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domingo, 24 de agosto de 2008

Democracia, racismo e educação


Quando um “intelectual” da educação se propõe a redigir um tratado sobre o assunto, ele se encontra no extremo oposto do “profissional da educação” que redige o mesmo tratado. Ao contrário do primeiro, este conta em seu histórico com a experiência, competência e a criatividade transformadora, para compreender cada estagio como situações que se assemelham ao amolengar do um fruto. Ou seja, ele não se embasa somente em pesquisas histórico-bibliográficas e em observações experimentais.
A pesquisa teórica necessita do aval prático, sem tal valia, ela se estagna, circulando em volta de si mesma, sendo só mais uma teoria desenvolvida por um “agente de gabinete”. Portanto, não cabe a teoria o pretenso monopólio da verdade.
Tornou-se uma lástima observar que tais verdades ocupam as principais páginas de nossos livros didáticos, enquanto nosso sistema educacional relega ao terceiro plano a pesquisa e extensão (uma comprova a outra).
A mídia tem sido a grande porta-voz e mantenedora dessa cultura, forjando a necessidade de heróis, desconstruindo o sujeito à medida que transforma cidadãos em indivíduos.
Gilberto Freire foi um grande exemplo do legado deixado portais intelectuais de gabinete - que se apropriam de premissas verdadeiras, para implantar falsas ideologias; ele usa o funesto episódio da tentativa de extermínio do povo negro, para justificar o engodo da democracia racial brasileira.
Se a própria democracia se mostra como o maior engano da história humana, dá pra imaginar o que seja esse arremedo ideológico em relação à questão racial. Pra começar, nossa democracia criou um imenso paradoxo, não permitindo nem admitindo ser alvo de quaisquer questionamentos. Democracia essa ditada por órgãos como a OMC, BIC, OMS, FMI, Monsanto e tantos outros detentores do poder: Ela, a democracia, transformou-se numa ditadura refinada, evoluída; evitando o desgaste da tortura em massa, massificando o indivíduo. Ela se pôs acima do bem e do mal; qualquer fato diferente dela é considerado anátema, é anarquismo, é comunismo, é sem valia. Enfim é qualquer coisa, menos ela mesma: “a democracia”.
O mesmo se dá em relação à questão racial tupiniquim, que também se refinou evoluindo para um perfeito preconceito democrático. Visto que se expandiu para além do excesso de melanina, abarcando também os deficientes, os idosos, os homossexuais, as mulheres, os maconheiros, enfim: toda e qualquer minorias. O detalhe perverso desse processo; é perceber que tudo isso é potencializado pela condição social do indivíduo. O binômio preto-pobre, preto-velho, bicha-preta, mulher-negra, nêga-maluca, etc. Tal binômio é protegido pela guardiã da cultura e dos bons costumes: a mídia. Ela, com extrema habilidade, vêm naturalizando esta condição social brasileira; a pobreza. A pobreza no Brasil tornou-se um fato cultural, como foi a escravidão e continua sendo a matança nos países Africanos, como é encontrar um corpo de um bebê feminino jogado e deixado para falecer na rua, ou no lixo em qualquer parte da China, ou como a institucionalização da tortura a imigrantes nos Estados Unidos.
É natural para nossos Alunos portar um MP3 ou celular, estando os mesmos permanentemente plugados à cultura de massa, sem mencionar a nossa TV aberta de cada dia; um de nossos maiores depósitos de lixo que se tem notícia. A sabatina apregoada pela mídia, de que o indivíduo precisa de um herói, afirmando e confirmando assim a fraqueza do sujeito - tal como a propaganda nazista que repetia a mentira até ela tornar-se verdade; tem sido experimentada com sucesso na terra de Santa Cruz pela mídia mundial.
Lamentavelmente, a maioria de nossos livros didáticos - assim como alguns influentes escritores brasileiros, vem corroborando com esse processo, salvaguardando “democraticamente” em suas páginas, essa mórbida ideologia. Esses formadores de opiniões, como comissários do sistema financeiro mundial, têm a missão distribuir os papeis sociais, classificando-os pelo sistema pós-moderno de casta: através da melanina, do gênero, da religião, das escolhas pessoais, etc.
A ciência, além de conceber a si mesma, inventou a pobreza. Tornando-a cientifica com as benções da ação midiática, financiada pelos donos das pesquisas: a elite, patenteadoras e detentoras das relações de poder.
Portanto, é ao “homem de bens” que nossa democracia deve servir. Por isso foi criada, por Gilberto Freire, a democracia racial; temperada com muita hipocrisia, misturada com demagogia, mantida com engodos, movida por tramóias e aquecida por adulações promovidas pelas relações de poder.
Por isso a escola afirmar ser melhor estudar do que ler; leitura é poder transformador. Melhor saber pronomes, pessoas, objeto diretos e indiretos, além das quatro operações, que na verdade são duas.

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