O mais agravante e que estamos
falando de um lugar que produz conhecimento, e que agora passa a reproduzir,
transmitindo como verdade, as vicissitudes e preconceitos desumanizadores e
desumanizantes, legitimando as diferenças, de modo a provocar e confirmar as atuais
estratificações sociais. Esta aberração cognitiva, uma vez justificada, sendo apresentado
como verdade pela academia, uma vez transformado paradigma, vem corroborar as
torturas e os assassinatos categóricos contemporâneos contra a população
melanodérmica.
O silêncio da reitoria, a respeito
desse melancólico incidente, mostra a cumplicidade e a covardia por parte
daqueles que estão diretamente envolvidos no contexto. Lamentavelmente essa naturalização
do racismo, que vem sendo motivo de apologia e proselitismo promovidos pela
mídia, aponta pela segunda vez, para a formação e eclosão de uma inevitável
zona de conflito racial de grandes proporções no Brazill, que possui a segunda
maior população negra do mundo depois da Nigéria.
O eco dessa indignação até o
presente vem sendo sufocado pela mídia, que vem justificando esse crime
evocando o direito a livre expressão; assim como os juízes que julgam tais
casos, que são formados por essas mesmas instituições. Desse modo, eles
juntam-se aos historiadores que se calam diante do silêncio historiológico da
saga do povo negro, silenciando as vozes que clamam, desde sua escravização. Eles
eufemisticamente legitimam esse aviltamento, sugerido e legitimado por suas tendenciosas
pesquisas, ensinando a nossos filhos que fomos “trazidos da África”.
Conceder carta branca a um Negro como
passaporte para que ele passe a vida em branco, é o que acena o quadro branco
da educação dos valores oficializados pela branquitude, desde que a hipocrisia
tornou-se o principal valor humano possível para se viver nessa sociedade
volátil e carente de quaisquer tipos de valores humanos, e de direitos humanos.
Desse modo, a arena posta e o mercado do pão e circo a todo vapor, vamos viver
juntos nosso inferno cotidiano na terra, aceitando e tomando parte nele para
não poder enxergá-lo ou arriscando-se a aprender a reconhecê-lo, buscando uma
boa semente em meio ao lodo, e cuidando para que ela floresça e dê frutos,
transformando finalmente nosso inferno paraíso a cada semente cuidada.
Um comentário:
Gostaria de saber se esse caso foi divulgado na mídia, e se foi feita alguma queixa crime no Ministério Público?
Considero esse caso de extrema gravidade.
Aguardo notificação.
abraço
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