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domingo, 13 de novembro de 2016

AnastáciA...

Falar Africamente, é dar voz ao silêncio ensurdecedor das palavras amordaçadas na superfície das páginas dos livros de história escritos por arrogantes, indolentes e raivosas pessoas brancas,  quando grafadas naqueles livros onde é recorrente nos vermos sempre acorrentados e em eterno sofrimento, como se nesse suplício subalternizante se resumisse e se encerrasse nossa história; a história do povo negro.  


Olhando atentamente nas entrelinhas desse incomensurável, doloroso e permanente hiato histórico, vamos descobrir, perversamente escondido e meticulosamente encoberto pela superfície cacofônica, na tertúlia do discurso retórico brancófago; que o antigo Cartago fazia parte da África, e a arábia pertencia ao reino de Khush enquanto o mar vermelho era seu lago interior. Tudo isso aconteceu antes do Chefe Chaka, um guerreiro Zulu, ter sido traído por seu irmão e as queridas pessoas brancas renomearem o Cabo para África do Sul. 


Veremos que o oceano Atlântico era conhecido como Mar Etíope, e o oceano Índico como Mar Eritreu; Gana, Mali, antes império Songhai, todo o Saara era Sudão e o Sudão foi a antiga Núbia; a Tanzânia era o Zimbabuê, e a Eritreia e Somália eram unificadas.


Vamos falar desse momento anterior, antes da Abssínia ser Aksum e antes dos Mongol-turcos renomearem Marrakesh como Marrocos, todo o norte do Saara Ocidental, quando  até a Espanha era Mauritânia. Vamos, enfim confirmar, que toda a Europa Ocidental era governada por Nobres Negros conhecidos como Andaluz.

Nesse estrondoso silêncio criminoso, vamos descobrir que nossa pátria-mãe, foi nossa Pasárgada, nosso Eldorado conhecido como Etiópia. Enfim, ensinamos aos gregos que Ética era uma mentalidade Etíope e, de acordo com a etimologia; Etiópia era o último nome internacionalmente conhecido da Mãe-Terra. Ou seja, as queridas pessoas brancas invertendo o mundo, inverteram também os valores desse mundo, reescrevendo, codificando e redecodificando o conhecimento apreendido, após a apropriação indébita e o epistemicídio da ontologia e da epistemologia originária, transmitida pelo Povo Negro.



Tínhamos até então, um mundo matrilinear, quando a mulher negra era considerada e respeitada como a paridora da humanidade, a Deusa que dá vida; pois antes das queridas pessoas brancas subverterem esse princípio,  os homens,  que aravam a terra, tinham a missão de sustentar a vida dada pela mulher;  e essa mulher negra,  possuindo o divino dom da comunicação entre o mundo visível e invisível; entre os que aqui se encontram e os que os que aqui ainda irião vir; tinha ela a missão de preparar e abençoar o alimento de cada dia trazido por este homem.

Essa inversão de princípios foi introduzido primeiramente pelo Árabes, que vieram a limitar o número de Pretas e Pretos no instituto da poligamia negra; uma vez que a atrocidade praticada por esses conquistadores islâmicos durante o estúpido instituto da escravização, fez com que o norte da África se embranquecesse, visto que a castração de negros escravizados tornou-se lugar comum, dada a natureza do genes negro ser dominante no mundo; a cada dez negros castrados, apenas um sobrevivia a essa infâmia, sem obviamente, deixar descendentes. 


Após a conferência de Berlin, em 1884 e 19885, retalhar o território africano; como se retalhasse um gado para repasto, afim de satisfazer seu insaciável e voraz apetite capitalista; as queridas pessoas brancas tem hoje a tranquilizadora e falsa sensação transmitida pela certeza mentida dos desonestos livros de história, que as fazem acreditar que, realmente existe um líder que preside os países por eles demarcados,  quando na real, são os mansas que lideram em cada comunidade aleatoriamente ajuntadas. Ajuntadas como se juntam os cacos de diferentes vasos negros quebrados e espalhados pelo chão ensanguentados; sem no entanto,  perceberem que esses vasos com figuras negras,  mesmo quebrados, mantiveram suas formas,  suas diferenças e singularidades. 


Certamente, uma das mais lamentáveis perdas, foi justamente a arranhadura de alguns preceitos basilares, como o princípio matrilinear por exemplo, que se deu em muitas regiões onde os árabes trouxeram o instituto do patriarcado, enquanto as queridas pessoas brancas lapidaram e introjetaram tal princípio através da violência do irascível machismo. Sundiata Keita, que reinou entre 1217 e 1255,  o soberano mais festejado do império Mali, teve sua responsabilidade nesse processo, uma vez que inaugurou uma linha sucessória de reinado formada somente por homens. 

No catastrófico estrago promovido pela conferência de Berlin, foi oficializado o crime da colonização; essa colonização não teve sua duração superior  a 50 anos em consequência das oposições e resistências nos referidos países. Diferente da duração dos sequestros e dos saques realizado por séculos e ainda praticado atualmente;  foi irreparável, permanente e continuado os estragos causados ao rico solo dos povos africanos, que sempre consideram tal solo como algo extremamente sagrado, haja visto que o fundamento de suas religiões sempre se traduziram pela sustentabilidade. Nosso Povo não possuía, portanto,  o senso predador das queridas pessoas brancas, que hoje, perversamente fazem uso das ONGs para explorar e violar o solo africano em busca de suas riquezas minerais, sem que os Mansas, chefes das comunidades, tenham se organizado para enfrentar essa criminosa e violenta violação a Mãe-Terra. Terra esta que outrora, o ouro tinha valor simbólico para seus Povos, tanto que o Rei de Gana sistematicamente distribuía ouro para o povo durante as cerimônias públicas. 

Mas, devido a cancerosa chegada dessas queridas pessoas brancas, com um séquito maquiavélico, hipócrita camuflado com a política cínica  sustentada por uma fina e grotesca dissimulação, conseguiram convencer muitos africanos a conferir valor material ao ouro, na medida em que os convenciam a viver de tributos e não mais do trabalho. Foi desse modo, que a revolução industrial iniciou o seu efetivo processo de transformação do homem em escravo.

Mas retornando a remexer o fundo do texto e, observando de perto a Guiné de hoje, por exemplo, vamos constatar que os Mansas é que dão as ordem em 80% do território guineense, num país onde se tem um presidente que faz acordos internacionais com as queridas pessoas brancas, que não sabem que esse acordo não vale absolutamente nada sem as respectivas anuências de cada chefe comunitário, os Mansas locais. Ou seja, os mais velhos, desde o momento em que originalmente, o título de rei é dado ao mais velho da comunidade, que mesmo sendo o chefe, sempre consulta a sua mulher antes de qualquer decisão a ser tomada.


Nas comunidades, onde o princípio Ubuntu é o princípio que fundamenta sua existência, cada família tem o seu ofício ou sua especialidade: ferreiro; tecelã, coureiro, etc. e o comércio tendo como base a responsabilidade coletiva, a cooperatividade, o corporativismo, a ancestralidade e religiosidade entre outros princípios básicos dos valores que constitui a civilização Negra que, costumavam manter; e muitas ainda mantêm; um conselho formado pelos mais influentes da área militar, da área comercial e outras duas áreas distintas, que formam uma junta comandada pelo Mansa, vai ordenar ou coordenar as diretrizes e decisões nas respectivas comunidades. Sendo que o Dieli (pejorativamente chamado de Griôt pelos colonizadores franceses) é quem faz a costura de toda essa política, uma vez que ele é quem educa o futuro Mansa.

Portanto, falar de Áfraka,  originado do termo K'Africa, nome dado pelos Árabes a uma determinada região do continente, cujo nome acabou sendo generalizado pelas queridas pessoas brancas, vindo dessa maneira, nominar todo o continente. Antes disso, os nomes das comunidades era os mais de 100 nomes pelos quais eram conhecido a divindade que deu vida ao mundo, que certamente, esse "criador" não era um genitor, mas sim, uma "genitora". 

Ou seja, essa Divindade patriarcalizada pelas queridas pessoas brancas, era na verdade, uma Mulher Negra; a existência da Mãe-África é a prova material, onde habita em tudo seu Princípio Vital. Sem mencionar que a religião Cristã, é bem anterior ao próprio Cristo, pois ela já existia na Etiópia, sendo seus adeptos denominados de Cristão primitivos e o monoteísmo anterior a presença de Moisés nas águas do Nilo, pois o Egito era monoteísta bem antes dele.


Desse modo, a religiosidade africana prescindi a quaisquer religiões, seitas ou denominações, já que o Deus, ou a Deusa, é a própria natureza; está em tudo e em todos, visto que, como sempre foi ressaltado pelo princípio Ubuntu; ao contrário do pensamento trazido pelas queridas pessoas brancas, que sustentavam a existência de um centro no universo; inversamente, para a filosofia africana, o centro do Universo se encontra em cada pessoa; cada Ser é um Centro, existindo portanto, vários centros universais dentre os universos únicos do universo. 

Ou seja, não existe um centro no sentido eurocêntrico, uma vez que o africano encara o universo como uma infinita melodia, onde cada nota é de importância vital nessa canção universal; devendo dessa maneira. manter-se em harmonia, já que, o desafinar de uma nota qualquer; traduzida pelo desequilíbrio de uma só pessoa; na imensidão dessa galáxia de pautas, na orquestra da vida; é capaz de comprometer toda a canção, pondo em risco a existência do próprio universo; por isso, ao contrário do "outro" inventado por Freud, na epistemologia africana só existe o "Nós": Sendo assim, reza no princípio Ubuntu que, eu sou porque nós somos; desse modo, uma pessoa só é uma pessoa através de outra pessoa. 

Portanto, cuidemo-nos cuidando de todos, para que a existência nunca cesse; pois é essa troca de cuidados que geram miríades energéticas entre os seres, criando a vida e fazendo com que o universo se mantenha em sua plenitude. 
Desse modo, podemos inferir que, o lugar de se ouvir a honestidade da história, é no ensurdecedor silêncio da própria história quando parida no grito de dor da tomada de consciência. 

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