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sábado, 18 de agosto de 2018

A Alienação de Raça e de Classe Diante da Sociedade do Espetáculo

As relações sociais mediadas pelas imagens fez a vida se transformar numa caricatura, em representação, onde a matriz que deu origem a essas imagens fundamentais, não podem ser mais restabelecidas. Tais representações imagéticas unificou a sociedade a partir desses fragmentos, que deram origem a uma consciência coletiva que oficializou essa fragmentação de forma generalizada.
Esse espetáculo representativo é mediado por esse banco de imagens padrão colonizador, que estabeleceu as relações sociais entre os indivíduos objetificando sua visão de mundo em si, tornando-se um projeto e produto de si mesmo, contidos em seus signos e símbolos. Em suma, se transformou numa profecia auto-realizável.

A separação é a práxis da unidade social, é a totalidade opositora do espetáculo autônomo que compõe o espetáculo imagético social. Dessa forma, a alienação se retroalimenta, visto que esse é um espetáculo real, sendo ele o fundamento de si próprio, diante de uma fenomenológica diversidade contrastante que apresenta, como Mestre cerimônia, a realidade como objeto. Sendo assim, a realidade surge de um espetáculo real que se sustenta por si só.

Nesse espetáculo das raças, a diversidade torna-se uma aparência socialmente organizada, que deve ser reconhecida como verdade, confirmando e afirmando toda a aparência e vida humana. A crítica a esse sistema se apresenta como negação a vida como ela visivelmente foi pré-estabelecida. Sendo o espetáculo um elemento indiscutível e inacessível, somente uma revolução cultural seria passível de intervir nesse processo necropolítico antropofágico e escravocrata. Visto que é um espetáculo que se apresenta como se fora um sol sem poente ou nascente, que se encerra em si mesmo, nessa sociedade espetaculosa onde o show que nunca para é seu a principal produto, que submete a si toda a humanidade, uma vez que ela já foi, racial, econômica e socialmente submetido peremptoriamente, degradando definitivamente o individuo como sujeito.

O mundo real foi convertido num arquivo de imagens que se tornaram seres reais, a partir de um comportamento hipnoticamente induzido, transformando a sociedade numa arte abstrata.  O espetáculo impede o diálogo e embotam justamente os sentidos que vem sustentando a fraqueza da filosofia ocidental.

O espetáculo se define como o sonho acordado, que é vivido nessa sociedade acorrentada â necessidade dessa vida imagética composta por seus elos, impondo diuturnamente a necessidade de dormir, tendo o próprio show como guardião desse sono sagrado.

Nesse caso, o show é uma especialização do poder constituído que, de forma diplomática, perante si mesmo, hierarquiza social e racialmente seus componentes, através de um discurso ininterrupto de elogio a si mesmo, num interminável monólogo, escondendo as relações entre raça e classe.

A aparente cisão que se apresentam nos meios da Tecnologia da Informação é só uma dualidade permitida e necessária ao espetáculo, servindo como instrumentalização a esse mesmo show, visto não ser uma manifestação neutra, mas que convém como fator de retroalimentação, já que lhe coloca no lugar de mediador e administrador em relação as necessidades sociais apresentadas pelo social.


Sendo assim, o show conserva a inconsciência, uma vez colonizado o inconsciente, formulando suas próprias regras em favor do mercado, dissolvendo toda a comunidade, coletividade ou sentimento solidário.  

O trabalhador não é dono de seu produto, assim como a sua força ativa não mais lhe pertence, e essa separação se dá em âmbito social e racial, gerando uma massa proletária manipulada e uma massa negra servil. Dessa forma, o “trabalho que liberta” e a “educação que salva” e o “Ter que ser duas vezes melhor que o branco” forma a base triangular da meritocracia manufaturada pelo discurso imagético de salvação.

Sendo assim, a especialidade do espetáculo é a produção ininterrupta da alienação e promoção da orgia voluptuosa do infame mercado financeiro. Quanto mais o espectador contempla esse espetáculo, menos ele vive, e compreende sua existência, seus desejos, e sua opinião não mais lhe pertence. Dessa maneira, o ter em detrimento do ser, tornou-se seu espelho e único objeto visível a sua frente como devir.

Quebrar esse objeto narcísico que hipnotiza, e adquirir consciência de si mesmo, é um processo que exige a simplicidade do que há de mais complexo existente no espaço -tempo entre o côncavo e o convexo desse diáfano que as Medusas tanto evitam encarar, visto que ele impiedosamente desnuda sua realidade.

A assunção maiêutica desse processo fará com que seja possível obter a força necessária para se arrancar a espada da pedra, abrindo desse modo, a possibilidade de se assenhorar-se de si mesmo, revelando a pessoa dentro da pessoa que virá a tornando-se Rei do seu próprio reino, e não mais sendo vassalo ou refém das forças escuras. Dessa forma, do australopicínius ao sapiens Sapiens deve caminhar a humanidade.

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