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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Comissão da verdade sobre a escravidão no Brazil: Nosso banquete de tratos, tratados e contratos...

A única possibilidade de uma raposa fazer trato com um Galo seria se o saci viesse a cruzar as pernas... Foi desse modo que o trato promulgado na lei 10.639/2003; um trato entre um infame opressor e um incauto oprimido. Ou seja, um trato entre Negros e brancos; passou a ser o mais indecoroso trato de que se tem notícia até os dias de hoje, visto que o opressor nem se deu ao trabalho de trazer o Saci... Mas o trato foi assinado assim mesmo, pois o oprimido estava com muita pressa de conquistar sua alforria, e afoitamente assinou o tratado sem se dar conta de que o folclórico personagem não estava nem na antessala, do congresso, mas só em sua imaginação.

Sua imaginação também o fez pensar na existência de uma possível consciência branca, ou até mesmo nas possibilidades de algum senso de ética incolor. O negro com sua imaginação matizada, pensou que a diversidade contida naquele branco discurso branco fosse mesmo real, tão provável quanto o Saci cruzando as pernas na antessala do congresso nacional. Por isso, ele cruzou os dedos e acreditou que estivesse em harmonia com o Mito em seu ato de sintonia com a natureza;  com a natureza humana...

A mesma natureza humana que fez com que os marinheiros que se revoltaram contra os castigos da chibata em 1910, no Rio de Janeiro, a capital do Brazil, fossem todos assassinados por acreditarem numa suposta sinceridade de presidentes de repúblicas, assinando então, um tratado de rendição.

De todos os tripulantes dos três navios envolvidos na revolta, os maiores porta aviões do Brazil na época, só o Almirante negro João Cândido e mais dois conseguiram sobreviver ao suplício pra contar a história. Os corpos dos companheiros nunca chegaram ao destino, pois a valente marinha do Brazil cuidou para que todos desaparecessem misteriosamente  no fundo do mar, durante a viagem com destino a Mato Grosso.

Eles não levaram em consideração que raras são as pessoas brancas que nos consideram como humanos, alegando que direitos humanos são para humanos. Portanto, direitos não se aplicam a pessoa de cor. Visto que tal funesto princípio se encontra em consonância com a religião, a ciência e a política brancas de forma explícita e sem disfarces. 

Mas ele, o oprimido comissionado que assina tratado com brancos, tem esperança de que opressor um dia vá trazer o Saci, e ele, o Saci,  finalmente vai cruzar as pernas e o trato vai ser enfim, honrado. Assim, a alforria vai se fazer valer por si só, como a mitológica mágica  dos seres encantados dede a floresta Atlântica até a mata Amazônica,, enquanto os tumbeiros cruzam as favelas da zona sul a zona norte, como outrora passaram pelas tabas indígenas dizimando mais de cinco milhões de vida indígenas, agora trucida e suplicia os netos e bisnetos de quase cinco milhões de africanos sequestrados; e hoje esses irmãos, rotulados de afrodescendentes, que nem sabem que não sabem que são pretos e que por essa razão são diuturnamente esquartejados através da tortura do corpo e da alma e explicitamente acobertados pela escrotidão dos quatro poderes, além da igreja e da mídia. 

Essa comissão da verdade, e nenhum de seus membros, integram os féretros de dor que cortam as veias das famílias pretas, vítimas desse Estado de terror; Famílias pretas que sobrevivem a cada dia esquivando-se dos projéteis do fuzil estatal. Enquanto essa comissão assina, o Estado assassina. Verdadeiro é o Saci da antessala que, ao contrário dessa comissão, mostra a sua cor só pra quem acredita nela...

Acreditar não pelo fato de existir finalmente uma família preta na casa branca, já que isso significa que se esse preto precisou ser um preto de terno e gravata, portanto, em sendo assim, não pode ser um preto confiável, pois é um preto que se veste como branco; um preto que faz discurso de branco; um preto que vive como branco e prioriza a branquitude, só poderia mesmo ser um preto doméstico.

Sendo assim, dá pra entender porque todo branco deseja ter seu preto ostentação; Wall Street tem o seu, por que os brazilleiros não poderiam ter uma comissão de pretos ostentação...!?? Colocar uma coleira em seu preto é tudo que um branco ou uma branca deseja; não há nada mais exótico do que um cão preto papagaio de pirata.

Desse modo, o opressor tem seu aliado e consegue seguir oprimindo de forma violentamente tranquila. São esses pretos domesticados pela Casagrande que fazem o trabalho sujo da branquitude, seja com o chicote do feitor em suas mãos, seja como capitão-do-mato e torturador... Comissão ostentação...!? A gente vê por aqui...!!

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