Num desses dias comuns, de um final de semana comum, passeando pelas esquinas ruidosas comuns do cotidiano diatópico,
em frente a uma banca de jornal, presenciei uma memorável cena: a queda de um príncipe
de seu cavalo branco, enquanto a princesa
preta, se apropriando de seu corcel, galopou, cavalgando a caminho de sua
aventura diversa. A estampa no escudo do caído príncipe que prometeu[1] o
céu a princesa negra, além de todo o seu incondicional e completo amor, confirmava
esse instituto como sua propriedade única e exclusiva.
Ora bolas, diante daquela medieval cena
contemporânea; meditei: o dia em que o céu descer a terra, isso aqui vai virar
um inferno, pois os serviços de patentes, evidentemente arianas, enlouqueceriam
vendo o caos[2]
baixar a terra, com os incontáveis números de mulheres de boa vontade, reivindicando
novas fórmulas e formas romantizadas de se amar.
Se um dia o céu cair, não vai
sobrar espaço, em nosso inferno particular de cada dia, para as inumeráveis pessoas
que habitam dentro de cada pessoa. Já que cada pessoa que ai se encontra, é uma
singularidade diferente, dentro das diferenças igualitárias.
Desse modo, o processo de enlaces
relacionais dessa multidão única, em aliança com as tantas outras pessoas diversamente únicas, tornar-se-ia de uma simplicidade complexa extrema, que se sintetiza na
aceitação das realidades de cada uma dessas pessoas que caminham com cada pessoa(s) aliada(s).
Se assim não for, cada pessoa que
há em nosso interior irá morrer enquanto as outras cometem o autocídio a cada
relacionamento que não levar ao céu. Dessa maneira, o luto do amor romântico se
perpetua a cada ressurreição preconizada nos recomeços relacionais, através dos
meios para um novo fim; e como num ad eterno
moto perpétuo, cultivam as chagas e sequelas dessa eterna novela.
As incontáveis pessoas que há
dentro de cada pessoa, devem fazer a travessia do caminho da vida nessa terra, sem
se fragmentar, juntas e aliançadas em seu tempo e a seu tempo; o que constitui
o amor em sua plenitude é justamente descer do romântico cavalo branco, dando-se ambas as mãos às pessoas que dos seus lados estão, para iniciar ou
continuar juntos essa travessia através dos rios e montanhas de pragmatismo e
paradigmas incrustados no sentido da vida de cada pessoa que nos habitam e com
as quais coabitamos.
[1]
Trocadilho do verbo prometer
com o Titã Prometeu, herói
da mitologia grega. Seu nome, no idioma grego, significa ‘premeditação’; pratica
em sua trajetória, a arte de tramar antecipadamente seus planos ardilosos, com
a intenção de enganar os deuses olímpicos. O fato é que Zeus decidiu
punir Prometeu, decretando ao ferreiro Hefesto que o prendesse em correntes junto ao alto do
monte Cáucaso, durante 30 mil anos, durante os quais ele seria diariamente
bicado por uma águia, a qual lhe destruiria o fígado. Como Prometeu era
imortal, seu órgão se regenerava constantemente, e o ciclo destrutivo se
reiniciava a cada dia. Isto durou até que o herói Hércules o libertou, substituindo-o no cativeiro pelo
centauro Quíron, igualmente imortal.
[2] Deus da desordem; um dos que deram
origem ao mundo.

Um comentário:
A larga postura romântica que coabita a diversidade das pessoas são de um modo ruidoso o que há de livre o perene pensamento dos que acreditam na grande formosura do amor de superações ás inquietudes da vida . De mãos dadas a consciência do belo pensar para mudar é que na verdade reabre a estrada de que há um mundo maravilhoso e admirável ao grande e variados ser pensante . admirar o pensar pode-se dizer que é o efêmero amor .
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