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domingo, 24 de junho de 2018

Alienação e Informação


A informação, como Mercadoria de alto valor na Bolsa do capetalismo Cognitivo, efetivamente vem sendo sinonímia de alienação. Dessa forma, quando mais alienado o indivíduo se torna, progressivamente mais informado ele se considera; portanto, em seu mundo não há espaço para dúvidas nem questionamentos entre o conforto e a segurança de suas certezas e convicções.

Desse modo, esse indivíduo se metamorfoseia em seu casulo protegido por uma mente que não exercita a curiosidade da busca e das descobertas, se contentando e se satisfazendo com o bolo de massa pronta, maravilhosamente decorada com as luzes coloridas da ilusão.

Dessa metamorfose, surgem as variadas variedades variantes de abominações cognitivas que usam, abusam e se lambuzam de suas dissociações cognitivas de estimação, se assim, do utilizando do materialismo histórico que se desdobram em ações teleológicas indiscriminadas, resultadas de uma nítida dialogia ideológica excludente.

Portanto, esse exército de escravizados mentais em que se metamorfoseou essa massa negra, agora segue seu pastor, rumo ao altar do sacrifício, no ritual cotidiano a ser exibido durante os frugais banquetes dessa elite que se alimenta do medo e da confusão mental das ovelhas sacralizadas por um falso pastor que se esconde na manipulação de sua própria cor.

Essas Ovelhas que eram Negras, e se metamorfosearam em ovelhas brancas a partir dessa ação teleológica monorracial, agora se refastelam ante o repasto servido pelo paternalismo estatal, chafurdando nas pérolas de informação para eles jogadas, agindo como ruminantes nesse mar de chorume midiático.

Nessa conjuntura disseminadora de desinformação e de falsas informações, a vítima dessa guerra nunca foi a verdade, mas sim, sempre foi aquele indivíduo que faz dessas informações o pano de fundo que confecciona sua rede de justificativas, usando-a como descanso de sua tela mental. A verdade continua intacta e continuará onde sempre esteve, até que o indivíduo se permita sair de sua caixa de paradigmas e juntar-se a ela, desfazendo assim, o feitiço de sua programação mental iniciada durante a violência da inquisição na idade das trevas, e hoje usada como apologia pela mídia e intolerâncias religiosas.

Alienações que confortam e verdades que incomodam, são ambas as formadoras das miríades de paradoxos encontrados nos limites que separam a luz e a escuridão, prontas para serem consumidas a gosto; ambas feitas para impulsionar para adiante ou para confortar as inquietações advindas dos conflitos provocados por essas contradições; contradições estas que tencionam as cordas dessa escalada de decisões e de consequências na egrégora do cotidiano.
Andiemus...



sexta-feira, 22 de junho de 2018

Demiurgos e Anjos Na Egrégora Feita Das Tripas ao Coração

Foi com esse estômago embrulhado diante desse velório anunciado, que começou a deglutição das palavras degustada na agonia gourmet da minha inicial fala raivosa. Essa desagradável sensação, que tomou conta do ser envolto por essa sombra de cara carrancuda e de humor tétrico, no hiato desse repasto, cujo ingrediente, composto por mágoa e ódio tempera o medo que nutre a carranca desse ser, vibra na dissonância de sua própria ignorância.

Depois de destripado feito Jack, com as pacueras de fora, e antropofagicamente devorado por si mesmo, numa morte anunciada iminente; percebemos que a salvação só pode vir do coração que bate na fração de uma vibração diferente, alimentada pelo sentimento de uma imaginação que voa na dimensão contrária a dessa morte em vida enunciada.

É nesse momento que se ouve o vento sussurrar seu nome, enquanto cada elemento da natureza, conhecendo seus pensamentos, voa ao sabor dessa brisa que traz o cantar da passarada, marcado pelo compasso das batidas do seu coração. Ampliando assim, o alcance de sua visão, na harmonia dessa canção. E dessa forma, se desfaz o doloroso nó nas tripas; seguindo a leve e doce trilha do coração; saindo desse campo (de pensamento) senciente de que um pastor cria sua ovelha unicamente para ser tosquiada, alimentando-a para ser consumida. Esse é o penoso processo pelo qual passa esse perfeito computador humano quando é infectado pelo vírus portador da ideologia do medo.

Ele caminha por essa dolorosa trilha de escravização voluntária, sem se dar conta de sua triste condição, se tornando então refém perfeito para esses perigosos piratas do mundo exterior a Urântia, criadores dessa liberdade tutelada, que passou a ser aceita como verdade universal; constituindo assim, essa realidade de histerias coletivas que norteiam os gados marcados e cordeiros sacralizados. Sem essa Egrégora consigo mesmo, não há como escolher quaisquer outras trilhas para seguir, visto que somente o amor é capaz de fazer seu próprio caminho, e é dessa forma que finalmente, o Merkabah humano se faz efetivamente presente. Somente nessa Carruagem nos é possível percorrer esse caminho de luz e de paz. Sawabona...!!

sábado, 16 de junho de 2018

AlerjRESUMO

domingo, 10 de junho de 2018

O Estado de Direito, o Estado de Justiça e os Mundos Opostos Existentes Entre a Reparação e as Ações Afirmativas.

O Estado nunca foi brasileiro, e sim, uma invenção da elite europeia importada para a Terra Brasilis, já que entre os povos originários e autóctones nunca ouve nenhuma concepção relativa à posse da terra. Quaisquer conflitos, caso ocorresse entre eles nos territórios, essas desavenças referiam-se invariavelmente aos recursos oferecidos pela terra e não a terra em si.

Simultâneo ao desenvolvimento desse conceito de posse, a sociedade europoide conferiu um valor simbólico a um pedaço de papel a qual denominaram de dinheiro; papel este que concedia privilégios e plenos poderes a seu possuidor. Desse modo, dessa sociedade criou-se uma nação, dando assim, origem ao Estado. Foi esse Estado que chegou constituído e pronto, e como o Cavalo de Tróia, adentrou e se estabeleceu na Terra Brasilis.

Foi com esses inventos, o Dinheiro e o Estado, que os europoides constituíram uma sociedade outorgada como civilização. Automaticamente, tudo que veio antes dessa civilização, antes desses referidos inventos, foi patenteado como criação de bárbaros, de selvagens nascidos em tribos; e por isso, tais selvícolas poderiam ser submetidos e subalternizados pela inteligência sustentada na autoridade nascida unicamente dessa razão europoide sobre a emoção, dando origem ao patriarcalismo e ao machismo respondido pelo matriarcado e feminismo, iniciando o embate de gênero, raça e classe.

Contraditoriamente, foi esse longo processo da subalternização e opressão aos povos originários e autóctones que possibilitou a humanização dos europoides, fazendo com que eles saíssem do estado puramente selvagem, da antropofagia e da idade das trevas. 

A violência que racializou e estratificou socialmente o ser humano criou profundas e traumatizantes marcas no espírito dessas gerações oprimidas e subalternizadas, somando a esse cruel expediente o processo de assimilação que foi imposto a esses povos, inevitavelmente os levaram a um procedimento de duplipensar, acreditando assim, em duas verdades antagônicas e dispares entre o pensar e o sentir, entre a inteligência e a sabedoria, separando assim, o discurso da prática.

Esse procedimento tem sustentado, e mantém esse Estado importado como a mais valiosa mercadoria europoide já concebida, que originou o infame mercado, o mercado financeiro e o famigerado capitalismo. Esse foi o legado do colonialismo oriundo de dois distintos Estados europoides; um Estado constituído pela religião e outro pela elite feudal, que se fundiram num só, sendo a história, o espaço onde coabitam as forças que negociam nesse mercado.

Portanto, é justo afirmar que as Ações Afirmativas vêm sendo uma resposta dos opressores a favor de uma definida cota de oprimidos, e a Reparação uma ação revolucionária que visa a desmantelamento de todo esse processo de desumanização dirigido a quaisquer oprimidos, visto que esse processo redefine o Estado, deixando de ser um Estado monorracial, para tornar-se um Estado Pluriétnico e Pluriversal.

Observar o apoio do Estado em prol das Ações Afirmativas e não perceber que esse Estado vem a Temer por sua posição de controlador do colonialismo contemporâneo e patrocinador da escravização moderna é exercer o Duplipensar, acreditando na filosofia de inclusão daquele que produziu a ideologia da exclusão; Esse é o legado deixado pelo processo de assimilação. Toda essa conjuntura tem o seu fundamento na política da eugenia produzida para construir esse Estado produtor do paternalismo patriarcal, oferecendo em troca o matriarcado como resposta, assim como oferece a cota das Ações Afirmativas a fim de produzir uma pequena elite negra que possa representa-lo em gênero, número e grau.

Essa foi a estratégia formulada pelo Estado, a fim de não se desgastar em negociações com a grande massa negra, que produz e sustenta com a sua força ativa, os privilégios e benesses do seu patrão, nessa nação monorracial gerida pela força de lei da justiça bélica estatal.

terça-feira, 5 de junho de 2018

N’gola Janga: Território Histórico Afrodescendente


Consideramos como Território Histórico toda aquela área urbana que foi ocupada como espaço comercial e residencial, durante um determinado período da história, por um coletivo étnico, reconhecido como povo, por suas tradições, cultura e hábitos em comum.

Vamos nos referir especificamente à área situada na cidade do Rio de Janeiro conhecida como Pequena África, que é delimitada pela Rua Beneditinos e todo o seu entorno, indo até o cemitério Catumbi, que é a área exigida nesta região, para que seja reconhecida pelo Estado Brasileiro como Território Histórico. Sendo esta uma das formas de Reparação aos Descendentes dos Povos Africanos Escravizados no Brasil, preconizada pela Conferência de Durbam em 2001; conferência na qual o Brasil foi signatário.

Esta área, desde a metade do Séc. XIX, mais especificamente por volta de 1850, onde os negros libertos fixaram moradia, servindo também como espaço de trabalho, visto que este era o caminho a ser seguido, para se chegar ao porto do Rio, por todos aqueles que chegavam e partiam da cidade, cuja elite urbana, a exemplo das cidades europeias, se fixou no Morro do Castelo. Mas o motivo principal desse apartheid racial foi precisamente por este espaço ser uma área que permanecia constantemente alagada e enlameada em consequência das chuvas, somando as práticas culturais da cultura negra que escandalizavam e causavam repulsa na branquidade da época. Portanto, os negros libertos acabaram por ocupar toda essa área e seu entorno. Sem mencionar que a lei de Terras, aprovada justamente nesse ano, se tornou o impeditivo legal, usado como artimanha pela elite, através do estado, a fim de impedir o acesso dos libertos as suas cercanias.

Quando enfim, chegamos ao primeiro advento da fake News tupiniquim batizado oficialmente como abolição da escravatura; o popular caô na linguagem carioca; quando os 10% de escravizados que ainda restavam cativos sobre o guarda-chuva oficial da legalidade Estatal, ganharam a “liberdade” numa só canetada, justamente no dia do aniversário de D. João, para marcar a data, escondendo que tal generosidade fora imposta por outra nação. Esses libertos foram então, postos num entre-lugar da cidadania. Contraditoriamente estas benesses trazidas pela abolição foram seguidas de um pacote de leis, tais como a lei de terras e a lei da vagabundagem (além da criminalização da Cultura e da Religiosidade negra); uma impossibilitava o “liberto” de ter acesso legal a terra e a outra consecutivamente lhe obrigava a ter uma ocupação assalariada. Só que, acoplado a esse contexto, foi criado o Fundo de Emancipação da escravidão que beneficiou exclusivamente aos escravocratas, que durou até a era Vargas, 1932; fundo com o qual esses escravistas subsidiaram a vinda dos imigrantes europeus, que ocuparam todos os postos de trabalho no Brasil brazilleiro, deixando os recém-libertos sem eira nem beira e a mercê dos caprichos da branquidade; fato este que teve o fatídico ápice (1910) que ocasionou a revolta da chibata.

Desse modo, os libertos que viviam nessa região foram expulsos para as “moradias de pretos” que eram os morros, alagadiços, palafitas, invasões, etc. abrindo assim, espaço para a instalação dos grandes sítios, chácaras e afins, com fins comerciais, tal como as grandes plantações de cana-de-açúcar, entre tantos outros produtos rentáveis, dando assim, início a modernização da cidade do Rio com a abertura de vias e a instalação das linhas de bondes, culminando com a derrubada do Morro do Castelo, onde originalmente havia sido instalado o Centro urbano da cidade.

A decadência do mercado e a consequentemente falência dos negócios, causaram o fechamento dessas chácaras e o loteamento da região; fato este que obviamente beneficiou aos imigrantes, que outrora tiveram sua vinda ao Brasil subsidiada, se tornando cidadãos brasileiros, estimulados pela nova república recém-criada através do primeiro golpe militar ocorrido no Brasil. Desse modo, com os afrodescendentes expulsos de suas residências e local de trabalho, os eurodescendentes ocuparam este espaço e aproveitando a mão-de-obra dos desamparados e feridos pela justiça brasileira, se apropriando então da força ativa dessa massa preta, esses descamisados e pés-descalços produzidos pelo Estado.

Enfim, foi diante dessa política racializada, padronizada pela colonização fundamentada na violenta escravização desses povos, que os afrodescendentes se tornaram econômica e social subordinados ao Estado que em tese, deveria representar o povo brasileiro, mas que se tornou um Estado monorracial, visto que não há representantes indígenas ou negros em quaisquer instituições representantes dessa República Federativa.

Esse atual contexto, advindo desse padrão racial, imposto através da violência colonial, estabeleceu o racismo como um crime perfeito, diante de um Estado Uni-étnico que não reconhece o racista como criminoso por motivos óbvios, pois tal reconhecimento abriria precedentes para configurar tal dolo como crime continuado, reconhecendo as práticas do próprio Estado como resultado do crime da escravidão, visto que o racismo estruturou-se como uma política socioeconômica simultaneamente formal e informal; e principalmente pelo agravante da escravidão ter sido configurado e considerado pela Organização das Nações Unidas, como crime da história, tornando-se, portanto, um crime imprescritível.

“Minha carta de alforria não me deu fazendas, nem dinheiro no banco, nem bigodes retorcidos. Minha carta de alforria costurou meus passos aos corredores da noite da minha pele”.

Pequena África: Território Histórico Afrodescendente
Devido à exaustão de um projeto de nação monorracial que não deu certo, faz-se necessário a urgente revisão dessa estrutura vigente ainda regida pela violência imposta por este Estado bélico, que tenta garantir, sem sucesso, a manutenção dessa estrutura construída através do mercado infame que foi tráfico dos Povos Africanos para o Brasil, no crime da Colonização e no crime da escravidão.

Portanto, a partir de todos esses crimes da história cometidos contra a humanidade, viemos através das resoluções estabelecidas pela ONU, na Conferência de Durbam, exigir, como uma das formas de Reparação aos Descendentes dos Povos Africanos Escravizados no Brasil, o reconhecimento desse território pelo Estado brasileiro deverá ser seguido de sua restauração e preservação da seguinte forma: Inicialmente os espaços delimitados serão identificados através de um marco significativo em nossa cultura, que vem a ser o pé de Baobá, a árvore da vida. Sendo os mesmos extensivos como marco nas seguintes áreas:

O Largo de São Francisco da Prainha, moradia nos negros libertos; Cais do Valongo, espaço de trabalho dos negros libertos e um dos cais mais movimentados da América Latina por onde os próprios negros eram foram traficados; Praça do Estivador, um espaço que teve seu lugar em nossa história devido ao triste episódio da revolta dos Malês, na cidade do Rio de janeiro, em 1838; Muro da Supervia, a manjedoura onde se localizou o berço do samba; Sopé do Morro do Pinto, também moradia dos negros libertos; Praça da Harmonia, outro importante local de moradia dos negros libertos, onde aconteceu uma das maiores resistências negras ocorrida por ocasião da revolta da vacina, resistência esta realizada por um negro somente, o capoeirista Prata Preta.

É nesse espaço acima citado e demarcado como Território Histórico que será estruturado o Memorial da Diáspora, um MEMORIAL VIVO composto pelas seguintes casas: Casa Brasil-África; Casas da Amizade; Casas Pousadas e Casas Sociais e a Universidade Pan Africana.

Caberá a prioridade de organizar tais casas, usando como critério o maior número de residentes no Brasil, os 36 países que tem representações diplomáticas no Brasil; 26 africanos, 4 caribenhos e 6 latino-americano; com exceção das Casas Pousadas e Casas Sociais que serão administradas pela Subprefeitura.

Como citado acima, a administração do Território Histórico será de responsabilidade de uma Subprefeitura especialmente criada para tal fim. Que será dividida em duas: Subprefeitura e Subprefeitura Especial: a subprefeitura Especial terá a responsabilidade de preservar os Patrimônios a ela destinados, tais como os prédios e terrenos pertencentes ao Município, a União e a particulares existentes, que estejam desativados ou abandonados na área delimitada por esse Território; enquanto a Subprefeitura cuidará da administração e construção civil das referidas Casas Pousadas e Casas Sociais acima citadas.

As finanças destinadas à administração do Território Histórico terá sua origem no Fundo André Rebouças; fundo este oriundo de 0,2% do orçamento das despeças previstas no orçamento da Prefeitura; doações; 0,5% dos impostos prediais da área; Fundo da erradicação da pobreza; Dotação orçamentária da União a ser estabelecido. 

Para concluir, esperamos, assim como Birkenau, Auschwitz ou Treblinka, que o Memorial Vivo da Pequena África que preiteamos como Povo, venha a interromper peremptoriamente o holocausto Negro em curso desde 1500, e que o mesmo seja um alerta para que esse infame ato nunca mais se repita em nossa história.
 


sábado, 2 de junho de 2018

Ubuntu, Bio-relatividades e reontologização

As redes sociais, confeccionadas por milhares de selfs como registros factuais de um sujeito real, formam um intrincado mosaico desse virtuoso mundo, exibindo uma existência aparentemente desprovida de máculas; Mesmo que as flores exuberantes que adornam o fundo desse caótico quadro original, venham paradoxalmente a se contrastar com os sorrisos de plástico hollywoodianos, e com as extravagantes poses camaleônicas intrepidamente exibidas pelas inúmeras performances que preenche esse fotogênico Éden adâmico. 

Na incrível plasticidade proporcionada por esse mundo, cuja aura é formatada pelas selfs extraída da solidão privada desse indivíduo público, é que se formam peremptoriamente as suas múltiplas personalidades, virtualizando sua realidade, na medida em que vai recheando a cultura coletiva[1] com histerias individuais, transformando o mundo real num arremedo do mundo construído por todos aqueles medos nascidos dos seus piores pesadelos.

Dessa forma, até que ele encontre um espelho opaco, para que o possibilite localizar-se na virtualidade desses looping cronotópicos, o eco do seu pensar, tal qual uma antena repetidora, reproduzirá infinitamente o reflexo dos seus selfs, fazendo-os a se tornarem ultrapassados assim que exibidos; visto que exigirão atualizações constantes; criando um processo contínuo de descartabilidade, provocando assim, um círculo vicioso de produção e reprodução.

Quando esse indivíduo se encontrar com tal espelho, deparando-se com sua seca opacidade, e não mais poder apreciar, nem enxergando mais nele o reflexo de Narciso, a destruição desse mundo será iminente, e se dará através de um fragoroso processo onde será preciso assassinar cada self cultivado e projetado sobre cada eu. Desse modo, de forma maiêutica e diatópica, as perguntas certas de encontro marcados com as respostas corretas, estabelecerão finalmente, o diálogo com seu Eu superior.

Tal diálogo se iniciará com uma das mais simples e complexa questão: - Alegria ou desejo...?? Pergunto ao meu Eu superior, Já que meus eus me falam muito, e sobre tudo, ao que se relacionam aos meus desejos, Mas, falam sobre tudo, sempre e invariavelmente sobre os meus desejos mais profundos. Ou melhor, todos os meus eus só falam mesmo sobre desejos. E a resposta do meu Eu superior vem em forma de pergunta: Preferes ser seu próprio governo ou ser governado...!?  É nesse momento que minhas elucubrações me atingem repentinamente, com a velocidade de um fulminante raio num belíssimo dia de sol regado à cerveja artesanal, diante de uma mesa orgasticamente farta de glamorosos prazeres gourmetizados.  

Mas a resposta final vem abrupta e serena, afirmando a necessidade da aniquilação definitiva do Self, de todos os meus eus, que são a fonte dos múltiplos e infinitos desejos; de tudo aquilo que eu degusto e que bebo com prazer meramente erótico, oriundo da minha necessidade de poder. É justamente nesse desejo de poder, originado unicamente no ego, que jaz a raiva, o rancor e o medo. Esse mesmo ego que julga erros e acertos, a partir da dualidade jacente no conceito do Bem e do Mal que divide o mundo, opondo generalidades produzidas, reproduzidas e cultuadas pela cultura de massa, privatizando tais generalidades num sentido único e individual dessa egolatria pública.

A reontologização é uma das condições primárias a serem observadas, na qualidade de iniciante na trilha Ubuntu. Uma trilha que exige a quebra dos espelhos sociais num ato de transgressão total, rompendo as limitadoras linhas que alinhavam e dão formas ao Self. É nesse momento que o mundo de fora e o mundo de dentro se tornam unos: o que está dentro está fora, assim como o que está em cima, está em baixo; desprovendo a linealidade alinhavada por essas mesmas linhas confeccionadoras do Self, que dividem mapas, países, mundos e universos, como definidoras de seu espaço/tempo e tempo/espaço.

É nesse momento que toda a forma de governo perde o seu sentido, assim como todo o constructo social que cimenta essa realidade produzida pelo Grande Irmão, o Self-mor. É nesse ponto também que o umbrálico Biocídio cessa, e os jardins da Bio-relatividade florescem, apartando a luz da escuridão, dando espaço a vida numa dimensão jamais experimentada pela infâmia da competição, e nem pela arrogância da meritocracia. É nesse ponto da caminhada que enfim, se inicia a trilha Ubuntu. Pode não ser uma trilha leve, mas será sempre uma trilha alegre nesse caminhar cronotrópico. 


[1] Freud cunho o conceito de inconsciente coletivo como outra forma de se referir a cultura.