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quarta-feira, 30 de maio de 2018

A fórmula da Emoção Estética na Construção do Super Herói e do Vilão


Existe uma dupla relação entre expectador e o ato artístico, quando esse expectador se derrama em lágrimas, acreditando na realidade da cena. O ato desperta nele a mesma emoção que a vida, mesmo sabendo que se trata de uma encenação. Portanto, isso cria um processo que suscita o contraditório, do momento em que essa ficção passa a provocar sentimentos de tristeza ou alegria, pois bastaria lembrar que é uma cena inventada e ensaiada para que tais sentimentos cessassem.

Se o expectador tivesse em mente que aquela cena se trata de uma mera montagem cinematográfica, apenas uma ficção, as emoções similares à realidade da vida deixariam de fazer sentido.  Mas, certamente por esse expectador não distinguir entre realidade e a ficção, entre o que assiste na tela e o que vê na vida real, e diante do choro, esquece que se trata de uma ficção, caso contrário ele nunca chegaria a sentir emoções especificamente artísticas.

Portanto, a arte exige uma emoção dupla: a de esquecer e a de lembrar de que tudo aquilo se trata de uma ficção. Só mesmo através da arte poderia ser possível se escandalizar ou se horrorizar diante de um assassinato e ao mesmo tempo admirar o desempenho do referido ator.

Essa técnica usada na Arte Estética foi incorporada nas pautas da programação dos meios de informação e comunicação, indo para além dos filmes e novelas, seriados e folhetins; se incorporando também ao sensacionalismo jornalístico impregnando todo o roteiro meticulosamente preparado para mexer com as emoções do incauto cidadão, visto que a televisão não pede licença e nem permissão para invadir os pensamentos e mexer com as emoções, formando, dessa maneira, apaixonadas opiniões formatam a realidade da sociedade e da nação. Visto que é a partir da produção dessa emoção que o expectador tem seu subjetivo controlado, sendo perfeitamente possível induzir e controlar suas ações e atitudes frente ao cenário preparado para que assim ele proceda.

Exatamente como o cão de Pavlov ou a cobaia de Skine, o expectador reproduz o comportamento previsto, induzido pelas propagandas e notícias que compõem o roteiro da pauta acordada pela plutocracia oligárquica nacional e internacional, a fim de manter o sistema por si só. Dessa maneira, através dos algorítimos, a ficção se torna realidade, do momento em que ambas semanticamente se interpenetram, num processo onde os limites interseccionais são derrubados.

Diante dessa produção cultural e produção de conhecimento efetivamente eurocentrados, a desumanização racial padronizada, leva a banalização da violência categórica direcionada exclusiva aqueles que são estigmatizados e escravizados pelas correntes do patriarcalismo, feminismo e meritocratismo, como símbolos de sustento do sistema capital. Símbolos esses que já se tornaram arquétipos do constructo social produzidos pela cultura de nossa colônia contemporânea. Tais símbolos dão significância a personagens ficcionais e/ou reais, encontrados em novelas e manchetes de jornais, das propagandas aos pronunciamentos oficiais.

Foi dessa forma que o sentimento de medo encorpou no cidadão através dos jornais e televisão, suscitando no mesmo, a raiva e a carência do paternalismo que implora pelo herói do filme exibido pelo noticiário onde o pronunciamento do político da oposição contrasta com o da situação, completando a trama desse roteiro que tem seu grand finale no espetáculo do sufrágio universal obrigatório.

É dessa maneira que são produzidos os capítulos roteirizados por essa grande empresa cultural de padrão monorracial, que habilmente usam essa prosaica e inocente Fórmula da Emoção Estética, para modificar de maneira eficaz a forma pensamento do neófito, a partir da inserção de motores que produzem emoções, agindo de forma similar aos psicotrópicos ao criar uma perfeita dependência servil e obediência civil.

Destarte, o indivíduo vive seu duplipensar, imerso nesse mar de assimilação, surfando intrepidamente sobre as ondas de verdades superficiais pré e pós-fabricadas, onde seu ódio se tornou seletivo e o seu amor objetificado entre o clarão do céu azul e o sangrar desse oceano vermelho que miraculosamente  se abriu para dar passagem ao infame comércio.


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