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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Contextos e contextualizações Da Saga Brancopofágica na América Portuguesa


 

Quando o Visconde de porto seguro[1], um filho de alemão com uma portuguesa, produziu a primeira narrativa que viria a formatar o passado, o presente e o futuro dessa parte do Novo Mundo hoje conhecido Brasil; foi determinado, sobre o infame olhar predador do epistemicida europeu; o roteiro do Espetáculo das Raças sobre o tabuleiro de xadrez desse jogo de cartas marcadas de dominação e escravização mais útil, que viria a beneficiar o segmento de uma única população; foi esse jogo que inaugurou essa bélica disciplina chamada HISTÓRIA.
Desde que a violência colonial inaugurou e padronizou essa disciplina, os historiadores formados pela academia; assim como todos os intelectuais que nela até hoje tem sido formatados; todos têm realizado com êxito o ritual de iniciação ao genocídio e inquisição exigidos como condição à sua formação e legitimação como tal. É notório e pungente, o português instrumental usado como linguagem específica dos profissionais formados pelo capital em todas as partes do mundo; e os historiadores não fogem a regra: todos, com honrosas exceções, fazem uso da linguagem determinada pelo dominador/opressor, quando se refere ao dominado/oprimido. Dessa maneira, o escravizado é transformado em escravo, o indígena em índio e suas comunidades e aldeias respectivamente viraram Tribos; e assim, retoricamente as maiorias vão se transformando e se banalizando como minorias. Desse modo, os paradigmas das verdades brancas,  vêm se transformando em sacralizados dogmas.
É notória essa percepção quando pausamos por um momento essa avalanche de verdades modernas personalizadas pela violência da colonização, e fazemos uso de nossa capacidade de pensar, saindo das páginas que escondem rios de sangue e suplícios, para observarmos por um momento para decodificar a história viva, exposta diuturnamente nos currículos das esquinas da vida escritos pela Pedagogia das Ruas.
Arte da manipulação começa pelos nomes dessas próprias ruas, que outrora, foram rios de sangue. Os nomes das mesmas oficializam e legitimam os algozes e carrascos dos povos Negros e Povos indígenas das Américas como heróis nacionais, uma vez que os transformaram em conquistadores audazes, religiosamente dignos de toda honra e toda glória.
A bizarra eficácia da prova do extremo poder dessa manipulação é o fato desses infames oligárquicos terem aplicado esse princípio usando os símbolos do próprio povo dominado, manipulando assim seu destino em benefício próprio, como foi o caso do mito de Zumbi de Palmares; um líder negro que foi usado para destruir os próprios negros, manipulado como instrumento político; mesmo processo usado mais tarde no caso Joaquim Silvério e que seus congêneres, e eficazmente usados até os dias de hoje.
Se analisarmos o contexto desse episódio de Palmares e contextualizarmos a ação covarde da política suprematista brancopofágica, inevitavelmente vamos perceber que esse herói nasce num momento em que essa supremacia necessitava urgentemente de legitimação, pois caso contrário, se perderia, e no Brasil reinaria a única democracia existente conhecida, que foi a democracia que reinou no Quilombo de Palmares.
Quando Ganga-Zumba dialogou com o governador de recife e acordou que os nascidos em Palmares continuariam livres caso eles deixassem de lhes fazer oposição, obviamente ele sairia vitorioso, visto que o quilombo já existia há quase 100 anos e a maioria dos quilombolas naquele momento, haviam nascidos ali. Sendo assim, somente os mais velhos voltariam ao antigo regime escravocrata certamente, na dialogia dos acontecimentos, nada seria como antes para esses mais velhos, onde o próprio Ganga-zumba se incluía. Além de, esse acordo preservar boa parte de Palmares como uma república democrática em solo da América portuguesa. Sendo assim, não era um acordo que se encerrava em si, mas sim, era uma estratégia muito bem articulada pelo Rei Zumba.
Mas a astúcia maquiavélica brancopofágica percebeu a fragorosa derrota desse acordo, e viu que jamais conseguiria derrotar o poder e o controle do Povo Negro na realização de seu destino; dai veio o golpe de mestre cujo princípio é usado até os dias de hoje para manter e poder sobre nosso Povo. Ou seja, eles tinham a consciência que, o único que poderia derrotar o Povo Negro, seria o próprio povo negro; desse modo, do nada surge Zumbi; um líder negro nato, educado e adestrado por um padre desde criança, para aparecer em Palmares, como um pastor aparece entre ovelhas, ou uma raposa que passa a comandar um galinheiro.
Esse princípio estratégico não era algo novo; ele foi criado pelo Povo Kisêdje[2], cujos costumes inspiraram a indústria cinematográfica a criar o personagem espião do filme 007. Os brancopofágico assimilaram esse princípio e vem aplicando como uma eficaz arma exterminadora de possíveis competidores e afins.
Sem necessitar do diploma de Sherlock generosamente concedido pela academia cinematográfica brancopofágica, o perscrutar dos fatos, somado aos indícios e suas consequências que apontam o caminho da estratégia usada nesse capcioso e fúnebre processo, pode-se perceber claramente onde nasceu à desobediência e o desrespeito de Zumbi a um mais velho, que resultou na morte de 20 milhões de Palmarinos. Somando ao fato de que a morte de zumbi, assim como o suicídio do líder da Alemanha nazista[3], nunca foi peremptoriamente comprovada.
Podemos, dessa forma, compreender, porque a cultura negra; como o carnaval, a capoeira, o candomblé; assim como o samba e o futebol; têm sido usados como instrumentos eficazes e estratégicos nessa batalha, para impedir quaisquer avanços ou reação por parte do povo negro, em direção a um possível resgate ou protagonismo de sua própria história. Ou seja, a própria cultura negra sendo usada pelos brankos para acorrentar e imobilizar essa imensa massa preta tupiniquim, que serve de referência para os negros de mundo inteiro. O lema de dividir para governar, imposto por esse processo educativo do pensar e existir dentro da razão e dos princípios brancopofágicos, subliminarmente formatam, de forma eficaz, o subjetivo da pessoa negra, tem garantido o reino do medo como modus vivendi dessa massa negra, que se transformou numa manada dócil e defensora de seus sacralizados mestres, senhores de sua razão e destino, contextualizadores de seu sentir e pensar o mundo azul; pintado de cor-de-rosa as sombras das paredes da caverna desse  inferno preto, num tecnológico e intermitente átimo, que faz com que seus ocupantes se recusem peremptoriamente a encarar a luz da verdade que os libertará.
  



[1] Francisco Adolfo de Varnhagen, considerado um dos fundadores da historiografia brasileira, recebendo até mesmo a alcunha de “Heródoto brasileiro”, nascido em são Paulo em 1816, mudou-se para Portugal com 6 anos de idade, e foi de lá que ele elaborou um dos mais completos elogios da história brasileira a colonização portuguesa. Por volta de 1850 publica sua História Geral do Brasil.

[2] Povo Suyá, do alto Xingu. Era costume entre os povos indígenas que aquele que saísse da aldeia para a cidade, não fosse mais considerado como sendo parte de seu povo; foram os suyás que instituíram a estratégia de escalar um de seus membros para viver entre diferentes povos e aprender para trazer conhecimentos para a aldeia.
[3] Todos os cientistas, sem exceção, que trabalharam para o nazismo, foram empregados pelos EUA como novos colaboradores continuando seus trabalhos normalmente, mudando somente de patrão e regime empregatício. Os rumores mostrados pelos indícios é o de que Hitler viveu seus últimos dias na Argentina, como qualquer turista europeu que adota um país latino como seu lar.

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