A intenção
e a atenção ao real valor do momento vivido é impedido pelo pensamento, oriundo
da mente, que sempre mente, evitando assim, a percepção de que somos a nossa
própria liberdade; somos a própria paz que procuramos; somos essa verdadeira
felicidade tão esperada, que não é percebida por conta do turbilhão de desejos projetado
pela mente.
É o passado
que traz o sofrimento, enquanto o futuro traz somente o que é transitório, estruturando
esse mundo imaginário, estabelecido pelos padrões do pensamento condicionado, e
herdado como modus vivendi.
Nosso corpo
é a nossa casa, é o lar que deve também ser, além de um Templo sagrado, uma animada
casa de festas e uma requintada e elegante loja. Por isso, a atribuição do
valor intrínseco dessa metafórica moeda em que fomos transformados, só pode ser
conferido por nós mesmos, e jamais por outrem.
Fomos
fragmentamos, a partir das identidades aferidas pela dualidade presente nas
faces dessa moeda; e uma vez taxonomizados, deixamos de ser sujeitos e passamos
à categoria de objetos. Permitindo que as identificações trazidas pelas nossas
personagens do passado, ou pela personalidade construída pelo ego, transforme o
indivíduo num expectador de um filme aonde ele jamais será o protagonista,
porque o expectador não vive, ele apenas cumpre passivamente o papel subalterno
a ele atribuído.
Ao desviar
a nossa plena atenção do momento presente, perdemos também a virtude do sermos
o que somos. Ou seja, perdemos o valor intrínseco dessa metafórica moeda de
ouro, que acaba se transformando em barro através do olhar da Medusa. Portanto,
o verdadeiro ser precisa
desvincular-se do passado, e de um presumível futuro, para poder estar
consciente de si mesmo e de sua plenitude.
A mente continuamente
produz e projeta imagens, enquanto perdemos nosso tempo tentando compreendê-la
e interpreta-la, nos confundindo assim, com as próprias imagens projetadas,
quando nos fixamos somente em tais projeções, e não para a fonte da projeção.
Dessa maneira, deixamos de compreender que não somos a imagem projetada pela
mente, deixando assim, de ir além dos conceitos e ideias padronizados pelo
passado, que são projetadas para o futuro; fazendo do presente; um limbo, esse
lugar fora do tempo, que nos faz desprezar a imagem do pobre e dobrar os
joelhos diante dos poderosos.
Dessa maneira,
a percepção da beleza que nos ronda, só pode ser sentida e vista através dos
olhos do amor, que enxerga na elegância trazida por cada momento, a gentileza
que sustenta a existência; na medida em que; o que está fora; também é o que está
dentro. Dessa maneira, a magia só pode ser vista através dos olhos da criança;
pois esse é um olhar que jamais traz julgamentos, críticas, ideias ou conceitos
pré-estabelecidos como juízo de valor.
A
identificação com algo, por si só, já traz a distinção desse valor que é exposto
em ambos os lados dessa mesma moeda, fazendo o amor e o ódio caminharem juntos,
assim como a luz e a escuridão e toda a família de opostos. Esse estado
dualístico é responsável pelo modo de pensar e falar justamente o que a mente mostra;
transformando a realidade num mero objeto dessa mesma mente.
Para uma
mente escravizada, a verdade sempre permanece oculta, pois a mente é aquela que
discrimina, ilusiona, gosta, desgosta, deduz... trazendo o senso de perdas e
ganhos, reduzindo as dez-mil-coisas
num determinado valor estampado e patenteado na face dessa moeda.
Sendo assim, o caminho da verdade está além da linguagem do ser que somos; ser que é infinitamente pequeno e infinitamente grande. Portanto, Ser um ser mental é o mesmo que assumir a função de uma bola de ping-pong, tendo as suas emoções provocadas e controladas pelos pensamentos padronizados que, ao contrário da consciência, reside fora do tempo presente.


