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sábado, 28 de novembro de 2015

Retrato em preto e branco: a imagem negra no altar de sacrifício do xadrez midiático no livro de apocalipse....



Vamos outra vez observar, relançando renovados olhares sobre as ostensivas imagens, intencionalmente induzidas e naturalmente distorcidas, que criam com esmero e perfeccionismo, os capciosos e lamentáveis pensamentos enviesados e generalistas que põe em dúvida a humanidade da pessoa de cor; além de coloca-las num lugar não existente na sociedade brazilleira; o entre-lugar; ao mesmo tempo em nos transformam em párias, enquanto classificados de minoria, mesmo somando quase o número total dos habitantes da população pluriétnica desse solo varonil chamado de Brasil. E que em consequência dessa conjuntura diatópica em plena distopia, somos transformados em imigrantes, estrangeiros em eterno exílio, nesta terra com palmeiras onde canta o sabiá; a Terra em que nascemos.

Vamos, só de mórbida curiosidade, rever uma produção audiovisual nacional, assistindo como a personalidade da mulher Negra é colocada e retratada; como na maioria das películas branco-tupiniquins; na visão trazida pela Mídia Branquela. Agora falando especificamente do filme que aborda a vida de Chica da Silva, que em resumo, essa produção trás uma mulher tratada tal como qualquer outra mulher negra o é, e sempre foi naturalmente retratada no Brazil por está MB de propriedade branca: de forma machista e racista; como a mulher boa de cama, sensual, erótica, submissa e vulgar, como mulher que se associa a um branco como forma de aferir vantagens, ser tutelada e legitimada como alguém na sociedade branca; a sociedade única.

Olhemos de novo para trajetória de vida dessa mulher de personalidade forte que, antes de se juntar ao contratador branco, já era possuidora de sua riqueza e de seus inúmeros empregados, fato este esquecido pelo branco diretor desse filme branco da MB que costuma mostrar sua obtusa visão branca sobre a vida negra de forma exótica, folclórica e fetichista.

Essa mulher que enviou duas de suas filhas para serem educadas em faculdades europeias, antes de se ligar ao contratador, e que foi retratada como uma ninguém, foi ridicularizada pela branquitude ao pintar a si mesma e as suas empregadas de branco, enquanto jocosamente seus detratores alegavam que ela queria ser branca como eles.

Isso mostra o tamanho incomensurável da ignorância voluntária dos branquelos que, obviamente desconhecia os costumes das mulheres negras africanas; falando mais especificamente das congolesas; que se juntam e se pintam de branco quando saem às ruas em protestos de qualquer natureza. A MB e seu séquito nem por um instante perceberam o ato político que esta incrível mulher estava a realizar, enviando uma mensagem de resistência, de solidariedade e resiliência ao seu povo; o povo negro. Este mesmo povo que teve sua história interrompida pelo escravismo, promovido primeiramente pelos árabes, e culminando na estupidez do tráfico transatlântico, com o mercado infame dos algozes europeus que se estende até a presente data.

O ocaso do Povo Negro foi o devir dos selvagens europeus, que desde sua descida (dos europeus) do Cáucaso, esse bárbaro bando antropófago, que mais tarde se outorgou o título de humano, vem promovendo a violência extrema como modus vivendi. Desde então, a memória do ser de ébano foi extraída do Negro de forma estúpida e perversa pelos caucasianos; enquanto seus descendentes (dos inumanos caucasianos) que hoje usufruem das riquezas roubadas, vivendo graças à perda dessa memória; perda de memória esta que cedeu lugar ao desenvolvimento da Síndrome de Estocolmo no inconsciente coletivo do povo Negro, dando vazão ao Alzheimer social e a esquizofrenias identitária advindas da estúpida doença branca denominada de racismo praticado por esse bando que roubou a história do povo negro, e além da identidade, roubaram a própria humanidade africana, para que pudessem possuir alguma coisa que os tornassem membros da vida no planeta como seres humanos, pois até então, esses animais ainda não possuíam quaisquer traços que os identificassem como tal.

Nesse xadrez inglês, os meninos brancos de Liverpool brincam de rock roll para Ninar todas as netas e bisnetas das Simones que permanecem em seu exílio infame; todas as Negras, Negrícias e Neguíssimas que repousam eternamente nesse berço esplêndido, tendo suas rebolativas imagens enegrecidas, pintadas de branco a bailar na vinheta que brilha em cada vislumbrado olhar arregalado, ante o espelho mágico desse xadrez de emoções, geradas e regradas pela branquidão, num processo arrogante e estúpido dessa infâmia produzida na Televisão, e seguida pela cegueira dessa servil população.

Nosso gólgota não se esgota nas tristes canções de notas azuis[i] compostas com escala escrava[ii], nem nos modernos trajes contemporâneos das camisas de onze varas[iii], tão pouco nas carteiras de trabalho ou na identidade para exibir como carta de alforria ao insano capitão-do-mato na subida do morro sem saneamento básico, para estar seguro de sua garantia de sofrer todos os horrores sem perder-se de si mesmo, atestando desse modo sua liberdade áurea, generosamente concedida em todos os treze dias de maio que instituiu seu direito à prisão perpétua, nessa eterna distopia intrépida.

Não sou Chaplin, nem Michael (Jackson) nem sou Clown; a imagem de minha máscara branca, que esconde a pele negra, se contorce, retorcendo-se, e enquanto se distorce inverte minha imagem refletida na retina do espelho mágico nessa mágica tela: sou Cláudia Ferreira, sou Nina Simone, Acotirene, Luiza Mahin... Sou Francisca da Silva...!! Sou Preto da Silva, o polêmico “X[iv]” que acompanha o suave “Y” dessa incômoda questão, solta como seta nos cromossomos do negro carbono[v] espalhado divinamente pela superfície melanodérmica desse generoso gênero pintado de branco... É só olhar, para ver o que não é...!!

Que comecem os jogos, e que a sorte lhe acompanhe[vi]; mas se por acaso, na fogueira das vaidades e das emoções dessa midiática contenda, a Rainha Preta se perder, o Rei também estará passivamente fadado ao eterno limbo no tabuleiro dessa colorida Teletela[vii] que transmite essa desumana disputa de Negras peles e brancas máscaras[viii], online e em preto e branco, pelo direito apocalíptico à vida humana, nessa espinhosa senda de juventude perdida e humanidade transviada.




[i] Referência ao Blues, à música negra dos africanos escravizados na América do norte.
[ii] A escala musical pentatônica (de cinco notas) era conhecida como escala escrava por ser utilizada nas composições musicais elaboradas pelos escravizados africanos na América do norte.
[iii] Uniformes usados pelos prisioneiros norte americanos.
[iv] Referência a Malcom X.
[v] O carbono é que dá origem a vida; ele compõe o ADN humano, sendo constituído de 6 elétrons, 6 prótons e 6 nêutrons. Desse modo, temos o número 666 é considerado o número que deu origem ao homem; o mesmo número que a bíblia considera como o número da besta, já que o homem se originou no continente africano, ele passa a ser demonizado pelo cristianismo.
[vi] Referência ao livro  intitulado “jogos vorazes” que deu origem ao filme.
[vii] Referência ao livro de George Orwell que narra a distopia imaginada no ano 1984 (título do livro) onde uma superpotência governa o mundo mantendo o controle total sobre seus cidadãos através da Teletela.
[viii] Referência a  Franz Fanon e seu livro intitulado “Pele negra, Máscaras branca”.




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