Tal fato é público e notório, anunciados sem serem denunciadas nas
transmissões ao vivo e em preto e branco, por todas as emissoras de TVs nazifascistas
tupiniquins, sobre o pretexto da estúpida falácia do combate as drogas.
Falo das mesmas drogas transportadas em aeronaves oficiais, diplomáticas
e especialmente nas militares, através de nossas fronteiras. Afinal, onde mais
esses traficantes, homens de bem, poderiam encontrar e recrutar pessoas
dispostas; em consequência do desespero pela lei da sobrevivência. Além de
corroídas por esse mesmo instinto de sobrevivência; a se tornarem varejistas;
senão nesse contexto das paupérrimas comunidades.
Paradoxalmente, esses empresários do pó servidos no asfalto e nas
favelas, são os mesmos que lutam contra sua proibição, recrudescendo o combate
as drogas por meios de decretos, formulando leis de opressão contra essa específica
população. Nesse cenário post [i]hoc
se dá a gentlificação, outrora conhecida como eugenia. A sociedade com seu
comportamento behevorista recebe
naturalmente as atrocidades policiais contra o povo negro, desde que a mídia
diga o que eles precisam ouvir para amenizar suas consciências e ditar as suas
ações a contento, sem distrair o pensamento.
Dessa maneira, as favelas do Rio de Janeiro se transformam em
imensos campos de concentração. Ou seja, no Brasil qualquer negro é
naturalmente refém do terrorismo estatal, perpetrados através de seus agentes.
A saber, a polícia, o exército e afim.
É certo que os pretos que aderem ao afromodismo olvidando o
afrocentrismo, são prisioneiros especiais, com direito a banho de sol e os
privilégios típicos de um detento, para que possam se sentirem ainda humanos.
Nessa linha de ação, nossos respeitáveis jornalistas, esses
formadores da opinião pública, constroem a história escrita pelo dinheiro,
esquecendo convenientemente o fato de que mais de 80% das violências nas comunidades
desfavorecidas são causadas pela polícia. Esses mesmos honestos jornalistas e
sinceros comentaristas de segurança, convenientemente repetem exaustivamente a
violência cometida pelo outro que não são da gente, disseminando a mixofobia
social através desse terror, implantado a partir desse cenário orwellista[ii]. O notório caso de Rafael
Braga é um dentre as centenas de exemplo desse perverso e atroz terrorismo do
Estado contra o povo negro; ele foi preso sem que houvesse crime: por ser
negro, pobre e sem teto, foi detido com matérias de limpeza na mochila e a
prosaica acusação, por parte dos policiais, de com aquele material haveria
possibilidades de se confeccionar alguma espécie de explosivo; bem, sendo o
Rafael Braga, ao contrário dos inteligentes policiais, desconhecedor da
disciplina de Química, física, matemática e afim, até hoje ficou sem compreender
os reais motivos de sua prisão. Ou seja, preso sem que houvesse crime, nem denúncia
ou qualquer fundamento. Simplesmente preso...
Devo citar o caso do menino Mateus, de nove anos de idade; pediu um
real ao pai para compra pão e quando abriu o portão, foi surpreendido com um
tiro de escopeta em sua face. Morreu... Na contramão de um policial servo da
oligarquia Estatal. O policial que o assassinou continua a trabalha sem se incomodar
ou se incomodado.
Desse modo, o binômio favela/crime se torna um axioma e o
terrorismo Estatal se legitima apoiado sem reservas pelo racismo raivoso, que
ganha os suaves e eufêmicos contornos de luta de classe.
Portanto, os crimes contra a humanidade perpetrados pelo Estado,
mesmo já conhecidos internacionalmente e reconhecido pelas Organizações das
Nações Unidas esse genocídio em curso no Brasil varonil que mandam seus filhos
para a pátria que os pariu, continuam transcorrer tranquilamente com a certeza
da impunidade renitente.
Podemos constatar, nas dependências dos presídios de todo Brasil, a
superlotação desses calabouços com a maioria esmagadora de negros que nunca
foram a julgamento: 60% presos com quantias irrisórias de entorpecentes; a
maioria dessas drogas é plantada pelos próprios policias, como é de costume;
sem que tal apreensão configurasse como tráfico, mais que mesmo assim, foram
sumariamente privados de liberdade. Portanto, podemos configurá-los com toda a
certeza como presos políticos.
O governo tem tido sucesso no encobrimento de seus crimes
implantando um corpo de segurança mercenário; uma Educação Paralela[1] Newspeak e um sistema de
saúde homicida. Como vivemos numa democracia, podemos ser ouvido, desde que
nossa voz possa ser editada pela funesta fidelidade da mídia. Por isso, nesse
surto de generosidade democrática, o governo criou um ministério (Seppir) que não é
ministério e não possui verbas, para tratar de assuntos étnicos raciais. Além
de cotas de 20% de vagas para um povo que soma 60% da população, e ainda implantou
a Lei 10.639 sem nenhum suporte para que ela se efetive. Dessa maneira, tem
obtido um estrondoso sucesso em manter a ilusão de democracia na estúpida
população brasileira do Brazill.
Paralelo a essa saga, as atrocidades cometidas pelo Estado
continuam perenemente impunes e o povo legitimamente refém, submetidos aos
caprichos e desmandos de uma elite que prima pelo requinte de maldade com que
mantém seus lucros manchados pelo sangue e pelo suor negro, enquanto extermina
quaisquer futuras ameaças à sua senda de rapina.
A constatação do terrorismo Estatal contra o povo negro é
desqualificada com a afirmação de que seriam idéias de um militante neurótico
que vê racismo em tudo. Como tem afirmado incansavelmente a mídia, “Não somos racistas[iii]” apesar dos inúmeros
corpos espalhados pelo chão na subida do camburão as favelas da cidade; apesar
das humilhações cotidianas em cada um dos dias de todas as semanas; apesar das
torturas seguidas de execução tidas como momentos de diversão pela valente
corporação militar vassala do avejão. São pequenos detalhes que não vem ao
caso.
Me pergunto quando esse genocídio vai parar... Quando as
humilhações e execuções sumárias terão fim...!?
Os Árabes, em especial os palestinos; e os Dalits, são trucidados
pelos sionistas (judeus) e pela ku Klux Klan (norte-americanos). Os negros
brasileiros, especialmente os pobres e favelados, são sistematicamente
dizimados, sem que a população brazilleira se manifeste.
A cada sorriso branco mostrado num comercial, uma mulher negra é
estuprada por um policial; a cada final feliz de mais uma euro novela, um negro
é assassinado em cada favela; a cada pronunciamento oficial o povo negro é
condenado por cada jornal.
A brutalidade branca aplicada aos cabelos lisos com longas madeixas
loiras virou bandeira brazilleira que essa estúpida população jurou amar e
defender. Sabemos que quem controla a cultura, controla as ferramentas de
domínio de um povo, e é desse modo que o Estado mantém a ordem social e o
progresso Estatal (oligárquico).
Nós negros, para que possamos manter nossa sanidade mental, é
necessário recriar e exercer urgentemente nossa estética, nosso olhar e nosso
pensar, a fim de desconstruirmos as ferramentas da eugenia. Somente dessa
maneira seria possível sarar as feridas expostas na alma, abertas pela
ferocidade do sistema capital, oriunda da voraz euro ambição.
Ainda ontem, Adolf Hitler elogiou os EUA por terem resolvido o
“problema” dos índios em seu país;
hoje, esses mesmos norte-americanos querem resolver o “problema” dos negros no
mundo. É certo que agora o Haiti é aqui... Não temos mais com quem conversar...
Nem para onde ir... Sou PORQUE SOMOS... Nem um passo atrás...!!
[1]
Paulo Freire se referia a mídia como educação paralela.
[i]Post
hoc= diz respeito a lógica de uma sucessão temporal que implica numa relação
causal. Ex. Se após a tempestade vem a bonança, quer dizer que a tempestade é
que causa a bonança.
[ii]
George Orwell em seu livro descreve a história de uma superpotência que
controla as ações e consciências das pessoas criando a Newspeak (nova forma de
expressão), falando de uma linguagem com expressão modificada, ambivalente e
contraditória. Nela as palavras são substituídas ou deixam de existir;
“democracia” e “justiça” somem e “livre” ganha outra conotação: “Livre de
piolhos” pode, e “livre” expressão não.
[iii]
Título do livro de Alí Kamel; um dos colunistas das organizações globo.
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