Nesse olímpico jogo político, feito
de regras, leis, decretos e atos institucionais impressos, que patrocinam os
gritos das torcidas, misturados com os gritos das torturas ensandecidas, fazendo
as lágrimas de dor, fundirem-se com as lágrimas dos choros de emoção dos
melanodérmicos irmãos; Choro e riso misturados desde a sala do necrotério a sala
da televisão; dou o meu mergulho olímpico no sofá da sala de estar após minha desabalada
corrida para ocupar meu devido lugar, e como Jesse Owens frente a Hitler repetindo
Davi e Golias, sou interceptado pelo pelotão de choque e cercado pelo Bope: minha
pele preta e meu negro olhar, os fazem lembrar, a cada alemão que faz parte
desse batalhão, que pago a eles para cuidar de nossa nação e não pra blindar o
Estado de exceção.
Mas a mídia presente faz de meu
grito o seu espetáculo indecente; fazendo da minha indignação uma tragicomédia
sem razão exibida na tela de ilusão, onde o palhaço é esquartejado num final mais
do que normal, por não saber fazer rir os expectadores de seu próprio funeral;
E em sua lápide a inscrição: “Aqui jaz mais um preto invictus[1] insepulto
com seu liberum veto[2] explícito”.
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