Total de visualizações de página

Pesquisar estehttp://umbrasildecor.wordpress.com/2013/05/29/jornal-cobre-lancamento-de-escrito blog

domingo, 17 de novembro de 2013

O ser humano é um origami projetado através dos próprios sentidos.


Uma bandeira é exposta ao vento e a geometria amolece sem que Teuto[1] se dê conta; é como olhar para um tapete, sentindo as coisas em itálico e pensando em maiúsculas enquanto se verte lágrimas pretas, quando se tem somente tinta preta pode se encher o mundo do nada que lhe resta, combinando inesquecivelmente os cheiros de goiaba madura e suor fresco de cavalo. Assim fica um pouco de tudo... Como se abrisse um vidro de loção e abafasse, ficando um insuportável cheiro de memória no ar...

Certamente, como diria o poeta, os cinco sentidos isolados realmente seriam insuportavelmente intensos e concentrados, se levássemos, por exemplo, uma vida só através dos olhos, ou apenas através do som.

As maneiras diversas, relativas às formas de adaptação do indivíduo ao mundo que o cerca, nos revelam as fontes inesgotáveis da capacidade do seu potencial em se dobrar, para desvencilhar-se de obstáculos que, acaso empeçam sua caminhada.

Mas por outro lado, essas formas de adaptabilidade tem nos sentidos seu filtro funcional, visto que deles dependem a percepção desse mundo e consequentemente, a apreensão de suas realidades. Mostrando-se assim, ao mesmo tempo, de forma simples ou complexa, como mecanismo de empecilho e/ou de redenção.
A medida  com que o indivíduo vai fazendo uso de seus sentidos ou não, esses lhe forneceram os instrumentos necessários para que ele se perceba percebendo sua inserção nas vivências do presente contexto; gerando deste modo, as condições necessárias à assunção de determinada postura frente às questões suscitadas pelo mundo a seu redor. Sendo assim, dado o altíssimo grau de subjetividade empregada no uso desses mesmos sentidos, esse processo trás em seu bojo, na mesma medida, seu extremo paradoxo.

Perceber e exercitar as extraordinárias diferenças entre o escutar e o ouvir, o olhar e o ver; o tocar e o sentir; ou entre o falar e o dizer; faz com que as percepções se destoem, dando novas formas ao conhecido e ao incógnito.
Portanto, os efeitos e distorções se tornam patentes, como numa bula, na procura do equilíbrio entre as causas e consequências provenientes de tal processo.

A equalização dos sentidos, frequentemente desiquilibrados em consequência das variações e dos números excessivos de fontes informações, se reestabelece de acordo com a maneira pelas quais as recebemos, e de como as percebemos através desses canais: os sentidos. Sendo, pois, definitivamente, as condições diretas na reestruturação da percepção e auto percepção do self e do ethos.

Assim, nossas identidades se entrecortam, envolvendo-se, revolvendo-se e resolvendo-se resilientemente ou não, a cada vertiginoso momento em que esses sentidos apontam novas direções, fundamentando premissas e formatando representações que sustentarão futuros paradigmas ou dogmas.

Esse, pois, é o berço da dicotomia; ambivalência que nos leva ao culto da destrutora beleza do maniqueísmo proposto pela busca rápida do mundo real na virtualidade pós-moderna, onde o sentido da realidade se perde no labirinto de referências inversas, quando entorpecido nas armadilhas dos próprios sentidos.

Portanto, os representantes das ninfas e musas, das princesas e dos príncipes, das sereias e lobisomens, além dos bons heróis e asquerosos vilões, acabam se agarrando ao associal e irrazoável id que cala o ego, constrangendo o superego nos labirintos das percepções, tentando viver como um Anfião[2] para nos proteger de uma guerra inexistente, construindo uma verdade universal com belos e agradáveis tijolos virtuais, na medida em que se derrubam mil verdades incômodas...


[1] Deus egípcio da geometria, do alfabeto e dos jogos de azar.
[2] Deus grego cujo canto transformava pedras em muralhas.

Nenhum comentário: