Esse
espetáculo representativo é mediado por esse banco de imagens padrão colonizador, que
estabeleceu as relações sociais entre os indivíduos objetificando sua visão de mundo em si, tornando-se um projeto
e produto de si mesmo, contidos em seus signos e símbolos. Em suma, se
transformou numa profecia auto-realizável.
A separação
é a práxis da unidade social, é a totalidade opositora do espetáculo autônomo
que compõe o espetáculo imagético social. Dessa forma, a alienação se
retroalimenta, visto que esse é um espetáculo real, sendo ele o fundamento de
si próprio, diante de uma fenomenológica diversidade contrastante que
apresenta, como Mestre cerimônia, a realidade como objeto. Sendo
assim, a realidade surge de um espetáculo real que se sustenta por si só.
Nesse espetáculo das raças, a diversidade
torna-se uma aparência socialmente organizada, que deve ser reconhecida como
verdade, confirmando e afirmando toda a aparência e vida humana. A crítica a
esse sistema se apresenta como negação a vida como ela visivelmente foi pré-estabelecida. Sendo o espetáculo um elemento
indiscutível e inacessível, somente uma revolução cultural seria passível de
intervir nesse processo necropolítico antropofágico e escravocrata. Visto que é
um espetáculo que se apresenta como se fora um sol sem poente ou nascente, que
se encerra em si mesmo, nessa sociedade espetaculosa onde o show que nunca para
é seu a principal produto, que submete a si toda a humanidade, uma vez que ela
já foi, racial, econômica e socialmente submetido peremptoriamente, degradando definitivamente
o individuo como sujeito.
O mundo real foi convertido num arquivo de
imagens que se tornaram seres reais, a partir de um comportamento
hipnoticamente induzido, transformando a sociedade numa arte abstrata. O espetáculo
impede o diálogo e embotam justamente os sentidos que vem sustentando a
fraqueza da filosofia ocidental.
O
espetáculo se define como o sonho acordado, que é vivido nessa sociedade acorrentada
â necessidade dessa vida imagética composta por seus elos, impondo
diuturnamente a necessidade de dormir, tendo o próprio show como guardião desse
sono sagrado.
Nesse caso,
o show é uma especialização do poder constituído que, de forma diplomática,
perante si mesmo, hierarquiza social e racialmente seus componentes, através de
um discurso ininterrupto de elogio a si mesmo, num interminável monólogo,
escondendo as relações entre raça e classe.
A aparente
cisão que se apresentam nos meios da Tecnologia da Informação é só uma
dualidade permitida e necessária ao espetáculo, servindo como
instrumentalização a esse mesmo show, visto não ser uma manifestação neutra,
mas que convém como fator de retroalimentação, já que lhe coloca no lugar de
mediador e administrador em relação as necessidades sociais apresentadas pelo
social.
Sendo assim, o show conserva a inconsciência, uma vez colonizado o inconsciente, formulando suas próprias regras em favor do mercado, dissolvendo toda a comunidade, coletividade ou sentimento solidário.
Sendo assim, o show conserva a inconsciência, uma vez colonizado o inconsciente, formulando suas próprias regras em favor do mercado, dissolvendo toda a comunidade, coletividade ou sentimento solidário.
Sendo
assim, a especialidade do espetáculo é a produção ininterrupta da alienação e
promoção da orgia voluptuosa do infame mercado financeiro. Quanto mais o
espectador contempla esse espetáculo, menos ele vive, e compreende sua
existência, seus desejos, e sua opinião não mais lhe pertence. Dessa maneira, o
ter em detrimento do ser, tornou-se seu espelho e único objeto visível a sua
frente como devir.
Quebrar esse
objeto narcísico que hipnotiza, e adquirir consciência de si mesmo, é um
processo que exige a simplicidade do que há de mais complexo existente no
espaço -tempo entre o côncavo e o convexo desse diáfano que as Medusas tanto evitam
encarar, visto que ele impiedosamente desnuda sua realidade.
A assunção maiêutica
desse processo fará com que seja possível obter a força necessária para se arrancar
a espada da pedra, abrindo desse modo, a possibilidade de se assenhorar-se de
si mesmo, revelando a pessoa dentro da pessoa que virá a tornando-se Rei do seu
próprio reino, e não mais sendo vassalo ou refém das forças escuras. Dessa forma,
do australopicínius
ao sapiens
Sapiens deve caminhar a humanidade.
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