Semáforos, veículos, comércios, nomes
de ruas, museus, placas e propagandas, são Valores que simbolizam um currículo
de inclusão e exclusões enquanto o currículo monorracial e monocultural
imposto pela violência colonial tem se mostrado como parte fundamental dessa modernidade. Modernidade
essa que mantém a hierarquia que confere privilégios a uma pequena minoria, e leoninos deveres
a grande massa negra, reproduzindo docentes-papagaios e militantes biônicos que cultivam os preconceitos
que estigmatizam essa própria população e seus segmentos, instituindo contradições
que confundem liberdade com escravidão, transformando seus significados em
sinônimos e aliados.
Esse currículo, que impede o
pensamento crítico e a ação coletiva efetiva, é a menina dos olhos do processo da
colonização mental e da escravidão contemporânea, mantido pelo egocêntrico sistema
perpétuo da educação vigente.
As ruas, com suas leis, regras,
negócios e tratados próprios, contrastam violentamente com o mercado financista
dos especuladores que nomeiam essas mesmas ruas com os nomes de torturadores,
assassinos, escravocratas e algozes de toda sorte, que impuseram e impõe seus
caprichos como lei aos que nela transitam, numa infame tentativa de invisibilizar o crime da história ocorrido nos porões dos navios negreiros. São esses os mesmos
torturadores e assassinos que figuram nas efemérides como heróis nacionais
representados em filmes, novelas e seriados televisivos.
Desse modo, conhecemos princesas como
Isabel e rainhas como Vitória sem saber quem foi Dandara ou Ginga, além de adoramos um
Deus inventado pelo comando eurocentrado, enquanto somos pelos seus
representantes controlados. Dessa forma, fomos então convencidos a ser passivos
e acreditar no medo como combustível da vida nas ruas, morros e vielas da cidade, enquanto trabalhamos para merecer uma vida incerta de liberdade, e a produzir
a riqueza de seus controladores virtuais e midiáticos que prometem um paraíso
futuro em troca de um sofrimento presente.
As ruas, becos e vielas por onde
passaram nossos ancestrais, contam as histórias silenciadas pelos livros
didáticos e invisibilizados pelos meios de comunicação, enquanto suas fachadas
manipuladas por neon e outdoor escondem o sangue e o suor do povo que
construiu, civilizou e humanizou seus próprios algozes, que ainda não chegaram
a estagiar para aplicar a lição de humanização aprendida com os mestres da vida
coletiva e familiar.
Os currículos que formatam os discentes,
moldando-os conforme orientações do mercado e seus especuladores, são as armas mais
eficientes usadas nessa perversa guerra colonial contemporânea travada contra
os construtores da nação e seus descendentes, pois esta arma anestesia a alma e
controla o coração da vítima que é educada academicamente a reproduzir as
armadilhas coloniais que irão perpetuar o controle desse pequeno grupo que
gerencia os destinos do mundo.
Enquanto não voltarmos nosso olhar e
nossa cognição para pensar as ruas e seus currículos como trilha de libertação,
ficaremos confinados as prisões construídas pelo saber universal monorracial
escravizador de um povo que civilizou seus próprios carcereiros.

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