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quinta-feira, 4 de maio de 2017

FAVELA...

Há muito tempo atrás, existiu uma cidadela lá no alto do morro, bem próximo à praia que se abria em forma de baía, como sinuoso seio farto, frente à vastidão do fértil oceano sem fim. O acesso a este morro se fazia através de um estreito caminho, que levava e trazia muitas histórias proseadas em cada lar que ali se encontrava.

Com o passar do tempo, e a veloz modernização; da modorrenta carroça ao lépido caminhão, o parco espaço existente entre o ir e o vir ficou menor pra tantas viaturas, transeuntes, ambulantes e infantis travessuras. Desse modo, todo veículo que ia, ao destino chegando, sem espaço para virar, de marcha-ré tinha que voltar. Esse ir direito e vir ao contrário passou de obrigatório à normalidade, se tornando assim, para um condutor de valor, habilidade comprobatória, para provar que não era mero impostor.

Passando esse tempo de idas e vindas, nas voltas que o mundo deu; nas voltas que o mundo dá; nunca existiu contramão naquela região, já que toda a estrada que ia, passou a ser também estrada de volta; assim como é na vida e nas histórias pela estrada levada e trazida.

Mas a modernidade trouxe a velocidade dos momentos, que agora passam velozes quando visto pelas lunetas da janela da viatura; o firmamento, num movimento, sem lente de aumento, é agigantado pelo entretenimento dos tempos modernos apresentado com tailleurs e ternos, confeccionados como garantia de confiança no oferecimento solucionáticos de quaisquer lamentos.

Hoje, mesmo andando na mão, a velocidade faz dela contramão, já que olhamos nos retrovisores, janelas e para-brisas, prosaicas telas narrativas de histórias requentadas, sem o acalanto da ciência dos lares familiares trazidas nas histórias que iam e viam de memória. 

Como links, assistimos de lance as cenas recontadas on-line; pós-legendadas; reproduzindo em HD os valores sem versos nem rimas narrados pelo poder, num jogo ao vivo e cem cores, mesmo em preto e branco.


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