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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Uma singela homenagem voluntária as olimpíadas do Rio de Janeiro

Nesse olímpico jogo político, feito de regras, leis, decretos e atos institucionais impressos, que patrocinam os gritos das torcidas, misturados com os gritos das torturas ensandecidas, fazendo as lágrimas de dor, fundirem-se com as lágrimas dos choros de emoção dos melanodérmicos irmãos; Choro e riso misturados desde a sala do necrotério a sala da televisão; dou o meu mergulho olímpico no sofá da sala de estar após minha desabalada corrida para ocupar meu devido lugar, e como Jesse Owens frente a Hitler repetindo Davi e Golias, sou interceptado pelo pelotão de choque e cercado pelo Bope: minha pele preta e meu negro olhar, os fazem lembrar, a cada alemão que faz parte desse batalhão, que pago a eles para cuidar de nossa nação e não pra blindar o Estado de exceção.

Mas a mídia presente faz de meu grito o seu espetáculo indecente; fazendo da minha indignação uma tragicomédia sem razão exibida na tela de ilusão, onde o palhaço é esquartejado num final mais do que normal, por não saber fazer rir os expectadores de seu próprio funeral; E em sua lápide a inscrição: “Aqui jaz mais um preto invictus[1] insepulto com seu liberum veto[2] explícito”.



[1] Alusão ao poema do inglês William Ernest Henley, o preferido de Nelson Mandela durante o regime do apartheid Sul africano.
[2] “A liberdade de dizer não” no antigo Congresso Polonês (1652-1791) o direito de cada membro de revogar as decisões a partir de seu veto pessoal.

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