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sábado, 18 de agosto de 2018

Brasil: Estado Paradoxo


O mundo de Alice é de conhecimento de todos, visto que Hollywood se esmerou, com habilidade e maestria, em narrar os detalhes desse reino, não restando dúvidas no subconsciente desse pacato público-cidadão em que se transformou o povo preto pós-abolição. As Américas, celeiro da europa, do novo mundo e da modernidade, apontou o Brasil como um destaque único, transformando esse país no reino das mais completas e absolutas contradições existentes no mundo.

Para ilustrar esse estranho fenômeno é preciso assinalar que a ideia de Estado, é uma concepção oriunda da elite feudal europeia e não dos povos autóctones. Os mapas e limites que sempre instigaram litígios, meritocracias e competições, nasceram da ambição do desejo de poder absoluto eurocentrado.

Passando adiante, observaremos que este país era uma colônia que virou capital européia; caso único no mundo; e agora se transformou numa capital que virou colônia. Esse processo que transmutou o império em república se deu durante um golpe militar que levou três batalhões a armar uma cilada, cercando a residência de Pedro II, no Campo de Santana, Rio de Janeiro, então capital do império.

Esse golpe, que habilmente declarava a fundação da república, aconteceu após uma independência conquistada por batalhões de combatentes formado por uma massa negra que lutou em troca da promessa de uma liberdade que jamais se realizou, e cujos soldados sobreviventes deu origem aos territórios de exceção, hoje conhecidos como favelas, alagados e palafitas.

O processo curioso dessa independência é que ela foi independência comprada; sim, foi comprada; além das vidas negras perdidas nos campos de batalha nessa guerra vencida pelas forças do povo negro, os libertos e os escravizados, pagou-se aos portugueses a quantia de 800 contos de reis, custando também como resgate, as centenas de milhares de livros contidos na biblioteca nacional do Rio de Janeiro, a fim de que essa “independência” fosse reconhecida. Foi assim que a elite brasileira se apossou do Estado através da república.

Sendo enfim, finalmente estabelecido o Estado brasileiro; para se livrar da representação do império; que era simbolizado pela figura do Rei; foi necessário promover um novo signo para representar esse Estado. Como na república quem simboliza o Estado é o povo; e povo se origina de nação; foi necessário se estruturar uma constituição redigida por esse mesmo povo; foi então que se chegou a questão primordial: quem era o povo brasileiro, já que essa elite, proprietária desse Estado, era majoritariamente europeia...!?

Já que os indígenas se encontravam praticamente exterminados, e os negros não eram considerados como cidadãos, pois era de segunda classe et hoc genus omne[1]; foi assim que decidiram embranquecer o povo brasileiro: tornando os negros seres matáveis e colocando em seu lugar os imigrantes europeus. Desde então, o Estado instituiu a política da eugenia para realizar a limpeza étnica total, geral e irrestrita, constando oficialmente a promoção desta política na constituição brasileira como um dever do Estado.

É de bom alvitre lembrar que a constituição brasileira foi copiada da constituição alemã, francesa e espanhola; sendo as mesmas constituições de regime parlamentarista, sendo aqui implantada para gerir um regime presidencialista. O mais curioso na política que estrutura nosso país, é que ele, o Brasil, é dividido por Unidades Federativas sem nunca ter sido uma Federação; fato este único no mundo; Dessa forma, deu-se a continuidade, atualizando-se a política de capitanias hereditárias.

Desse modo, temos um Estado que não veio da nação, visto que a influência dos pensadores europeus, assimilada como herança intelectual pela academia da terra Brasilis, teve ícones como Karl Marx que nunca estudou nação, somente sociedade; não contemplou a pluralidade dos povos existente no solo brasileiro, como ocorre na Espanha, ou na África do Sul com suas 11 etnias que partilham o Estado entre si; dessa forma, no Brasil o Estado é Uni-étnico e monorracial. 

Dessa maneira, temos uma imensa maioria que o Estado classifica como minoria, distribuindo os benefícios desse mesmo Estado de uma maneira proporcionalmente inversamente desigual e suis generis, sem que essa maioria, classificada como minoria, nunca se posicione como a maioria que realmente vem a ser, visto que age exatamente como minoria, permitindo que essa minoria, que se outorgou o título de maioria, permaneça no controle dos destinos dessa nação constituída por colonos, colonizados e descendentes de povos africanos escravizados no Brasil. Ou seja, no momento, os afrodescendentes, que foram assim classificados justamente por ser legitimamente o único Povo residente em meio à população brasileira, sabendo-se que a base de uma nação é a sua economia, política, ideologia e Cultura e a Cultura do Brasil, é a Cultura Negra, mesmo não sendo gerida economicamente pelo Povo Negro.

Dessa forma, temos dois mundos opostos e contraditórios dentro de um mesmo país. Um mundo em preto e branco, onde a maioria negra sem libero veto[2] é regida por leis eurocentradas, redigida por essa minoria branca, que paradoxalmente se opõe a justiça, e vice-versa; transformando o poder judiciário numa Mênade[3].

Enfim, chegamos a uma conjuntura de extrema contradição aonde o cidadão chega a enganar-se, não na condição de ser individual, nem na condição de povo, mas na sua condição de humanidade devido a sua impiedosa coisificação e despersonalização, nesse Estado onde as despesas com a paz tornou-se algo indecente diante dessa disharmonia praestabelecida.

Em meio ao paradoxo que entrelaça ambos os mundos, há uma purity of arms[4] para que a limpeza étnica prossiga de forma ininterrupta, enquanto a sociedade se reduz a um mero e mórbido espetáculo, com a linguagem própria de um show que tem que continuar, sendo ela um projeto e um produto de si, que se encerra em si mesma, nesse mundo onde o sol nunca se põe, visto que não há nascente nem poente nesse Estado que é governado, não pelo dinheiro, nem pelo poder, mas sim, pelo medo que a tudo cria, num eterno e constante movimento anacrônico e diacrônico contraditoriamente sintomático.




[1] “E toda a gente do tipo”
[2] “A liberdade de dizer Não”. No antigo congresso Polonês (1651-1791) o direito de cada membro de revogar decisões a partir de seu voto pessoal.
[3] Bacante: sacerdotisa de Baco, por extensão, mulher devassa, dissoluta, libertina.
[4] Guerra limpa.

A Alienação de Raça e de Classe Diante da Sociedade do Espetáculo

As relações sociais mediadas pelas imagens fez a vida se transformar numa caricatura, em representação, onde a matriz que deu origem a essas imagens fundamentais, não podem ser mais restabelecidas. Tais representações imagéticas unificou a sociedade a partir desses fragmentos, que deram origem a uma consciência coletiva que oficializou essa fragmentação de forma generalizada.
Esse espetáculo representativo é mediado por esse banco de imagens padrão colonizador, que estabeleceu as relações sociais entre os indivíduos objetificando sua visão de mundo em si, tornando-se um projeto e produto de si mesmo, contidos em seus signos e símbolos. Em suma, se transformou numa profecia auto-realizável.

A separação é a práxis da unidade social, é a totalidade opositora do espetáculo autônomo que compõe o espetáculo imagético social. Dessa forma, a alienação se retroalimenta, visto que esse é um espetáculo real, sendo ele o fundamento de si próprio, diante de uma fenomenológica diversidade contrastante que apresenta, como Mestre cerimônia, a realidade como objeto. Sendo assim, a realidade surge de um espetáculo real que se sustenta por si só.

Nesse espetáculo das raças, a diversidade torna-se uma aparência socialmente organizada, que deve ser reconhecida como verdade, confirmando e afirmando toda a aparência e vida humana. A crítica a esse sistema se apresenta como negação a vida como ela visivelmente foi pré-estabelecida. Sendo o espetáculo um elemento indiscutível e inacessível, somente uma revolução cultural seria passível de intervir nesse processo necropolítico antropofágico e escravocrata. Visto que é um espetáculo que se apresenta como se fora um sol sem poente ou nascente, que se encerra em si mesmo, nessa sociedade espetaculosa onde o show que nunca para é seu a principal produto, que submete a si toda a humanidade, uma vez que ela já foi, racial, econômica e socialmente submetido peremptoriamente, degradando definitivamente o individuo como sujeito.

O mundo real foi convertido num arquivo de imagens que se tornaram seres reais, a partir de um comportamento hipnoticamente induzido, transformando a sociedade numa arte abstrata.  O espetáculo impede o diálogo e embotam justamente os sentidos que vem sustentando a fraqueza da filosofia ocidental.

O espetáculo se define como o sonho acordado, que é vivido nessa sociedade acorrentada â necessidade dessa vida imagética composta por seus elos, impondo diuturnamente a necessidade de dormir, tendo o próprio show como guardião desse sono sagrado.

Nesse caso, o show é uma especialização do poder constituído que, de forma diplomática, perante si mesmo, hierarquiza social e racialmente seus componentes, através de um discurso ininterrupto de elogio a si mesmo, num interminável monólogo, escondendo as relações entre raça e classe.

A aparente cisão que se apresentam nos meios da Tecnologia da Informação é só uma dualidade permitida e necessária ao espetáculo, servindo como instrumentalização a esse mesmo show, visto não ser uma manifestação neutra, mas que convém como fator de retroalimentação, já que lhe coloca no lugar de mediador e administrador em relação as necessidades sociais apresentadas pelo social.


Sendo assim, o show conserva a inconsciência, uma vez colonizado o inconsciente, formulando suas próprias regras em favor do mercado, dissolvendo toda a comunidade, coletividade ou sentimento solidário.  

O trabalhador não é dono de seu produto, assim como a sua força ativa não mais lhe pertence, e essa separação se dá em âmbito social e racial, gerando uma massa proletária manipulada e uma massa negra servil. Dessa forma, o “trabalho que liberta” e a “educação que salva” e o “Ter que ser duas vezes melhor que o branco” forma a base triangular da meritocracia manufaturada pelo discurso imagético de salvação.

Sendo assim, a especialidade do espetáculo é a produção ininterrupta da alienação e promoção da orgia voluptuosa do infame mercado financeiro. Quanto mais o espectador contempla esse espetáculo, menos ele vive, e compreende sua existência, seus desejos, e sua opinião não mais lhe pertence. Dessa maneira, o ter em detrimento do ser, tornou-se seu espelho e único objeto visível a sua frente como devir.

Quebrar esse objeto narcísico que hipnotiza, e adquirir consciência de si mesmo, é um processo que exige a simplicidade do que há de mais complexo existente no espaço -tempo entre o côncavo e o convexo desse diáfano que as Medusas tanto evitam encarar, visto que ele impiedosamente desnuda sua realidade.

A assunção maiêutica desse processo fará com que seja possível obter a força necessária para se arrancar a espada da pedra, abrindo desse modo, a possibilidade de se assenhorar-se de si mesmo, revelando a pessoa dentro da pessoa que virá a tornando-se Rei do seu próprio reino, e não mais sendo vassalo ou refém das forças escuras. Dessa forma, do australopicínius ao sapiens Sapiens deve caminhar a humanidade.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Sobre o Lugar de Fala e o Lugar da Fala

O idioma de um povo estrutura todo o seu proceder, seu modo de pensar, sua cognição e sua afetividade. O vernáculo dita a desdita e o porvir nos destinos de uma nação. Exemplo fragrante desse curioso processo pode ser observado no idioma brasileiro classificado como português, mas que se apresenta como língua própria de uma nação formada pela diversidade de troncos linguísticos variados, com variedades e variações que se encontram numa unidade contida nas cores melanodérmicas e ameríndias, que superaram toda insidia trazida pela idade das trevas medievais.

Um exemplo singular que ilustra esse quadro é a palavra escravo, ostensivamente usada pelos historiadores no lugar da palavra Escravizado, cujo adjetivo tem a força de causar o poderoso efeito de ocultar um mundo de perversidades, crimes, humilhações e torturas de um povo, vista que tal palavra confere uma essência própria do ser e não uma condição imposta, coisificando dessa maneira o indivíduo, que de sujeito plural representante de um povo, se vê reduzido a um mero instrumento de um destino trágico. Esse perverso expediente retira toda a carga de responsabilidade criminal e criminosa da possibilidade de uma jurisprudência ou algo semelhante quando se trata de justiça, já que o cumprimento da lei depende de quem ocupa o poder.

Dessa forma, os redatores oficiais, que reescreveram a versão da história dominante fazendo da mesma um pedante editorial, têm sido extremamente caprichosos ao se esmerar na missão de se revestir como advogados, juízes e executores, fazendo uso de gongorismos, de pompas e circunstâncias para envernizar, representar e apresentar essa conjuntura escravagista como democrática.

O lugar de fala ocupado pela representatividade desses inquisidores togados, travestidos de terno, gravata e colarinho, usando a fala como uma poderosa arma permanentemente engatilhada na cara melanodérmica, ocupando os corações e mentes anoréxicas de si mesmo.

Soltar a voz gritando para si mesmo e aos sete ventos o verbo que vivifica, é a forma de se desvencilhar da armadilha produzida pela palavra bélica; que arma essa armadilha que fere, tortura e mata a semente que da alma, tirando-lhe o dom de ser criadora e criatura. Sendo assim, ocupar o lugar da fala usando o verbo criador não como sabotador de si mesmo ou como auto destrutor, Essa postura faz retornar o equilíbrio entre o que se faz e o que se fala, trazendo a harmonia que faz a vontade de liberdade ser maior que o medo do chicote.

Portando, usar a fala como látego, como navalha ou como semente criadora, nunca é uma opção, é sempre uma escolha. Então falemos a língua do silêncio como primeiro idioma, a fim de ouvir todas as respostas a quaisquer dúvidas provocadas pela armadilha da palavra-joio. Esse é o lugar a ser devidamente ocupado, no tempo-espaço, do ser enquanto verbo que se fez carne.

Como Brincar de Aprender no Campo de Guerra do Capitalismo Cognitivo

Nosso sistema educacional, que perdura há mais de 300 anos, foi fundado através do epistemicídio com o objetivo último de constituir uma república européia nos trópicos, que se utilizou da limpeza étnica como infame processo de sua legitimação.

Esse apartheid social, iniciado pela violência da colonização, que se perpetua ainda hoje, uma vez banalizado pelos livros didáticos, pela pedagogia e pelas Tecnologias de Informação, manipulados pela política plutocrática imposta através da monopolização dos meios de produção gerenciados pelos escravocratas contemporâneos de plantão desde a constituição das capitanias hereditárias, que deram origem as atuais Unidades Federativas, também conhecidas como Estados.

Desse modo, o Estado Nacional responsável por tudo que acontece em seu território, vem representando de forma exclusiva a essas famílias tradicionais que se formaram através das Capitanias Hereditárias, cujos membros até hoje negam o direito de justiça e até mesmo a própria humanidade aos Povos originários, alegando que foram eles, os europeus, que construíram a nação brasileira; dessa forma, os eurodescendentes que monopoliza a caneta que eufemisticamente escreve a história oficial, redefiniram a palavra invasão classificando-a como descobrimento; assassinato categórico virou conquista, e o crime da história chamado de escravidão se reduziu a um conto que faz parte de um dos capítulos cuja história complementa uma parte de página e meia de um livro com mais de trezentas folhas.

Dessa forma, os descendentes dos povos africanos escravizados no Brasil, insistentemente continuam a votar nos filhos de seus algozes como seus legítimos representantes, para que continuem seu processo de dominação oficializada no período de instalação das capitanias hereditárias. Por esse motivo, a Representatividade de cada um deve ser bem definida pelos meios de comunicação e informação, para que ninguém possa ter dúvidas sobre quem domina quem. Por isso a hierarquia instalada através da classificação da cor de pele veio bem a calhar na construção das narrativas raciais de fundo bíblico, científico, cultural e atualmente social.

Foi dessa maneira que a massa negra, que compõe a esmagadora maioria da população brasileira, se subalternizou aceitando a alcunha de minoria, e indo mais além, agravando seu estado para a completa submissão, agindo realmente como minoria.

Dessa forma, o ser humano, controlado através dos princípios ideologizantes da Ordem e do Progresso, se dobra aos representantes dessa ideologia dominante, que perversamente omite sua própria exclusão como pessoa do processo humano. Portanto, as políticas que hoje estrutura a famigerada Escola Sem Partido, o indolente Currículo Mínimo ou a arrogante Base Nacional Comum Curricular, que fazem parte do devasso processo, legitima essa política ideológica excludente de pensamento escravocrata.

É notória e inevitável que essas políticas se mostram como medidas desesperadas desse Estado monorracial na tentativa infame de gerenciar um plano de elite que já esgotou. As cartas marcadas já não se bastam mais, assim como a política da cana-de-açúcar, do café-com-leite e do petróleo já não mais seguram a conscientização desse estado de coisas e de coisificação da condição humana.

O cansaço do inconsciente colonizado pela violência está sendo maior que o medo, e vem abrindo espaço para a consciência que se faz pela luz do inconformismo do potencial de ser, num processo iniciado pelo sangue do chicote do feitor e concluído pelo furo da bala perdida disparada pela ponta da caneta do doutor. A escrita hoje regurgita a história falsa dos livros didáticos, reescrevendo com autonomia protagonista, sem maniqueismo ou dualismo antagônicos, mas sim, de forma completa e humanista. Esse é o desafio da conquista de si mesmo, conquista de um novo ser que se permite aprender, sem se submeter ao aprendizado passivo por si só, que foi imposto pelo desmando mandado desse sistema dominante e dominador. 

A Necropolítica Plutocrática Versus Alienação Colonial Contemporânea


A Eugenia imposta e banalizada pela violência da colonização, foi repaginada pela elite predadora nacional adquirindo assim, seu atual aspecto sedutor, legitimado pela estupidez da pseudo intelectualidade; dando, dessa maneira, continuidade as inúmeras tentativas anteriores da limpeza étnica iniciada pela República. Processo este que iniciou o holocausto do Povo Negro através do Grande Calunga, o oceano Atlântico.

No caso brasileiro, os Estados, ou Unidades Federativas que o constitui, são as atuais capitanias hereditárias de outrora que hoje exercem essa Necropolítica de maneira extremamente eficaz, sendo essa mesma política exposta de forma arrogante nos atuais números estatísticos, que confirmam esse genocídio melanodérmico inescrupulosamente exibido online pelas redes televisivas, enquanto os sobreviventes desses assassinatos categóricos formam uma superpopulação carcerária, que faz parte dinâmica nesse infame mercado contemporâneo.  

A alienação voluntária da sociedade relativa a essa moderna barbárie, vem sendo formatada por esta política em todos os âmbitos que faz da educação, da mídia e da religião um tripé importante dessa formatação de consciência que é coordenada pelo Grande Irmão, e que também cria um poderoso instrumento de separação do ser humano para o ser político. Uma vez que o primeiro faz uso da competitividade e o segundo da competição. Ou seja, consecutivamente os primeiros procuram, sempre pela melhoria, seja de forma coletiva ou até mesmo individual; enquanto os segundos preferem o exercício de derrubar o outro, não para ser melhor, mas para ser o melhor.

Portanto, o sucesso dessa nefasta política se fundamenta na promessa quase divina de realização dos desejos mitificados pelos contos dos gênios da lâmpada e afins. Dessa maneira, em nome desse íntimo desejo equivocado em busca da autoestima, em nome de sua segurança, em nome da Ordem e do Progresso, em nome de deus e da família tudo é legitimado, tudo é permitido e oficializado. Eis então a nova geração formada por uma humanidade gestada pelo Estado, pela religião e pela tecnologia.

Desse modo, nos tornamos modernos, antenados e desenvolvidos. Ou seja, uma nova humana que se hibridizou deixando a fase do Homo Sapiens para se tornar um Húmus Animé nos transformando numa espécie de substrato virtual que vem enchendo a caixa de lixo virtual dos computadores da rede mundial com falsas informações, éticas maquiadas, hipocrisias sinceras e cinismo honesto, enquanto guarda um profundo e estrondoso silêncio diante das barbáries nossa de cada dia que nos dói hoje. Tudo isso, em nome da indolência e da arrogância que rege o inconsciente coletivo que jaz no confortável ninho da conveniência egocêntrica brancopofágica no caminho aonde Narciso desumaniza o ser humano.