Há muito
tempo atrás, existiu uma cidadela lá no alto do morro, bem próximo à praia que
se abria em forma de baía, como sinuoso seio farto, frente à vastidão do fértil
oceano sem fim. O acesso a este morro se fazia através de um estreito caminho,
que levava e trazia muitas histórias proseadas em cada lar que ali se
encontrava.
Com o
passar do tempo, e a veloz modernização; da modorrenta carroça ao lépido caminhão,
o parco espaço existente entre o ir e o vir ficou menor pra tantas viaturas, transeuntes,
ambulantes e infantis travessuras. Desse modo, todo veículo que ia, ao destino
chegando, sem espaço para virar, de marcha-ré tinha que voltar. Esse ir direito e vir
ao contrário passou de obrigatório à normalidade, se tornando assim, para um
condutor de valor, habilidade comprobatória, para provar que não era mero impostor.
Passando esse
tempo de idas e vindas, nas voltas que o mundo deu; nas voltas que o mundo dá; nunca
existiu contramão naquela região, já que toda a estrada que ia, passou a ser também
estrada de volta; assim como é na vida e nas histórias pela estrada levada e trazida.
Mas a
modernidade trouxe a velocidade dos momentos, que agora passam velozes quando
visto pelas lunetas da janela da viatura; o firmamento, num movimento, sem
lente de aumento, é agigantado pelo entretenimento dos tempos modernos apresentado
com tailleurs e ternos, confeccionados como garantia de confiança no oferecimento solucionáticos de quaisquer lamentos.
Hoje, mesmo
andando na mão, a velocidade faz dela contramão, já que olhamos nos retrovisores, janelas e para-brisas, prosaicas telas narrativas de histórias requentadas, sem o acalanto da ciência
dos lares familiares trazidas nas histórias que iam e viam de memória.
Como links, assistimos de lance as cenas
recontadas on-line; pós-legendadas; reproduzindo em HD os valores sem versos
nem rimas narrados pelo poder, num jogo ao vivo e cem cores, mesmo em preto e
branco.
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