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domingo, 17 de novembro de 2013

PODER: O NOME DO JOGO



Poderes plenos, ilimitados ou absolutos, trazem as devidas condições para que o indivíduo seja posto a prova como sujeito pertencente ao grupo do gênero humano. É uma prova em que na esmagadora maioria das vezes ele sucumbe, visto que tal lugar trás consigo um poderosíssimo vírus, que invariavelmente corromperá as veias da ética, envenenando qualquer senso de humanidade que acaso ainda reste nos recôndito do neófito. A periculosidade de tal vírus é tal, que só poderia ser comparada a devastadora peste bubônica ou a fatalidade da Síndrome Imunológica Adquirida em seus devidos contextos.

Todo e qualquer indivíduo que exerça plenos poderes relativos sobre outrem, está fadado a um retumbante fracasso como sujeito. Visto que normalmente o ser humano não possui a estrutura necessária para gerir a outrem, se não lograr sucesso na administração de si mesmo como sujeito e cidadão; caso fosse possível essa administração satisfatória de si sobre si, não haveria a necessidade da concessão de poderes a grupos de indivíduos destinados a esse fim; pois certamente a sociedade estaria devidamente preparada a exercer sua autogestão, como se verifica até hoje em muitas comunidades africanas, assim como a dos Batwás. 

O indivíduo que detém o poder detém também a frouxidão de caráter, visto ter ele o dom de ignorar toda uma coletividade, ignorando até mesmo o próprio senso coletivo, desde o momento que age unicamente movido pela conveniência. Como se pode facilmente constatar, o maior medo do rico é o de empobrecer, portanto, é notório perceber os motivos pelos quais o poderoso, custando o que custar, faz de tudo para manter seu lugar.

O poder pode ser traduzido como uma Síndrome da Imunidade Ética Adquirida, visto ser um mal de proporções tão devastadoras, que se torna inexorável e irreversível. Constata-se com espantosa facilidade fenomenológica, que os delírios de grandeza faz o neófito afundar em profunda embriaguez, tornando-se um empedernido dependente diatópico. 

Dessa maneira, suas ações só podem se comparar as ações dos enlouquecidos imperadores romanos ou as dos genocidas nazifascistas ao desempenhar suas corriqueiras e abomináveis atrocidades de cada dia, de forma estupidamente sádica e sarcástica. 

Esses impropérios e leviandades cotidianas são aceitos de bom grado pelos subalternizados, uma vez que o regime democrático implica na promessa (quase nunca cumprida) da troca de cadeiras. Mais, que na verdade, transformou-se oficiosamente numa prosaica e
consagrada cerimônia de beija-mãos dos mestres antecessores, que obviamente, sempre responderão alegremente as conveniências exigidas pela manutenção do status quo, formando assim, um seleto grupo social, quase uma impenetrável casta; salvo pelos rituais de iniciação através da SIEA (Síndrome de Imunidade Ética Adquirida).

O poder não suporta o pudor, prezando sempre pela supressão de quaisquer sinais de pressupostos brios existente no ar. O opressor, prima pela estupidez imbecilizante na inflação da dor e do horror, durante o exercício pleno da democratura reinante; considerando-as “mazelas do poder”, como um mal necessário à manutenção da lei e da ordem. Ou seja, um mero efeito colateral. Desse modo, esses exemplos, tornados lugar-comum, não só pelos políticos, mas também pelos religiosos e principalmente pelos militares, são assustadoramente naturais e abundantes para ilustrar esse lastimáveis fatos.
   
 Todo opressor invariavelmente comete crimes contra a humanidade. Ou seja, todo poderoso é também um criminoso, visto que ele necessita exercer seu sadismo natural; o mal necessário; como forma de governo para massacrar opiniões subalternas divergentes. Melancolicamente, esse é o registro que marca nosso momento histórico como pós-moderno: A
plebe se ajoelhando como um asinus ad lyram[1] e por vontade própria escolher a escravidão como caminho, sem ao menos saberem de suas escolhas, se escolheram, quando escolheram ou o que escolheram. Neste vertiginoso processo contemporâneo do jogo de poder, não há tempo para que a história se repita... Nem tempo para o precioso tempo de se dar a chance do erro, para poder acertar..


[1] “Burro diante da Lira”

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