Poderes
plenos, ilimitados ou absolutos, trazem as devidas condições para que o
indivíduo seja posto a prova como sujeito pertencente ao grupo do gênero
humano. É uma prova em que na esmagadora maioria das vezes ele sucumbe, visto que
tal lugar trás consigo um poderosíssimo vírus, que invariavelmente corromperá
as veias da ética, envenenando qualquer senso de humanidade que acaso ainda
reste nos recôndito do neófito. A periculosidade de tal vírus é tal, que só
poderia ser comparada a devastadora peste
bubônica ou a fatalidade da Síndrome Imunológica
Adquirida em seus devidos contextos.
Todo e qualquer indivíduo que
exerça plenos poderes relativos sobre outrem, está fadado a um
retumbante fracasso como sujeito. Visto que normalmente o ser humano não possui
a estrutura necessária para gerir a outrem, se não lograr sucesso na administração
de si mesmo como sujeito e cidadão; caso fosse possível essa administração
satisfatória de si sobre si, não haveria a necessidade da concessão de poderes
a grupos de indivíduos destinados a esse fim; pois certamente a sociedade estaria
devidamente preparada a exercer sua autogestão, como se verifica até hoje em muitas
comunidades africanas, assim como a dos Batwás.
O indivíduo
que detém o poder detém também a frouxidão de caráter, visto ter ele o dom de
ignorar toda uma coletividade, ignorando até mesmo o próprio senso coletivo, desde
o momento que age unicamente movido pela conveniência. Como se pode facilmente
constatar, o maior medo do rico é o de empobrecer, portanto, é notório perceber
os motivos pelos quais o poderoso, custando o que custar, faz de tudo para
manter seu lugar.
O poder pode ser traduzido como uma
Síndrome da Imunidade Ética Adquirida,
visto ser um mal de proporções tão devastadoras, que se torna inexorável e
irreversível. Constata-se com espantosa facilidade fenomenológica, que os
delírios de grandeza faz o neófito afundar em profunda embriaguez, tornando-se
um empedernido dependente diatópico.
Dessa maneira, suas ações só podem
se comparar as ações dos enlouquecidos imperadores romanos ou as dos genocidas nazifascistas
ao desempenhar suas corriqueiras e abomináveis atrocidades de cada dia, de
forma estupidamente sádica e sarcástica.
Esses impropérios e leviandades
cotidianas são aceitos de bom grado pelos subalternizados, uma vez que o regime
democrático implica na promessa (quase
nunca cumprida) da troca de cadeiras. Mais, que na verdade, transformou-se
oficiosamente numa prosaica e 

consagrada cerimônia de beija-mãos dos mestres antecessores, que obviamente, sempre responderão
alegremente as conveniências exigidas pela manutenção do status quo, formando assim, um seleto grupo social, quase uma
impenetrável casta; salvo pelos rituais de iniciação através da SIEA (Síndrome de Imunidade Ética Adquirida).
O poder não
suporta o pudor, prezando sempre pela supressão de quaisquer sinais de
pressupostos brios existente no ar. O opressor, prima pela estupidez
imbecilizante na inflação da dor e do horror, durante o exercício pleno da
democratura reinante; considerando-as “mazelas
do poder”, como um mal necessário à manutenção da lei e da ordem. Ou seja,
um mero efeito colateral. Desse modo, esses exemplos, tornados lugar-comum, não só pelos políticos, mas
também pelos religiosos e principalmente pelos militares, são assustadoramente naturais
e abundantes para ilustrar esse lastimáveis fatos.
Todo opressor invariavelmente comete
crimes contra a humanidade. Ou seja, todo poderoso é também um criminoso, visto
que ele necessita exercer seu sadismo natural; o mal necessário; como forma de governo para massacrar opiniões
subalternas divergentes. Melancolicamente,
esse é o registro que marca nosso momento histórico como pós-moderno: A
plebe
se ajoelhando como um asinus ad lyram[1] e
por vontade própria escolher a escravidão como caminho, sem ao menos saberem de
suas escolhas, se escolheram, quando escolheram ou o que escolheram. Neste vertiginoso
processo contemporâneo do jogo de poder, não há tempo para que a história se repita...
Nem tempo para o precioso tempo de se dar a chance do erro, para poder
acertar..


Nenhum comentário:
Postar um comentário