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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

"They say what we know, is just what they teach us." (Eles dizem o que nos sabemos, é só o que eles nos ensinam)


A lua encheada, envolta pelo negrume da noite, destilava sua brancura sobre maracatu desfilante sob os Arcos da Lapa lotada de gente brincante; entre centenas podia-se vislumbrar meia dúzia de dois negros pulsando seus tambores, batendo nos corações da branquitude acadêmica, proprietária do cortejo do Rei negro; agora cortejo pesquisa; antropológico, antropofágico, canibalista, tribalista; dançando no ritmo do batuque virado.
Bloco afrobranco brazilleiro recortado na telinha da TV por candidatos a eleições quaternárias; nas propagandas dos heroicos feitos governamentais; nas super promoções dos generosos supermercados e nas novelas, onde se revela e se enuncia diante da renúncia Afro de si. White blocs sem máscaras, só hipocrisia; sem crise, só apostasia. Negro toca tambor num som transformado pela sua dor, enquanto branco brinca sem pudor, transformando em alegria o sofrimento de um povo, onde até hoje o eurodescendente passa e fica a dor.

É essa a empobrecida cultura imposta que cala fundo no fundo das panelas empretecidas pelo fogo a lenha dos que não tem com que se alimentar, mais que tem uma TV que pode ver sem ser visto, fugindo do público particular, para sua dor amenizar. Somente vendo sua cultura impura marcada pelo poder sem pudor, pode suavizar as agruras fazendo-o lembrar de que ainda é possível ser humano; visto que seu último zoológico oficial teve seu termo na Bélgica em 1958. Hoje, esse zoológico é uma prisão aberta, sem chances ou direitos a fugas; nosso pelourinho digital é eficiente, radical e sem moral, guardando como legado racista a vil característica da inocente mentira social, destroçando o povo negro sem qualquer indício fraternal; tão normal como em 1958.

Massacres, humilhações, torturas e prisões fazem parte do cotidiano negro sem quaisquer pesares ou estranhamentos; tudo é justificado no combate ao movimento; movimento negro; movimento contra ou contra narrativas corrosivas ao sistema capital que faz da exploração dos que nada tem seu mote matinal. Hoje os escravos de Jó já não jogam mais caxangá, pois estão muito ocupados, e só a TV passaram a enxergar. Portanto, mesmo sendo livre para ouvir, livres para ver, também somos livres para ler o livro que nos livraria da liberdade privatizada. Mais o perigo da leitura é afastado pelos donos da produção da verdade editada e veiculada diuturnamente pela TV que mente incutindo o desejo na mente vendida; mente adquirida no calor da emoção no toque do baque virado sobre o céu negro, iluminado pela lua branca, do calçadão de Copacabana aos Arcos da Lapa, só com gente bacana escravizando as mentes ao ar livre; livre de punição ao som do violão no lual da negra solidão de cada preto exilado do próprio irmão.
Enquanto apontamos para a beleza da lua a esse irmão, a TV dá um close no dedo editando outra direção ao neófito Tristão lado a lado com a negra Isolda. Desse modo, eles não enxergam a situação, sentindo só a alegria e a tristeza do que se é, e do que se poderia ser; conformando-se na sua morte em vida sobre as luzes artificiais da ribalta tupiniquim que sempre se mostra festiva em seu folhetim; no ritmo de sua cultura; sua história; de sua vida vendida no negreiro televisivo, normalizado, normatizado e aceito convenientemente e de bom grado pelos impenitentes e impertinentes inquisidores eurodescendentes; tudo como em 1958; oficial, extraoficial e normal; além de agradável, exótica e convenientemente imoral. Esse é o pérfido perfil da sociedade eurodescendente... Um perfil sanguinário, monstruoso e atrativamente fúnebre.

Basta somente um pedido de desculpas para para adentrar nesse zoológico chamado Brazill, e observar os macacos no shopping, nos estádios e nas novelas; e está garantida a boa diversão nas promoções de humilhações, atrocidades e massacres cotidianos a lá cart patrocinados e transmitidos ao vivo e em preto e vermelho pela TV que a tudo vê... Sejam bem vindos aos jogos eurovorazes, agradecemos a preferência...
E cometam ótimos e horrendos crimes...!! Com as bênçãos e agradecimentos da pérfida elite oligárquica, religiosa, escravocrata e autocrática brazilleira...

Você preta sabe, você preto sabe, eu sei; nós sabemos... Então por que ficar perdendo tempo em nos atacar uns aos outros  enquanto comercializam nossa história, nosso saber e nosso fazer, nos massacrando impiedosamente...!??


Somos produtos de consumo expostos nas vitrines do sanguinário açougue da mídia, até a dissecadora e sádica euro academia; da Zona Sul a Faixa de Gaza; servidos as mesas das famílias eurodescendentes aos restaurantes da classe média. Todos os dias somos devorados permanentemente, assim como Prometeu, pelos impecáveis e abomináveis abutres brancos, hipocritamente sérios, de batina, uniformizados, engomados e engravatados, enquanto ouvimos uma Ave Maria, qualquer outra oração ou canção divina, rogando o perdão pela escravidão nossa de cada dia que nos dói hoje desde John Newton a Bob Marley... Perdão que somente, de Noel Rosa a Cartola, as rosas falam...!!


Da cor vermelha das rosas recebidas pelas mães de Maio, jorram o sangue de seus filhos cadáveres, enquanto entregues nas cerimônias oficiais pelos capitães do mato, dito homens de fato: fato fúnebre, financiado pela falso Estado democrático, que custeia a guerra surda e suja contra um povo sem chances de defesa, promovendo massacres legitimados pela tolerância, pautada pela conveniência na política do não envolvimento. 


Portanto, massacres são naturealizados, normatizados e legitimados pelos que assitem sem nada dizer, nem ao menos perguntar o porquê... A vergonha é, desse modo, corroborada enquanto o silêncio da população, que assiste do lar durante seu fastigioso jantar, assinando sua cumplicidade e seu modo de pensar: ... Isso nada tem haver com meu suculento bife com fritas e meu frugal festejar... então não faz parte da minha lista de se preocupar...

Tantos Malcons, tantos Kings, tantos Bikos, tantas Cláudias, tantos Amarildos, Mateus, Felipes, Andreus...Tantos quantos são necessários a se somarem as montanhas de cadáveres espalhados pela nação, para que possamos aprender e ensinar essa mesma lição...!? Que venham os Sísifus, pois os Prometeus se encontram a postos... 

Dessa maneira, e só dessa maneira, um novo cortejo, de outro Maracatu, deve desfilar sobre os Arcos do Aqueduto feito por mãos escravizadas, mesmos Arcos do bonde da elite endinheirada; agora Arcos da lua cheia pelos sentimentos humanizados através da dor onde Sísifus e Prometeus, entre as reticências dos descompassos do ranger de dentes, se confraternizarão após séculos de prosaicos e trágicos desencontros...


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