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quinta-feira, 31 de maio de 2018

Tratado Geral Sobre a Crise Nacional do Petróleo e o Falso Empoderamento Racial


O óleo que queima na lata, iluminando a saga ingrata de um negrinho sem teto, é o mesmo óleo arrancado da pele preta pela aguda[1] dor da chibata;

A luz da candeia que ilumina o caro talher de prata num banquete antropofágico escravocrata, e que reflete iluminando a trilha da mata que dá passagem ao capitão-do-mato, é a mesma (luz) produzida pelo óleo arrancado da pele preta pela aguda dor da chibata;

A luz emitida pela tela da TV que não me vê e ignora você, é a mesma (luz) de prata produzida pelo óleo arrancado da pele preta pela aguda dor da chibata;

O luz que produz o reflexo da sombra negra da ginga do capoeira que espreita sobre a luz faceira da lua cheia, é a mesma (luz) produzida pelo óleo arrancado da pele preta pela aguda dor da chibata;

A luz que produz a sombra da cruz sobre a ribalta, alimentando a mente de qualquer crente carente de luz própria, é a mesma (luz) produzida pelo óleo arrancado da pele preta pela aguda dor da chibata;

A luz da Cultura Negra que produziu toda a riqueza das famílias tradicionais e dos descendentes de uma europoide inglesa, agora ilumina o sangue que jorra da alma retalhada pela chibata desde Goré[2], vinda através do Grande Calunga[3] até chegar ao planalto Central; Sangue arrancado da pele preta pela aguda dor dessa chibata que, alcançando o coração dilacerou-o; e desse horrendo rasgo verteram lágrimas que temperaram os oceanos do mundo inteiro, formando um laço de sangue nunca d’antes visto, e as gerações de pele preta, separadas pela aguda dor dessa chibata, ele novamente as uniu.

Hoje, a chibata permanece na língua ferina do lugar de fala eurocentrada, e a mesma luz é produzida pelo óleo arrancado da pele preta na aguda dor dessa chibata se faz presente ao ouvir da canção  produzida pelos tambores do além-mar, trazidos na alma através do Grande Calunga, enquanto a chibata impiedosamente vai cortando a língua e, a cada toque desse tambor, decepando a alma brancopofágica do impostor, enquanto a luz desse óleo ilumina, curando o espírito alquebrado pela aguda dor provocada chibata do inquisidor.



[1] Ver Agudá.
[2] Entreposto comercial de escravizados.
[3] Oceano Atlântico.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

A fórmula da Emoção Estética na Construção do Super Herói e do Vilão


Existe uma dupla relação entre expectador e o ato artístico, quando esse expectador se derrama em lágrimas, acreditando na realidade da cena. O ato desperta nele a mesma emoção que a vida, mesmo sabendo que se trata de uma encenação. Portanto, isso cria um processo que suscita o contraditório, do momento em que essa ficção passa a provocar sentimentos de tristeza ou alegria, pois bastaria lembrar que é uma cena inventada e ensaiada para que tais sentimentos cessassem.

Se o expectador tivesse em mente que aquela cena se trata de uma mera montagem cinematográfica, apenas uma ficção, as emoções similares à realidade da vida deixariam de fazer sentido.  Mas, certamente por esse expectador não distinguir entre realidade e a ficção, entre o que assiste na tela e o que vê na vida real, e diante do choro, esquece que se trata de uma ficção, caso contrário ele nunca chegaria a sentir emoções especificamente artísticas.

Portanto, a arte exige uma emoção dupla: a de esquecer e a de lembrar de que tudo aquilo se trata de uma ficção. Só mesmo através da arte poderia ser possível se escandalizar ou se horrorizar diante de um assassinato e ao mesmo tempo admirar o desempenho do referido ator.

Essa técnica usada na Arte Estética foi incorporada nas pautas da programação dos meios de informação e comunicação, indo para além dos filmes e novelas, seriados e folhetins; se incorporando também ao sensacionalismo jornalístico impregnando todo o roteiro meticulosamente preparado para mexer com as emoções do incauto cidadão, visto que a televisão não pede licença e nem permissão para invadir os pensamentos e mexer com as emoções, formando, dessa maneira, apaixonadas opiniões formatam a realidade da sociedade e da nação. Visto que é a partir da produção dessa emoção que o expectador tem seu subjetivo controlado, sendo perfeitamente possível induzir e controlar suas ações e atitudes frente ao cenário preparado para que assim ele proceda.

Exatamente como o cão de Pavlov ou a cobaia de Skine, o expectador reproduz o comportamento previsto, induzido pelas propagandas e notícias que compõem o roteiro da pauta acordada pela plutocracia oligárquica nacional e internacional, a fim de manter o sistema por si só. Dessa maneira, através dos algorítimos, a ficção se torna realidade, do momento em que ambas semanticamente se interpenetram, num processo onde os limites interseccionais são derrubados.

Diante dessa produção cultural e produção de conhecimento efetivamente eurocentrados, a desumanização racial padronizada, leva a banalização da violência categórica direcionada exclusiva aqueles que são estigmatizados e escravizados pelas correntes do patriarcalismo, feminismo e meritocratismo, como símbolos de sustento do sistema capital. Símbolos esses que já se tornaram arquétipos do constructo social produzidos pela cultura de nossa colônia contemporânea. Tais símbolos dão significância a personagens ficcionais e/ou reais, encontrados em novelas e manchetes de jornais, das propagandas aos pronunciamentos oficiais.

Foi dessa forma que o sentimento de medo encorpou no cidadão através dos jornais e televisão, suscitando no mesmo, a raiva e a carência do paternalismo que implora pelo herói do filme exibido pelo noticiário onde o pronunciamento do político da oposição contrasta com o da situação, completando a trama desse roteiro que tem seu grand finale no espetáculo do sufrágio universal obrigatório.

É dessa maneira que são produzidos os capítulos roteirizados por essa grande empresa cultural de padrão monorracial, que habilmente usam essa prosaica e inocente Fórmula da Emoção Estética, para modificar de maneira eficaz a forma pensamento do neófito, a partir da inserção de motores que produzem emoções, agindo de forma similar aos psicotrópicos ao criar uma perfeita dependência servil e obediência civil.

Destarte, o indivíduo vive seu duplipensar, imerso nesse mar de assimilação, surfando intrepidamente sobre as ondas de verdades superficiais pré e pós-fabricadas, onde seu ódio se tornou seletivo e o seu amor objetificado entre o clarão do céu azul e o sangrar desse oceano vermelho que miraculosamente  se abriu para dar passagem ao infame comércio.


segunda-feira, 14 de maio de 2018

O Negro Drama e a Escravização Contemporânea

As imagens aqui exibidas mostram a ilustração da glândula pineal em três momentos, e implicitamente mostra a sua função e a sua forma de atuação no indivíduo humano. 

A segunda imagem, exibe o corte de um cérebro humano que serviu de modelo para ambas às ilustrações. É importante ressaltar que é nessa glândula que jaz o 24º cromossomo[1] humano que ainda não foi detectado e nem registrada pela caixa de verdade da ciência contemporânea, já que se trata de um par de cromossomos de natureza quântica.

A primeira imagem de origem egípcia, confirma que o Homem pode ser um Deus, ou pode ser Deus; imagem com mais de 5 mil anos, comparando a pineal com o olho de Hórus; enquanto a terceira imagem, idealizada por Michelangelo, mostra essa versão com o nome de “A criação do Homem[2]”, mostrando Deus como criador do homem, mas que de forma paradoxal e subliminar, coloca o homem como produtor e criador da imagem e da ideia de Deus.

Nesse caso, ao contrário do caso egípcio, essa pintura vem ilustrando que foi o homem criou e patenteou o Deus europeu, do momento em que se apropriou da narrativa da história de Hórus e a encorpou ao seu livro sagrado, de acordo com as conveniências do império romano, consolidando desse modo, seus privilégios e desejos como vontades divinas, para a completa satisfação de Constantino e de seus patrícios da elite romana.

Desde então, todos os personagens sagrados com que os etíopes cristianizaram os europeus, foram ganhando maquiagens e indumentárias ocidentais, sendo assim sacralizados, vestindo de vez o casaco branco europeu do absolutismo racial. Dessa forma, todas narrativas que identificava a África e a sua filosofia como espaço geográfico do cenário bíblico, foram devidamente diluídas e europeificadas através da arte, da história e da cultura padronizada pela violência da colonização.

Portanto, atualmente é notório que um negro evangélico, que se contenta em ter seu pastor como leitor, tradutor e explicador do seu livro sagrado, se recuse ao estudo de sua própria cultura, de sua história e da geografia, estigmatizando tudo que se encontre fora dessa caixa de verdades manufaturadas pelo ocidente. Essa caixa das ciências destinadas às verdades históricas das religiões se tornaram também as caixas da política e da cultura de massa, que são expostas nas vitrines midiáticas diuturnamente a fim de nos conduzir as certezas e as convicções próprias de um povo que tem com prioridade única, a preocupação com individualidade do seu futuro no além.

Essa a forma mais eficiente de colonização jamais vista em toda a história da humanidade; um processo avassalador, que leva o escravizado a defender sua própria escravização, fazendo dele mesmo, a arma de controle mais eficiente e perigosa usada contra o próprio até então. Por esse motivo, qualquer tomada de consciência é comprovadamente um processo não linear extremamente doloroso.

Olhar para dentro de si, como primeiro passo, já é um processo demasiadamente demorado; visto que trabalhar com o turbilhão de sentimentos advindo desse primeiro olhar até o momento de enxergar, requer um fortalecimento e amparo desse ser que, repentinamente, sai das profundezas dessa histórica caverna, preparada como sendo seu lar, por um anfitrião chamado Platão, que pôs o seu cérebro no lugar do coração, transformando a lógica numa disciplina de sofrimento e instrumento de exclusão.






[1] Todos os seres vivos possuem 24 cromossomos, com exceção do homem, que possui 23 cromossomos; fato este que tem intrigado profundamente os cientistas e pesquisadores da área.
[2] Pintura exibida na capela cistina.

sábado, 12 de maio de 2018

Brazil: O Treze de Maio e a Reparação.

Os jornais dos tempos coloniais expunham em seus classificados o próspero negócio de compra, venda e aluguel de pretos sequestrados, traficados e escravizados provenientes do continente Africano, além das fotos desenhadas de negros fugidos, apresentavam a polpuda recompensa para quem capturasse os procurados, que seriam posteriormente supliciados por ousarem se considerar humanos, e por sua liberdade assim aspirar.

Hoje, após fixar a festiva data do 13 de maio, dia e mês do aniversário de D. João; esse senhor da escravidão; como um marco no calendário cínico escolar; os telejornais, seguindo os Tempos Modernos, não mais desenham os negros fugidos; agora eles mostram ao vivo e a cores pela televisão e todas as mídias faladas e escritas, para que possamos comemorar finalmente o 14 de maio como o dia Nacional do Desemprego desse negro que nem camelô ou tabaréu tem a permissão de ser, já que são proibidos pelos atuais senhores feudais, esses donos da Casagrande contemporânea e chefes das famílias tradicionais, que hoje repartem as capitanias hereditárias nacionais.

Treze de maio foi o dia da Revolta Das Carrancas, no Estado das Gerais, de onde nossas Minas escoavam para enricar Portugal. Esse evento como data nacional não consta no atual calendário colonial. Calendário este, que endeusa esse assassino genocida chamado Caxias, que nomeiam ruas, bairros e cidades, assim como os cruéis bandeirantes, os arrogantes duques e duquesas, marqueses e princesas que hoje povoam os sonhos das crianças pretas adestradas pelos livros didáticos estáticos e pela mídia racista e fascista, comandadas pelas famílias tradicionais das capitanias hereditárias atuais.

Treze de maio deixou de ser o dia da Revolta em que se almejou a liberdade de um povo, para ser transformado no dia de comemoração do aniversário desse algoz que acorrentou a todos nós no pelourinho geográfico da dor, do desdém, do holocausto e que ainda nos faz refém, fazendo com que o escravizado mental permita que seu irmão seja tratado como animal pela força nacional, banalizando desse modo, essa semente do mal plantada na imensidão daquele canavial que financiou nossos Tempos Modernos tirando a europa da idade das trevas, e nos colocando numa permanente inquisição, onde a Polícia Militar, cumpre a risca o seu papel de proteger a elite brasileira e estrangeira dessa ameaçadora massa negra desempregada, que produziu, e ainda produz toda a riqueza dos ricos eurodescendentes que sempre comandaram os destinos da nação brasileira desde os tempos da invasão da Terra Brasilis.

Reparação aos Descendentes dos Povos Africanos Escravizados no Brasil, que ainda hoje sofrem as consequências desse crime histórico, é a única alternativa que atualmente se apresenta como viável para transformar esse país numa nação de fato, e não uma nação uni-étnica como sempre foi e tem sido o Brasil até o presente momento.

Essa nação que foi parida pela violência colonial, transformando o Filho da Pátria em marginal, excluindo a quem não se mostrava europeu e adestrando o negropeu como o lacaio que vai proteger seus interesses oligárquicos através da violência, patenteou o cidadão de bem como matador de qualquer Zé Ninguém, sem teto e sem chão; todo aquele alforriado que procura ganhar o seu pão de cada dia por todos os meios necessários, desde que concederam exclusivamente as cotas de trabalho e de empregos aos imigrantes europeus em solo tupiniquim.

Nos dias treze de maio, é visível a minha Carranca de Revolta estampada na face preta de quem almeja pela liberdade de verdade, em vez continuar a escutar os prolixos, gongóricos e pomposos discursos retóricos proferidos do alto dos púlpitos das assembleias, religiosas ou políticas, que esconde a face belicosa de quem golpeia e mata o povo que construiu essa nação.

Treze de Maio não, Reparação Já...!!




quinta-feira, 3 de maio de 2018

A Caixa de Crença da Ciência e da História Como Formatadora do Inconsciente Coletivo Difusor da Cultura de Massa.

Todos nós somos espelhos, mesmo que estejamos no limbo, de olhos fechados e de costas; Porque o Espelho, assim como a alma, é diatopicamente um fractal; uma geometria espiral que reproduz infinitamente a si mesma, nesse evento quântico rotulado como um clássico Big Bang pela ciência encaixotada, mas que realmente se trata de um evento cronotrópico e entropico sem tempo ou espaço linear.

Falo de um tempo que não é passado, presente ou futuro; evento este suscitado pelo reflexo de uma ação decorrente do pensamento que se soma o coração à mente, pulsantes num ritmo único, de uma forma elegante e madura. Esse refletir de coração e mente num contexto fractal, faz com que a caixa da ciência e da história se tornem ínfima para esse átimo infinito, pleno de tudo o que é.

Esse desencaixotar a mente e o coração é um processo que efetivamente humaniza o Frankstein em que nos transformaram ao mesmo tempo em que faz a vida surgir plena nesse corpo zumbi que nos paralisa. Isso fará categoricamente enxergar a tudo o que olharmos; escutar além da simples audição; e também sentir plenamente o que for tocado. Esse processo só se dará efetivamente quando sairmos desse armário metafísico, cuja função tem sido a mesma função de um caixão horizontal, que nos tem enterrado em escritórios, igrejas, quartéis, escolas e universidades; caixões estes que tem orgulhosamente ornamentado a estética desse imenso cemitério urbano em que se transformou essa caótica Urbi.

Essas caixas que delimitam, limitam e imobilizam metafisicamente as energias potenciais que habitam o ser humano, evitam que possamos sincronizar o nosso conviver com as forças da natureza que nos cerca, e faz parte do nosso ser, nos impedindo de entrar no ritmo desse universo que equilibra-se em si e por si próprio. Só a mansidão de uma alma em festa seria capaz de quebrar as tábuas metafísicas desse armário encaixotador de vidas e de possibilidades, nos desterrando finalmente dessa cidade tumbeiro; é esse o exercício de reconexão com o que já foi. Ou seja, é o contato com o que se encontra fora dessa caixa, que permitirá compreender o que somos, fazendo com que a escuridão que existe no interior da mesma caixa; essa escuridão que assombram os discursos e engessam as ações, definitivamente se dissipem.

Essas mesmas madeiras que constituem as caixas formadoras desse armário metafísico que capsulam os espíritos, são as madeiras que constituem as cruzes pedagógicas que norteiam calvários, semeiam o medo e ornamentam as sepulturas dos batalhões de redivivos aculturados e assimilados.

A luz, que penetra gradativamente pelas frestas desse armário, provoca a rebeldia ao aprendizado do ódio seletivo e o desaprender o temor do desconhecido. O madeiro dessa cruz e desse armário metafísico, uma vez rompidos, transformam o tempo e o espaço mental e físico, em arquivos de memórias passadas e memórias futuras, transmutando dessa forma, o indivíduo finito, num ser multidimensional.

Dessa forma, os discursos formadores de opiniões destinadas ao controle da massa populacional, uma vez iluminados pela lógica, acabam perdendo sua força e sentido. Assim, as entrelinhas do discurso comprometido com o poder constituído pelo egocentrismo, são expostas, trazendo a lume o que era ocultado pelas sombras das paredes dessas caixas-caixões que projetam as perspectivas da Casagrande sobre os arranha-céus dessa Cidade-Tumbeiro.