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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Quando o mito do amor romântico se encontra com fatos poligênicos...

Num desses dias comuns, de um final de semana comum, passeando pelas esquinas ruidosas comuns do cotidiano diatópico, em frente a uma banca de jornal, presenciei uma memorável cena: a queda de um príncipe de seu cavalo branco, enquanto a princesa preta, se apropriando de seu corcel, galopou, cavalgando a caminho de sua aventura diversa. A estampa no escudo do caído príncipe que prometeu[1] o céu a princesa negra, além de todo o seu incondicional e completo amor, confirmava esse instituto como sua propriedade única e exclusiva.

Ora bolas, diante daquela medieval cena contemporânea; meditei: o dia em que o céu descer a terra, isso aqui vai virar um inferno, pois os serviços de patentes, evidentemente arianas, enlouqueceriam vendo o caos[2] baixar a terra, com os incontáveis números de mulheres de boa vontade, reivindicando novas fórmulas e formas romantizadas de se amar.

Se um dia o céu cair, não vai sobrar espaço, em nosso inferno particular de cada dia, para as inumeráveis pessoas que habitam dentro de cada pessoa. Já que cada pessoa que ai se encontra, é uma singularidade diferente, dentro das diferenças igualitárias.

Desse modo, o processo de enlaces relacionais dessa multidão única, em aliança com as tantas outras pessoas diversamente únicas, tornar-se-ia de uma simplicidade complexa extrema, que se sintetiza na aceitação das realidades de cada uma dessas pessoas que caminham com cada pessoa(s) aliada(s).

Se assim não for, cada pessoa que há em nosso interior irá morrer enquanto as outras cometem o autocídio a cada relacionamento que não levar ao céu. Dessa maneira, o luto do amor romântico se perpetua a cada ressurreição preconizada nos recomeços relacionais, através dos meios para um novo fim; e como num ad eterno moto perpétuo, cultivam as chagas e sequelas dessa eterna novela.

As incontáveis pessoas que há dentro de cada pessoa, devem fazer a travessia do caminho da vida nessa terra, sem se fragmentar, juntas e aliançadas em seu tempo e a seu tempo; o que constitui o amor em sua plenitude é justamente descer do romântico cavalo branco,  dando-se ambas as mãos às pessoas que dos seus lados estão, para iniciar ou continuar juntos essa travessia através dos rios e montanhas de pragmatismo e paradigmas incrustados no sentido da vida de cada pessoa que nos habitam e com as quais coabitamos.



[1] Trocadilho do verbo prometer com o Titã Prometeu, herói da mitologia grega. Seu nome, no idioma grego, significa ‘premeditação’; pratica em sua trajetória, a arte de tramar antecipadamente seus planos ardilosos, com a intenção de enganar os deuses olímpicos. O fato é que Zeus decidiu punir Prometeu, decretando ao ferreiro Hefesto que o prendesse em correntes junto ao alto do monte Cáucaso, durante 30 mil anos, durante os quais ele seria diariamente bicado por uma águia, a qual lhe destruiria o fígado. Como Prometeu era imortal, seu órgão se regenerava constantemente, e o ciclo destrutivo se reiniciava a cada dia. Isto durou até que o herói Hércules o libertou, substituindo-o no cativeiro pelo centauro Quíron, igualmente imortal.
[2] Deus da desordem; um dos que deram origem ao mundo.




Um comentário:

casa disse...

A larga postura romântica que coabita a diversidade das pessoas são de um modo ruidoso o que há de livre o perene pensamento dos que acreditam na grande formosura do amor de superações ás inquietudes da vida . De mãos dadas a consciência do belo pensar para mudar é que na verdade reabre a estrada de que há um mundo maravilhoso e admirável ao grande e variados ser pensante . admirar o pensar pode-se dizer que é o efêmero amor .