Desde que a violência colonial inaugurou e
padronizou essa disciplina, os historiadores formados pela academia; assim como
todos os intelectuais que nela até hoje tem sido formatados; todos têm
realizado com êxito o ritual de iniciação ao genocídio e inquisição exigidos
como condição à sua formação e legitimação como tal. É notório e pungente, o
português instrumental usado como linguagem específica dos profissionais
formados pelo capital em todas as partes do mundo; e os historiadores não fogem
a regra: todos, com honrosas exceções, fazem uso da linguagem determinada pelo
dominador/opressor, quando se refere ao dominado/oprimido. Dessa maneira, o
escravizado é transformado em escravo, o indígena em índio e suas comunidades e
aldeias respectivamente viraram Tribos; e assim, retoricamente as maiorias vão
se transformando e se banalizando como minorias. Desse modo, os paradigmas
das verdades brancas, vêm se transformando em sacralizados dogmas.
É notória essa percepção quando pausamos por um
momento essa avalanche de verdades modernas personalizadas pela violência da
colonização, e fazemos uso de nossa capacidade de pensar, saindo das páginas
que escondem rios de sangue e suplícios, para observarmos por um momento para
decodificar a história viva, exposta diuturnamente nos currículos das esquinas
da vida escritos pela Pedagogia das Ruas.
A Arte da manipulação começa pelos
nomes dessas próprias ruas, que outrora, foram rios de sangue. Os nomes das
mesmas oficializam e legitimam os algozes e carrascos dos povos Negros e Povos
indígenas das Américas como heróis nacionais, uma vez que os transformaram em
conquistadores audazes, religiosamente dignos de toda honra e toda glória.
A bizarra eficácia da prova do extremo poder dessa
manipulação é o fato desses infames oligárquicos terem aplicado esse princípio
usando os símbolos do próprio povo dominado, manipulando assim seu destino em
benefício próprio, como foi o caso do mito de Zumbi de Palmares; um líder negro
que foi usado para destruir os próprios negros, manipulado como instrumento
político; mesmo processo usado mais tarde no caso Joaquim Silvério e que seus
congêneres, e eficazmente usados até os dias de hoje.
Se analisarmos o contexto desse episódio de
Palmares e contextualizarmos a ação covarde da política suprematista
brancopofágica, inevitavelmente vamos perceber que esse herói nasce num momento
em que essa supremacia necessitava urgentemente de legitimação, pois caso
contrário, se perderia, e no Brasil reinaria a única democracia existente
conhecida, que foi a democracia que reinou no Quilombo de Palmares.
Quando Ganga-Zumba dialogou com o governador de
recife e acordou que os nascidos em Palmares continuariam livres caso eles
deixassem de lhes fazer oposição, obviamente ele sairia vitorioso, visto que o
quilombo já existia há quase 100 anos e a maioria dos quilombolas naquele
momento, haviam nascidos ali. Sendo assim, somente os mais velhos voltariam ao
antigo regime escravocrata certamente, na dialogia dos acontecimentos, nada
seria como antes para esses mais velhos, onde o próprio Ganga-zumba se incluía.
Além de, esse acordo preservar boa parte de Palmares como uma república
democrática em solo da América portuguesa. Sendo assim, não era um acordo que
se encerrava em si, mas sim, era uma estratégia muito bem articulada pelo Rei
Zumba.
Mas a astúcia maquiavélica brancopofágica percebeu
a fragorosa derrota desse acordo, e viu que jamais conseguiria derrotar o poder
e o controle do Povo Negro na realização de seu destino; dai veio o golpe de
mestre cujo princípio é usado até os dias de hoje para manter e poder sobre
nosso Povo. Ou seja, eles tinham a consciência que, o único que poderia
derrotar o Povo Negro, seria o próprio povo negro; desse modo, do nada surge
Zumbi; um líder negro nato, educado e adestrado por um padre desde criança,
para aparecer em Palmares, como um pastor aparece entre ovelhas, ou uma raposa
que passa a comandar um galinheiro.
Esse princípio estratégico não era algo novo; ele
foi criado pelo Povo Kisêdje[2],
cujos costumes inspiraram a indústria cinematográfica a criar o personagem
espião do filme 007. Os brancopofágico assimilaram esse princípio e vem
aplicando como uma eficaz arma exterminadora de possíveis competidores e afins.
Sem necessitar do diploma de Sherlock generosamente
concedido pela academia cinematográfica brancopofágica, o perscrutar dos fatos,
somado aos indícios e suas consequências que apontam o caminho da estratégia
usada nesse capcioso e fúnebre processo, pode-se perceber claramente onde
nasceu à desobediência e o desrespeito de
Zumbi a um mais velho, que resultou na morte de 20 milhões de Palmarinos.
Somando ao fato de que a morte de zumbi, assim como o suicídio do líder
da Alemanha nazista[3],
nunca foi peremptoriamente comprovada.
Podemos, dessa forma, compreender, porque a cultura
negra; como o carnaval, a capoeira, o candomblé; assim como o samba e o
futebol; têm sido usados como instrumentos eficazes e estratégicos nessa batalha,
para impedir quaisquer avanços ou reação por parte do povo negro, em direção a
um possível resgate ou protagonismo de sua própria história. Ou seja, a própria
cultura negra sendo usada pelos brankos para acorrentar e imobilizar essa
imensa massa preta tupiniquim, que serve de referência para os negros de mundo
inteiro. O lema de dividir para governar, imposto por esse processo educativo
do pensar e existir dentro da razão e dos princípios brancopofágicos, subliminarmente
formatam, de forma eficaz, o subjetivo da pessoa negra, tem garantido o reino
do medo como modus vivendi dessa massa negra, que se transformou numa manada
dócil e defensora de seus sacralizados mestres, senhores de sua razão e
destino, contextualizadores de seu sentir
e pensar o mundo azul; pintado de
cor-de-rosa as sombras das paredes da caverna desse inferno preto, num tecnológico
e intermitente átimo, que faz com que seus ocupantes se recusem
peremptoriamente a encarar a luz da verdade que os libertará.
[1] Francisco
Adolfo de Varnhagen, considerado um dos fundadores da historiografia
brasileira, recebendo até mesmo a alcunha de “Heródoto brasileiro”, nascido em
são Paulo em 1816, mudou-se para Portugal com 6 anos de idade, e foi de lá que
ele elaborou um dos mais completos elogios da história brasileira a colonização
portuguesa. Por volta de 1850 publica sua História Geral do Brasil.
[2] Povo
Suyá, do alto Xingu. Era costume entre os povos indígenas que aquele que saísse
da aldeia para a cidade, não fosse mais considerado como sendo parte de seu
povo; foram os suyás que instituíram a estratégia de escalar um de seus membros
para viver entre diferentes povos e aprender para trazer conhecimentos para a
aldeia.
[3] Todos
os cientistas, sem exceção, que trabalharam para o nazismo, foram empregados
pelos EUA como novos colaboradores continuando seus trabalhos normalmente,
mudando somente de patrão e regime empregatício. Os rumores mostrados pelos
indícios é o de que Hitler viveu seus últimos dias na Argentina, como qualquer
turista europeu que adota um país latino como seu lar.

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