Um
alienígena, sem rosto e sem cor, aterra na terra, em seu caminho, de mais um
dia de trabalho de 20h de anos luz. Chegando a terras brasilianas, percebe que
existe nesse habitat diverso, um complexo Estado reverso, que não rima com o
verso poemisado pelo universo, hora em desencanto, malgrado o compasso do
batuque harmonizado pelo blues da encruzilhada de Siriús[1], com Vênus[2] e Marte[3].
Ele
enxerga, de seu modesto veiculo molecular, um lar de três nacionalidades
diversas, onde há uma grande etnia autóctone; outra etnia maior, mestra da arquiteta
de sustendo da vida desenvolvida; e mais uma etnia predadora, de rapina,
carniceira.
Ele,
o extraterrestre observador, não precisou pesquisar por muito tempo para perceber
que, a etnia carniceira se outorgou a condição de dominadora da situação,
dilapidando toda a riqueza da outra nação e aprisionando os arquitetos que
sustentam a sua condição.
Diante
desse cenário gótico, pós-inquisição, onde uma bomba atômica ativou a opressão,
viu que a radiação da distopia incrustou nos corações e nas mentes, tornando as raças oprimidas um só insignificante ser demente, incapacitando-os de perceber seu
Estado presente.
Os milhões em dinheiro que dominam as emoções, espalhadas
pelo Enola Gay[4],
após um jantar de tertúlias, introjetada nas veias como drogas, numa infame
armadilha de redes e teias; as nacionalidades se misturam sem se juntar, como
água e óleo, todas em seu lugar, sem tempo pra pestanejar.
A
distopia, do alto de seu trono, em seu eterno masturbar, não cessa de ejacular
o sêmen da morte; e os ovos dessas serpentes diatópicas, continuarão a gerar,
até esse pequeno planeta, não mais suportar e num imenso ninho pantanoso se afundar.
Então os filhotes de serpentes ou de águia vão jorrar dos ovos chocantes, rastejantes
ou esvoaçantes, para a páscoa comemorar; comemorar morte em vida; o nascimento
e o fenecer, que fazem parte das efemérides da etnia padrão, o modelo
motivacional e controlador da emoção. Dessa maneira, a questão relativa ao
gênero da cria, não será relevante, nesse momento voraz onde os filhotes serão
tragados pelo próprio genitor: o tempo; juiz a contento de todo o rebento que
respire sem tento nas pautas do lamento no blues desse nascimento.
Assim,
mais uma vez, uma luz cruzará o eterno espaço, seguidas pelos Reis mágicos no compasso de seus passos: Siriús, Marte
e Vênus, que levarão presentes diferentes para as etnias crentes; crentes na
Utopia de fragmentar a Distopia dessa arrogante Brancopia que reina na
usurpação da ação do Senhor de todos os Senhores: o Tempo; o mesmo Tempo que
impulsiona os foguetes da nave alienígena entre os eternos jardins estelares
dos Édens seculares.

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