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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Afrofuturismo

Toda a verdade tem dois lados, mas ela, a verdade, só se encontra consigo mesmo justamente no espaço equidistante existente entre ambos, assim nos fala o olho que tudo vê; o olho de Hórus. Atualmente o homem tenta recriar a natureza fazendo uso de parafernálias confeccionadas e legitimadas pela sua pseudo linguagem científica; linguajar esse que tem a função primaz de manipular e dominar o subjetivo do ser humano; e é através desta pseudociência que se estabeleceu as hierarquias de conhecimentos que formataram definitivamente o atual sistema do capitalismo cognitivo; tais hierarquias tiveram a função de conceder poderes exclusivos a uma elite mundial; elite esta que se outorgou a prerrogativa de definir os destinos de toda a humanidade, além do próprio critério do que seja humano em benefício próprio. Desta maneira, a metafísica de outrora se reduziu a física atual, que neste momento tenta refazer seu caminho de volta, saindo da idade das trevas contemporânea, através da física quântica.

Nossos ancestrais, a fim de amenizar a aridez desses ensinamentos complexos, transmitiam o conhecimento através de contos; histórias que traziam os mitos como forma de ilustrar as verdades desse saber ancestral. Desse jeito funcionavam os símbolos e suas simbologias, tal como o mito dos gêmeos Osíris e Isis, além de Seth, representando a luz e a escuridão respectivamente, cujas representações foram personificadas e racializadas pelos leucodérmicos, com abomináveis fins da dominação e poder sobre toda a humanidade.

O europoide, endeusando-se, após separar-se da natureza; e dessa forma, se sentindo, sentou-se no trono de dominador da natureza; agindo na prática como predador da mesma; com a pretensão de ser Senhor do próprio tempo.
Notoriamente este homem viu, através do saber antigo, que o tempo existe em função do espaço; e o que ele conseguiu com essa percepção, foi recriar em paralelo, uma ciência em prol de um sistema capital, acelerando dessa forma, o tempo, fazendo com que o engodo de sua pretensão pudesse sustentar essa falsa ideia de controle, que inevitavelmente veio, de forma entrópica, a se transformar em total descontrole.

Sendo a matéria energia condensada, o homem tentou refazer o caminho da criação, transformando a matéria em energia, a partir das parafernálias criadas da matéria retirada da natureza que tudo dá, construindo geringonças que ele patenteou como invenção, insistindo, dessa maneira, em ter o controle e poder sobre o desenvolvimento humano, que ele contraditoriamente classificara como evolução humana.

Esse processo de retorno ao bom senso, que faz o ser humano se reaproximar da natureza, reconciliando a razão e emoção, faz com que o conhecimento fragmentado pelas disciplinas pseudocientíficas, volte a ser um só, unindo o que estava amputado, decapitado e esquartejado, fazendo com que esse conhecimento novamente volte a ser um corpo sadio e completo.

Essa reconstrução do homem como parte da natureza é que podemos conceituar como Afrofuturismo, que tem seu alicerce fundamentado no processo de cura da doença da mente colonizada, que uma vez transmutada para uma mente saudável, se vê finalmente livre dos conceitos paralisantes, criados a partir da recodificação dos símbolos e seus simbolismos que dominava corações e mentes, impostos pela população leucodérmica. Ou seja, Afrofuturismo é à volta ao passado, não na condição contraditória da face nacionalista de Janus, mas uma volta à dobra de um tempo atemporal, no ponto onde o passado, o presente e o futuro se harmonizam em si.


Afrofuturismo é o nosso antigo futuro agora presente, após uma brutal interrupção na linha do
tempo, provocada por uma pseudo-história inoculada pela população leucodérmica no cerne do Povo melanodérmico, de modo tão virulento, que provocou um coma profundo em nosso self. O Afrofuturismo é a reunião do ser humano com a natureza; como um produto único e uno de uma soma em si, consigo mesmo, numa linguagem que comunica novamente a ação humana nesse círculo eterno dos ciclos da vida.


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Contextos e contextualizações Da Saga Brancopofágica na América Portuguesa


 

Quando o Visconde de porto seguro[1], um filho de alemão com uma portuguesa, produziu a primeira narrativa que viria a formatar o passado, o presente e o futuro dessa parte do Novo Mundo hoje conhecido Brasil; foi determinado, sobre o infame olhar predador do epistemicida europeu; o roteiro do Espetáculo das Raças sobre o tabuleiro de xadrez desse jogo de cartas marcadas de dominação e escravização mais útil, que viria a beneficiar o segmento de uma única população; foi esse jogo que inaugurou essa bélica disciplina chamada HISTÓRIA.
Desde que a violência colonial inaugurou e padronizou essa disciplina, os historiadores formados pela academia; assim como todos os intelectuais que nela até hoje tem sido formatados; todos têm realizado com êxito o ritual de iniciação ao genocídio e inquisição exigidos como condição à sua formação e legitimação como tal. É notório e pungente, o português instrumental usado como linguagem específica dos profissionais formados pelo capital em todas as partes do mundo; e os historiadores não fogem a regra: todos, com honrosas exceções, fazem uso da linguagem determinada pelo dominador/opressor, quando se refere ao dominado/oprimido. Dessa maneira, o escravizado é transformado em escravo, o indígena em índio e suas comunidades e aldeias respectivamente viraram Tribos; e assim, retoricamente as maiorias vão se transformando e se banalizando como minorias. Desse modo, os paradigmas das verdades brancas,  vêm se transformando em sacralizados dogmas.
É notória essa percepção quando pausamos por um momento essa avalanche de verdades modernas personalizadas pela violência da colonização, e fazemos uso de nossa capacidade de pensar, saindo das páginas que escondem rios de sangue e suplícios, para observarmos por um momento para decodificar a história viva, exposta diuturnamente nos currículos das esquinas da vida escritos pela Pedagogia das Ruas.
Arte da manipulação começa pelos nomes dessas próprias ruas, que outrora, foram rios de sangue. Os nomes das mesmas oficializam e legitimam os algozes e carrascos dos povos Negros e Povos indígenas das Américas como heróis nacionais, uma vez que os transformaram em conquistadores audazes, religiosamente dignos de toda honra e toda glória.
A bizarra eficácia da prova do extremo poder dessa manipulação é o fato desses infames oligárquicos terem aplicado esse princípio usando os símbolos do próprio povo dominado, manipulando assim seu destino em benefício próprio, como foi o caso do mito de Zumbi de Palmares; um líder negro que foi usado para destruir os próprios negros, manipulado como instrumento político; mesmo processo usado mais tarde no caso Joaquim Silvério e que seus congêneres, e eficazmente usados até os dias de hoje.
Se analisarmos o contexto desse episódio de Palmares e contextualizarmos a ação covarde da política suprematista brancopofágica, inevitavelmente vamos perceber que esse herói nasce num momento em que essa supremacia necessitava urgentemente de legitimação, pois caso contrário, se perderia, e no Brasil reinaria a única democracia existente conhecida, que foi a democracia que reinou no Quilombo de Palmares.
Quando Ganga-Zumba dialogou com o governador de recife e acordou que os nascidos em Palmares continuariam livres caso eles deixassem de lhes fazer oposição, obviamente ele sairia vitorioso, visto que o quilombo já existia há quase 100 anos e a maioria dos quilombolas naquele momento, haviam nascidos ali. Sendo assim, somente os mais velhos voltariam ao antigo regime escravocrata certamente, na dialogia dos acontecimentos, nada seria como antes para esses mais velhos, onde o próprio Ganga-zumba se incluía. Além de, esse acordo preservar boa parte de Palmares como uma república democrática em solo da América portuguesa. Sendo assim, não era um acordo que se encerrava em si, mas sim, era uma estratégia muito bem articulada pelo Rei Zumba.
Mas a astúcia maquiavélica brancopofágica percebeu a fragorosa derrota desse acordo, e viu que jamais conseguiria derrotar o poder e o controle do Povo Negro na realização de seu destino; dai veio o golpe de mestre cujo princípio é usado até os dias de hoje para manter e poder sobre nosso Povo. Ou seja, eles tinham a consciência que, o único que poderia derrotar o Povo Negro, seria o próprio povo negro; desse modo, do nada surge Zumbi; um líder negro nato, educado e adestrado por um padre desde criança, para aparecer em Palmares, como um pastor aparece entre ovelhas, ou uma raposa que passa a comandar um galinheiro.
Esse princípio estratégico não era algo novo; ele foi criado pelo Povo Kisêdje[2], cujos costumes inspiraram a indústria cinematográfica a criar o personagem espião do filme 007. Os brancopofágico assimilaram esse princípio e vem aplicando como uma eficaz arma exterminadora de possíveis competidores e afins.
Sem necessitar do diploma de Sherlock generosamente concedido pela academia cinematográfica brancopofágica, o perscrutar dos fatos, somado aos indícios e suas consequências que apontam o caminho da estratégia usada nesse capcioso e fúnebre processo, pode-se perceber claramente onde nasceu à desobediência e o desrespeito de Zumbi a um mais velho, que resultou na morte de 20 milhões de Palmarinos. Somando ao fato de que a morte de zumbi, assim como o suicídio do líder da Alemanha nazista[3], nunca foi peremptoriamente comprovada.
Podemos, dessa forma, compreender, porque a cultura negra; como o carnaval, a capoeira, o candomblé; assim como o samba e o futebol; têm sido usados como instrumentos eficazes e estratégicos nessa batalha, para impedir quaisquer avanços ou reação por parte do povo negro, em direção a um possível resgate ou protagonismo de sua própria história. Ou seja, a própria cultura negra sendo usada pelos brankos para acorrentar e imobilizar essa imensa massa preta tupiniquim, que serve de referência para os negros de mundo inteiro. O lema de dividir para governar, imposto por esse processo educativo do pensar e existir dentro da razão e dos princípios brancopofágicos, subliminarmente formatam, de forma eficaz, o subjetivo da pessoa negra, tem garantido o reino do medo como modus vivendi dessa massa negra, que se transformou numa manada dócil e defensora de seus sacralizados mestres, senhores de sua razão e destino, contextualizadores de seu sentir e pensar o mundo azul; pintado de cor-de-rosa as sombras das paredes da caverna desse  inferno preto, num tecnológico e intermitente átimo, que faz com que seus ocupantes se recusem peremptoriamente a encarar a luz da verdade que os libertará.
  



[1] Francisco Adolfo de Varnhagen, considerado um dos fundadores da historiografia brasileira, recebendo até mesmo a alcunha de “Heródoto brasileiro”, nascido em são Paulo em 1816, mudou-se para Portugal com 6 anos de idade, e foi de lá que ele elaborou um dos mais completos elogios da história brasileira a colonização portuguesa. Por volta de 1850 publica sua História Geral do Brasil.

[2] Povo Suyá, do alto Xingu. Era costume entre os povos indígenas que aquele que saísse da aldeia para a cidade, não fosse mais considerado como sendo parte de seu povo; foram os suyás que instituíram a estratégia de escalar um de seus membros para viver entre diferentes povos e aprender para trazer conhecimentos para a aldeia.
[3] Todos os cientistas, sem exceção, que trabalharam para o nazismo, foram empregados pelos EUA como novos colaboradores continuando seus trabalhos normalmente, mudando somente de patrão e regime empregatício. Os rumores mostrados pelos indícios é o de que Hitler viveu seus últimos dias na Argentina, como qualquer turista europeu que adota um país latino como seu lar.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

O Filme Pantera Negra e o Relógio Colonial europeu

Depois que Alexandre franqueou a biblioteca egípcia para Aristóteles e seus asseclas que sequestraram e recodificaram o conhecimento africano segundo as conveniências egocêntricas, Constantino deu o golpe final fazendo o mesmo com o cristianismo propagado pelos etíopes a partir da história egípcia de Hórus, essa prática epistemicida somada a política da eugenia proposta por Galton, sendo disseminada como vírus através da política da Assimilação importada da França, fez com que hoje se tenha a figura do babalorixá inserida nas religiões de matriz afro, de forma patriarcal, pelos 60% dos praticantes brancos que somam no Candomblé, segundo as estatísticas do IBGE, na região sudeste desse brazill brazilleiro. Da mesma forma, é notório perceber que a branquitude se apossou da cultura negra em todos os níveis e espaços vistos.

A capoeira se profissionalizou e hoje, em vez de mestres de capoeira, temos profissionais da capoeira; da mesma forma que o samba embranqueceu e se tornou um produto da máfia brancopofágica, toda a cultura negra nos grandes centros, está carcomida, fragmentada e academicizada.

O filme Pantera Negra é um mau exemplo, no mal sentido mesmo, de como os brancos se apoderaram, na calada da noite, de uma cultura onde contraditoriamente eles odeiam com veemência os donos dessa mesma cultura; ao mesmo tempo em que a usa, de forma subliminar, para continuar dominando o subjetivo do único sujeito que construiu a sociedade, a política, a civilização conhecida e que move o mundo, dominando sua cultura e sua história. O negro sempre foi esse sujeito, o Branko tem ciência disso. Portanto, dominar o subjetivo desse sujeito é a única coisa que lhe resta fazer para ludibriar e manipular esse sujeito.

Para isso, a brancopofagia faz uso dos próprios mitos afros, imiscuídos com seus símbolos subliminares para dominar esse subjetivo, dominando assim, a consciência negra, uma vez que lhes retiram sua autoconsciência.

Esse golpe de mestre eurocêntrico se consolidou quando Big Ben, um negro da Virgínia que inventou o relógio a fim de socializar o saber de seus ancestrais para toda a humanidade sobre os movimentos dos astros que determinavam os solstícios de verão e inverno, e seus equinócios, transformando esse intrincado de ciclos em números que podiam ser consultados sem muitas dificuldades. Foi a partir dai que a oligarquia europeia, fazendo uso da própria religião africana sequestrada, manipulou esse processo de tempo e espaço organizado pelo Grande Bem, e europeizou Hórus transformando-o no Jesus branco, assim como Hollywood fez com o grande boxeador Mohamed Ali que virou Rock, ou fez um dos combatentes de Ho Chi Minh que virou Rambo nas telas norte-americanas.

Desde que embranqueceram os anjos e deuses, criando os demônios que até então não existiam em nossa cultura, o povo negro franqueou o acesso da supremacia branca a suas mente e seus corações. O Filme Pantera Negra mostra bem isso, quando coloca o poderio da nação negra ao lado de um indivíduo que simboliza a CIA norte-americana, mostrando que eles é que decidem e aprovam ou não os acontecimentos no planeta terra. Esse simbolismo, uma vez assimilado, torna-se uma verdade incontestável e banalizada, como todos os filmes de super-heróis norte-americanos vem fazendo insistentemente desde que se tornou uma indústria que dedica seu tempo integralmente a dominar corações e mentes.

A própria criação da figura do herói é uma técnica secular brancopofágica de desestabilizar a força coletiva, pois colocando esses personagens como salvadores do mundo, eles retiram o protagonismo do coletivo, uma vez que o processo de individualismo vai sendo assimilado, ninguém mais olha pelos seus ou para os seus; dessa forma, o dividir para governar tem sua eficácia mais que comprovada, fazendo com que os próprios subalternizados a defenda.

Portanto esse pseudo protagonismo negro que esse filme tenta enganosamente passar, é mais uma etapa do processo de adestramento do povo negro através do controle total de sua subjetividade.

O olhar crítico escapa pelos dedos, quando deixamos de ser seres pensantes, a fim de decodificar as armadilhas preparadas diuturnamente pela supremacia branca, que faz uso de nossa própria força contra nós mesmo. Decididamente, penso que esse filme, Pantera Negra, foi feito para os brankos e não para os Negros, devido a sua sutileza de manipulação que coloca o branko, que nunca teve história nem civilização, como aquele que autoriza o protagonismo negro, da forma como se deu nesse filme, através do simbolismo da CIA autorizando a ação do Rei T’Chala.

Sendo assim, o Negro, como de hábito, continua a ser o segundo, como sempre foi, nos filme de brankos, feitos para brankos sobre nossa própria cultura, onde a ação do negro necessita da autorização da supremacia branka através de suas infames instituições corrompidas, enquanto colocam palavras de ordem do tipo sororidade para as neguinhas e neguinhos passarem o tempo, fazendo algo do tipo caça-palavras para esquecerem de que a força está na coletividade. Ou seja, o cinema, assim como os meios de comunicação, é a continuação da academia, que narra a história do Povo Negro a partir do olhar branko.


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Os currículos na Pedagogia das Ruas

Semáforos, veículos, comércios, nomes de ruas, museus, placas e propagandas, são Valores que simbolizam um currículo de inclusão e exclusões enquanto o currículo monorracial e monocultural imposto pela violência colonial tem se mostrado como parte fundamental dessa modernidade. Modernidade essa que mantém a hierarquia que confere privilégios a uma pequena minoria, e leoninos deveres a grande massa negra, reproduzindo docentes-papagaios e militantes biônicos que cultivam os preconceitos que estigmatizam essa própria população e seus segmentos, instituindo contradições que confundem liberdade com escravidão, transformando seus significados em sinônimos e aliados.

Esse currículo, que impede o pensamento crítico e a ação coletiva efetiva, é a menina dos olhos do processo da colonização mental e da escravidão contemporânea, mantido pelo egocêntrico sistema perpétuo da educação vigente.

As ruas, com suas leis, regras, negócios e tratados próprios, contrastam violentamente com o mercado financista dos especuladores que nomeiam essas mesmas ruas com os nomes de torturadores, assassinos, escravocratas e algozes de toda sorte, que impuseram e impõe seus caprichos como lei aos que nela transitam, numa infame tentativa de invisibilizar o crime da história ocorrido nos porões dos navios negreiros. São esses os mesmos torturadores e assassinos que figuram nas efemérides como heróis nacionais representados em filmes, novelas e seriados televisivos.

Desse modo, conhecemos princesas como Isabel e rainhas como Vitória sem saber quem foi Dandara ou Ginga, além de adoramos um Deus inventado pelo comando eurocentrado, enquanto somos pelos seus representantes controlados. Dessa forma, fomos então convencidos a ser passivos e acreditar no medo como combustível da vida nas ruas, morros e vielas da cidade, enquanto trabalhamos para merecer uma vida incerta de liberdade, e a produzir a riqueza de seus controladores virtuais e midiáticos que prometem um paraíso futuro em troca de um sofrimento presente.

As ruas, becos e vielas por onde passaram nossos ancestrais, contam as histórias silenciadas pelos livros didáticos e invisibilizados pelos meios de comunicação, enquanto suas fachadas manipuladas por neon e outdoor escondem o sangue e o suor do povo que construiu, civilizou e humanizou seus próprios algozes, que ainda não chegaram a estagiar para aplicar a lição de humanização aprendida com os mestres da vida coletiva e familiar.

Os currículos que formatam os discentes, moldando-os conforme orientações do mercado e seus especuladores, são as armas mais eficientes usadas nessa perversa guerra colonial contemporânea travada contra os construtores da nação e seus descendentes, pois esta arma anestesia a alma e controla o coração da vítima que é educada academicamente a reproduzir as armadilhas coloniais que irão perpetuar o controle desse pequeno grupo que gerencia os destinos do mundo.


Enquanto não voltarmos nosso olhar e nossa cognição para pensar as ruas e seus currículos como trilha de libertação, ficaremos confinados as prisões construídas pelo saber universal monorracial escravizador de um povo que civilizou seus próprios carcereiros. 

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Estado Violência


Todas as instituições no Brazil, após a II grande guerra, loteadas por especuladores financeiros dos Aliados[1], entraram num processo de empreendedorismo sem precedentes, que hoje mostra como resultado a transformação completa de suas instituições em tentáculos e garras das principais empresas multinacionais, num deliberado processo onde o próprio Estado se tornou uma filial dessa grande predadora.

Para citar a complexidade desse fato, observamos estupefatos, o mercado da educação, da religião e da segurança, que exemplificam bem a maneira como foi engendrada e legitimada o plano político de Colonização Profissional Internacional; desta vez, sem a necessidade dos três “M[2] que deram inicio ao mercado infame[3] transatlântico; mercado este que hoje já está mundialmente bem consolidado, e chamado de mercado livre.

Este processo se desenrolou de acordo com as partes do roteiro escrito por um diretor cinematográfico, contratado especialmente para criar e dirigir este filme hollywoodiano, que é simbolicamente rodado em solo cubano, em meio a um etéreo cenário das galáxias, onde aparece em estado de graça, uma atraente e exuberante prostituta brancalóide que atende pelo pomposo nome de Ditadura Democrática do Norte.

Foi dessa forma que a justiça se transformou num objeto de lei que é interpretada de acordo com os caprichos da nova direção sempre empossados pela DDN num sufrágio dito universal, tendo a função principal de atender aos pedidos do escritório central que gerencia essa mega produção multinacional. Tudo nesse cenário se apresenta de forma premeditada; do nutricídio ao feminicídio, até o cirúrgico genocídio prestado pelos poderes constituídos desta cinematográfica Nação Zumbi.

Portando, o religioso respeito a essas instituições, apresentam o nível de contaminação colonizante a que o indivíduo em questão foi exposto pelo escritório da Ação Midiática Mundial, que usa estes indivíduos contaminados como alimentos que as retroalimentam, fortalecendo os citados centros de extermínio oficial, que fazem parte da superestrutura governamental.

Em última instância, acreditar nessas instituições, significa acreditar no Medo incutido como forma de governo; medo este que ocupa todos os espaços úteis na vida desse escravizado, que foi rotulado e classificado como cidadão de bem, pelo escritório multinacional que comanda toda a ação desenrolada em nossa nação.

Acordos políticos de paz com a DDN se tornaram armadilhas fatais, nesse mercado infame produtor de mártires invisíveis, já que esse Estado-Mercado só respeita a força que lhe for igual ou superior, esses acordos se transformaram num dos passatempos preferidos nesse jogo de cartas marcadas gerenciado pelo escritório de Diplomacia Fascista Estatal.

O maravilho cenário holográfico de Tróia, que envolve com sonhos esse conto de fadas do Orco, faz com que o neófito olhe, sem ver nas entrelinhas desse acordo, o item onde ele assina a venda de sua alma e de sua força ativa consecutivamente ao escritório religioso e a multinacional da DDN.

Dessa forma, seguimos ignorando que, apesar da DDN ter o controle em suas mãos, nós, os indivíduos de cor, como sujeitos históricos e criadores dessa nação, temos as pilhas que fazem com que tudo se mova em qualquer situação. Essa consciência Negra, necessária à transformação, tem sido ferozmente combatida pelos meios de comunicação da DDN, que já iniciou há muito a Terceira Guerra Mundial, de forma extremamente perversa e suja, onde a verdade, como de hábito, sempre se tornou a vítima primeira na narrativa dominante desse roteiro inquisidor.

Mudar o Estado de ser é uma ação primaz necessária para a mudança dessa inconsciência colonizadora que dirige a vida do indivíduo, para que ele possa ser e agir finalmente como coletivo em suas ações desempenhadas como sujeito histórico. Essa á única maneira dele se descartar do kit Willian Lynch, doados pelos escritórios da DDN da mesma forma que doaram espelhos aos indígenas nas Américas brasileiras, e a mágica se fez com Narciso surgindo de uma lâmpada anunciado um direito a três pedidos, apartando definitivamente a justiça da lei e transformando o Brazil numa majestosa Matriz mundial da Black Friday. Todo esse contexto culminou na consolidação do Mercado infame e sua desmedida violência patrocinada pelo Estado-Violência da Ditadura Democrática do Norte vigente em nosso país.

Sendo assim, o contraponto dessa fúnebre canção, só poderá ser ouvida no contracanto da desobediência civil e epistemológica, que certamente servirá como fundo musical dessa nova narrativa de vida e de criatividade, que reeditará o milagroso milagre de Lázaro, erguendo nossa nação de seu túmulo ainda com vida.



[1] Países que lutaram do lado do bloco dos vencedores na segunda grande guerra.
[2] No processo de dominação do continente Africano, primeiros chegaram os Missionários, depois os Mercadores e logo após, os Mercenários para completar o domínio e a rapina das riquezas do continente formada por pessoas e minerais, num sequestro primeiro da intelectualidade e da Razão africana em paralelo com o roubo das riquezas minerais.
[3] Era a forma como se referiam ao tráfico negreiro.