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sexta-feira, 1 de maio de 2020

Arte Decolonial


Como o próprio título elucida, a metodologia e o conteúdo presentes nesta disciplina vão totalmente de encontro ao que é imposto pela educação dos Tempos modernos, indo na contramão dessa mesma modernidade estabelecida pelo padrão colonial que submete totalmente a academia e, por conseguinte todo o sistema educacional vigente.

Portanto, apertem os cintos, porque vamos sair dessa zona de conforto, cultivada pelos símbolos e pelas imagens que ornamentam as paredes dessa aconchegante prisão sem grades, através dos trilhos de uma monumental e extravagante montanha russa; visto que, nossas vidas nunca foram governadas por leis ou similares, mas sim, unicamente pelos símbolos, signos e imagens que formatam e estruturam a Matrix colonial do capitalismo contemporâneo desde sempre.

Visto que a educação vigente tem tido a missão única de transformar alunos em produtores de riquezas, ao instruírem aos mesmos para a competição acirrada entre seus pares, como forma de iniciação no ingresso da selva desse Comércio Infame em que se tornou os Tempos Modernos, vendendo a sua força ativa pelas ofertas e propagandas mais sedutoras.

Apresentação:
Sem mais delonga e indo direto ao assunto, a metodologia das aulas em questão implanta definitivamente a prática do magistério ao ar livre, com as aulas ministradas em círculo, aonde serão desenvolvidos cinco temas fundamentais, que serão escolhidos a cada aula, a partir de uma dinâmica de jogos.
Isto quer dizer que os temas, sendo os mesmos inesgotáveis, poderão se repetir a cada preleção, de acordo com a dinâmica do jogo.

Esses cincos temas básicos são destinados para crianças até 13 anos, e também destinados para os adultos, sendo que, cada qual com a sua devida abordagem. Ressaltando que, após os treze anos de idade, será adicionado um sexto tema, que diz respeito ao entrelaçamento de todos os outros cinco abordados. Visto que, todos os temas comunicam-se entre si, mas isso só será possível perceber, a partir da abordagem do 6º tema acrescido.

Sobre os temas:
O tema número 1 trata especificamente da Produção de Imagens a partir dos Símbolos e dos Signos, observando a relação entre o Sujeito e o Objeto, no processo construcional do Criador e da Criatura.

No tema número 2 será formada a Tribuna da Imagem, aonde o educando passará seu tempo livre (a princípio no Tempo das aulas em questão) no ofício de observador de si mesmo, diante de suas relações com os outros; observando as reações oriundas do ego e as ações proativas provenientes do estado de consciência desperto. O resultado dessa observação poderá ser registrado através de um diário, anotações, produção textual, poesias, composição musical, desenhos, etc. a fim de desenvolver a consciência emocional e por conseguinte, a consciência autoconsciente.

O tema número 3 cujo título é Vida de Criança, trata do humor e alegria com que a criança vive a vida, sendo o que é. Ou seja, sendo ela mesma; trazendo a maneira de como se manter esse estado de júbilo diante dos desafios da vida diária, e de forma profilática, criar maneiras próprias de se evitar ser arrastado pelas armadilhas do envolvimento patológico com a matrix desse cotidiano.

No tema número 4 será proposto a confecção de uma Fotografia do Tempo, onde será abordado os elementos constituintes desse Tempo Circular num contraponto com o Tempo Linear que estrutura o modus vivendi dos Tempos Modernos.

O tema número 5 intitula-se Espelho, é o momento em que trazemos a percepção das gritantes diferenças entre o olhar e o enxergar, destrinchando o processo relativo ao que se olha e o que se vê nas imagens fornecidas pelas mídias que acaba por formatar a imagem sobre si mesmo e sobre o outro, trazendo enfim, as expressões que estruturam a prática da Lei do Um.

Conclusão:
Como foi tratado acima nos prolegômenos, essa é a proposta que vem para erradicar a robotização adestradora do educando, enquanto aluno de um sistema educacional oriundo da escravidão dos povos e seu continuísmo na escravização contemporânea, que é encoberta por uma avalanche de imagens e propagandas, com seus viciosos efeitos alucinógenos produzidos por inebriantes signos e símbolos, cujas consequências são tratadas pela psicologia moderna como algo estático, quando procura ajustar seus pacientes recorrendo aos arquétipos pré-estabelecidos, enquanto suas neurastenias se encapsulam transformando-se em traumas crônicos capitaneados pelo ego, medos e expectativas.

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