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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

O Filme Pantera Negra e o Relógio Colonial europeu

Depois que Alexandre franqueou a biblioteca egípcia para Aristóteles e seus asseclas que sequestraram e recodificaram o conhecimento africano segundo as conveniências egocêntricas, Constantino deu o golpe final fazendo o mesmo com o cristianismo propagado pelos etíopes a partir da história egípcia de Hórus, essa prática epistemicida somada a política da eugenia proposta por Galton, sendo disseminada como vírus através da política da Assimilação importada da França, fez com que hoje se tenha a figura do babalorixá inserida nas religiões de matriz afro, de forma patriarcal, pelos 60% dos praticantes brancos que somam no Candomblé, segundo as estatísticas do IBGE, na região sudeste desse brazill brazilleiro. Da mesma forma, é notório perceber que a branquitude se apossou da cultura negra em todos os níveis e espaços vistos.

A capoeira se profissionalizou e hoje, em vez de mestres de capoeira, temos profissionais da capoeira; da mesma forma que o samba embranqueceu e se tornou um produto da máfia brancopofágica, toda a cultura negra nos grandes centros, está carcomida, fragmentada e academicizada.

O filme Pantera Negra é um mau exemplo, no mal sentido mesmo, de como os brancos se apoderaram, na calada da noite, de uma cultura onde contraditoriamente eles odeiam com veemência os donos dessa mesma cultura; ao mesmo tempo em que a usa, de forma subliminar, para continuar dominando o subjetivo do único sujeito que construiu a sociedade, a política, a civilização conhecida e que move o mundo, dominando sua cultura e sua história. O negro sempre foi esse sujeito, o Branko tem ciência disso. Portanto, dominar o subjetivo desse sujeito é a única coisa que lhe resta fazer para ludibriar e manipular esse sujeito.

Para isso, a brancopofagia faz uso dos próprios mitos afros, imiscuídos com seus símbolos subliminares para dominar esse subjetivo, dominando assim, a consciência negra, uma vez que lhes retiram sua autoconsciência.

Esse golpe de mestre eurocêntrico se consolidou quando Big Ben, um negro da Virgínia que inventou o relógio a fim de socializar o saber de seus ancestrais para toda a humanidade sobre os movimentos dos astros que determinavam os solstícios de verão e inverno, e seus equinócios, transformando esse intrincado de ciclos em números que podiam ser consultados sem muitas dificuldades. Foi a partir dai que a oligarquia europeia, fazendo uso da própria religião africana sequestrada, manipulou esse processo de tempo e espaço organizado pelo Grande Bem, e europeizou Hórus transformando-o no Jesus branco, assim como Hollywood fez com o grande boxeador Mohamed Ali que virou Rock, ou fez um dos combatentes de Ho Chi Minh que virou Rambo nas telas norte-americanas.

Desde que embranqueceram os anjos e deuses, criando os demônios que até então não existiam em nossa cultura, o povo negro franqueou o acesso da supremacia branca a suas mente e seus corações. O Filme Pantera Negra mostra bem isso, quando coloca o poderio da nação negra ao lado de um indivíduo que simboliza a CIA norte-americana, mostrando que eles é que decidem e aprovam ou não os acontecimentos no planeta terra. Esse simbolismo, uma vez assimilado, torna-se uma verdade incontestável e banalizada, como todos os filmes de super-heróis norte-americanos vem fazendo insistentemente desde que se tornou uma indústria que dedica seu tempo integralmente a dominar corações e mentes.

A própria criação da figura do herói é uma técnica secular brancopofágica de desestabilizar a força coletiva, pois colocando esses personagens como salvadores do mundo, eles retiram o protagonismo do coletivo, uma vez que o processo de individualismo vai sendo assimilado, ninguém mais olha pelos seus ou para os seus; dessa forma, o dividir para governar tem sua eficácia mais que comprovada, fazendo com que os próprios subalternizados a defenda.

Portanto esse pseudo protagonismo negro que esse filme tenta enganosamente passar, é mais uma etapa do processo de adestramento do povo negro através do controle total de sua subjetividade.

O olhar crítico escapa pelos dedos, quando deixamos de ser seres pensantes, a fim de decodificar as armadilhas preparadas diuturnamente pela supremacia branca, que faz uso de nossa própria força contra nós mesmo. Decididamente, penso que esse filme, Pantera Negra, foi feito para os brankos e não para os Negros, devido a sua sutileza de manipulação que coloca o branko, que nunca teve história nem civilização, como aquele que autoriza o protagonismo negro, da forma como se deu nesse filme, através do simbolismo da CIA autorizando a ação do Rei T’Chala.

Sendo assim, o Negro, como de hábito, continua a ser o segundo, como sempre foi, nos filme de brankos, feitos para brankos sobre nossa própria cultura, onde a ação do negro necessita da autorização da supremacia branka através de suas infames instituições corrompidas, enquanto colocam palavras de ordem do tipo sororidade para as neguinhas e neguinhos passarem o tempo, fazendo algo do tipo caça-palavras para esquecerem de que a força está na coletividade. Ou seja, o cinema, assim como os meios de comunicação, é a continuação da academia, que narra a história do Povo Negro a partir do olhar branko.


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