Uma bandeira é exposta ao vento e a
geometria amolece sem que Teuto[1] se dê conta; é como olhar para um tapete, sentindo as coisas em itálico e pensando
em maiúsculas enquanto se verte lágrimas
pretas, quando se tem somente tinta preta pode se encher o mundo do nada
que lhe resta, combinando
inesquecivelmente os cheiros de goiaba madura e suor fresco de cavalo. Assim
fica um pouco de tudo... Como se abrisse um
vidro de loção e abafasse, ficando um insuportável cheiro de memória no ar...
Certamente,
como diria o poeta, os cinco sentidos isolados realmente seriam
insuportavelmente intensos e concentrados, se levássemos, por exemplo, uma vida
só através dos olhos, ou apenas através do som.
As
maneiras diversas, relativas às formas de adaptação do indivíduo ao mundo que o
cerca, nos revelam as fontes inesgotáveis da capacidade do seu potencial em se
dobrar, para desvencilhar-se de obstáculos que, acaso empeçam sua caminhada.
Mas por
outro lado, essas formas de adaptabilidade tem nos sentidos seu filtro funcional, visto que deles dependem a percepção
desse mundo e consequentemente, a apreensão de suas realidades. Mostrando-se assim,
ao mesmo tempo, de forma simples ou complexa, como mecanismo de empecilho e/ou
de redenção.
A
medida com que o indivíduo vai fazendo uso de seus sentidos ou não, esses
lhe forneceram os instrumentos necessários para que ele se perceba percebendo
sua inserção nas vivências do presente contexto; gerando deste modo, as
condições necessárias à assunção de determinada postura frente às questões
suscitadas pelo mundo a seu redor. Sendo assim, dado o altíssimo grau de
subjetividade empregada no uso desses mesmos sentidos, esse processo trás em
seu bojo, na mesma medida, seu extremo paradoxo.
Perceber e exercitar as extraordinárias
diferenças entre o escutar e o ouvir, o olhar e o ver; o tocar e o sentir; ou entre
o falar e o dizer; faz com que as percepções se destoem, dando novas formas ao
conhecido e ao incógnito.
Portanto, os efeitos e distorções se
tornam patentes, como numa bula, na procura do equilíbrio entre as causas e
consequências provenientes de tal processo.
A equalização dos sentidos, frequentemente
desiquilibrados em consequência das variações e dos números excessivos de
fontes informações, se reestabelece de acordo com a maneira pelas quais as
recebemos, e de como as percebemos através desses canais: os sentidos. Sendo,
pois, definitivamente, as condições diretas na reestruturação da percepção e
auto percepção do self e do ethos.
Assim, nossas identidades se
entrecortam, envolvendo-se, revolvendo-se e resolvendo-se resilientemente ou
não, a cada vertiginoso momento em que esses sentidos apontam novas direções, fundamentando
premissas e formatando representações que sustentarão futuros paradigmas ou
dogmas.
Esse, pois, é o berço da dicotomia;
ambivalência que nos leva ao culto da destrutora beleza do maniqueísmo proposto
pela busca rápida do mundo real na virtualidade
pós-moderna, onde o sentido da realidade se perde no labirinto de referências
inversas, quando entorpecido nas armadilhas dos próprios sentidos.
Portanto, os
representantes das ninfas e musas, das princesas e dos príncipes, das sereias e
lobisomens, além dos bons heróis e asquerosos vilões, acabam se agarrando ao associal
e irrazoável id que cala o ego, constrangendo o superego nos labirintos das
percepções, tentando viver como um Anfião[2] para nos proteger de uma guerra inexistente, construindo uma
verdade universal com belos e agradáveis tijolos virtuais, na medida em que se
derrubam mil verdades incômodas...












