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domingo, 24 de agosto de 2008

Teoria da informação


Nos balcões da vida a educação é vendida de bar em bar, em farmácia, no açougue, ou no botequim da esquina, nas ruas, ônibus ou metrô; não importando onde, seu preço fixo sempre obedeceu a uma tabela flutuante, seja a mesma virtual ou de mentira. Portanto, poucos sabem quanto custa às próprias custas, pois fazer as contas, somente se gasta as contas do terço rezado entre os dedos tremulados.
Educação de classe, ou de barão, sempre vai a leilão; leilão do saber fazer por que, pra quê, o quê, com quê; ela é a carta magna da alforria, escrita com cifrões.
Quantos preciosos zeros são preciso, para desprender-se dessa prisão preventiva, assinada por um rei Momo, colombina, ou pelos caprichosos de plantão? O balconista emudece ante a questão que embranquece. Carta de alforria loira, perfumada e de olhos azuis, não tem preço; como aquele ingresso no bondinho do pão de açúcar, num dia de verão sem arrastão, nessa cidade corrompida pela perversão; isso tem preço. Nessa cidade de muitos risos e alegria, há muito mais que mil palhaços no salão; nessa cidade cheia de encantos mil, há muitos torturadores e tubarões de plantão, nesse país tropical abençoado por Deus, o senhorio é o Diabo; nosso mulato exonero já dançou inúmeras vezes nesta maravilha de cenário; foi dispensado pelo balconista, pois não possuía a cútis adequada a informação desejada. Mesmo assim nosso balcão de informação encontra-se aberto 24h, basta você acessar nosso leilão de tecnologia, mediante a uma módica quantia, poderá escolher com garantia, um pouco de sabedoria pro seu dia-a-dia; tudo de acordo com seu biótipo, sua classe e etnia. Garantido por lei; lei do mercado, lei da oferta e procura, lei do cão. Garanta já sua informação, ou dance no salão de eterna festa, na maravilha do cenário deste país tropical abençoado por Deus.
Mas aqui nessa cidade que continua linda, analisar as manchetes jornalísticas é no mínimo tragicômico, quando observamos as informações negras passadas pelos empresários que sabotam seus próprios produtos - fixando datas de validades em seus eletro-eletrônicos; a fim de fazer com que o cliente permaneça num eterno retorno, satisfazendo assim a gula do mercado financeiro, que sempre se esmera em criar novos caprichos, necessidades e desejos para a massa. Uma dessas manchetes criminosas, do dia 26 janeiro, dizia que o comandante-geral da policia militar do Rio de Janeiro, havia exonerado o coronel da corregedoria da PMERJ; simplesmente por ele ter afirmado em seu blog, que “um dos motivos da corrupção na polícia são os baixos salários da corporação”. Podemos notar que o coronel esqueceu de olhar a tabela, e observar o preço da verdade. Preço de deputados, senadores, juízes e de policiais é notório; a tabela é clara. Mesmo as verdades mentidas, mentiras verdadeiras, ou verdades virtuais, têm seus preços fixados, mesmo que flutuante, no mercado de ações do poder. Portanto, comprar informações e vender verdades, é crime inafiançável nesta democracia político-demagógica. O mercado não comporta a concorrência dos opostos; os analfabetos que não são capazes de decodificar tais tabelas, são gentilmente convencidos a lavar pratos nos porões das DPOs de nosso Brasil varonil. Esse coronel se contagiou com o vírus do pensar e acabou se empolgando em sua dissertação; cometendo assim um ato de traição aos princípios democráticos da ditadura branca. Sua educação foi comprada a preço pré-fixado pelo conluio, portanto, qualquer deserção dessa impávida cultura, é se condenar ao exílio. Educação e cultura são patrimônios que se deve resguardar a qualquer custo, pois disso depende esse processo mercadológico de ordem e progresso. Um processo simples e sem complicações, sustentado pela mídia e pelo sistema educacional; lugares em que nunca se permite a mentira, mas também jamais se fala a verdade. Pesar, medir, e analisar cada informação e mais que trabalho cidadão, é obrigação; obrigação de quem tem a zelar pela dignidade e respeito próprios. Se assim não for, continuaremos a comprar gato por lebre, e sempre voltar querendo mais; enganar e se enganado acaba virando doença crônica.

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