Esse apartheid
social, iniciado pela violência da colonização, que se perpetua ainda hoje, uma vez
banalizado pelos livros didáticos, pela pedagogia e pelas Tecnologias de Informação, manipulados
pela política plutocrática imposta através da monopolização dos meios de
produção gerenciados pelos escravocratas contemporâneos de plantão desde a
constituição das capitanias hereditárias, que deram origem as atuais Unidades
Federativas, também conhecidas como Estados.
Desse modo,
o Estado Nacional responsável por tudo que acontece em seu território, vem
representando de forma exclusiva a essas famílias tradicionais que se formaram
através das Capitanias Hereditárias, cujos membros até hoje negam o direito de
justiça e até mesmo a própria humanidade aos Povos originários, alegando que foram eles,
os europeus, que construíram a nação brasileira; dessa forma, os eurodescendentes que monopoliza
a caneta que eufemisticamente escreve a história oficial, redefiniram a palavra
invasão classificando-a como descobrimento; assassinato categórico virou conquista,
e o crime da história chamado de escravidão
se reduziu a um conto que faz parte de um dos capítulos cuja história complementa uma parte de página e meia de um livro com
mais de trezentas folhas.
Dessa forma,
os descendentes dos povos africanos escravizados no Brasil, insistentemente
continuam a votar nos filhos de seus algozes como seus legítimos representantes,
para que continuem seu processo de dominação oficializada no período de
instalação das capitanias hereditárias. Por esse motivo, a Representatividade
de cada um deve ser bem definida pelos meios de comunicação e informação, para
que ninguém possa ter dúvidas sobre quem domina quem. Por isso a hierarquia
instalada através da classificação da cor de pele veio bem a calhar na
construção das narrativas raciais de
fundo bíblico, científico, cultural e
atualmente social.
Foi dessa
maneira que a massa negra, que compõe a esmagadora maioria da população
brasileira, se subalternizou aceitando a alcunha de minoria, e indo mais além, agravando
seu estado para a completa submissão, agindo realmente como minoria.
Dessa forma,
o ser humano, controlado através dos princípios ideologizantes da Ordem e do Progresso, se dobra aos representantes dessa ideologia dominante, que perversamente omite sua própria exclusão
como pessoa do processo humano. Portanto, as políticas que hoje estrutura a
famigerada Escola Sem Partido, o indolente
Currículo Mínimo ou a arrogante Base Nacional Comum Curricular, que fazem
parte do devasso processo, legitima essa política ideológica excludente de
pensamento escravocrata.
É notória e inevitável que essas políticas
se mostram como medidas desesperadas desse Estado monorracial na tentativa infame de gerenciar um plano de elite que já esgotou. As cartas marcadas já não se bastam mais, assim
como a política da cana-de-açúcar, do café-com-leite e do petróleo já não mais seguram a
conscientização desse estado de coisas e de coisificação da condição humana.
O cansaço
do inconsciente colonizado pela violência está sendo maior que o medo, e vem abrindo espaço para a consciência que se
faz pela luz do inconformismo do potencial de ser, num processo iniciado pelo
sangue do chicote do feitor e concluído pelo furo da bala perdida disparada pela ponta da caneta do doutor. A escrita hoje regurgita a
história falsa dos livros didáticos, reescrevendo com autonomia protagonista,
sem maniqueismo ou dualismo antagônicos, mas sim, de forma completa e humanista. Esse é o
desafio da conquista de si mesmo, conquista de um novo ser que se permite aprender,
sem se submeter ao aprendizado passivo por si só, que foi imposto pelo desmando mandado
desse sistema dominante e dominador.
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