Rompendo o silêncio histórico do povo melaninoso, protagonizando o outro ponto de vista de uma outra história que se evita ser contada, afrocentrizando o olhar paradigmático sobre a cultura oficialmente formatada, patenteada e legítimada como única.
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domingo, 24 de agosto de 2008
Manual do imbecil
A principal filosofia de um imbecil é dar demasiada importância às regras em vez da resolução de levar a bom termo uma difícil situação; pois para ele a primeira regra é que a lei deve sempre suplantar a justiça, nunca o contrário. Ele, o imbecil, nunca comete erros, mas sim algumas falhas banalíssimas e corriqueiras. Sempre carrega sua infalível verdade de bolso quando sai à rua, e permanece com ela na cabeceira da cama quando em seu lar. Ele se compraz com a burocracia e tem múltiplos orgasmos quando consegue implementa-la em sua rotina diária. Seu principal inimigo é o desconhecido, aquele que tem uma cútis antagônica, uma religião diferente, ou uma opinião discrepante; também qualquer tipo de inovação ou renovação. Para ele só existe duas maneiras de se executar um trabalho: o modo errado e o seu próprio modo.
Um imbecil de verdade desenvolve constantemente seu dom de ouvir sem escutar, olhar sem ver e tocar sem nada sentir. Seu passatempo predileto é o de redigir e citar clausulas, artigos, regimentos, contratos e afins. As estatísticas são suas armas preferidas, enquanto as ciências exatas o protege; fazendo com que possa citar impunemente as regras de três, geometrizando seu trabalho num quadrado perfeito. Ele se proclama cidadão de primeira, fazendo a festa no seu Excel, com traje a rigor. Nada escapa à sua mente fotográfica; cada detalhe, cada fase é cuidadosamente apreciada, e que se dane os pontos e as vírgulas; que as metáforas e entrelinhas se explodam. Com ele só anda a certeza de que está sempre certo; não existe duplo sentido ou dois caminhos, as linhas não fazem curvas, pois o papo é reto. Pensa que o mundo seria perfeito, se todos fossem seus clones e não imagina como o planeta conseguiu sobreviver sem a imbeciologia; para ele, esta seria a religião perfeita para a salvação do planeta. Como um herói único ele se dispõe a sacrificar-se e redigir a 22º manifesto imbecil definitivo para o bem de todos e felicidade geral da nação. Assim, todos os boçais com um só pensamento, contrato e regimento interno numa única cartilha, finalmente ditariam a ordem e o progresso da verdade definitiva.
A imbecilidade é a única instituição competente e que funciona no mundo inteiro como um perfeito relógio de quartzo, é osso duro de roer, pega um, pega geral; também vai pegar você.
Eles reinam absolutos no reino da burocracia, se deliciando numa eterna orgia, entre papeis, carimbos, ordem de serviços e boletins de ocorrências. Explodem num vergonhoso prazer, ao chegar num clímax decorrente do ato de expelir um cidadão para outra repartição, seção ou situação.
Nessa nação de imbecis, o que mais resta salvo o respeito perdido numa estrada sem volta. Restam apenas fragmentos de pensamentos saudosos de uma vida no aquém; pensamentos de desdém, pelo bem que se tem sem poder fazer a ninguém, pra ninguém; sem perder a carteira oficial de imbecil medieval.
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