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sexta-feira, 28 de julho de 2017

ENTRE MUNDOS OPOSTOS

Nesse país chamado Brasil, segundo Machado de Assis, existem dois países: um oficial e um Real; observando mais de perto esses dois espaços perfeitamente distintos, posso afirmar que o brazill oficial, que é esse bRAZILL velhaco e corrupto, é o aquele que dita as regras e as desditas que estruturam o Brasil Real; o mesmo Brasil que paga e sustenta os privilégios, caprichos, frivolidades e frugalidades desta ilha da fantasia que transformou este brazill oficial. visto que somente ao Brasil real é destinado a cobrança de pagamento de impostos, taxas e sobretaxa de todas e quaisquer naturezas, além do cumprimento dos deveres mosaicos na forma da lei.
Em relação ao tamanho do brazill oficial para o Brasil real, eles guardam a mesma proporção de uma bola de gude para a bola do pilates respectivamente. A arquitetura do mundo real foi habilmente planejada, de forma que os indivíduos que nele habitasse, tivesse sua liberdade condicional em permanente estado de total controle em todos os níveis, e em particular e especialmente no que se refere aos níveis dos setores econômico, social, jurídico e religioso.
A polícia militar tem a fúnebre incumbência de estabelecer a ordem exigida pela elite opressora, a fim de manter o progresso dos clãs em sua gestão de ambos os Brasis através de todos os meios necessários. Trabalho este que essa macabra polícia se orgulha em cumprir e executar com perfeição, em sua truculenta prática da lei que exclui qualquer resquício da lembrança da sombra de alguma possível justiça, Haja visto o recorrente hábito às mórbidas coações e as tétricas intimidações aos cidadãos marginais, habitantes desse mundo real.
A subsistência daqueles que habitam nesse mundo real está integralmente condicionada a venda coercitiva de sua força ativa ao arrogante mundo oficial e seus clãs tradicionais. Sendo assim, existe uma total dependência desses habitantes do mundo real, no que se concerne a moradia, alimentação, educação, mobilidade, e tudo mais. tornando-se os mesmos incautos reféns dessa conjuntura nacional  escravagista contemporânea. 
É notória e pública, além de banalizada, essa relação escravista contemporânea, onde os indivíduos não conseguem distinguir as linhas divisórias entre o senso e o contrassenso, levando-os pensarem que realmente pertencem a um só país; fato que os induzem imaginar que pensam por “vontade própria”, acreditando dessa maneira, que fazem mesmo parte de uma democracia; principalmente quando trazem estampado no peito o orgulho de participar de um pleito eleitoral aonde elegem integrantes do brazill oficial como seus representantes, e ocasionalmente nesse processo, alguns biônicos pinçados do mundo Real, a fim de legitimar a fachada democrática da ditadura oficial, retroalimentando esse pleito. Dessa forma, as falsas representações roteirizadas para tal fim servem como propaganda e repasto ao bom cidadão.
O fato pateticamente irônico a ser assinalado, é que entre ambos os Brasis, existe hoje uma etnia satélite, que é a raça negra; que uma vez tendo sofrido o vil processo de assimilação, hoje integra uma sociedade fictícia, nutrindo a triste pretensão de alcançar uma oportunidade fictícia de igualdade racial, imaginando que dessa maneira possa finalmente fazer parte efetiva de um país, cujo Estado de exceção, sempre se fez e se faz presente na vida dele, como política de estado.
Na condição efetiva de assimilado ele defende as instituições eurocentradas que foram estruturadas exclusivamente para garantir a opressão e submissão, lhe conferindo a subalternidade como herança hereditária, uma vez que através dessas mesmas instituições é garantida a sua condição de exilado em seu próprio solo; de forma que as trincheiras passaram a ser seu permanente lar a partir da pele em que habita. 
Mas a servilidade introjetada ao seu modus vivendi através do eficaz processo de assimilação, faz com que esse indivíduo crie tolerância as mais sórdidas das opressões, fazendo com que ele ignore totalmente a sua condição de escravizado e de servilismo a esse brazill oficial, sendo meramente mais uma peça a figurar nas vitrines do mundo Real como oferta de um produto capital, com tarjas de valores e validade total.
Dessa maneira, o povo negro, que ainda não possui a consciência de ser um povo, e de saber menos ainda o que é ser negro, não sabendo nem que não sabe desse irônico e cruel fato, em decorrência desse inescrupuloso processo de assimilação combinado com a política da eugenia e gentrificação, que o mantem pacificamente no exílio, subsistindo em seus Campos de exílio, que são os Territórios de Exceção; as favelas, palafitas, alagados e periferias; locais para os quais foram removidos a força por conta da cor de sua pele; servindo hoje, como sempre serviram outrora, como estoques de força ativa para garantia do bom funcionamento da Metrópole eurocentrada.
Sendo assim, entre esses dois mundos, existe esse imenso Campo de Concentração que faz justamente a interseção entre esses Brasis. E como sempre foi, desde a implantação do assimilacionismo, o negro de mente colonizada mantem a ambos com sua força ativa, através de sua total, geral e irrestrita servidão a elite desse país, aonde a Ordem e Progresso é o slogan da propaganda oficial pacificamente aceita pelas colônias negras de todo esse país tropical onde tudo que se planta dá. 

domingo, 23 de julho de 2017

Réquiem para o Menino do Rio

Minha terra tem palmeiras onde um negro chorará; escravizados que aqui morrem não sofreram acolá. Nossos morros têm mais pobres, nossas ruas mais horrores, nossos órfãos tem mais ira, nessa vida de impostores...


Se sair a rua à noite só a morte encontra lá; nessa Terra tem palmeiras onde um negro chorará...
Minha terra tem impostores qu’em Siriús n’entrará, se eu sair à rua à noite mais cadáver encontra lá; nessa Terra tem palmeiras onde um negro chorará...

Me permita Deus a morte, pra que eu não volte para lá; pra qu’eu não veja esses horrores quand'Iemanjá me abraçar; pra qu’inda só aviste as palmeiras sem um corpo (negro) pra velar.”

Pois é... Essa é minha terra; Terra que tem o ouro de Mallboro[1]; na zona norte tem a via da morte e a zona sul, não é só mar azul. A zona oeste inconteste; sempre um grande faroeste.

Na Linha Amarela o Comando é Vermelho, e na Linha Vermelha, tem os amigos dos amigos. Enquanto a Linha verde é desmatada todas as noites em que as luzes da favela se confundem com as estrelas no negrume noturno do eclipse lunar e o piscar do giroflex do comando azul que sobe o morro para preto assassinar.

São os reflexos das Balas encravadas nos muros e paredes de barracos que produzem os diamantes cravejados nos anéis das madames e dos brancos burgueses.

Rio sem brio, sem teto e com frio. Padre cacófato em cenas insanas de cismas sinistros. Rio, de braços abertos na blitz bandida civil e militar. Rio jagunço, que desarma o homem comum armando o burguês sem medo da punidade; “penas, Pra que te quero!!!???..."

Rio, braços abertos para o amigo-urso. Rio branco, não da paz, mas da raça racista. Rio, vermelho de raiva e do fogo dos canos dos revólveres; do sangue que corre nas vicinais e principais.

Rio, negro, escravo de si mesmo. Morro palestino, asfalto TELa VIVa; invasão ou ocupação!!!??? Preocupação com a ação da cidadania virtual. Vivo Rio, morte carioca!! Viver sem vida, sem teto e com brio é sina na cena do carioca sem gema, mas... Às claras. Pão...!!?? Nem com açúcar... É pavê só na TV a mesa com fartura de espaço vazio; vazio de vida, de respeito e dignidade.

Mas todos sorriem, pois estão sendo filmados pelo “grande irmão”; por isso mostram seu sorriso vazio, contrastando com sua negra pele e saltitantes olheiras, neste Rio sem rima nem ritmo, mas com muita bossa burguesa e mulata à milanesa. Tá servido!!??

Rio que morre de raiva, a míngua enquanto a mata atlântica dança atropelada na Avenida “Brazil” por caminhões de empreiteiros contratados a peso de ouro pelo prefeito que constrói sua casa de campo na calada da noite, sobre o cedro, casa do mico-leão-dourado.

Nossa casa é o chão de estrelas, chão ocupado pela cannabis sativa, ativa e nativa que desarma o espírito e engatilha a doze na cara do cara careta. Rio 40 graus, bonito, charmoso, bombado e suado, desfilando pelo calçadão, subindo as escadarias do Christ e descendo a lapa de bondinho até o teleférico do Sugar Loaf; e cheio de graça e beleza vai gingando pela Avenida Atlântica, sobre olhares ávidos de espectadores dos big Brothers.

Viva... Rio! Não morra... Ainda!! Nem me mate! Pois Sou oriundo de Angola, uma favela perto da faixa de Gaza, bem longe de Xerém, onde o som dos tambores, cavaquinho, gonguês e agogôs se misturam com o som dos projeteis das PTs, em contraponto aos cantos banto do samba de mesa.

Sou um mulato-pardo-bem-pretinho-quase-negro; enfim, um empretecido, armado de violão pendurado nas costas, cavaquinho nas mãos e da palavra cantada na garganta que viaja entre os fartos lábios; espaço geográfico da antiga cantiga do capão; acompanhado de atabaque, pandeiro e berimbau. Desvio-me do capitão-do-mato; aquele homem classificado pelo editorial do jornal nacional como“embaixador da paz” sem voz; desse jeito, caminho, lutando em busca da igualdade de ser gente, mesmo sendo de cor diferente.

As linhas que delimitam mapas, separando países e mundo, uso para montar meu instrumento e cantar idiomas arcanos e profanos dos arcanjos africanos, no Rio ou em Belém, em Casa Blanca ou em Dresden.

Quanto a mim, crioulo de cara preta, sigo a palo seco pela aridez desse lotado deserto urbano; este meio-ambiente morto e enterrado pelo etnocentrismo antropofágico desumano dos que se consideram seres humanos.

Não preciso estar no mundo da lua para perceber que a terra azul se transformou num mar vermelho, sem trilha, sem rumo, nem retorno para escapar do abismo interior.

Nem as lágrimas dos arrependimentos misturadas às lágrimas dos crocodilos conseguem fazer cessar o brotar de vidas secas, regadas pela sede de viver fora desse jardim de fosseis urbanos.

Nesse Oásis de pensamentos jurássicos, extinguiu toda a sana da chama terna da vida coletiva da pequenez da cidade grande. Agora a aridez das emoções faz brotar espinhos nos músculos anabolizados de Cupido ariano, fazendo os yuppies saírem das cavernas pútridas da modernidade virtual para a crueldade do mundo real, desmascarados e completamente nus.

“Foi o Rio que passou na minha vida, e meu coração se deixou levar...” E assim mais um cogumelo atômico é servido à Via Láctea, nossa Via de mão dupla transversal.

Hiroshima é aqui, Nagasaki é ali, quanto ao Haiti... Não sei, morri... Sentindo o baque d’uma bala perdida na geografia de minhas costas, enquanto olhava um carro alegórico atravessando a Sapucaí!!!   Eu me acabava e a guerra começava... booommm!!!

Descobri tarde demais que, as antenas das Tvs irradiam pensamentos que são     captados pelo bom cidadão, transmitidos em forma de risos de plásticos e diversão, eram antenas protegidas pelo mesmo divino redentor de pedra que abençoa as infindáveis filas de crioulos e crioulas perfilados, em ordem unida, a espera de uma chance de igualdade desigual. 

O cristo de pedra com coração de lava incandescente, de costas para a periferia, e de frente para os indecentes, que escraviza nossas vontades com seu nome, sempre observara, impassível, a crueza e o desvalor da vida vendida e iluminada por sua negra sombra de redentor. 

Através das ditas antenas, podem-se ouvir o soar dos sinos e o rufar dos tambores anunciando a aproximação de novos tumbeiros que continuamente adentram a Baía de todos os santos da Guanabara.

Antenas que choram lágrimas de crocodilos extintos do Rio de Fevereiro, revelando sob as águas de Março, os submersos túmulos dos amores-próprios.  Assim se revela a favela da cor da tia Ciata, que arrebata Onze Praças morro acima, e depois de gentrificada, é derrubada de seu Castelo morro abaixo.

Morro alto que vira asfalto negro, com cabelos de piche, pisado, e maltratado pela estupidez racional do animal que reside na inconsciência da besta humana.
O cristo incrustado na pedra comemora o natal de todos os dias, medindo de mãos abertas, a bofetada pesada explodida na face crioula escancarada, desdentada e escachada; aparecendo na foto do cartão postal, o natal tropical numa pose fetal, ilustrando  a campanha a favor do preto aborto social.

Assim, a liberdade negra é condenada à prisão preventiva sem perdão presidencial, enquanto a felicidade preta é apreendida no corredor da morte; ambas, a liberdade e a felicidade, agonizam na fila de espera aguardando a esperança ariana vestida de branco, enfrentar o anjo negro da morte, a fim de transformar noites de pranto em dias de santo...

Tudo isso aconteceu num 21 de março, o dia de todos os dias em que fui parido do ventre de um navio negreiro, sobre uma fria e úmida tumba chamada Atlântico, tendo a imensidão do vazio e o gélido vento, além dos afiados dentes dos tubarões brancos como testemunhas, sob o reconfortar dos céus que cobria o frio de minha profunda solidão.

O compasso do batuque das águas nas paredes sólidas do tumbeiro, foi o ritmo que acompanhou meu ritual de chegada ao mundo novo. Aportei, Sem família, sem irmão e sem amor; só com a carícia do toque gélido do horror de um interminável suplício de um recomeço num deserto repleto de infinito vazio: Foi à viagem mais longa do mundo.

Despido de tudo, principalmente de minha dignidade, só restou o barulho do compasso no balanço das ondas que batia no casco do escuro porão do navio negreiro: útero branco do novo mundo.

Como qualquer recém-nascido: o choro. Minhas lágrimas de corpo presente em meu próprio funeral, que salgaram os oceanos do mundo.

Depois, pude perceber que eram lágrimas de milhões de milhares de olhos negros, ajuntados e misturados no branco útero do umbigo da madrasta de olhos azuis do novo mundo novo, em seu processo pavoroso do forçado aborto na contramão da vida rendida.

Desde então, após me numerarem, me marcando como gado, me deram um novo nome, uma nova religião explícito num rótulo ardente na pele da testa e do peito.

Deslocaram-me numerosas vezes, de zoológicos para vitrines, de vitrines para zoológicos e vice-versa, antes de chegar ao meu túmulo final em meio ao canavial; fotografaram-me; me classificaram e me deram um número de identificação. Enfim, fui devidamente catalogado como parte da fauna do novo mundo; reprogramaram-me e me enquadraram; cultivaram-me para produzir e reproduzir rendimentos e frutos aos proprietários de minha alma; agora donos da minha força ativa que fora devidamente sequestrada, legalizada e legitimada.

Desde então, foi instituído um dia de comemoração, para que esse episódio servisse de representação e referência da minha história como objeto que anda e que fala, para que não esquecêssemos jamais o que nos tornaram e o que nos tornamos; desse modo, começamos a comemorar essa princesa branca, mantendo viva a memória de nossa morte, a dívida da vida a qual o ventre do navio negreiro nos legou.

Como cristãos novos agradecemos essa nova vida nascida morta no compasso da queda d'água de nossos negros olhos que salgaram os oceanos do mundo, transformando as profundezas abissais numa imensa cova coletiva, na medida em que se instituíam privilégios, que alimentava a arrogância e a indolência da violência e do suplício fortuito, fazendo da morte, da tortura e da humilhação, a base do infame mercado legalizado gerador de regalias, de frugalidades e de frivolidades da supremacia branca estabelecida; em suma; o ganha-pão honesto que conferia status e poder ao homem de bens.

Foi com essa reflexão que hoje cedo mergulhei nas águas do mar que banham os limites da cidade em que habito, após olhar indefinidamente para o infinito, no azimute, procurando enxergar ao longe algum sinal das cercanias do meu quintal ancestral.

As lágrimas retornaram aos olhos, marejando as vistas cansadas de vida e das citadas comemorações. Então me banhei na água do mesmo sal que corroeu os ossos das peles negras de meus irmãos; sal que agora temperavam o banquete comemorativo de vida e morte no gourmet promovido pelo infame mercado da carne preta nesse eterno Black Friday; foi quando lembrei que esse único dia do ano, nos foi generosamente concedido e reservado internacionalmente, para brindar a eliminação do racismo no novo mundo...

Nesse momento, me dei conta de que estávamos no mundo novo e que meu antigo mundo havia se perdido na via crucies do trajeto transatlântico da branca pirataria legalizada. Desse modo; enquanto mergulhava; os tubarões brancos do oceano do mundo me mostravam seus ameaçadores dentes afiados.

Retornei célere, sem conseguir vislumbrar um tico do meu antigo quintal, enquanto os tubarões brancos terrestres calorosamente me recepcionaram com um amplo sorriso de crocodilo. Imediatamente entendi os motivos dos dias de comemorações contra essa tal da discriminação.

Olhei saudosamente de soslaio para o além-mar, retornando de imediato o olhar para aquele caloroso sorriso; sem nada dizer, apenas pensei: - Branquinho é FODA...!! Ele comemora o dia da eliminação da discriminação racial ou eliminação da raça...!? Me perguntei enquanto caminhava  naquela vasta faixa de areia em direção ao pelourinho de cada dia que nos dói hoje. Naquele momento, aquela questão era só um mero detalhe de uma questão a ser definida e decidida entre os tubarões brancos ocidentais...

Hoje, que morri matando o branco homicida que habitava em minha mente ensandecida, tenho a certeza de que o cinismo hipócrita da arrogante branquitude, que é exposto diuturnamente nas ações genocidas do Estado, já está em plena sucumbência, e suas promissórias vencidas devem ser resgatadas; agora que adquiri a consciência de que sou porque somos[2], derreto as grades desse cativeiro no estrangeiro dessa minha terra estranha...
Minha Terra tem palmeiras, onde eu canto ao Orixá...Requiem aeternam dona eis, Domine[1]



[1] Marca famosa de cigarro nos anos 80 em que a propaganda se passava no velho Oeste americano.
[2] - Ubuntu
 [1] Senhor, concede-me o eterno descanso”

Lupi mutati lúpus ouir menten[1]: A alta Cultura como arma branca de destruição em massa.

A forma violentamente suave de separar o homem da natureza tem mostrado seus umbrálicos efeitos, aparentemente irreversíveis. Diuturnamente este homem é despedaçado, esquartejado em mil fragmentos, enquanto são conferidos a cada um desses pedaços, mil diferentes faces, contendo em cada uma delas mil verdades produzidas pela massacrante velocidade que lhe atropela com suas afiadas e certeiras lâminas da mercantil ética volátil, para formatar sua personalidade, tal como as personalidades costuradas com diversas carnes que formataram a deformação de Frankstein, e dessa maneira, ele possa servir ao seu sinhô, mestre e criador do valor financeiro amestrador.

Tornado este mesmo homem um produto dessas mil verdades, que impiedosamente lhe perpassa o ser, como as agulhas rombudas de vacinas, ministradas em doses diárias pela mídia manipuladora, e que lhe anestesia o fundo do ser, tornando-o definitivamente um ser imunizado contra os efeitos produzidos pelas mórbidas visões das realidades desumanizadoras; evitando desse modo, causar quaisquer perturbações ou morçus concientae[1] no incauto neófito.

Desse modo, constantemente são criadas e renovadas devidas tolerâncias às barbáries vulgarizadas pela mídia falada e escrita, que uma vez introjetadas e assimiladas pelo cidadão de bem, tais violências são banalizadas pela sociedade contemporânea colonizada formada por esses cidadãos, passando assim tais atrocidades a fazer parte do cenário da vida comum, e em comum, de quaisquer deserdados ou feridos pela justiça que possuam a cor certa ditada e gravada no imaginário social como tal. Ou seja, a cor negra; tem sido exatamente essa a cor justificada pelo senso comum, para ocupar o lugar de presa política, jurídica, social e econômica, diante da relação de poder estabelecida que tem conduzido à vida e a morte desse ser da cor desumanizada por esta construção social, e servido ao sistema vigente como política do Estado escravocrata atual.

Da mesma forma que a natureza do escorpião[2], a sociedade tem a sua natureza manufaturada, forjada e planejada, sendo roteirizada e explicitada em cada reação e cada não ação diante nesse maquiavélico processo de genocídio de um povo, na prática constante e contínuo do exercício de vis atrocidades predatórias nunca antes vistas no humano reino animal. Pois se trata de um extermínio estratégico, cirúrgico, perverso e com requintes de maldades, numa forma de jogo onde as regras são extremante peripatéticas e tragicômicas, tal é a simplicidade de implementação; e é essa mesma simplicidade que as tornam assustadoramente efetivas; são mil verdades que escondem a Verdade mais óbvia, que é aquela grafada pela lei da natureza. Natureza esta que a cultura cruelmente arrancou de nossos corações e mentes usando as ferramentas fáceis das narrativas de promessas divinas e paradisíacas de felicidade eterna de um futurístico reino fictício.
 
Dessa forma, com seu canto de sereia, a serpente do paraíso codificou a natureza em coloridos e atraentes tubos de ensaios, e as distribuiu como bulas e fórmulas anabolizadas, dando-lhes o sofisticado nome de ciência da alta cultura. Agora, a missão do homem, é decodificar essa fórmula tomando o caminho inverso[3], para retornar e resgatar a sua humanidade roubada pelo homem, lobo do próprio homem, ou se afundar depressivamente em si mesmo, afogando-se ironicamente tal qual Narciso.



[1] “O lobo troca de pele o homem de mente” 
[1]  Remorso de consciência.
[2] Alusão a fábula “O escorpião e a rã”.
[3] Um conto de provável origem árabe, narra à ligação direta entre Deus e os homens nos primórdios da humanidade, sem que houvesse intermediários de quaisquer naturezas. Mas devido a não valorização desse processo por parte dos homens, Deus em assembleia com seus anjos e arcanjos, decidiu retirar esse dom dos homens. Indagados pelos seres divinos em que lugar esse dom seria escondido, Deus respondeu que seria num lugar aonde o homem nunca vai; os anjos em suas ilações os anjos indagavam se esse lugar seria nas profundezas do mar, nos confins do universo ou nos abismos abissais, etc. Mas Deus simplesmente respondeu que esconderia dentro do próprio homem.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Ecce Homo

Os elos, forjados pelas representações, entrelaçando-se entre si durante um vulgar ritual de acasalamento, vão compondo as fortes correntes que seguram com uma firmeza raivosa os paradigmas formatadores de nossa realidade objetiva, após o perverso e mórbido processo de cativar nosso subjetivo; processo este que habilmente nos prende a teia conjuntural da mega estrutura mundial do servilismo absoluto, para saciar a voracidade da patriarcal viúva branca ocidental.

Uma vez tendo assimilado e aceito essa realidade posta, e imposta por esse ente empresarial regulador do Estado; o cidadão é devidamente dominado através do controle econômico e social, legitimando-se dessa forma, como pseudo-cidadão, com direitos relativos e deveres absolutos nos termos da força de lei.

Falo como um cidadão desobediente epistemológico, resultado da síntese entre Nietzsche e Fanon, que não se dobrou a inculcação do medo que produz e controla os imbecis, domesticando-os, como se adestra a quaisquer animais. Visto que, essas vítimas do assimilacionismo eurocentrado após desumanizadas por esse vil processo, transformam-se num não ser.

Essa aberração em que o negro se transformou, com a aceitação de sua imagem pintada por bovinos eruditos e por gangues de cínicos leucodérmicos, uma vez envolto pelo pass-par-toute das categorias do senso e do contrassenso, que não permite que ele possa distinguir ambas as categorias, impede qualquer possibilidade de negação dessa imagem fabricada, impedindo-o de transcender-se num novo recomeço. Caímos, dessa forma, na armadilha da contradição; num círculo vicioso onde um branco tenta ser negro e o negro tenta embranquecer, num processo de duplo narcisismo; desdenhando assim, o universalismo da condição humana e de ser humano.

A forma maiêutica e diatópica de colocar as coisas, materialmente, em seus devidos lugares, seria o caminho para a desalienação. Visto que o negro costuma tomar diversas posições frente ao mundo dos brancos; essa assunção deve ser em massa. Deixando assim então, de usar o uniforme tecido por séculos de estupidez que impôs ao negro um desvio existencial, fazendo da alma negra uma mera construção do homem branco.

Ao analisar mais de perto esse homem; o Ser humano em si; percebemos que ele é um ser intuitivo e criativo, sem ser um Ser pensante; pois deixou de perceber que faz parte da natureza, uma vez que em contato com ela, passou a codifica-la, com o intuito de poder controla-la; criando, desse modo, o que ele classificou como cultura. Sendo assim, a cultura passou a ser um processo que afastou o homem da natureza, apartando-se de si mesmo nesse taxionômico exercício de codificação e representações.

Agora, perdido em si mesmo, ele se procura. Mas para isso ele necessita decodificar e decodificar-se para tornar possível a sua desalienação. Ou seja, ele precisa tornar-se um ser pensante; e o primeiro passo para isso, é sua reaproximação com a natureza; com sua natureza; abolindo, dessa maneira, tudo que ele mesmo se impôs como cultura de controle e de egolatria do homem-produto, com barras de valores e tempo de validade.


https://www.facebook.com/PoderNegro4P/videos/1249935398449554/

Panorama do Brazil Brasileiro

O Estado Brazilleiro é um Estado Negreiro, ancorado no Porto Maravilha da Terra do Nunca, de portas abertas para o campo de colheitas de tâmaras e pimentas que não são do Reino. Nossa pátria é uma madrasta raivosa; é a pátria que nos pariu durante uma tentativa frustrada de euro aborto, provocado nos porões seus úteros apodrecidos.

Um Estado composto por Ministros-traficantes, senadores e deputados-escravocratas, militares que organizam e gerenciam o tráfico de entorpecentes e toda a estrutura do submundo, contando com a prestimosa anuência do indolente poder judiciário, que lubrifica a máquina estatal, para seu total funcionamento arrogantemente corrompido, enquanto a mídia ordena aos cidadãos às atitudes a serem tomadas em face a tal Estado, ditando sua relação para o progresso desse perfeito sistema biocida, onde pastores protestantes são traficantes de armas e ministros católicos se dedicam a pedofilia.

A televisão habilmente passa a visão em tela plana, monopolizando a educação mental de cada cidadão, enquanto subliminarmente dita as devidas atitudes aos servos escravizados; propriedade do sistema; fabricando o cidadão padrão, o cidadão de bem como sinônimo de cidadão de bens. Deste modo, temos a cultura de uma Nação Zumbi que robotiza o cidadão, domesticando e adestrando-o como fiel servidor do Rei Nu.

As tâmaras e as pimentas serão servidas nesse picante Banquete de Momo, regado a sangue, suor, lágrimas e ranger de dentes brancos de pele preta, com sabores de pólvora das trincheiras que içam bandeiras negras tendo ao fundo o alegre som do samba réquiem, em pleno merdi-gras[1].
Ianques de todo o mundo, sejam bem vindos ao solo desse Brazill estrangeiro e sirvam-se a vontade do Maná dessa terra que tudo dá.



[1] quarta-feira de cinzas