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sexta-feira, 25 de março de 2016

Kawo kabiecile okê arô...

Os Negros sempre carregaram o Brazil nas costas, foram e ainda são, o arrimo do país; mas os direitos dos construtores desse país se resume a um único direito: o de se calar; enquanto os nomes dos que comandarem o Estado brasileiro forem todos nomes de procedência estrangeira. Fato funesto, para corroborar as atrocidades cometidas, é o absurdo do negro brasileiro ser até mesmo proibido de registrar o seu próprio filho com o nome de sua família originária, já que este ato remete a sua memória, à sua ancestralidade e a sua história de luta. Ou seja, assim como a cor de sua pele, que infere em sua sentença, visto não ser possível arrancá-la de todo por falta de cemitérios e sepulcros públicos suficientes, o nome próprio é um discurso poderosíssimo que precisa ser coibido e apagado, proibido e esquecido. 

Nosso país está dividido em três nacionalidades: negra, indígena, branca. A nacionalidade que sempre governou, explorou, torturou, roubou e furtou, sabemos muito bem qual é; é que detém o poder com base na coação e coerção, e detém o monopólio total da maledicência e da corrupção enquanto os fracos sofrem o que é necessário, já que estes oprimidos não atinam para a sua condição de escravizado, criando por sua vez, um eficiente mecanismo de tolerância à violência e a subalternidade, ele transforma esse instituto de opressão algo natural, permanecendo enfim, na condição de servilidade completa, geral e irrestrita.


Se atinássemos para caminhar em direção a FORMAÇÃO da tão temida coletividade, o que faz com que branquinho tenham infinitas insônias, nos tornariam conscientes de que somos um povo descendente de Rainhas e de Reis. Parece que, lamentavelmente ainda temos que permanecer nos porões dos negreiros para nos lembrar do significado e da significância da palavra MALUNGO, que traz latente o poder da espiritualidade ancestral de nosso povo. Mesmo que esse ato de rebeldia, a formation da coletividade, signifique ingressar numa batalha desigual. Mas, como a verdade está sempre ao lado do oprimido, trilhemos o caminho do Ubuntu como a única via ainda não explorada neste novo mundo, aonde a humanidade se encontra coberta pelo manto da completa solidão. Desse modo, finalmente nosso país multiétnico se tornará PLURIÉTNICO, sendo enfim, um país de todas e todos, indo além da superfície do discurso propagandista da plutocracia fascista pós-moderna.

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