Total de visualizações de página

Pesquisar estehttp://umbrasildecor.wordpress.com/2013/05/29/jornal-cobre-lancamento-de-escrito blog

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Azul da Cor do Amar



Numa sociedade onde existe, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma gama de arco-íris para representar e traduzir a diversidade do chamamos de raças, nossos filhos ainda aprendem na escola que a cor rosa representa a cor da pele. Paira no ar o detalhe de uma questão que não quer se calar: pele de quem ou de que esse pueril lápis cor-de-rosa representa..!?? A cor ditada pelo ditador transformou esse simpático lápis num criminoso inquisidor, fazendo dele um eficaz instrumento torturador.

Da infância a adolescência a mulher negra atura uma horda de assombrosos objetos que a tortura, como o perigoso pente e o espelho impertinente, que ameaçam os rebeldes, encaracolados e encrespados por todos os lados. Objetos de crucificação a serviço da branquidão, que ameaçam e coagem incrementes as rainhas do bronze dos reinos melanodérmicos de todo o mundo.

Do atroz lápis cor-de-rosa ao cruel pente fino que lhe penteia, há uma clássica fábrica de importadas maldades requintadas, que impõe a aparência eurocêntrica obrigatória, assimilada na escola de fala emancipatória e prática inquisitória. Desse modo, cabelos e pele pretos de pretas são precipitados no precipício do caldeirão da branquidão, sobre as bênçãos da religião.

Do mesmo modo, o discurso da miscigenação ganha razão no plano dos sentimentos sem lamentos, dos que acreditam na graça de uma única raça: a humana que dessa fala emana. Portanto, os preconceitos são desfeitos, com efeito, alisando-se as mechas, enquanto o mundo fica perfeito despois de pintados com lápis cor-de-rosa sobre o papel pardo embranquecido, sem sequer esperar ser esquecido que a pena preta grafou a áurea lei rosa, determinando a doação de almas brancas às Negras Rainhas que se escondem nas Senzalas pós-modernas, cercadas de objetos abjetos, sobre o comando do terrível e temido general espelho, espelho seu... Que reflete o Rosa de menina e o Azul de menino como matéria de ensino...

Assim, a história escrita na memória é refletida invertida e empedernida ante os negros olhos azuis bronzeados e marejados de uma dor incolor trazida na alma durante a travessia do Meio, o mar azul, numa eterna e cordial festa sem rodeio, onde só o euro-indivíduo se divertia nessa equestre festa a fantasia, montando corcel negro todo dia... Eu também quero um mundo todo Azul; Azul da cor do Amar... Quando esse espelho d’agua refletir na minha íris, ao olhar meu arco-da-chuva cutâneo, todas as cores que o mar ajuizar como igual a todos os únicos...

"Suportar toda aquela dor, literalmente queimar minha carne só para fazer com que meus cabelos ficassem parecendo com os de um branco. Eu me juntava à multidão de homens e mulheres negras que sofreram uma lavagem cerebral tão grande até acreditarem que os negros são inferiores – e os brancos superiores – e que devem até mesmo violar e mutilar os corpos que Deus criou para tentar parecer 'bonitos' pelos padrões dos brancos. Assim como para qualquer mulher negra, digo ao homem negro que se dessem ao cérebro em sua cabeça só a metade da atenção que dão aos seus cabelos, estariam mil vezes mais humanos." (MALCOLM X)



Nenhum comentário: