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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Os currículos na Pedagogia das Ruas

Semáforos, veículos, comércios, nomes de ruas, museus, placas e propagandas, são Valores que simbolizam um currículo de inclusão e exclusões enquanto o currículo monorracial e monocultural imposto pela violência colonial tem se mostrado como parte fundamental dessa modernidade. Modernidade essa que mantém a hierarquia que confere privilégios a uma pequena minoria, e leoninos deveres a grande massa negra, reproduzindo docentes-papagaios e militantes biônicos que cultivam os preconceitos que estigmatizam essa própria população e seus segmentos, instituindo contradições que confundem liberdade com escravidão, transformando seus significados em sinônimos e aliados.

Esse currículo, que impede o pensamento crítico e a ação coletiva efetiva, é a menina dos olhos do processo da colonização mental e da escravidão contemporânea, mantido pelo egocêntrico sistema perpétuo da educação vigente.

As ruas, com suas leis, regras, negócios e tratados próprios, contrastam violentamente com o mercado financista dos especuladores que nomeiam essas mesmas ruas com os nomes de torturadores, assassinos, escravocratas e algozes de toda sorte, que impuseram e impõe seus caprichos como lei aos que nela transitam, numa infame tentativa de invisibilizar o crime da história ocorrido nos porões dos navios negreiros. São esses os mesmos torturadores e assassinos que figuram nas efemérides como heróis nacionais representados em filmes, novelas e seriados televisivos.

Desse modo, conhecemos princesas como Isabel e rainhas como Vitória sem saber quem foi Dandara ou Ginga, além de adoramos um Deus inventado pelo comando eurocentrado, enquanto somos pelos seus representantes controlados. Dessa forma, fomos então convencidos a ser passivos e acreditar no medo como combustível da vida nas ruas, morros e vielas da cidade, enquanto trabalhamos para merecer uma vida incerta de liberdade, e a produzir a riqueza de seus controladores virtuais e midiáticos que prometem um paraíso futuro em troca de um sofrimento presente.

As ruas, becos e vielas por onde passaram nossos ancestrais, contam as histórias silenciadas pelos livros didáticos e invisibilizados pelos meios de comunicação, enquanto suas fachadas manipuladas por neon e outdoor escondem o sangue e o suor do povo que construiu, civilizou e humanizou seus próprios algozes, que ainda não chegaram a estagiar para aplicar a lição de humanização aprendida com os mestres da vida coletiva e familiar.

Os currículos que formatam os discentes, moldando-os conforme orientações do mercado e seus especuladores, são as armas mais eficientes usadas nessa perversa guerra colonial contemporânea travada contra os construtores da nação e seus descendentes, pois esta arma anestesia a alma e controla o coração da vítima que é educada academicamente a reproduzir as armadilhas coloniais que irão perpetuar o controle desse pequeno grupo que gerencia os destinos do mundo.


Enquanto não voltarmos nosso olhar e nossa cognição para pensar as ruas e seus currículos como trilha de libertação, ficaremos confinados as prisões construídas pelo saber universal monorracial escravizador de um povo que civilizou seus próprios carcereiros. 

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