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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O mundo quadrado para branco fazer braquices pelos quatro canto...

"Negro jogando pernada, Negro jogando rasteira, todo mundo condenava; uma simples brincadeira; e o negro deixou de tudo, acreditou na besteira e hoje só tem gente branca na escola de capoeira", como cantava Itamar Assunção...

... E pensar que o último nome conhecido da Terra era Etiópia, do mesmo modo que o oceano Atlântico era conhecido como mar da Etiópia e o oceano Índico era o Mar da Eritreia. Sabendo que Etiópia se traduz por "pele queimada" dá pra entender o porque da humanidade ter tido sua origem na África, lá no Vale do Rifte. 

O branco, que surgiu recentemente no mundo, tendo sua origem no homem de neandertal, originado entre a Espanha e a França, nos cáucasos, diferente da raça humana; que se originou na África; essa população, desde seu surgimento, trouxe a desumanização do outro como condição de sua própria sobrevivência, espalhando o terrorismo no mundo como ser espalha um violento vírus que transforma humanos em zumbis hollywoodianos.

Desde então, o coletivo se tornou uma palavra estranha no mundo, enquanto o desejo de morte de um negro passou a fazer parte do senso comum, mesmo entre os negros, que, uma vez assimilado, passou a ter o vírus da branquitude e a olhar através dos olhos do seu colonizador.

Desse modo, ele vive num mundo fictício, um mundo virtual e surreal, onde ele pensa que pode vir a ser um cidadão de fato; fato este, que lhe contradiz o tempo todo, como um soco diuturno dado violentamente no estômago ou um tapa na cara dado de mão aberta, enquanto ele vai tentando ignorar essa dor de caminhar sobre os espinhos brancos do racismo que, como assombrosos anzóis pontiagudos, lhe rasga o estômago desde o umbigo até a garganta.

Para viver nesse inferno branco, ele, o negro, tenta amenizar suas agruras, procurando se integrar ao próprio inferno: se tornando assim, um querido e capitalista demônio branco que aterroriza seus próprios pares; sendo, dessa maneira, útil ao seu sinhô, patrão e opressor, que lhe concede aqueles espelhinhos brilhantes, como honrarias por coragem e bravura na defesa da causa branca. 

Dessa maneira, a gravidade da doença do branco, que se traduz por nomenclaturas cientificamente pomposas; tais como meritocracia e correlatos; servem perfeitamente como camuflagem inexpugnável, nessa guerra travada com as ferramentas da dissimulação, do cinismo e da hipocrisia, fazendo uso do discurso da pessoa de bem, para se infiltrar nas comunidades negras, renomeado o mundo e tudo que nele existe, pela força patológica dessas mesmas ferramentas.

Por isso, nunca desconfiamos daquilo que foi instituído como normal, perdendo desse modo, toda a nossa capacidade de indignação, na medida em que a querida pessoa branca nos desumaniza, sem que percebamos esse perverso mecanismo, já que acabamos por naturalizá-lo. E vivemos esse processo de maneira inversa; estando no lugar onde a branquitude nos colocou; como o peão de um jogo onde as peças brancas ditam os movimentos.

E assim, magicamente o mundo embranquece juntos com suas crenças, paradigmas e dogmas; seus ritos se encobrem com um designe branco especial de cabelos lisos, loiros e de olhos azuis após descer de sua cruz-metralhadora, do alto das favelas e palafitas. Esse designe passa a representar o olhar do colonizador ao qual utilizamos para enxergar o Novo mundo, o mundo de Bob. Desse modo, nos sentimos vitoriosos, a medida que, como escravos de ganho, conseguimos nos alimentar para sobreviver mais um dia, e no dia seguinte poder produzir mais riquezas para nossos escravizadores.

Por isso, Itamar conclui sua canção com essas singelas e verdadeiras palavras: "Negro falava de umbanda, branco ficava cabreiro; fica longe desse negro, esse negro é feiticeiro; hoje o preto vai à missa e chega sempre primeiro; o branco vai pra macumba e Já é Babá de terreiro".

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