Amada Amanda... Após todo esse
tempo clássico de sorriso de Gioconda, você finalmente voltaria a ser
a Musa de todas as Artes assim que meus pincéis hábeis concluíssem a sombra de sua
face da mesma cor da nossa noite sem lua...
Mais, novamente ouvi notícias do
horror, de que outra vez a polícia homicida trucidava pessoas de cor, na subida
dos comuns, as vistas do Cristo Redentor;
...E a memorável pintura não saiu...
Ia pintar a beleza de sua negra
pele sob o sol do meio-dia a revelar as linhas desenhadas por um dos deuses ou deusas de
Ébano sob seu negro sorriso franco, quando soube da quantidade de negras e
negros assassinados nessa incursão de militares enviada pelo homem branco;
...E essa maravilha de aquarela
não saiu...
Ia pintar a natureza viva e
pulsante incontida nas espontâneas linhas curvas de seu corpo nu, quando me
falaram do genocídio batendo às portas, nas escuras noites de todos os dias,
envolvendo com sangue as negras epidermes de Norte a Sul;
...E a obra-prima não saiu...
Amada minha; hoje só restaram as
memórias da natureza morta e enterrada diante das cores jorradas das minhas veias
cortadas nesse instante de criação; assassinato este plasmado no quadro branco
da escola da vida, após pendurado e festejado no museu da euro história.
... Mas amanhã vou me recuperar e
voltarei a desenhar, na expectativa da noite sem lua com seus felinos olhos de
gato preto, seu sorriso negro de novo mostrar...
Um comentário:
Simplesmente belo!
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