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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

PRETA é a cor da sua SENTENÇA...!!


Desde que se passou a conceituar-se raça como entidades biológicas reais, contraditoriamente vistas partes por partes e não como um todo, estabelecendo-se marcadores raciais[i] e tudo mais, verificou-se também que 7% de indivíduos do mesmo grupo racial diferem mais um dos outros do que as raças diferem entre si.

Desse modo, Lineu[ii] é contradito por Livingstone em seu artigo intitulado “Da não existência das raças humanas”, que desconstrói todo o conceito de árvore genealógica estabelecido. Na conferência da UNESCO, especialistas declararam que a “raça é menos um fenômeno biológico do que um mito social”.

Na África, um japonês é considerado como um “branco honorário” enquanto um chinês seria considerado como um homem de cor. Como cada um de nós vê o sol do meio-dia da porta de sua própria casa, nunca renunciamos ao hábito de julgar segundo nossos próprios critérios pessoais. Para se descobrir um novo mundo, é necessário esquecer seu próprio mundo, do contrário, aquele que pesquisa estará simplesmente transportando seu mundo consigo ao invés de manter “a escuta”.

Dessa maneira, devemos, todos os dias, ouvir o que o ouvido ainda não escutou. Portanto, a fala, que dá forma ao passado, deverá faundamentar nossa linha de ação consolidando futuras condutas, evitando assim, a repetição de deslizes crassos e desnecessários na administração do próprio proceder.

Portanto a escuta é um item de extrema valia, que concretiza o bom senso como tal, e que invariavelmente deveria fazer parte do proceder de quaisquer profissionais competentes de quaisquer poderes constituídos; mais lamentavelmente, no Brazil é o primeiro qualificante a ser desconsiderado. É grosseira a incapacidade e a completa ignorância, muitas das vezes proposital, daqueles que se outorgaram como juízes, desembargadores e afins, no pífio desempenho de suas funções como funcionários públicos, a inobservância desse inciso.

Dessa maneira, os editores da verdade se travestem de locutores do jogo da vida, num jogo de cartas marcadas. Competição essa em que o time concorrente nem sabe que está jogando, e menos ainda tem consciência de que esteja no campo oposto dessa cabo-de-guerra. Por desconhecer o jogo e suas regras, a Negritude, como chamamos esse time oposto ao da branquitude, tenta assimilar as qualidades do adversário ao perceber as vantagens concedidas aos jogadores que as possuem; porém ao agir dessa forma e pensar ganhar alguma vantagem no jogo com esse proceder, só faz com que seu time se enfraqueça e definhe. Como não se mexe em time que está vencendo, a branquitude sempre se protege em qualquer situação que ameace trazer qualquer forma de equilíbrio entre os contendores.

Desse modo, os jogos tornam-se cada vez mais vorazes, mais comoventes e mais competitivos, com a astúcia branca ganhando cada vez mais reforço vindo do lado oposto, visto que, há jogadores negros que se tornam aliados, a medida que engrossam as fileiras dos rivais minando os recursos do próprio time. Dessa maneira temos policiais negros, juízes negros, atrizes e atores negros, jornalistas negros e uma infinidade de aliados à branquitude que prestam seu desserviço ao próprio time, que contraditoriamente acaba perdendo para si mesmo, na sua estúpida individualidade egoística, mais sempre mantendo a ilusão da vitória através da política meritocrática branca.

Nesse jogo da vida quantos negros, como Rafael Braga, serão ainda sentenciados unicamente pela tom de sua pele...!? Sendo a causa desse julgamento, fato notório e público, tolerado, aceito e assimilado como natural; tão natural como é a cor da pobreza; tão natural como é a cor da prisão; tão natural como é um político aumentar continuamente o próprio salário indiscriminadamente; tão natural como é a criminalização da pobreza; tão natural como é o racismo em nosso país; tão natural como hoje se tornou o trabalho escravo e o tráfico de seres humanos no Brazil e no mundo.

Dessa maneira sem noção, sem perceber a situação, sem a mínima atenção a si e aos seus, o povo negro perde sua cor empunhando a bandeira branca da paz enquanto tem seu pescoço sobre o fio da navalha do capataz; sua paz sem voz se cala toda vez em que um irmão preto vai pra vala negra. A vala dos comuns, dos que não tem cabelos lisos e olhos coloridos; dos que não aparecem em ação na televisão; dos que não posam em capas de revistas, salvo nas de cultura empobrecida.

Assim, domingo vamos ao Maracanã, vamos torcer pro time que somos fã, enquanto Rafael Braga cumpre mais de cinco anos de prisão, porque a klan do Juiz Carlos Roboreto da 3ª turma do tribunal do Estado do Rio de Janeiro e seus ascetas, desejam passear em seus carros importados com um feliz sorriso branco no olhar, sem se incomodar com um neguinho catando lixo na esquina, com um neguinho pedindo esmola no sinal ou mesmo pedindo clemência em seu nobre tribunal.

Desse modo, todos poderão continuar vendo o meio-dia da porta de suas respectivas casas, até que recomecem as próximas atrocidades das edições diárias dos jogos vorazes do racismo que nos dói hoje. Portanto, façam suas apostas para ver quem será o próximo a ser parado na Britz do preto mandodo pelo branco que te rouba no banco, no trampo e na trilha; somente por causa da tua tez, da tua melanina, ele te assassina enquanto a nação inteira te ensina que isso é certo, é sua sina assinada pela lei áurea, a lei do cão que te silencia da meia-noite ao meio-dia...
Depois da Copa da FIFA virão as Olimpíadas; depois das Olimpíadas, o Roletrando; depois do Roletrando virão outros domingões, outros dias, outros jogos, outras humilhações; mais racismo, mais torturas, mais mortes, mais milhões, mais risos e brancas alegrias... Jogando sempre com raça, na praça, na escola, nas ruas, no campo e construções o racismo e o racista sem razão; combinando a rima branca do linchamento com o piquenique[iii]
de cada euro momento após cada funeral de um negro animal que teima em tentar ser um sujeito normal, a despeito de cada notícia estampada nas manchetes cotidianas de todas as manhãs desse espetacular zoológico em que se transformaram as Urbes desse magnífico e civilizado Planeta dos Macacos...
No cínico discurso branco vem o sincero recado hipócrita do selvagem juiz franco:
- Como juiz do supremo eu condeno em nome de Deus, da pátria, da família e dos bons costumes; sentencio a prisão perpétua e a pena de morte simultâneo, por conta de sua cor lembrar a sorte de meu fracasso como um insano e senil sujeito do norte...!!








[i] ABO Fatores sanguíneos encontra dos em todas as raças; cromossomo “R” encontrados em brancos; Cromossomos “Ro” ou cromossomos africano, encontrados em negros; Fatores Sutter e Henschaw encontrados em negros; fator Kell encontrados em brancos, etc.


[ii] Lineu divide a espécie humana em seis raças: americana, europeia, africana, asiática, selvagem e monstruosa.


[iii] O piquenique se originou das comemorações feitas pelos membros da Ku Klux Klan após cada linchamento de um negro norte-americano quando as famílias brancas se reuniam para festejar tais mortes.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

"They say what we know, is just what they teach us." (Eles dizem o que nos sabemos, é só o que eles nos ensinam)


A lua encheada, envolta pelo negrume da noite, destilava sua brancura sobre maracatu desfilante sob os Arcos da Lapa lotada de gente brincante; entre centenas podia-se vislumbrar meia dúzia de dois negros pulsando seus tambores, batendo nos corações da branquitude acadêmica, proprietária do cortejo do Rei negro; agora cortejo pesquisa; antropológico, antropofágico, canibalista, tribalista; dançando no ritmo do batuque virado.
Bloco afrobranco brazilleiro recortado na telinha da TV por candidatos a eleições quaternárias; nas propagandas dos heroicos feitos governamentais; nas super promoções dos generosos supermercados e nas novelas, onde se revela e se enuncia diante da renúncia Afro de si. White blocs sem máscaras, só hipocrisia; sem crise, só apostasia. Negro toca tambor num som transformado pela sua dor, enquanto branco brinca sem pudor, transformando em alegria o sofrimento de um povo, onde até hoje o eurodescendente passa e fica a dor.

É essa a empobrecida cultura imposta que cala fundo no fundo das panelas empretecidas pelo fogo a lenha dos que não tem com que se alimentar, mais que tem uma TV que pode ver sem ser visto, fugindo do público particular, para sua dor amenizar. Somente vendo sua cultura impura marcada pelo poder sem pudor, pode suavizar as agruras fazendo-o lembrar de que ainda é possível ser humano; visto que seu último zoológico oficial teve seu termo na Bélgica em 1958. Hoje, esse zoológico é uma prisão aberta, sem chances ou direitos a fugas; nosso pelourinho digital é eficiente, radical e sem moral, guardando como legado racista a vil característica da inocente mentira social, destroçando o povo negro sem qualquer indício fraternal; tão normal como em 1958.

Massacres, humilhações, torturas e prisões fazem parte do cotidiano negro sem quaisquer pesares ou estranhamentos; tudo é justificado no combate ao movimento; movimento negro; movimento contra ou contra narrativas corrosivas ao sistema capital que faz da exploração dos que nada tem seu mote matinal. Hoje os escravos de Jó já não jogam mais caxangá, pois estão muito ocupados, e só a TV passaram a enxergar. Portanto, mesmo sendo livre para ouvir, livres para ver, também somos livres para ler o livro que nos livraria da liberdade privatizada. Mais o perigo da leitura é afastado pelos donos da produção da verdade editada e veiculada diuturnamente pela TV que mente incutindo o desejo na mente vendida; mente adquirida no calor da emoção no toque do baque virado sobre o céu negro, iluminado pela lua branca, do calçadão de Copacabana aos Arcos da Lapa, só com gente bacana escravizando as mentes ao ar livre; livre de punição ao som do violão no lual da negra solidão de cada preto exilado do próprio irmão.
Enquanto apontamos para a beleza da lua a esse irmão, a TV dá um close no dedo editando outra direção ao neófito Tristão lado a lado com a negra Isolda. Desse modo, eles não enxergam a situação, sentindo só a alegria e a tristeza do que se é, e do que se poderia ser; conformando-se na sua morte em vida sobre as luzes artificiais da ribalta tupiniquim que sempre se mostra festiva em seu folhetim; no ritmo de sua cultura; sua história; de sua vida vendida no negreiro televisivo, normalizado, normatizado e aceito convenientemente e de bom grado pelos impenitentes e impertinentes inquisidores eurodescendentes; tudo como em 1958; oficial, extraoficial e normal; além de agradável, exótica e convenientemente imoral. Esse é o pérfido perfil da sociedade eurodescendente... Um perfil sanguinário, monstruoso e atrativamente fúnebre.

Basta somente um pedido de desculpas para para adentrar nesse zoológico chamado Brazill, e observar os macacos no shopping, nos estádios e nas novelas; e está garantida a boa diversão nas promoções de humilhações, atrocidades e massacres cotidianos a lá cart patrocinados e transmitidos ao vivo e em preto e vermelho pela TV que a tudo vê... Sejam bem vindos aos jogos eurovorazes, agradecemos a preferência...
E cometam ótimos e horrendos crimes...!! Com as bênçãos e agradecimentos da pérfida elite oligárquica, religiosa, escravocrata e autocrática brazilleira...

Você preta sabe, você preto sabe, eu sei; nós sabemos... Então por que ficar perdendo tempo em nos atacar uns aos outros  enquanto comercializam nossa história, nosso saber e nosso fazer, nos massacrando impiedosamente...!??


Somos produtos de consumo expostos nas vitrines do sanguinário açougue da mídia, até a dissecadora e sádica euro academia; da Zona Sul a Faixa de Gaza; servidos as mesas das famílias eurodescendentes aos restaurantes da classe média. Todos os dias somos devorados permanentemente, assim como Prometeu, pelos impecáveis e abomináveis abutres brancos, hipocritamente sérios, de batina, uniformizados, engomados e engravatados, enquanto ouvimos uma Ave Maria, qualquer outra oração ou canção divina, rogando o perdão pela escravidão nossa de cada dia que nos dói hoje desde John Newton a Bob Marley... Perdão que somente, de Noel Rosa a Cartola, as rosas falam...!!


Da cor vermelha das rosas recebidas pelas mães de Maio, jorram o sangue de seus filhos cadáveres, enquanto entregues nas cerimônias oficiais pelos capitães do mato, dito homens de fato: fato fúnebre, financiado pela falso Estado democrático, que custeia a guerra surda e suja contra um povo sem chances de defesa, promovendo massacres legitimados pela tolerância, pautada pela conveniência na política do não envolvimento. 


Portanto, massacres são naturealizados, normatizados e legitimados pelos que assitem sem nada dizer, nem ao menos perguntar o porquê... A vergonha é, desse modo, corroborada enquanto o silêncio da população, que assiste do lar durante seu fastigioso jantar, assinando sua cumplicidade e seu modo de pensar: ... Isso nada tem haver com meu suculento bife com fritas e meu frugal festejar... então não faz parte da minha lista de se preocupar...

Tantos Malcons, tantos Kings, tantos Bikos, tantas Cláudias, tantos Amarildos, Mateus, Felipes, Andreus...Tantos quantos são necessários a se somarem as montanhas de cadáveres espalhados pela nação, para que possamos aprender e ensinar essa mesma lição...!? Que venham os Sísifus, pois os Prometeus se encontram a postos... 

Dessa maneira, e só dessa maneira, um novo cortejo, de outro Maracatu, deve desfilar sobre os Arcos do Aqueduto feito por mãos escravizadas, mesmos Arcos do bonde da elite endinheirada; agora Arcos da lua cheia pelos sentimentos humanizados através da dor onde Sísifus e Prometeus, entre as reticências dos descompassos do ranger de dentes, se confraternizarão após séculos de prosaicos e trágicos desencontros...


domingo, 7 de setembro de 2014

Black Cat ou Black Panter eis a questão…!!


Beach soccer, bad mington, blitz, Black e centenas de outras palavras como essas, são usadas por nossa democracia[i] que se utiliza da língua; que é a identidade de um povo; do opressor para se definir e se expressar falando, poetizando ou cantando a dor e a delícia (?) de ser o que não se é, e do que se poderia ser.

Desse modo, ou as palavras se tornam dúbias ou simplesmente deixam de existir, perdendo seu significado, num contexto explicitamente Orwellista[ii] que dá a forma a essa democracia dominante.

É dessa maneira que, a mulher negra ou o homem negro, imbricados nesse processo, se embranquecem; negando a si mesmo, sua cultura, sua história e suas possibilidades; cultivando a ilusão de sentir-se humano numa sociedade de mentalidade escravocrata, além de social e culturalmente colonizada, que delimita a cor da pele como determinante de humanidade.

É certo que, como diria o poeta popular, quem não tem dinheiro conta história, e quem tem, escreve a história. Mesmo sabendo que somente quem não lê acredita na TV, é necessário para tanto, ler de forma pragmática[iii]; pois verdades e mentiras são dois lados de uma mesma moeda.

Como forma de ilustrar essa assertiva, gostaria de citar um caso em que a nossa TV de cada dia, hoje nos apresenta, de novo, um homem negro; pobre, catador de lixo; como um perigoso terrorista com possibilidades de cometer crimes hediondos contra a humanidade; o puro, branco e sábio juiz Carlos Eduardo Roboreto, junto com a revisora Suimei Cavalieri e a vogal[iv] Mônica Tolledo da 3ª turma do tribunal de justiça do Rio de Janeiro, não teve dúvidas em condenar, em menos de 10min, esse homem negro; Rafael Braga; neste triste mês de Agosto. Todos os brancos, também presos no mesmo dia, com a mesma acusação, foram todos absolvidos sem exceção, em consequência de uma grande manifestação “popular branca” em prol desses presos também brancos; sobre a alegação de serem presos políticos; já que os mesmos foram presos por reivindicarem direitos como cidadãos de fato.

Rafael, catador, que passava pelas manifestações que acontecia em toda a cidade, catando suas latinhas em meio a toda aquela confusão, catou também um frasco de Punho Sol, um detergente de limpeza; dentre tantas coisas que vinha achando nesses dias ditosos de catador de lixo. Entre esses produtos, além de latinhas diversas, como as de grafites deixadas pelos euros manifestantes, até agua sanitária havia. Certamente Rafael deve ter pensado na surpresa que causaria na família chegando até com material de limpeza pro seu barraco e que certamente, seria um prazer maior receber os compadres em sua humilde caxanga, um barraco de madeira.

Mais quando se deparou com valorosos policiais; popularmente conhecidos como vermes; que protegem e defende cada cidadão, pagos pelo próprio cidadão, sabendo que deveria parecer inocente mesmo não sendo culpado, como sempre, fez de tudo para evitar o tão usado e abusado auto de resistência; normalmente usados para justificar assassinatos de negros; permanecendo dócil as costumeiras agressões próprias da abordagem quando se trata de um elemento padrão[v]. Como era de se esperar, ele foi preso e junto com ele, muitos euro cidadãos, também presos e acusados pelo mesmo crime, como já dito.

Foi incrível a mobilização midiática e social em torno dos manifestantes eurodescendentes. Como resultado obvio, os euros juízes sensibilizados, absolveram exatamente a todos. Afinal, foram cerca de três mil pessoas que saíram as ruas para protestar, exigindo a soltura dessas pessoas durante o processo; de fato, foram todos libertos. Mais no caso de Rafael Braga, um afrodescendente, denominado de macaco pelos eurodescendentes, teve não mais que 50 pessoas rogando por ele durante uma noite de vigília no tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Dessa maneira, esse iluminado triunvirato, essa tríplice aliança, em tempo recorde, mostrando toda a sua capacidade arrogante de abusar do poder a eles confiado, ao proibir a presença de quem quer que fosse nessa audiência pública, cumpriu sua missão social de condenar mais um negro por um crime que não cometeu.

Para qualquer rábula ou até mesmo para um leigo, fica obvio que a condenação de Rafael se deu no momento que a cor de sua pele se revelou para esses destemidos guardiões da família e dos bons costumes e seus asseclas. Rafael tinha a cor certa de qualquer condenado, e o resultado não poderia ser diferente: foi declarado culpado pela cor de sua pobreza e por sua ousadia em viver perto de pessoas tão puras como ele, sua revisora e sua vogal. Certamente, como é de praxe, este crime é um crime inafiançável e, portanto, sem direitos; pois dentre as milhares de pessoas que foram as ruas portando os mesmos materiais com Rafael foi detido, ele foi o único condenado por um crime Comissivo[vi].

Desse modo é mantida a ordem e o progresso em nossa colônia chamada Brazill, que manda qualquer negro para a pátria que os pariu, com o prestimoso auxílio da mídia que humilha, desclassifica e desumaniza colocando o negro em seu lugar; nas prisões, nos porões e hospitais psiquiátricos, desde que se uniram ao Estado e suas instituições para praticar essas ações usando como símbolo a destruição de Rafael Braga como cidadão de Cor; cor negra, a cor da dor.

Em nossos Bantustão, que são as favelas, a baixada fluminense e a região metropolitana do Rio de Janeiro, os agentes do poder público; Ou seja, os vermes, quando entram em conflito com as forças locais, normalmente são os moradores que são punidos, visto que, diferente da facção Estatal, assim como a facção local os moradores não usam uniformes. Dessa maneira, qualquer morador torna-se um perigoso bandido aos olhos dos vermes. Digo, policiais; independente de idade ou gênero. É assim que as atrocidades promovidas por esses vermes. Digo, policiais, tornaram-se lugar comum, portanto, perfeitamente toleráveis. Dessa maneira os massacres cotidianos promovem uma série de Amarildos, Claudias, Mateus, Felipes e tantos outros, de maneira progressiva e impune.

Todo o verm... policial, que trabalha nas ruas, com raríssimas exceções, muito rara mesmo, não possuem ficha limpa. A conta das inúmeras atrocidades gratuitas, promovida em nome da segurança dos eurodescendentes, é motivo de diversão e de disputa entre os... policiais.

Esses vermes. Digo, policiais, são dedicados pais de família, tementes a Deus, que se transformam em monstros sanguinários diante do outro, se comprazendo nos requintes de crueldades com que exercem seus ofícios, já que acreditam sinceramente na missão genocida lhes conferida pelo Estado.

Portanto nós da FEGPN devemos emitir mandados dando voz de prisão a esses gentis genocidas, em nome do povo negro, além de interditar todos os Tribunais de Justiça tupiniquim que não cumpram sua função social. Assim como a Secretaria de Justiça e seus asseclas.

É certo que, para legitimar esses mandados é necessário que o povo negro acorde e possa se ver como negros de fato. Visto que nossos maiores entraves, se não o maior, é o fato dos opressores poder contar com a ajuda de alguns oprimidos em sua sanha criminosa. Falo dos afromodistas; esses que fazem o conveniente e vil papel de aliados do opressor. É fácil reconhecer um, pois sempre usam seu currículo de militante para se justificarem e como forma de autopromoção.

Quando nós, afrodescendentes, percebermos nossa cor, nos vendo como um povo e, a exemplo dos eurodescendentes, nos unirmos; ai sim, seria possível nos curar dessas profundas feridas abertas pelo vergalho eurocêntrico em nossa carne, atingindo profundamente a alma e o espírito da Igualdade, da Fraternidade e da Liberdade. Desse modo, seria possível cuidarmos uns dos outros, ser um povo de fato. Por hora, somos párias, macacos, mercadorias exóticas expostas nas vitrines eurocêntricas.

Quem não tem dinheiro que conte sua história, enquanto quem tem a escreve. Somos livres para ler e livres para acreditar, ver, ouvir, falar, cantar poetizar... Para cuidar de nós mesmos, falando a nossa língua, nos entendendo enquanto irmãos; sou porque somos... nenhum passo atrás...






[i] Na Grécia, berço da democracia ocidental, só era permitido à participação política aos nascidos na Polis. Nesse caso, os estrangeiros e seus descendentes eram excluídos do processo, assim como as mulheres (1.000.000), crianças e escravos (2.00.000), além dos menores de 21 anos (500.000), sendo uma população de 500.000 habitantes.
[ii] George Orwell em seu livro descreve a história de uma superpotência que controla as ações e consciências das pessoas criando a Newspeak (nova forma de expressão), falando de uma linguagem com expressão modificada, ambivalente e contraditória. Nela as palavras são substituídas ou deixam de existir; “democracia” e “justiça” somem e “livre” ganha outra conotação: “Livre de piolhos” pode, e “livre” expressão não.


[iii] Leitura onde se procura conhecer o contexto da época em que foi escrita, quem escreveu, em que momento se deu, etc. Além do conteúdo do texto em si.


[iv] Nome dado a um juiz classista, representante da classe dos empregados, atua nas juntas de conciliação e julgamento. A Emenda Constitucional nº 24, de 9-12-1999, com a reforma da justiça do trabalho ter extinguido esses juízes.


[v] Bordão policial utilizado para se referir a quaisquer cidadãos de cor.


[vi] Aquele que tem por característica uma ação. Ou seja, uma participação positiva do autor.