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domingo, 10 de junho de 2018

O Estado de Direito, o Estado de Justiça e os Mundos Opostos Existentes Entre a Reparação e as Ações Afirmativas.

O Estado nunca foi brasileiro, e sim, uma invenção da elite europeia importada para a Terra Brasilis, já que entre os povos originários e autóctones nunca ouve nenhuma concepção relativa à posse da terra. Quaisquer conflitos, caso ocorresse entre eles nos territórios, essas desavenças referiam-se invariavelmente aos recursos oferecidos pela terra e não a terra em si.

Simultâneo ao desenvolvimento desse conceito de posse, a sociedade europoide conferiu um valor simbólico a um pedaço de papel a qual denominaram de dinheiro; papel este que concedia privilégios e plenos poderes a seu possuidor. Desse modo, dessa sociedade criou-se uma nação, dando assim, origem ao Estado. Foi esse Estado que chegou constituído e pronto, e como o Cavalo de Tróia, adentrou e se estabeleceu na Terra Brasilis.

Foi com esses inventos, o Dinheiro e o Estado, que os europoides constituíram uma sociedade outorgada como civilização. Automaticamente, tudo que veio antes dessa civilização, antes desses referidos inventos, foi patenteado como criação de bárbaros, de selvagens nascidos em tribos; e por isso, tais selvícolas poderiam ser submetidos e subalternizados pela inteligência sustentada na autoridade nascida unicamente dessa razão europoide sobre a emoção, dando origem ao patriarcalismo e ao machismo respondido pelo matriarcado e feminismo, iniciando o embate de gênero, raça e classe.

Contraditoriamente, foi esse longo processo da subalternização e opressão aos povos originários e autóctones que possibilitou a humanização dos europoides, fazendo com que eles saíssem do estado puramente selvagem, da antropofagia e da idade das trevas. 

A violência que racializou e estratificou socialmente o ser humano criou profundas e traumatizantes marcas no espírito dessas gerações oprimidas e subalternizadas, somando a esse cruel expediente o processo de assimilação que foi imposto a esses povos, inevitavelmente os levaram a um procedimento de duplipensar, acreditando assim, em duas verdades antagônicas e dispares entre o pensar e o sentir, entre a inteligência e a sabedoria, separando assim, o discurso da prática.

Esse procedimento tem sustentado, e mantém esse Estado importado como a mais valiosa mercadoria europoide já concebida, que originou o infame mercado, o mercado financeiro e o famigerado capitalismo. Esse foi o legado do colonialismo oriundo de dois distintos Estados europoides; um Estado constituído pela religião e outro pela elite feudal, que se fundiram num só, sendo a história, o espaço onde coabitam as forças que negociam nesse mercado.

Portanto, é justo afirmar que as Ações Afirmativas vêm sendo uma resposta dos opressores a favor de uma definida cota de oprimidos, e a Reparação uma ação revolucionária que visa a desmantelamento de todo esse processo de desumanização dirigido a quaisquer oprimidos, visto que esse processo redefine o Estado, deixando de ser um Estado monorracial, para tornar-se um Estado Pluriétnico e Pluriversal.

Observar o apoio do Estado em prol das Ações Afirmativas e não perceber que esse Estado vem a Temer por sua posição de controlador do colonialismo contemporâneo e patrocinador da escravização moderna é exercer o Duplipensar, acreditando na filosofia de inclusão daquele que produziu a ideologia da exclusão; Esse é o legado deixado pelo processo de assimilação. Toda essa conjuntura tem o seu fundamento na política da eugenia produzida para construir esse Estado produtor do paternalismo patriarcal, oferecendo em troca o matriarcado como resposta, assim como oferece a cota das Ações Afirmativas a fim de produzir uma pequena elite negra que possa representa-lo em gênero, número e grau.

Essa foi a estratégia formulada pelo Estado, a fim de não se desgastar em negociações com a grande massa negra, que produz e sustenta com a sua força ativa, os privilégios e benesses do seu patrão, nessa nação monorracial gerida pela força de lei da justiça bélica estatal.

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