Nesse país chamado Brasil, segundo Machado de Assis, existem dois países: um oficial e um Real; observando mais de perto esses dois espaços perfeitamente distintos, posso afirmar que o brazill oficial, que é esse bRAZILL velhaco e corrupto, é o aquele que dita as regras e as desditas que estruturam o Brasil Real; o mesmo Brasil que paga e sustenta os privilégios, caprichos, frivolidades e frugalidades desta ilha da fantasia que transformou este brazill oficial. visto que somente ao Brasil real é destinado a cobrança de pagamento de impostos, taxas e sobretaxa de todas e quaisquer naturezas, além do cumprimento dos deveres mosaicos na forma da lei.
Em relação ao tamanho do brazill oficial para o Brasil real, eles guardam a mesma proporção de uma bola de gude para a bola do pilates respectivamente. A arquitetura do mundo real foi habilmente planejada, de forma que os indivíduos que nele habitasse, tivesse sua liberdade condicional em permanente estado de total controle em todos os níveis, e em particular e especialmente no que se refere aos níveis dos setores econômico, social, jurídico e religioso.
A polícia militar tem a fúnebre incumbência de estabelecer a ordem exigida pela elite opressora, a fim de manter o progresso dos clãs em sua gestão de ambos os Brasis através de todos os meios necessários. Trabalho este que essa macabra polícia se orgulha em cumprir e executar com perfeição, em sua truculenta prática da lei que exclui qualquer resquício da lembrança da sombra de alguma possível justiça, Haja visto o recorrente hábito às mórbidas coações e as tétricas intimidações aos cidadãos marginais, habitantes desse mundo real.
A subsistência daqueles que habitam nesse mundo real está integralmente condicionada a venda coercitiva de sua força ativa ao arrogante mundo oficial e seus clãs tradicionais. Sendo assim, existe uma total dependência desses habitantes do mundo real, no que se concerne a moradia, alimentação, educação, mobilidade, e tudo mais. tornando-se os mesmos incautos reféns dessa conjuntura nacional escravagista contemporânea.
É notória e pública, além de banalizada, essa relação escravista contemporânea, onde os indivíduos não conseguem distinguir as linhas divisórias entre o senso e o contrassenso, levando-os pensarem que realmente pertencem a um só país; fato que os induzem imaginar que pensam por “vontade própria”, acreditando dessa maneira, que fazem mesmo parte de uma democracia; principalmente quando trazem estampado no peito o orgulho de participar de um pleito eleitoral aonde elegem integrantes do brazill oficial como seus representantes, e ocasionalmente nesse processo, alguns biônicos pinçados do mundo Real, a fim de legitimar a fachada democrática da ditadura oficial, retroalimentando esse pleito. Dessa forma, as falsas representações roteirizadas para tal fim servem como propaganda e repasto ao bom cidadão.
O fato pateticamente irônico a ser assinalado, é que entre ambos os Brasis, existe hoje uma etnia satélite, que é a raça negra; que uma vez tendo sofrido o vil processo de assimilação, hoje integra uma sociedade fictícia, nutrindo a triste pretensão de alcançar uma oportunidade fictícia de igualdade racial, imaginando que dessa maneira possa finalmente fazer parte efetiva de um país, cujo Estado de exceção, sempre se fez e se faz presente na vida dele, como política de estado.
Na condição efetiva de assimilado ele defende as instituições eurocentradas que foram estruturadas exclusivamente para garantir a opressão e submissão, lhe conferindo a subalternidade como herança hereditária, uma vez que através dessas mesmas instituições é garantida a sua condição de exilado em seu próprio solo; de forma que as trincheiras passaram a ser seu permanente lar a partir da pele em que habita.
Mas a servilidade introjetada ao seu modus vivendi através do eficaz processo de assimilação, faz com que esse indivíduo crie tolerância as mais sórdidas das opressões, fazendo com que ele ignore totalmente a sua condição de escravizado e de servilismo a esse brazill oficial, sendo meramente mais uma peça a figurar nas vitrines do mundo Real como oferta de um produto capital, com tarjas de valores e validade total.
Dessa maneira, o povo negro, que ainda não possui a consciência de ser um povo, e de saber menos ainda o que é ser negro, não sabendo nem que não sabe desse irônico e cruel fato, em decorrência desse inescrupuloso processo de assimilação combinado com a política da eugenia e gentrificação, que o mantem pacificamente no exílio, subsistindo em seus Campos de exílio, que são os Territórios de Exceção; as favelas, palafitas, alagados e periferias; locais para os quais foram removidos a força por conta da cor de sua pele; servindo hoje, como sempre serviram outrora, como estoques de força ativa para garantia do bom funcionamento da Metrópole eurocentrada.
Sendo assim, entre esses dois mundos, existe esse imenso Campo de Concentração que faz justamente a interseção entre esses Brasis. E como sempre foi, desde a implantação do assimilacionismo, o negro de mente colonizada mantem a ambos com sua força ativa, através de sua total, geral e irrestrita servidão a elite desse país, aonde a Ordem e o Progresso é o slogan da propaganda oficial pacificamente aceita pelas colônias negras de todo esse país tropical onde tudo que se planta dá. 
Nenhum comentário:
Postar um comentário