da matéria que lhes dizem respeito. Ou seja, quando se trata de legislar em causa própria tudo se resolve a contento. Exemplo disso foi a causa referente ao povo judeu, que teve a sua reparação exigindo um Estado e a preservação de suas memórias nos espaços em que eles estiveram, tanto na Alemanha quanto na Polônia.

O Povo Negro, nesse momento, não exige um Estado para si, mas sim, um Estado compartilhado, além da REPARAÇÃO dos crimes históricos perpetrados contra ele. Exigir dos descendentes de seus algozes o cumprimento da lei, onde os mesmo se veem responsabilizados moralmente por esse hediondo crime da história, parece utopicamente contraditório. Exigir dignidade a família dos carrascos de seu povo é uma missão gigante para se realizar dentro dos parâmetros da legalidade, da ética e do respeito, principalmente quando os princípios culturais, religiosos e sociais de povos melanodérmicos e leucodérmicos são decididamente assimétricos; tão contraditórios como a práxis da constituição de uma república que abriga três povos heterogêneos, onde se observa o artigo 5º que reza o seguinte:

Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, em três termos principais que aqui destaco:
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
· Lei de imprensa – Lei nº 5250, de 09/02/1967.
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

Ressaltando que o crime histórico, que foi o crime da escravidão, sendo um crime político contra a humanidade, promovido pelo Estado; não se condiciona aos princípios básicos do código penal brasileiro em sentido estrito, já que este crime foi e a continuação dele é praticado com base na mesma legislação criminosa que segrega e nega a qualidade humana de existir, uma vez que promoveu e promove tais torturas e assassinatos legalizados nas mesmas leis regida pelo citado Estado.

Outrora, todas as manifestações culturais negras, como a capoeira, o samba e o candomblé, eram punidos com torturas e prisões; hoje não é diferente; um baile funk por exemplo, pode acontecer livremente no asfalto, mas caso ocorra numa comunidade negra, seja na favela ou periferia, as represarias covardes, por parte dos agentes do Estado, são públicas e notórias, como pública e notória é a segregação espacial e geográfica, econômica e social, sendo esse massacre cotidiano  e diuturno camuflado pela justificativa do combate as drogas; justificativas estas que não se aplica aqueles que possuem a cor e o CEP diferentes da do elemento padrão apontados como objetos de escárnio pelo citado Estado que, definitivamente, tem representado os interesses da oligarquia escravocrata nacional e internacional.

É notório e público esse direcionamento perverso da política criminal que visa a segregação integral do povo negro, seja através do genocídio gradual ou da prisão em massa, configurando um crime histórico em flagrante, visto ser a continuação e perpetuação da escravização que começou com na infâmia do tráfico negreiro, durante os sequestros de povos africanos e da colonização da própria África.

Hoje, a poeta moçambicana Noemi de Souza, coloca nossa voz em suas letras quando grita mil vezes "BASTA". Dizemos "NÃO" a essa ofensa trágica e assim gritamos por nossa dignidade humana de ser sujeito e não mais objetos. portanto, dentro desse espírito humano, e pautados pela ordem jurídica internacional e nacional, apresentamos nossa proposta de REPARAÇÃO, ressaltando que até o presente momento o Estado tem se omitido perante todos os compromissos internacionais assumidos para esse fim, ignorando a declaração de Durbam, o Pacto de São José e tudo aquilo que se refere a quaisquer ideias de Reparação.

Temos a necessidade urgente de criar mecanismos econômicos, dentro dessa falsa crise; onde os administrados do Estado tem desviado as receitas do Estado para suas contas particulares; a fim de viabilizar a necessária Reparação para os Descendentes de Africanos Escravizados no Brasil, atuais vítimas do Estado nesse crime continuado sustentado por seus agentes.

O regime escravagista que sugou o patrimônio nacional e todo o seu tesouro, construindo as riquezas através da força do povo negro, e colocando o Brasil entre um dos cinco países mais ricos do mundo, cujas famílias tradicionais euro-descendentes que aqui habitam, detém indiscutivelmente toda a sua herança adquirida através desse crime histórico, devem assumir a sua responsabilidade moral no usufruto das riquezas por eles adquiridos de forma ilegal, através de muito sangue e suor negro, devendo lidar com o fato de que essa herança também é objeto de Reparação, no processo dessa nossa tentativa de construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

Portanto, assim como nossos antepassados, que foram tratados como objetos que respira e anda, sendo taxados e rotulados para disponibiliza-los para serem negociados em compras, vendas, alugueis, trocas e doações, e que sobre esses mesmos objetos humanos o Estado cobrava impostos, (sisa); esse mesmo Estado, deve portanto, reservar receitas destinadas a essa Reparação, a título de Fundo Nacional de Reparação, assim como foi o Fundo de Emancipação pago pelo Estado os escravocratas, que receberam de 1871 até 1930.

Devido a isso, e muito mais, deve ser, de imediato, vinculada uma parte da receita da União Federal do orçamento anual do PIB, por um período de tempo proporcional definido, para atender a despesas específicas das coletividades quilombolas, favelas, além de coletivos negros, com fins destinados exclusivamente a política da Reparação histórica.

Portanto, concluo afirmando que, diante do exposto, as providências cabíveis e de direito devem ser tomadas, tanto em instâncias nacionais como internacionais, tendo o objeto de Reparação aos Descendentes de Africanos Escravizados no Brasil, vítimas de ontem e de hoje do regime infame que foi a da escravidão neste país, e que se prolonga sem previsão de uma abolição verdadeira.


"O que nós vamos ter que fazer é recuperar as coisas que nos pertencem, e temos de nos preparar para isso. Temos de desenvolver um temperamento para a liberdade, e temos de aprender algumas lições da história que levam a nossa libertação. E temos de nos localizar nos mapas da geografia humana. " Dr. John Henrik Clarke


Rael Preto

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

INVICTUS

Bate-me e ameaças-me, agora que levantei minha cabeça e gritei "basta" (...) condenas-me a escuridão eterna. Agora que minha alma eterna de África se iluminou e descobriu o ludibrio; e gritei, mil vezes gritei: "basta". Arma-me grades e queres crucificar-me. Agora que rasguei a venda cor-de-rosa e gritei "basta"...

Faço minha, as palavras da poeta moçambicana Noemi de Souza, diante desse instituto oficializado, obviamente, de maneira cínica, hipocritamente implícita. Isto é, na prática se apresenta sobre o invólucro de uma pueril inocência; fato que lhe dá a aparência de legitimidade. Isso resulta numa histeria coletiva, quase religiosa, instalando um execrável sentimento provocado, capitaneado e naturalizado pela perversa mídia mundial. Falo do irascível e prosaico racismo trazido como um pesado fardo pros descendentes de africanos escravizados no Brazill. Foram mais de 120 milhões, oficialmente sequestrados, somente para este país chamado Brazill. Considerando que os números ditos oficiais representam a pontinha de um gigantesco iceberg, isso mostra o hediondo tamanho desse flagrante delito.

Esse crime corrente, atual e flagrante, que a sociedade; habilmente direcionada pelos próprios criminosos que gerem o país, e todas as instituições vigentes; fecham os olhos pra essa realidade nefasta reproduzindo os jargões determinados pela mídia racista, protegendo dessa forma, os criminosos com nome, Cep e procedência; devidamente identificados. Dessa maneira, além de cúmplice, nossa sociedade e suas instituições tornam-se também criminosa, partícipe de um crime secular, infame e cruel.

As vezes, durante os meus delírios de justiça,  penso que a redenção dessa cínica sociedade vampira, deva estar nas mãos do Sr Destino; um velho Senhor que se veste de preto e porta uma afiada foice faceira. Só delírios de um ser sedento pelo direito à vida.





quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Quanto ao inevitável tombamento da Babilônia tupiniquim..

O povo negro norte americano poderia ser descrito na monstruosa alegoria singela  de uma bandeira branca, manchada de sangue, com um ponto preto no centro. Ou seja, seria como uma ilha negra cercada por membros da Ku Krux Klan por todos os lados; porém, tendo este povo negro a consciência do lugar em que se encontra nessa guerra racial, travada de forma covarde e desequilibrada. No Brazil, a coisa se inverte; a alegoria se traduz na imagem de uma imensa bandeira negra, com um ponto branco no centro, como aquela caveira do navio pirata; só que a população negra não conhece o seu lugar nesse cruel massacre, ficando sem sabe em que lado está nessa guerra travada com as armas da dissimulação, do cinismo e da hipocrisia. Sendo assim, o sangue fresco e vermelho, que escorre pelas bordas cobrindo toda essa negra bandeira, não é observado, devido a sua cor de noite sem lua.

Devido a instabilidade trazida pelas facções mafiosas que se apossaram do país, a falsa burguesia se desespera e busca a proteção dos desvalidos, daqueles que nunca participaram da sociedade, daqueles que sempre viveram em favelas, palafitas, na baixada e adjacências. Falo da força adormecida daqueles que sempre promoveram as mudanças na sociedade, falo do povo negro, que sempre promoveram todas as revoluções no solo deste país chamado Brasil. Falo daqueles que sempre foram sujeitos da história e nunca se deram conta desse fato.

Esse apelo desesperado dos pseudo burgueses se faz ouvir nos quatro cantos do país, nas chamadas matutinas das propagandas e dos prosélitos veiculados pelos meios de comunicação: O chamado é ouvido diuturnamente no apelo para que esse povo se junte a essa pseudo esquerda que representa a pseudo burguesia. Ou seja, um chamado para a reedição da queda da Bastilha, onde a burguesia desavergonhadamente usou o povo, manipulando-o, através do mesmo mecanismo agora usado no Brazill; a dissimulação.

As gangues, que há muito se instalaram nos ministérios do executivo, legislativo, judiciário e militar, não veem nessa falsa burguesia qualquer ameaça, visto que ela, a falsa burguesia, vai pra rua gritar e espernear para depois retornar rapidamente aos seus lares para assistir suas performances de protestos nas TVs, enquanto um negro catador de lixo é preso no lugar dos playboys da zona sul, abrindo o olho desse povo para o cinismo hipócrita com que essa pseudo burguesia vem manipulando a boa-fé alheia.

Ou seja, esses grupos de oposição, que se outorgaram o lugar da esquerda, que acreditavam fazer parte dos destinos da sociedade brazilleira, agora apelam para aqueles que eles rotularam e trata como minoria. Observamos uma "esquerda" que nunca teve projeto de nação. e que nos faz viver numa nação tão falaciosa e falsa como a burguesia que nela habita. Tudo nela, nessa sociedade, é falso, insipido e virtual. Um mundo em que negras e negros, mulheres e indígenas nunca participaram, nunca tiverem vez ou voz; mas que mesmo assim, insistem em acreditar fazer parte desse mundo; dessa sociedade branca, masculina e hétero-normativa.


A Babilônia está as véspera de sua queda; e essa queda não se dará através da falsa e falaciosa esquerda, nem tampouco pela pseudo e dissimulada burguesia...Mas sim, pelos que têm ouvidos para ouvir e olhos de ver... A bandeira já foi içada...



terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O mundo quadrado para branco fazer braquices pelos quatro canto...

"Negro jogando pernada, Negro jogando rasteira, todo mundo condenava; uma simples brincadeira; e o negro deixou de tudo, acreditou na besteira e hoje só tem gente branca na escola de capoeira", como cantava Itamar Assunção...

... E pensar que o último nome conhecido da Terra era Etiópia, do mesmo modo que o oceano Atlântico era conhecido como mar da Etiópia e o oceano Índico era o Mar da Eritreia. Sabendo que Etiópia se traduz por "pele queimada" dá pra entender o porque da humanidade ter tido sua origem na África, lá no Vale do Rifte. 

O branco, que surgiu recentemente no mundo, tendo sua origem no homem de neandertal, originado entre a Espanha e a França, nos cáucasos, diferente da raça humana; que se originou na África; essa população, desde seu surgimento, trouxe a desumanização do outro como condição de sua própria sobrevivência, espalhando o terrorismo no mundo como ser espalha um violento vírus que transforma humanos em zumbis hollywoodianos.

Desde então, o coletivo se tornou uma palavra estranha no mundo, enquanto o desejo de morte de um negro passou a fazer parte do senso comum, mesmo entre os negros, que, uma vez assimilado, passou a ter o vírus da branquitude e a olhar através dos olhos do seu colonizador.

Desse modo, ele vive num mundo fictício, um mundo virtual e surreal, onde ele pensa que pode vir a ser um cidadão de fato; fato este, que lhe contradiz o tempo todo, como um soco diuturno dado violentamente no estômago ou um tapa na cara dado de mão aberta, enquanto ele vai tentando ignorar essa dor de caminhar sobre os espinhos brancos do racismo que, como assombrosos anzóis pontiagudos, lhe rasga o estômago desde o umbigo até a garganta.

Para viver nesse inferno branco, ele, o negro, tenta amenizar suas agruras, procurando se integrar ao próprio inferno: se tornando assim, um querido e capitalista demônio branco que aterroriza seus próprios pares; sendo, dessa maneira, útil ao seu sinhô, patrão e opressor, que lhe concede aqueles espelhinhos brilhantes, como honrarias por coragem e bravura na defesa da causa branca. 

Dessa maneira, a gravidade da doença do branco, que se traduz por nomenclaturas cientificamente pomposas; tais como meritocracia e correlatos; servem perfeitamente como camuflagem inexpugnável, nessa guerra travada com as ferramentas da dissimulação, do cinismo e da hipocrisia, fazendo uso do discurso da pessoa de bem, para se infiltrar nas comunidades negras, renomeado o mundo e tudo que nele existe, pela força patológica dessas mesmas ferramentas.

Por isso, nunca desconfiamos daquilo que foi instituído como normal, perdendo desse modo, toda a nossa capacidade de indignação, na medida em que a querida pessoa branca nos desumaniza, sem que percebamos esse perverso mecanismo, já que acabamos por naturalizá-lo. E vivemos esse processo de maneira inversa; estando no lugar onde a branquitude nos colocou; como o peão de um jogo onde as peças brancas ditam os movimentos.

E assim, magicamente o mundo embranquece juntos com suas crenças, paradigmas e dogmas; seus ritos se encobrem com um designe branco especial de cabelos lisos, loiros e de olhos azuis após descer de sua cruz-metralhadora, do alto das favelas e palafitas. Esse designe passa a representar o olhar do colonizador ao qual utilizamos para enxergar o Novo mundo, o mundo de Bob. Desse modo, nos sentimos vitoriosos, a medida que, como escravos de ganho, conseguimos nos alimentar para sobreviver mais um dia, e no dia seguinte poder produzir mais riquezas para nossos escravizadores.

Por isso, Itamar conclui sua canção com essas singelas e verdadeiras palavras: "Negro falava de umbanda, branco ficava cabreiro; fica longe desse negro, esse negro é feiticeiro; hoje o preto vai à missa e chega sempre primeiro; o branco vai pra macumba e Já é Babá de terreiro".

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

A fala sem rascunhos dos Ancestrais; nossos mortos-viventes...

Com minha bandeira a vista, tremulando ao vento; os ossos amarelados expostos ao tempo e meu esqueleto coberto por um longo e esfarrapado casaco negro de capuz costurado com muito lamento,  vou carregando meu livro escrito com vidas passadas, futuras e presente, pelas almas que passaram, as que passam e as que ainda por mim passarão. Altivo, divisando o azimute cinza do grande calunga, chego ao mundo novo, caminhando entre os viventes e suas sacanas cenas insanas. Abro meu livro dos espíritos eternos em dado momento, para registrar os rastros ensandecidos da vil branquidade, em versos e rimas, ditados pelos provérbios do verbo ancestral.

Aqui, na Terra de são Sebastião, no ano de Nosso Senhor de Todos os lugares e Tempos, reza no rastro da arrogante indolência ariana, a presença de um pseudo livro, conhecido entre os viventes como Código Penal; cujos princípios, determinam que o ser denominado branco, meliante por natureza, escondido atrás da caneta de ouro da lei; caneta esta que faz jorrar sangue através da tortura, da humilhação e do genocídio; nunca será passível de quaisquer penalidades, desconfianças ou suspeição, tornando-se incólume, inimputável e imune aos mandos da justiça desta Terra Santa; visto estes mesmos meliantes se outorgarem maquiavelicamente o direito de estarem acima da lei, protegendo desse modo, a eles mesmos. 

O mesmo famigerado Código Penal, recomenda e determina, com requintes humilhantes e inclementes de crueldades, as devidas punições aqueles, cujas mãos negras, da cor de noite, ousarem se apropriar do chicote ou fazer uso de quaisquer armas, a fim de se protegerem ou de fomentar quaisquer disposições e/ou cogitações em ter de volta, parte das riquezas que seus antepassados pretos criaram, construíram e ajuntaram para o bem estar da sociedade. 

Dessa maneira, o preto previamente condenado e em permanente exílio, se recolhe voluntariamente a seus extensos e apequenados campos de concentração, popularmente conhecidos como FAVELAS; após domesticados pela escola, pela igreja e pela mídia a fim de criarem tolerância as opressões e humilhações constantes a que são expostos diuturnamente, naturalizando a sua condição submissa e subalterna, estigmatizando-o no seu lugar de escravizado eterno.

Os abridores de aguardentes não lhes abrem uma nova manhã nem os alimentos-lixo aos quais ironicamente são chamados de churrascos, lhes saciam a fome de libertação nem lhes abrem o apetite por liberdade; e assim, seus sonhos se suicidam, embriagando-se de mim. A fala que dá forma ao passado não os presenteia com a escuta, e nem a minha fala tem rascunhos; portanto, meu abridor de borboletas deixa livre todas as manhãs, nos finais de cada dia que recomeça.

Neste momento, cruzando oceanos, a bandeira negra está içada de desejos e sonhos, não daquele mórbido desejo de morte do branco para com o preto, que está inserido no código Penal que prega a paz branca só para brancos, produzindo e reproduzindo dessa maneira, sacanas cenas insanas de cismas e dogmas que desumanizam coisificando o Negro Ser; mas falo do sonho que se torna pesadelo; o pesado pesadelo dos privilegiados pelo sangue melanodérmico vertido nos escuros porões do infame capital, até a caneta vermelha que pinta a cor da pele negra de indizíveis dores, diante dos tribunais raciais contemporâneo, nesse cruel processo da inquisição do preto ser enquanto humano.

Navegar é preciso...

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Da Desobediência Epistemológica a Descolonização Mental...

Vamos falar um pouco mais de nossa Cultura; da Cultura Negra; falar de nós, Negras e Negros, formadores do Povo melanodérmico. Primeiramente, é preciso iluminar a nossa pele cor de noite enluarada, falando da brilhante melanina que reflete ao luar pleno do meio dia, e impulsiona a meia-lua inteira na luta diuturna pela sobrevivência. Ou seja, vamos falar da substância bioquímica que impulsiona nossa vida física, mental, emocional e espiritual. 

Um fato marcante e decisivo desse processo, lamentavelmente, se deu quando as grandes bibliotecas e universidades africanas foram invadidas, saqueadas e os seus conhecimentos sequestrados pelas queridas pessoas brancas, quando elas perversamente verteram tal conhecimento para o latim, e os rotularam como ciência; sua ciência após inventarem o instituto da patente para legitimar esse crime contra a humanidade. Portanto, a língua do opressor, falo de "sua ciência", torna-se inadequada para falar desse assunto tão especial, de modo que a ciência caucasiana faça, de forma premeditada, com que o assunto pareça uma não-ciência.

Podemos observar que a melanina é dominante na raça negra; sendo este o elemento que vai controlar e/ou reduzir a sua negritude. Ou seja, este é o conhecimento, e o uso desse conhecimento, que fará com que procuremos, ou que fará com que nos impeça, de buscar por nossa liberdade. Afirmo isso porque, é justamente a deseducação e a alimentação industrializada, providas pelas queridas pessoas brancas, que tem a função de diminuir a melanina no corpo do povo negro. 

Analisando nossa anatomia, veremos que, ao contrário do que a branquidade afirma, a glândula pituitária não é a glândula mestra, mas sim, a glândula pineal; pois é ela que secreta a melanina; sendo pois, a melanina o elemento que regula os ciclos e ritmos circadiano, ela é a chave de tudo. Com um peso molecular elevado, a melanina é um elemento polímero e policíclico. Ou seja, ela tem muitas formas e ritmos diferentes. Ela é produzida pelos melanócitos; isto quer dizer que a melanina produz a si mesma.

A melanina absorve todos os tipos de energia e utiliza a todos. Ela é composta por nutrientes e formadas de várias partes ligadas, chamadas cadeias; são ligações carbono-carbono, carbono-nitrogênio e por ai vai. Ela funciona como um buraco negro celular; contém em si, todas as cores concentradas, exceto o preto; pois essa cor é só um pigmento que dá a aparência ao carbono. Ou seja, a melanina é uma substância química escura por causa do pigmento do carbono.

A glândula pineal, que tem a forma de uma pinha, funciona como a retina do olho que recebe a luz e forma a imagem no cérebro; a melanina recebe todas as informações do corpo inteiro. No caso de uma pessoa negra, a melanina funciona como um super condutor, fazendo o cérebro armazenar mais informações e a funcionar num nível mais elevado.

A função da melanina é reduzida quando o indivíduo faz uso de esteroides, drogas sintéticas ou estimulantes (cocaína, cafeína, viagra, etc.), além da exposição na luz não-natural; Também é reduzida em consequência da ingestão de alimentos processados; os mesmos causam impactos sobre a pineal que tem a função de regular as informações para o hipotálamo, que por sua vez, estimula a pituitária na produção de hormônios luteinizante; que é o mesmo hormônio que estimula a produção dos espermatozoides e dos ovários.

A ocitonina sintética, que é ministrada na mulher, para induzir o parto na cesária, é extremamente nocivo para a melanina. A ocitonina é semelhante a morfina, e que tem a sua produção feita pela glândula pineal, que vai estimular a contração uterina durante o nascimento de um bebê; e é este hormônio que faz com que as pessoas, os amigos, os parentes, o homem e a mulher, se liguem umas as outras, assim como a mãe se liga ao filho.

Pessoas pretas, com níveis inadequados de melanina, terão problemas de conviverem juntas e estarão sempre se destruindo mutuamente constantemente, já que os açucares naturalmente produzidos pelo corpo, não poderão ser utilizados. A insulina, hormônio produzido pelo pâncreas, leva os açucares naturais para fora do sangue e os colocam nos tecidos.

A capacidade da glândula pineal para secretar melanina, depende da luz do sol, pois os espectros inteiros da luz solar, atingindo a retina dos olhos, estimula essa glândula a secretar a melanina, que por sua vez se transforma no hormônio serotonina e melatonina.

Nesse caso, todos os costumes trazidos pelas queridas pessoas brancas, desde a permanência demasiada dentro de um escritório, a exposição a luz de computadores, de celulares, das TVs, os fones de ouvidos, carros, alimentos processados, drogas sintéticas, etc. Tudo isso diminui a produção de melanina, levando o indivíduo muitas das vezes a desenvolver algumas fobias e constatemente a depressão. O agravante é que, toda essa estimulação negativa na criança, vai torná-la um adulto com uma glândula pineal pequena e a pituitária grande.

No ciclo circadiano do corpo, que tem seu ritmo regulado pela melatonina que sincroniza esse ritmo, o alimento deve ser ingerido entre 12h e 19h, enquanto das 19h as 04h o metabolismo é realizado, e das 04h as 12h acontece a limpeza do corpo. Esses hormônios, melatonina e  serotonina, precisam respectivamente da luz do sol e da escuridão, para estabilizar o ritmo do corpo. A melanina depende da melatonina, assim como a melatonina depende da boa alimentação da glândula pineal.

A pineal produz alcaloides, que é uma substância orgânica que contém carbono que reage aos sais; não o de cozinha, mas sim do composto químico criado quando uma substância ácida interagem com substância alcalina. Um sal é um elemento elétrico positivamento carregado que é utilizado pelo corpo para manter os nervos estáveis e o equilíbrio hídrico do sangue. Desse modo, os hormônios da melanina são os controladores primários da própria vida. O sal é composto de sulfatos, fósforos, carbonatos, bicarbonatos que são combinados com o cálcio, magnésio e potássio. A serotonina é metabolizada pela luz do dia e a melatonina, após o pôr-do-sol. A ciência eurocentrada chama a melanina de elétrons, prótons, nêutrons e solatons. 

Todas as sensações que temos são convertidas em líquidos a fim de chegar ao cérebro e a melanina é o químico que faz essa conversão. A deficiência de melanina faz os tecidos se destruírem ou enferrujarem, levando os radicais livres a danificar esses tecidos. 

Os estresses emocionais, espirituais, físicos e as doenças, são causados por um sistema imunológico suprimido. Dessa maneira, as doenças tem efeitos sobre o humor e estado de consciência. A consciência, é um produto cultural, pois é a cultura que nos educa para que tenhamos a cognição que dá a consciência. A cultura utiliza a música, roupas, alimentos, os livros didáticos, a religião, a história, contos, mitos, a arte e a ciência para criar uma sociedade. Neste caso, o indivíduo é o espelho da sociedade.

O sistema de crenças é dado pela cultura, e as crenças dão a uma pessoa, emoções. A reação a uma emoção, é chamado de sentimento; a emoção que dura um tempo, é chamado de humor. Ou seja, os sentimentos, gostos e opiniões são baseados na cultura.

Uma pessoa preta que ouve uma ópera italiana certamente não irá responder corporalmente, visto que não há um sentimento em relação a está música. Podemos observar que os negros evangelizados fizeram do templo evangélico um grande centro de macumba, tão vibrante como qualquer terreiro de candomblé, pois o forte sentimento ligado a pessoa preta faz com que ela transforme o lugar em que chega. Essa pessoa quando ouve o ritmo de um tambor, certamente sentirá a reação em seu corpo de imediato. Mas as pessoas pretas que foram castradas de seus sentimentos em consequência do crime da escravidão, do colonialismo violento e dos alimentos-lixo ingeridos, terá a sua consciência distorcida e será necessário um suplemento de melatonina.

Em relação a ciência caucasiana, se observarmos mais de perto, vamos perceber que ela é branco-masculina-centrada, fundamentadas em mitos e teorias que não podem ser comprovadas; a psicologia européia  por exemplo, que é fundamentada por mitos gregos como o mito de Édipo. O uso da psicologia européia distorce a capacidade de uma pessoa preta a pensar de forma saudável de modo que possa compreender a si mesmo.

Psique, significa borboleta, que, após sua metamorfose, possuindo duas asas, como a dualidade noite-dia, ou luz e trevas, permanece em oposição e conflito constante entre si. Essas asas em movimento, fazem a mente pensar, sempre que uma asa se move para contrariar o movimento da outra; e é dessa forma única que o voo se faz; na contradição.

A crença européia da divisão do cérebro em três partes: O Id, que vem a ser o cérebro animal; o Ego, que luta para controlar esse cérebro animal, significando o pai; e o superego, significando o pai e a mãe. Ou seja, a sociedade, lutando para controlar o cérebro humano que está em batalha contínua contra o Id, aquele cérebro que se entrega a total luxúria sexual. Essa é a base da psicologia européia. Sendo assim, na ciência caucasiana não há uma concepção para alcançar níveis mais elevados da função e do pensamento.

Os caucasianos tem uma pseudo melanina, adquirida durante o processo de mestiçagem com o povo negro, que é a feomelanina. Para compreender melhor, as pessoas pretas tem a eumelanina que produzem a melanina, sendo esta a mesma substância que dá o peso molecular a melanina; o peso que a feomelanina não tem. A melanina no corpo preto, funciona como o uso oxigênio pelo radical livre que o permite decompor o metal, quebrando suas substâncias, oxidando esse metal. Desse modo, as pessoas pretas fazem uso dessa melanina de diferentes formas no corpo, na mente e no espírito.

Nesse caso, a única maneira de uma pessoa preta se conhecer é negando a consciência branca, partindo para desobediência total, geral e irrestrita em todos os níveis, para livrar-se da lavagem cerebral eugênica movida pela branquitude, que promoveu, travou e trava uma guerra suja epistemicida e biológica contra a negritude, procurando eliminar, não só fisicamente, mas também mental, filosófica e espiritualmente, num intuito estúpido, infantilizado e desnecessário de transformar o mundo em um grande game; um game como monumento em homenagem a sua egolatria; transformando, desse modo, esse planeta azul, num lugar aonde ele possa passar seu tempo, com seu brinquedo favorito, controlando seu game, num eterno jogo, onde só pode haver um ganhador; e isso, decorre de uma completa e total carência cognitiva; carência esta provocada justamente pela ausência da melanina; fato que poderá, lamentavelmente, levá-lo quase sempre a responder a qualquer argumento, de natureza mais elevada, com o estúpido exercício da dissociação cognitiva que lhe é tão peculiar; dissociação essa, trazida com o um pomposo envólucro de arrogância e indolência; sentimentos eurocentrados tidos como "qualidades", que falsamente lhes dão o ar de superioridade; e com os quais procuram por legitimação, de forma totalmente equivocada, infantil, pedante e petulante; desde o momento em que se procura desumanizar o outro para atingir seus nefastos intentos. É neste processo infame que se resume a consciência branca: de forma constantemente inconscientemente.











domingo, 13 de novembro de 2016

AnastáciA...

Falar Africamente, é dar voz ao silêncio ensurdecedor das palavras amordaçadas na superfície das páginas dos livros de história escritos por arrogantes, indolentes e raivosas pessoas brancas,  quando grafadas naqueles livros onde é recorrente nos vermos sempre acorrentados e em eterno sofrimento, como se nesse suplício subalternizante se resumisse e se encerrasse nossa história; a história do povo negro.  


Olhando atentamente nas entrelinhas desse incomensurável, doloroso e permanente hiato histórico, vamos descobrir, perversamente escondido e meticulosamente encoberto pela superfície cacofônica, na tertúlia do discurso retórico brancófago; que o antigo Cartago fazia parte da África, e a arábia pertencia ao reino de Khush enquanto o mar vermelho era seu lago interior. Tudo isso aconteceu antes do Chefe Chaka, um guerreiro Zulu, ter sido traído por seu irmão e as queridas pessoas brancas renomearem o Cabo para África do Sul. 


Veremos que o oceano Atlântico era conhecido como Mar Etíope, e o oceano Índico como Mar Eritreu; Gana, Mali, antes império Songhai, todo o Saara era Sudão e o Sudão foi a antiga Núbia; a Tanzânia era o Zimbabuê, e a Eritreia e Somália eram unificadas.


Vamos falar desse momento anterior, antes da Abssínia ser Aksum e antes dos Mongol-turcos renomearem Marrakesh como Marrocos, todo o norte do Saara Ocidental, quando  até a Espanha era Mauritânia. Vamos, enfim confirmar, que toda a Europa Ocidental era governada por Nobres Negros conhecidos como Andaluz.

Nesse estrondoso silêncio criminoso, vamos descobrir que nossa pátria-mãe, foi nossa Pasárgada, nosso Eldorado conhecido como Etiópia. Enfim, ensinamos aos gregos que Ética era uma mentalidade Etíope e, de acordo com a etimologia; Etiópia era o último nome internacionalmente conhecido da Mãe-Terra. Ou seja, as queridas pessoas brancas invertendo o mundo, inverteram também os valores desse mundo, reescrevendo, codificando e redecodificando o conhecimento apreendido, após a apropriação indébita e o epistemicídio da ontologia e da epistemologia originária, transmitida pelo Povo Negro.



Tínhamos até então, um mundo matrilinear, quando a mulher negra era considerada e respeitada como a paridora da humanidade, a Deusa que dá vida; pois antes das queridas pessoas brancas subverterem esse princípio,  os homens,  que aravam a terra, tinham a missão de sustentar a vida dada pela mulher;  e essa mulher negra,  possuindo o divino dom da comunicação entre o mundo visível e invisível; entre os que aqui se encontram e os que os que aqui ainda irião vir; tinha ela a missão de preparar e abençoar o alimento de cada dia trazido por este homem.

Essa inversão de princípios foi introduzido primeiramente pelo Árabes, que vieram a limitar o número de Pretas e Pretos no instituto da poligamia negra; uma vez que a atrocidade praticada por esses conquistadores islâmicos durante o estúpido instituto da escravização, fez com que o norte da África se embranquecesse, visto que a castração de negros escravizados tornou-se lugar comum, dada a natureza do genes negro ser dominante no mundo; a cada dez negros castrados, apenas um sobrevivia a essa infâmia, sem obviamente, deixar descendentes. 


Após a conferência de Berlin, em 1884 e 19885, retalhar o território africano; como se retalhasse um gado para repasto, afim de satisfazer seu insaciável e voraz apetite capitalista; as queridas pessoas brancas tem hoje a tranquilizadora e falsa sensação transmitida pela certeza mentida dos desonestos livros de história, que as fazem acreditar que, realmente existe um líder que preside os países por eles demarcados,  quando na real, são os mansas que lideram em cada comunidade aleatoriamente ajuntadas. Ajuntadas como se juntam os cacos de diferentes vasos negros quebrados e espalhados pelo chão ensanguentados; sem no entanto,  perceberem que esses vasos com figuras negras,  mesmo quebrados, mantiveram suas formas,  suas diferenças e singularidades. 


Certamente, uma das mais lamentáveis perdas, foi justamente a arranhadura de alguns preceitos basilares, como o princípio matrilinear por exemplo, que se deu em muitas regiões onde os árabes trouxeram o instituto do patriarcado, enquanto as queridas pessoas brancas lapidaram e introjetaram tal princípio através da violência do irascível machismo. Sundiata Keita, que reinou entre 1217 e 1255,  o soberano mais festejado do império Mali, teve sua responsabilidade nesse processo, uma vez que inaugurou uma linha sucessória de reinado formada somente por homens. 

No catastrófico estrago promovido pela conferência de Berlin, foi oficializado o crime da colonização; essa colonização não teve sua duração superior  a 50 anos em consequência das oposições e resistências nos referidos países. Diferente da duração dos sequestros e dos saques realizado por séculos e ainda praticado atualmente;  foi irreparável, permanente e continuado os estragos causados ao rico solo dos povos africanos, que sempre consideram tal solo como algo extremamente sagrado, haja visto que o fundamento de suas religiões sempre se traduziram pela sustentabilidade. Nosso Povo não possuía, portanto,  o senso predador das queridas pessoas brancas, que hoje, perversamente fazem uso das ONGs para explorar e violar o solo africano em busca de suas riquezas minerais, sem que os Mansas, chefes das comunidades, tenham se organizado para enfrentar essa criminosa e violenta violação a Mãe-Terra. Terra esta que outrora, o ouro tinha valor simbólico para seus Povos, tanto que o Rei de Gana sistematicamente distribuía ouro para o povo durante as cerimônias públicas. 

Mas, devido a cancerosa chegada dessas queridas pessoas brancas, com um séquito maquiavélico, hipócrita camuflado com a política cínica  sustentada por uma fina e grotesca dissimulação, conseguiram convencer muitos africanos a conferir valor material ao ouro, na medida em que os convenciam a viver de tributos e não mais do trabalho. Foi desse modo, que a revolução industrial iniciou o seu efetivo processo de transformação do homem em escravo.

Mas retornando a remexer o fundo do texto e, observando de perto a Guiné de hoje, por exemplo, vamos constatar que os Mansas é que dão as ordem em 80% do território guineense, num país onde se tem um presidente que faz acordos internacionais com as queridas pessoas brancas, que não sabem que esse acordo não vale absolutamente nada sem as respectivas anuências de cada chefe comunitário, os Mansas locais. Ou seja, os mais velhos, desde o momento em que originalmente, o título de rei é dado ao mais velho da comunidade, que mesmo sendo o chefe, sempre consulta a sua mulher antes de qualquer decisão a ser tomada.


Nas comunidades, onde o princípio Ubuntu é o princípio que fundamenta sua existência, cada família tem o seu ofício ou sua especialidade: ferreiro; tecelã, coureiro, etc. e o comércio tendo como base a responsabilidade coletiva, a cooperatividade, o corporativismo, a ancestralidade e religiosidade entre outros princípios básicos dos valores que constitui a civilização Negra que, costumavam manter; e muitas ainda mantêm; um conselho formado pelos mais influentes da área militar, da área comercial e outras duas áreas distintas, que formam uma junta comandada pelo Mansa, vai ordenar ou coordenar as diretrizes e decisões nas respectivas comunidades. Sendo que o Dieli (pejorativamente chamado de Griôt pelos colonizadores franceses) é quem faz a costura de toda essa política, uma vez que ele é quem educa o futuro Mansa.

Portanto, falar de Áfraka,  originado do termo K'Africa, nome dado pelos Árabes a uma determinada região do continente, cujo nome acabou sendo generalizado pelas queridas pessoas brancas, vindo dessa maneira, nominar todo o continente. Antes disso, os nomes das comunidades era os mais de 100 nomes pelos quais eram conhecido a divindade que deu vida ao mundo, que certamente, esse "criador" não era um genitor, mas sim, uma "genitora". 

Ou seja, essa Divindade patriarcalizada pelas queridas pessoas brancas, era na verdade, uma Mulher Negra; a existência da Mãe-África é a prova material, onde habita em tudo seu Princípio Vital. Sem mencionar que a religião Cristã, é bem anterior ao próprio Cristo, pois ela já existia na Etiópia, sendo seus adeptos denominados de Cristão primitivos e o monoteísmo anterior a presença de Moisés nas águas do Nilo, pois o Egito era monoteísta bem antes dele.


Desse modo, a religiosidade africana prescindi a quaisquer religiões, seitas ou denominações, já que o Deus, ou a Deusa, é a própria natureza; está em tudo e em todos, visto que, como sempre foi ressaltado pelo princípio Ubuntu; ao contrário do pensamento trazido pelas queridas pessoas brancas, que sustentavam a existência de um centro no universo; inversamente, para a filosofia africana, o centro do Universo se encontra em cada pessoa; cada Ser é um Centro, existindo portanto, vários centros universais dentre os universos únicos do universo. 

Ou seja, não existe um centro no sentido eurocêntrico, uma vez que o africano encara o universo como uma infinita melodia, onde cada nota é de importância vital nessa canção universal; devendo dessa maneira. manter-se em harmonia, já que, o desafinar de uma nota qualquer; traduzida pelo desequilíbrio de uma só pessoa; na imensidão dessa galáxia de pautas, na orquestra da vida; é capaz de comprometer toda a canção, pondo em risco a existência do próprio universo; por isso, ao contrário do "outro" inventado por Freud, na epistemologia africana só existe o "Nós": Sendo assim, reza no princípio Ubuntu que, eu sou porque nós somos; desse modo, uma pessoa só é uma pessoa através de outra pessoa. 

Portanto, cuidemo-nos cuidando de todos, para que a existência nunca cesse; pois é essa troca de cuidados que geram miríades energéticas entre os seres, criando a vida e fazendo com que o universo se mantenha em sua plenitude. 
Desse modo, podemos inferir que, o lugar de se ouvir a honestidade da história, é no ensurdecedor silêncio da própria história quando parida no grito de dor da tomada de consciência.