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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

They don’t care about us[i]…

Alguém sabe de alguma gravadora negra existente no Brazil…!? Algum órgão corporativo do tipo associação de negros ou um fórum nacional de psicólogos negros, médicos ou advogados negros, Talvez um partido político, uma imprensa negra, filmes, séries ou novelas... Um jornal, revista ou uma faculdade exclusivamente negra...!!??? Não conheço absolutamente nenhum caso correlato; salvo as raras tentativas caricatas e patéticas [ii]afromodistas.

Constatamos que absolutamente todos os setores da cultura negra se encontra contaminado pela supremacia branca; seja no carnaval, nas escolas de samba, no próprio samba, no rock, MPB, candomblé, capoeira, jongo, religião, etc... Além do próprio movimentismo negro; não há exceção; 100% branco de contaminação...

Os brancos que desqualificam a existência do racismo, contraditoriamente acusam os negros de praticarem o racismo reverso, e essa hedionda atitude social respaldam as atitudes policialescas que, atualmente passaram a rotular o crime de injúria racial, como “suspeita de racismo”; dessa maneira; já que ainda ontem, o racismo, sendo classificado como crime inafiançável, era qualificado como injúria racial para permitir a fuga da pena imposta pela lei ao meliante; hoje, após a injúria racial ganhar o mesmo peso e status do crime de racismo, escrachadamente arranja-se um subterfúgio para que esse crime continue a acontecer sem a existência do criminoso; caso único na jurisprudência do mundo para constar no museu do amanhã, fazendo parte da história dessa querida gente branca sem raça, nem graça ou civilização.


Da FORMATION de Beyoncé ao SAMBA da globeleza, mesmo essa querida gente lesa continuar gerando gente lesa expomos suas vergonhas de fora; Vejo com minhas meninas nuas, mulheres despidas e seminuas; uma polida e a outra pelada diante da hipocrisia, e de toda essa violência arrogante e indolente das queridas pessoas brancas que nos consomem como qualquer produto com barras de validade conferida pelo mercado branco.

Outrora, a moenda triturava a cana cortada e colhida pelo negro, gerando toda a riqueza de seu sequestrador; sequestrador este classificado pela euro-história como conquistador; mas hoje, a cana acabou, na moenda restou apenas a dor e o líquido vermelho da carne mais barata do planeta, a carne preta... Agora esse sangue atrapalha, pois lembra a vergonha desse hediondo acontecimento; e essa pele negra lembra desse fato que constrange o brancú.  Essa pele preta como uma flâmula a tremular diante de sua alva face é uma bandeira de uma liberdade incômoda, bandeira  que anuncia e que ameaça o absolutismo dessa querida gente branca; é nossa bandeira pirata em meio a esse infame mercado capital que humilha e mata.

Um corpo negro que se despe e dança num delimitado espaço em branco, poderia ser só mais um passivo corpo-espetáculo exposto para inglês ver, mas como corpo-ação, tornou-se um ato de rebeldia contra os maus-tratos, quando grita alto, mesmo em profundo silêncio, para todas as meninas nuas, despidas de distopias, para ver o invisível e indivisível Povo preto, preso na paranoia desse psicótico sistema predador dessas queridas pessoas brancas...

Eis o “X[iii]” da questão do Rei[iv] que se encontra desnudo: Sambo rock com guitarra e pandeiro diante do mundo inteiro de novembro a fevereiro; descendo do palco e subindo ao palanque com minha pele escura, feito gente; com isso, essa querida gente branca não contava: SOU GENTE... Sou, porque somos...! Estamos ligados...!! Vocês não ligam, nem se ligaram... Agora é tarde... Sambando numa formation que não acaba em samba, despido de terno e com chapéu de bamba, galo já cantou anunciando um dia que só acaba quando tudo termina... Liberdade ainda que tardia...Assim como Acotirene, a primeira Pantera Negra das Américas, seguida por Zumbi que se fez Rei em Palmares (que não mais existe), faremos Palmares de novo...





[i] “Eles não ligam pra gente” Música de Michel Jackson gravada no Morro Dona Marta, Rio de Janeiro; e no Pelourinho, em Salvador.
[ii] Revista RAÇA, Faculdade Zumbi dos Palmares ou os biônicos da OAB.
[iii] Malcon.
[iv] Martin Luther.

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