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segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Na Ginga Vadia da Capoeira Faceira, Minha Homenagem aos Irmãos Mestres da Ladeira...


Meu remédio é Capoeira; foi nela que joguei os contratos de medos fora, sem me importar com os hipotéticos tombos nas ladeira. Restaram os diálogos do corpo com alma a desatar todos os nós distópicos confeccionados por essa democracia, que nada mais é do que uma concha vazia, permitindo a vida tornar a fluir através da corda entrópica em torno do pescoço dessa alma em forma de telescópio.

Mesmo que hoje existam muitos “lutadores” de capoeira, assim como existem os profissionais da capoeira, que ensinam como esporte está Arte Marcial brasileira que se tornou exótica de todas as maneiras, mesmo sem o fundamento da brincadeira séria daquela sobrevivência em meio a escuridão da alma humana, predadora de sua própria espécie.

Hoje, o cordel que servia para segurar o abadá de outrora, serve de ganha pão para uns, educação para outros e de verdades para alguns. Da mesma forma que cultura negra foi dialogicamente transformada e assimilada, a Capoeira teve sua direção e objetivo transformados em atração e diversão, para aquele praticante que se esqueceu dos valores ancestrais da circularidade, oralidade, coletividade, religiosidade e da força vital que fazem da Capoeira uma Arte Marcial.

Desde que os Mestres cariocas inventaram os cordéis e as suas cores indicando graus de hierarquia, formando a seguir os mestres baianos que vieram aqui para se graduar, o caminho da Capoeira se perdeu na própria poeira que encobria o mato ralo no caminho do opressor. Agora o que observamos além de um promissor mercado, é a democracia de um diálogo monológico entre indivíduos que se movimentam no mundo corpóreo somente; mundo este constituído de campeonatos, certificados e diplomas meritocráticos.

Onde está o canto bantu dessa ginga bélica, silenciado nessa roda feita após uma balada perdida na frenética noite carioca, sustentada por energéticos e cosméticos, revelando a estética patética de uma zona sul sem ritmo nem rima, onde o indivíduo se tornar só mais um acrobata bronzeado já não basta...Já que a mandinga não está no salto alto, mas sim no diálogo, do corpo e da alma, nos planos visíveis e invisíveis. Yê Capoeira...

sábado, 15 de dezembro de 2018

A Patologia e as Consequências Dialógicas do Racismo Sistêmico


A escola ensina o aluno a ter medo das regras; a igreja ensina o fiel a ter medo do inferno; a polícia ensina o cidadão de cor a ter medo do Estado; a lei ensina os desamparados a ter medo da justiça; o Estado intimida o cidadão coagindo-o com impostos aviltantes, em nome de uma pseudo segurança que jamais lhe contemplou.

Vivemos a cultura do medo que foi sendo progressivamente banalizada pelos atores que aceitam o seu papel social, na medida em que assinavam esse contrato de medo diante do terrorismo Estatal impetrado como lei.

Dessa forma, a polícia se tornou a sombra da pessoa da cor de uma noite sem lua, fazendo essa mesma pessoa melanodérmica temer sua própria sombra e banalizar esse medo que alimenta a elite que o Estado representa. Aonde quer que a pessoa preta vá, as forças de segurança estão ali para intimidar, humilhar, torturar e assassinar, contando com o apoio de um Estado genocida, de política eugenista e de uma sociedade hipócrita e marxista.

Dessa forma, a pessoa de pele negra, aprendeu a ter medo, e também aprendeu a odiar o preto e a ser preto como pessoa, gênero e raça, naturalizando, dessa maneira, a violência contra seus próprios pares, aos quais ele não criou qualquer vínculo, relação ou identificação étnica; ao contrário dos indígenas, dos judeus ou dos ciganos, nós pretos nos desconhecemos como povo. Ou seja, somos a maioria diante de uma população branca que somam 10% de indivíduos no planeta terra, mas ditam os destinos macabros desse mesmo planeta.

Sendo assim, nosso governo é o medo, pois dessa forma fomos treinados e adestrados, transformados, de grande massa preta, em gado de tração, através da sedução da religião e de uma lei que existe para impedir a equidade. Dessa maneira, as instituições criadas a partir da colonização, estrutura a legitima a neocolonização que fundamenta nossa modernidade escravagista.

Nesse contexto pós moderno, onde, paradoxalmente, alguns apelam para que ninguém solte a mão de ninguém olvidando que as mãos ainda nem foram dadas. Portanto, enquanto vivermos as contradição do apartheid racial discursando apaixonadamente sobre humanidade, não teremos a capacidade da digressão, da alteridade e da resiliência. Apenas continuaremos a destilar nosso medo em forma de raiva, revoltas e fobias permitidos pelos editorias diuturnos emitidos como folhetim por essa mídia que sustenta a marca racial, da mesma forma que classificam as raças de canídeos legitimando-os como vira-latas ou de pedigree. 

Enquanto esse processo se desenvolve, nós pretos, passamos o tempo a nos atacar para defender e disputar os descarnados ossos das cotas e das Ações chamadas Afirmativas que nossos colonizadores generosamente nos permitiram desenvolver, para nos dar a falsa sensação de protagonismo, e acalmar as sinapses que acaso insistirem em se formar fora da caixinha acadêmica, religiosa e científica, permitida pela cultura dominante.

Nossa cultura, que deveria funcionar como anticorpos, foi sequestrada e manipulada a fim de servir aos europoides, que a homogeneizou de acordo com seus caprichos e interesses mais escusos. Daí observamos a necessidade dos hospícios, orfanatos e asilos que grassam e acolhem essa modernidade esquizofrênica, nos transformando em escravos e pacientes dessa sociedade sanatório a qual fomos impelidos a ingressar, mediante aos sedutores contratos sociais assinados, que instituem o medo como senhor absoluto de nossas ações.

Dessa forma, nosso livre arbítrio torna-se inexistente e nossa liberdade fictícia, enquanto vivemos nesse cativeiro onde as grades são feitas de sedução, anunciando o canto da sereia Medusa, essa garota-propaganda Musa do capitalismo antropofágico europoide. Dessa forma, esse espelho social, em vez de cidadãos plenos, nos transformam em meros e esquecidos pacientes esquizofrênicos, hipocondríacos e com a Síndrome de Münchhausen nesse grande sanatório social.

Anunciar e denunciar esse mórbido contexto, já se tornou lugar comum na rotina dos rodapés dos jornalecos, jornalões e programas de auditórios, além dos noticiários diuturnos e das manchetes cotidianas, a partir desse lugar onde nos alimentamos e fazemos de latrina, esquecendo da higiene matinal de todos os dias que se repetem jorrando o sangue dos órgãos internos expostos pela espada da justiça branca.

Essa espada de dois gumes, que proporciona democraticamente a experiência do corte duplo, individualizado pelo egoísmo e pela usura da filosofia de condomínio e de umbigos; filosofia que faz desse umbigo o lugar aonde jaz a dor mais profunda, já este umbigo é o umbigo do mundo. Este mesmo lugar onde nasceu e onde habita nosso cordão umbilical, como ponto principal de nossa existência física e existencial. Nosso lugar de fala, já que é a fala que faz o passado existir e formata o devir, dando sentido ao presente que ainda está ausente.

Cuidar de nossa fala, sem esquecer nosso umbigo, cuidando também do silêncio, é um paradoxo necessário a maturidade de nossa existência. Essa é a terapia necessária aquele que não procura a cura fora de si, já que essa cura não existe fora do umbigo coletivo; somente semelhantes curam semelhantes.

O paradoxo da saúde que não surge da saúde, mais sim, da doença faz parte da lei natural da via láctea. Eis uma dádiva que precisa ser reconhecida, a fim de que sejamos alegres na alegria, e mais alegres ainda na tristeza. Pois nestas paragens, não há cura se não existir a doença. O amargo e o doce fazem parte do cardápio da vida plena, já que ela, a vida plena, não cabem mais em si, e vai além de si mesma. Esta é a função do livre arbítrio que faz do planeta terra o único qualificado tal. Vivamos e façamos dele, o livre arbítrio, uma função qualificada de fato.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Liberta quae sera tamem

Tudo aquilo que atenta contra o nosso livre arbítrio, em qualquer parte da Via Láctea, nos coloca na condição de escravizado. Para deixar de ser escravo e poder exercer nosso livre arbítrio, é necessário revogar todos os contratos de dominação e controle, suas premissas e regras que determinam a nossa qualidade de vida.

É preciso revogar todos os contratos com a mídia e suas representações, além de todo e quaisquer sistemas de controle, como os contratos bancários, criados pelas famílias de banqueiros, em todas as suas linhas do tempo, e os seus pseudos privilégios.

Já que a liberdade só vem com o exercício do pleno livre arbítrio, se faz necessário também revogar todo contrato com o Estado, seu governo e seus edifícios. É preciso efetivamente remover todos os contratos para uma equidade de fato.

Assim como todo o contrato de masculinidade tóxica produzida e reproduzida pela mídia patriarcal e misógina, que criou a perversão e vem acirrando a competição entre gêneros, degradando nossa humanidade; tal como o patriotismo bélico e o amor pela paz armada advinda dos reinados democráticos e ditatoriais. É preciso principalmente revogar os sistemas de crenças, religiosas e culturais, e suas perversões.

Em resumo, este foi o único recado dado por Fanon, após toda a aventura de sua tese abordando a branquitude e a negritude na academia europoide, demostrando a urgência de uma cultura humana, que só é possível sem contratos sociais.

Cabe ao escravizado deter esse alazão-de-Tróia e paralisar esse sedutor jogo de xadrez, estruturados por regras leoninas e feneratícias, que lhe impõe a condição de peão a caminho do sacrifício, através da lógica retórica dos atraentes contratos sociais.

É um processo complexo, já que, aquele que nasce em cativeiro, desconhece a significância e o significado do conceito de liberdade e suas condições, diante da sedução das benesses e privilégios que a descaracterizam e o induzem a esperança de refazer contratos.

Enfim, a prisão sem grades que a elite construiu através do sistema jurídico e da mídia, proporciona aos cidadãos comuns a sedução perfeita e necessária para defesa e manutenção, com bastante afinco e vigor, de sua condição de escravizado do sistema, cuja força ativa tornou-se o motor que perpetua os caprichos mais mórbidos e inimagináveis dos mais baixos súcubos e íncubos.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

O Tempo Subjetivo do Neocolonialismo na Escravidão Moderna

Se a mais longa das estradas também é a estrada mais curta que existe, inferimos nesse caso, que ambas, têm seu início e final exatamente no mesmo ponto. Esse ponto, conceituado como Tempo pelos nossos ancestrais, é um movimento fractal, onde se origina e orbita toda a existência que se multiplica exponencialmente a si em si mesmo, de forma simultânea, paralela e circular, criando camadas espirais, que são levadas por essas nano e hiper estradas que cruzam a superfície dos planetas espalhados na infinidade do universo.

Essas estradas que movimentam o intenso tráfico das arcas com sementes diluvianas, fazem dos planetas uma infinita floresta cósmica, preenchendo esse espaço sideral de Oásis e Édens, com Árvores da Vida tatuadas com Caduceus e Ankhs que indicam os frutos do conhecimento espalhados em cada celeste bosque encontrados nas galáxias e nebulosas.

De um ponto no morro, do alta da minha favela, pode-se observar em cada caminho; desses caminhos que levava e trazia histórias proseada em cada lar ao longo dessas belas estradas; a fatalidade da trágica trombada com a modernidade arrojada, que desaloja, a cada alqueire, uma porção de árvores que cedem suas vidas para dar lugar a pelourinhos e trono-escritório que empalham a história e toda a sua memória, acondicionando a vida nos paradoxais Museus da Liberdade e Escravidão.

Das melódicas e meditativas carroças até os carros velozes e furiosos, essa modernidade ocupou todos os espaços entre o ir e o vir, obrigando até mesmo a esses intrépidos veículos a andarem de marcha-a-ré por um pedaço de meia estrada ainda existente, mesmo retornando sem voltar no tempo espaço lento de outrora, esse processo nos aprisionou a linearidade de Cronos, nos fazendo seguir a Ordem e o Progresso estabelecido por Caos e comandado por Komo, sem ter ponto de chegada ou de partida, fazendo a gente se perder nesse labirinto criado por nós mesmo durante o processo da caminhada acolhida na estrada escolhida; Ecce Homo Sapiens...!!

As encruzilhadas que que se apresentam entre o sol e a lua diuturna, exibe escolhas, enquanto mostra as consequências, exige também as tomadas de decisões durante esses sedutores jogos realizados nas arenas romanas na estrada do neocolonialismo, em seus fatídicos campeonatos que promovem confrontos meritocrático tragicômicos entre cidadãos-pacientes em coma. Campeonatos que são realizados meramente para agradar o fino paladar antropofágico dessa sanguinária elite predadora e nefasta.

Dessa forma, a modernidade tem nos transformado em canibais e atrações principais para o deleite dessa elite que, como príncipes reais, vêm montados em seus sedutores Alazões-de-Troia, confundindo crinas e cabelos lisos, além dos olhos azuis, trazendo o vírus que transformam pessoas livres em impávidos vassalos voluntários, orgulhosos do lugar que ocupam na perpetuação e banalização do mal. E assim caminha a desumanidade nessa estrada cercada de mausoléus assombrados pela própria sombra, formatando essa sociedade-cemitério que reedita Casagrande e Senzala acumulando corpos negros na vala comum da inconsciência cultural eurocêntrica.