O Estado
nunca foi brasileiro, e sim, uma invenção da elite europeia importada para a
Terra Brasilis, já que entre os povos originários e autóctones nunca ouve
nenhuma concepção relativa à posse da terra. Quaisquer conflitos, caso
ocorresse entre eles nos territórios, essas desavenças referiam-se invariavelmente
aos recursos oferecidos pela terra e não a terra em si.
Simultâneo ao
desenvolvimento desse conceito de posse, a sociedade europoide conferiu um valor
simbólico a um pedaço de papel a qual denominaram de dinheiro; papel este que
concedia privilégios e plenos poderes a seu possuidor. Desse modo, dessa
sociedade criou-se uma nação, dando assim, origem ao Estado. Foi esse Estado
que chegou constituído e pronto, e como o Cavalo de Tróia, adentrou e se
estabeleceu na Terra Brasilis.
Foi com esses
inventos, o Dinheiro e o Estado, que os europoides constituíram uma sociedade outorgada
como civilização. Automaticamente, tudo que veio antes dessa civilização, antes
desses referidos inventos, foi patenteado como criação de bárbaros, de
selvagens nascidos em tribos; e por isso, tais selvícolas poderiam ser submetidos
e subalternizados pela inteligência sustentada na autoridade nascida unicamente
dessa razão europoide sobre a emoção, dando origem ao patriarcalismo e ao
machismo respondido pelo matriarcado e feminismo, iniciando o embate de gênero,
raça e classe.
Contraditoriamente,
foi esse longo processo da subalternização e opressão aos povos originários e autóctones que possibilitou a humanização dos europoides, fazendo com que eles saíssem
do estado puramente selvagem, da antropofagia e da idade das trevas.
A violência
que racializou e estratificou socialmente o ser humano criou profundas e
traumatizantes marcas no espírito dessas gerações oprimidas e subalternizadas,
somando a esse cruel expediente o processo de assimilação que foi imposto a esses
povos, inevitavelmente os levaram a um procedimento de duplipensar, acreditando assim, em duas verdades antagônicas e dispares
entre o pensar e o sentir, entre a inteligência e a sabedoria, separando assim,
o discurso da prática.
Esse procedimento
tem sustentado, e mantém esse Estado importado como a mais valiosa mercadoria
europoide já concebida, que originou o infame
mercado, o mercado financeiro e o famigerado capitalismo. Esse foi o legado
do colonialismo oriundo de dois distintos Estados europoides; um Estado constituído
pela religião e outro pela elite feudal, que se fundiram num só, sendo a
história, o espaço onde coabitam as forças que negociam nesse mercado.
Portanto, é
justo afirmar que as Ações Afirmativas
vêm sendo uma resposta dos opressores a favor de uma definida cota de
oprimidos, e a Reparação uma ação
revolucionária que visa a desmantelamento de todo esse processo de
desumanização dirigido a quaisquer oprimidos, visto que esse processo redefine o
Estado, deixando de ser um Estado monorracial, para tornar-se
um Estado
Pluriétnico e Pluriversal.
Observar o apoio
do Estado em prol das Ações Afirmativas e não perceber que esse Estado vem a Temer
por sua posição de controlador do colonialismo contemporâneo e patrocinador da
escravização moderna é exercer o Duplipensar,
acreditando na filosofia de inclusão daquele
que produziu a ideologia da exclusão; Esse é o legado deixado pelo processo de
assimilação. Toda essa conjuntura tem o seu fundamento na política da eugenia
produzida para construir esse Estado produtor do paternalismo patriarcal,
oferecendo em troca o matriarcado como resposta, assim como oferece a cota das
Ações Afirmativas a fim de produzir uma pequena elite negra que possa representa-lo
em gênero, número e grau.
Essa foi a estratégia
formulada pelo Estado, a fim de não se desgastar em negociações com a grande
massa negra, que produz e sustenta com a sua força ativa, os privilégios e
benesses do seu patrão, nessa nação monorracial gerida pela força de lei da
justiça bélica estatal.
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