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terça-feira, 16 de outubro de 2018

Professores: Os Verbos, predicados e sujeito da palavra falada

Os dias vividos, uma vez transformados, como os números que dão linearidade as páginas de um livro autobiográfico que se pode desfolhar ou ocultar; quando expostos nas intocadas estantes das bibliotecas públicas ou publicamente escondidos nos escaninhos acadêmicos virtuais da vida fatiada pelos lattes formatadores de estigmas e estereótipos; tais dias são contidos e acondicionados no invisíveis registros akáshicos dos compartimentos corpóreos. E esse corpo fala e grita para os mundos entrelaçados por intercessões de mundos paralelos, simultâneos e circulares.

O corpo, sendo uma história on-line; é a tela onde a memória imprime e reimprime a própria história, cujos   discursos são elaborados e proferidas pelas palavras que dão vida ao passado; enquanto no presente, ela, essa palavra, tem o poder de cortar como uma afiada navalha, e também pode quebrar muitos ossos. As palavras são como pedras atiradas, que uma vez proferidas, não haverá obstáculo que intercepte seu caminho em direção ao alvo, cujos efeitos são dialéticos, maiêuticos e diatópicos, como as muitas pessoas dentro da própria pessoa.

Dessa forma, os mantras vividos ao som de cada dia que se segue, nas idas e vindas que se circundam num ininterrupto espiral, como um fractal que faz parte da harmonia que compõe o universo atemporal, nos mostrando que tudo o que está acima, é também o que está abaixo, enquanto o que está dentro, é também o que se encontra fora. Portanto, como sujeitos, através do som primordial desse verbo por nós proferido, falamos o futuro, dando sentido ao presente e formato ao passado nas entrelinhas e reticências de nossa incontinente inconsciência, e tudo se faz, porque assim é...



domingo, 7 de outubro de 2018

Sobre as Eleições no Brasil



Quando chega o momento de brincar de eleição nesse parquinho infantil em que se transformou o processo do pleito eleitoral brasileiro, é que se organiza uma uma sutil e estratégica competição promovida pela elite que compõe a situação; mesmo estando na oposição; nesse momento que é necessário parar para repensar e refletir profundamente sobre as sutilezas desse processo, e pensar um pouquinho mais sobre as regras básicas meritocrática que fundamentam essa brincadeira; brincadeira essa que mais parece de um mundialito de futebol.

Nesse caso, vamos então perceber que, este é o momento em que todos torcem para seus partidos-times, e quando esse time-partido vence, quem realmente ganha são os dirigentes e os atletas diretamente envolvidos com esse evento, enquanto os que se digladiaram por eles, sangraram por eles, se mataram e ainda se matam por eles, ficam a ver navios durante os próximos quatro anos vindouros, a fim de participarem de outra competição, para que eles possam repetir de novo, outra vez e novamente outro pleito, e repetir esse estúpido procedimento nas arquibancadas da cidadania. Assim, o processo eleitoral segue o mesmo padrão e o mesmo roteiro, como exatamente tudo que é imposto pela pauta da elite, gerido pelo Estado e mantido pela mídia.

Podemos notar nesse tabuleiro de xadrez a abundância de candidatos de esquerda que disputam entre si mesmo, para disputar contra um candidato de direita; direita que tem como sutil estratégia o enxugamento de seus candidatos, que lhes servem em última instância como pano de fundo e como objetos de mera distração para os eleitores em questão.

A ironia disso tudo é quando justamente aqueles que mais tem certeza de seu voto agem como os mais incisivos dos torcedores futebolísticos, e passam a se engalfinhar numa exacerbada competição pela supremacia desse pleito, portando-se como se estivessem na arquibancada do Nacionalista Futebol Club, pelo fato de personalizar em si as questões públicas refletidas pelo discurso desses indivíduos-atores contratados por partidos-empresas, iniciando dessa maneira, entre si, uma luta de vida ou morte, sem que esses torcedores que se tornam adversários possa atinar que, o que está realmente em jogo, são as suas vidas e seus destinos. 

A mídia faz com que eles assimilem o discurso representativo, se confundindo com o candidato com o melhor e mais bonito desempenho em frente às câmeras das TVs que patrocinam esses mesmos candidatos politicamente corretos. Isto é, essas financiam de forma reptícia esses candidatos que se encontram dentro dos padrões de conveniência e representatividade pré-estabelecidas por esse roteiro, que tem sua pauta determinada pelas seis famílias tradicionais brasileiras que detém toda a riqueza do país.

São esses atores-candidatos padrão, aceitos por este sistema capital de seleção; esse mesmo sistema que foi imposto e induzido a população como sendo legal e de direito; são os únicos que podem fazer parte dessa famigerada competição, para ocupar o posto de intermediário-mor fazendo a relação entre o sistema capital e o público-povo, a fim de manter e justificar o lugar dessa casta escravocrata nacionalista na neocolonialidade e a continuação do espetáculo teatral desse pseudo pleito eleitoral, como se fosse a mais perfeita e moderna versão brasileira da antiga tragédia grega.

Dessa forma, o povo se comportando como público presente numa arena romana, exibindo sua cara fechada, ranger de dentes e os punhos cerrados, mostram sua disposição na defesa dessa democracia como uma opção, um “mais do mesmo”, como se isso significasse realmente uma escolha própria. Portanto, é notória a percepção de que os únicos que acabam não participando efetivamente dessa eleição é justamente o próprio povão, já que a esquerda também faz parte da elite; e a elite odeia o povo; isso é um fato histórico.

Sendo assim, o único caminho viável seria o caminho da transformação desse público em Povo de fato, para que ele finalmente participe de forma efetiva e ativa na vida política do país, e não somente de quatro em quatro anos, sem direitos a interpelar seus “representantes” a qualquer turno. Essa transformação só se dará de forma maiêutica e diatópica e nunca através do Grande Irmão, como tem sido até o momento.
Por conta disso, o Brasil continuará sendo o país das mil e umas contradições, além das doces e suculentas jabuticabas, enquanto o trem da história se descarrilha de sua memória afetiva e as fotos dos candidatos continuarem a ser as mesmas fotos dos procurados pela justiça eleitoral e criminal desse Brasil varonil, que mandam os filhos da pátria para a vala comum e os filhos da madame passear num cruzeiro sob o céu, o sol e o mar de profundo azul anil.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Sobre os princípios da Filosofia e da Pedagogia na Universidade Pan-africana no Brasil

Foi durante o voo que o homem inventou a gaiola. Como resultado dessa intrépida aventura, essa gaiola se transformou, não somente em seu lugar de pouso, mas também em seu lugar de conforto, de fuga e de refúgio. Ou seja, no lugar aonde inexiste o processo de trabalhar as responsabilidades do fazer humano. 

Dessa forma, suas asas se atrofiaram e ele acabou por esquecer-se de que as possuía. Tais asas se encontram hoje limitadas ao DNA de sua memória corporal linear, e constituindo quanticamente sua inconsciência atemporal ilimitada; E essa inconsciência atemporal e ilimitada, foi aprisionada pela linearidade da consciência, que uma vez suprema, se tornou totalitária e absoluta na condução de seu destino, estabelecendo as condições e critérios de definição e discernimento de lucidez. 

As asas da liberdade, hoje inconsciente de si mesma, jaz dormente, esquecida e desdenhada, dando forma as Artes desenhada na geometria dos grafites nos poemas que compõem as letras das canções de liberdade; canções estas que revelam através da dança, a redenção que os corpos na física de seus movimentos celebram, dando asas as quimeras formadoras do folclore dessa comunidade humana, que, de forma pejorativa, se transformou matematicamente, ao se dividir em Tribos, quando escolheram seguir os critérios racionalizados e racializados, estabelecidos pela “lucidez” que, de forma hierárquica, apartou a emotividade da racionalidade.

Dessa maneira, após ter sido invisibilizadas as grades da razão que tecem as linhas da arquitetônica[1] dessa realidade única como uma alternativa sacralizada a ser seguida pelo povo desse lugar, que escolheu cortar as asas da imaginação de sua multidimensionalidade, aprisionando Corpo e Mente, passamos então a cultivar no conforto dessa gaiola, o indizível medo de se afogar no eterno e perene oceano de liberdade e da vida; transformando assim, o começo em fim. Ou seja, de forma totalmente contraditória a razão estabeleceu que o sentido da vida fosse definido pelo medo da morte; dessa forma, o começo passou a ser fim.

Desde então, o medo de deixar essa gaiola se transformou em mote ao ser subsidiado pelas diversas denominações religiosas e doutrinas das mais variadas expertises, além de dar origem a um nicho de mercado, que habilmente trabalham para criar fórmulas e especialidades que trazem significativos lucros aos profissionais e mestres do ramo do bom viver.

Essa indústria do medo, gerada pela personificação da figura da morte como fim de tudo, induzido através da razão, tem sido a base de todos os seus extorsivos lucros, gerando abusivas riquezas para esse mercado infame, que é dirigido e gerenciado por pequenos grupos especialistas em racionalizar e manipular as emoções humana.

Dessa maneira, a alternativa de podar as asas da imaginação explicitamente tem se mostrando através da proibição das Artes nas escolas, quando pedagogicamente essa arte se resume, de forma velada, ao mero processo mecânico de colorir, cortar, colar e afixar nas frias paredes do ambiente escolar, as figuras prontas, a fim de decorar esse espaço ilustrando a nossa infante fome de vida e de liberdade negadas pelo medo cultivado através dos livros didáticos e das Tecnologias de Informação e Comunicação, que calcificam a liberdade do pensar. Sem mencionar as disciplinas compartimentadas, divididas nos escaninhos acadêmicos dos conhecimentos pesados e medidos em sua superfície e profundidade, classificadas segundo seu código de barras de validade transformados em certificados e diplomas que estabelecem, controlam e quantificam o subjetivo do indivíduo.

Portanto, hoje com o nascimento da Lei número 10.639/2003, que busca cumprir a necessidade de formação de uma Universidade Pan-africana, cujo processo foi paradoxalmente gestado num ovo gerado nesse mesmo ninho engaiolado, atendendo ao repto de desafiar nossos medos; medos esses que habilmente tem sido cultivados dentro dessas sedutoras caixinhas construídas pela ciência oficial; convidamos os malungos para dar início a esse novo tempo, suspendendo essa caixa de conhecimentos prontos, deixando de ser Gregor Samsa[2] para se tornar Santos Dumont, a fim de ensaiarmos para a inauguração dos voos mais longos, do voo de liberdade, sem repetir os erros de Ícaro; ouvindo a voz dos ancestrais presentes no indivíduo desde o DNA ao inconsciente coletivo. Dessa forma, declaramos que o Medo, como disciplina obrigatória, optativa ou eletiva, invariavelmente se extingui ao cruzar-se o portal dessa Nova Timbuktu antiga, onde reza a frase similia similibus curantur[3].





[1] Relação do Eu com o outro.
[2] Personagem de Kafka – metamorfose.
[3] Os semelhantes curam-se pelos semelhantes