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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Passaporte para blitz da Kran

O caso da professora do curso de biblioteconomia da UFF, em Niterói, Rio de Janeiro, que submeteu a turma a uma avaliação, afirmando a inferioridade do negro a partir de um texto intitulado “Provas científicas da inferioridade do negro”, é mais uma tentativa infeliz de fazer o negro passar a vida em branco. Lamentavelmente, a academia a qual ela faz parte, apoiou sua conduta em gênero, número e grau, o é de se esperar dessas atuais Instituições, que a exemplo desta Universidade propaga a branquitude como valor pétreo.

O mais agravante e que estamos falando de um lugar que produz conhecimento, e que agora passa a reproduzir, transmitindo como verdade, as vicissitudes e preconceitos desumanizadores e desumanizantes, legitimando as diferenças, de modo a provocar e confirmar as atuais estratificações sociais. Esta aberração cognitiva, uma vez justificada, sendo apresentado como verdade pela academia, uma vez transformado paradigma, vem corroborar as torturas e os assassinatos categóricos contemporâneos contra a população melanodérmica.

O silêncio da reitoria, a respeito desse melancólico incidente, mostra a cumplicidade e a covardia por parte daqueles que estão diretamente envolvidos no contexto. Lamentavelmente essa naturalização do racismo, que vem sendo motivo de apologia e proselitismo promovidos pela mídia, aponta pela segunda vez, para a formação e eclosão de uma inevitável zona de conflito racial de grandes proporções no Brazill, que possui a segunda maior população negra do mundo depois da Nigéria.

O eco dessa indignação até o presente vem sendo sufocado pela mídia, que vem justificando esse crime evocando o direito a livre expressão; assim como os juízes que julgam tais casos, que são formados por essas mesmas instituições. Desse modo, eles juntam-se aos historiadores que se calam diante do silêncio historiológico da saga do povo negro, silenciando as vozes que clamam, desde sua escravização. Eles eufemisticamente legitimam esse aviltamento, sugerido e legitimado por suas tendenciosas pesquisas, ensinando a nossos filhos que fomos “trazidos da África”.


Conceder carta branca a um Negro como passaporte para que ele passe a vida em branco, é o que acena o quadro branco da educação dos valores oficializados pela branquitude, desde que a hipocrisia tornou-se o principal valor humano possível para se viver nessa sociedade volátil e carente de quaisquer tipos de valores humanos, e de direitos humanos. Desse modo, a arena posta e o mercado do pão e circo a todo vapor, vamos viver juntos nosso inferno cotidiano na terra, aceitando e tomando parte nele para não poder enxergá-lo ou arriscando-se a aprender a reconhecê-lo, buscando uma boa semente em meio ao lodo, e cuidando para que ela floresça e dê frutos, transformando finalmente nosso inferno paraíso a cada semente cuidada.

Um comentário:

Marcia disse...

Gostaria de saber se esse caso foi divulgado na mídia, e se foi feita alguma queixa crime no Ministério Público?
Considero esse caso de extrema gravidade.
Aguardo notificação.
abraço