Um dia, em nossa aurora paleolítica,
nossos ancestrais, os africanos, perceberam que as forças que movem o universo
não eram forças aleatórias ou casuísticas. Nesse dado momento desta maravilhosa descoberta, criou-se um nome
para o imaginário arquiteto regente dessa força maior, denominando-o de TEMPO. Assim nasceu sem ter nascido,
sem começo nem fim, o senhor de todas as coisas; o Deus dos deuses.
Mas devido à mente humana,
diferente da dos animais, funcionar de maneira positivamente ordenada,
tornou-se necessário nomear também todas as outras forças atuantes na natureza
de acordo com suas características, tornando-as mais próximas de si, fazendo-a desse
modo, sua imagem e semelhança contextualizadas de acordo com os
princípios do próprio Deus de todos os deuses (o TEMPO). Dessa maneira
originaram-se todos os outros deuses.
Além do Senhor de todas as coisas,
surgiram então os senhores das coisas: o Senhor do fogo, Senhor da terra, Senhor do
ar, da madeira, das Águas, etc. e cada comunidade primaz, adaptando-os a seus devidos
contextos, conceberam processos e rituais para poder se aproximar desses deuses
e, acreditando eles próprios como sendo parte dessas forças regentes da natureza, buscavam
se harmonizar com essa mesma (natureza), através dessas cerimônias.
As comunidades viviam na paz com
seus deuses e seus rituais, quando surgiu na história do mundo, a anomalia, o infame homem
branco, o cara-pálida que descobriu nesses ritos uma singular forma de domínio,
e a única com eficácia para ligar, desligar e religar seu painel de controle
particular; decidiu então, da forma mais sórdida, se apropriar da força desses deuses em benefício
próprio, etiquetando-os convenientemente e de acordo com as necessidades da
competição mercadológica caucasiana, construindo sua incrível máquina de religare[i]..
Dessa maneira, o Senhor TEMPO
passou a se chamar Cronos e dai por diante os Orixás (forças da natureza)
cederam seu lugar e seus poderes para Zeus, Jeová, Javé, Odim e afim, além de
toda sua corte apolíneamente branca, composta de anjinhos e querubins.
A despeito de perder seu prestígio
original, o Senhor TEMPO mantém sua arma apontada pra cabeça de cada ser,
vivente ou não, numa eterna e lúdica roleta russa que vai muito além do bem e do mal[ii], transformando
a natureza sem importar-se com os rótulos, buena
dichas, códigos de barras, livros sagrados, magias ou sortilégios de toda
ordem que lhes são atribuídos pela branquidade ensandecida.
A indolente e arrogante infâmia caucasiana tem no controle da religião o controle da
sociedade, estando ciente de que qualquer barbárie cometida em nome dessa
religião será aceita, validade e assimilada por seus seguidores como mais um
indiscutível dogma a ser seguido.
Imolar o outro pode; torturar o
outro pode; violentar o outro pode; maldizer o outro pode; estuprar o outro
pode. Tudo pode desde que seja o outro, e
desde que esse outro tenha a cor certa;
sendo o outro; poderá ser devidamente estigmatizado. O neófito praticante será
sempre divinamente encorajado e perdoado por qualquer bestialidade perpetrada
em nome de qualquer deus dogmaticamente branco.
Agora com os valores invertidos, o infame
plano caucasiano de disputa de poder, está garantido a eliminação da
concorrência da maneira mais mórbida e eficaz possível; através daquilo que o
homem irrevogavelmente mais preza, crê, respeita, sem ousa contestar: o próprio Deus. A
branquitude se apossou da voz de Deus para controlar a sociedade através da
essência divina do homem; desse modo ele controla sua humanidade ligando-a ou
desligando-a a seu bel prazer.
Enfim, o homem, paradoxalmente foi
transformado numa máquina. Uma máquina reprodutora dos desejos mais baixos de
um clero branco instituído pela monocultura caucasiana. Ecce homo[iii],
o eterno escravo no infame comércio [iv]do
anomalia branca instituiu, nesse moderno e mórbido tumbeiro urbano das Cidades Maravilhosas.
Amém...!!? amem...!!

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