Em novembro, se bem me lembro, não é
mês de mamulengo; mais sim, momento de livramento da cobiça, da maldade na
traição do elemento acefálico ariano que torturou, vilipendiou e se locupletou
na pavimentada Via Crucis da inquisição, durante as trevas dos idos anos, nas infâmias do comércio de Seres humanos;
que agora se metamorfoseou em lugar-comum, no cotidiano subalternizado pelo clássico
patrão-branco-urbano.
Novembro, se bem me lembro, vou
siempre logo e dizendo, gritando em alto e bom som, que sou membro da humanidade e que não me vendo a nenhum clássico ariano
urbano, que a muito vem me roubando para fabricar a riqueza de sua empresa,
enquanto sequestra minha força ativa e racistiza
a minha postura altiva, dizendo que sua justiça branquiça lhe permite a oitiva, inquisições e alienações de minha pessoa coisificada a toa no branco barco que em vão destoa da morte, rumo ao enevoado, nevado e natalício branco norte, ditando sinistramente minha sorte.
Novembro, se bem me lembro, todo me querendo, negramente eu
remendo meu abadá e vou capoeirar, pra nas
instâncias da vida me manifestar contra os que me querem de novo sequestrar, me calar e a minha dignidade
eliminar.
Novembro, se bem me lembro, são
escuros dias que trazem a menarca dos dias próprios, para sem apuros me preparar para no ano seguinte, como negro, de
novo abolir e me alforriar da imperativa mordaça branca legislativa, da Euro-Greco-justiça, da impiedosa violência midiática e da peremptória execução pelo poderio militar, militante e limitante do executivo. Mesmo com as tantas arapucas do capitão
de negreiro bem protegidas pelas forças do inimigo; mesmo com o capitão-do-mato no meu encalço
provocando grandes embaraços; mesmo com todo o silêncio imediato desse branco-povo caricato: todos os dias 20
são negros de novembro...

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