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sábado, 26 de novembro de 2011

Meu lugar...!!???



Onde está a Senzala com antigos seus habitantes...?? Aquela casa velha e pobre, espaço degradante onde ficavam depositadas as vítimas melanodérmicas de seqüestro intercontinental do poder estatal...?? Hoje ela Jaz no quarto de empregada nos modernos prédios construído diariamente nas grandes metrópoles que lhes dão sumiço; está subindo as escadas ou indo pelo elevador de serviço; está limpando latrinas, puxando o “burro sem rabo” na esquina, construindo mansões ou limpando salões.
Onde está o pelourinho...?? Aquele objeto de tortura e diversão do feroz algoz se deliciava em seus momentos de frugal distração...?? Ele agora está na tela da TV, nas capas de revistas e nas blitzes imprevistas.
E onde estarão hoje os escravizados...?? Estão no mercado negro, no estudo improvisado, morando no morro, confinado e cercado. Seu enredo de medo, musicado em letras de samba que faz rebolar qualquer gringo maneiro com dinheiro, cigarro e isqueiro.
Mestre sala e porta-bandeiras, neguinho e crioula... Mostrando francos sorrisos com  lágrimas de cebolas. Ali jazz, aqui samba; neguinho dança na esquina com quinze balas na espinha; a crioula é servida a milanesa aos gringos como sobremesa.
E os escravizados, motoristas, cobradores, professores, etc. como escravos de ganho, conseguem muito dinheiro para o patrão e um pouco para sua própria sobrevivência, suando, sem perdão perante a inquisição ante a mínima falta em qualquer situação. Essa forma de escravismo, conhecida como meritocracismo, é a moda do momento, que de tão violento mostra sem arrependimento, a face do racismo em movimento.
Meu lugar....meu lugar é onde quero estar... é aqui mesmo onde estou... com tudo que me restou... Meu lugar ninguém pode arrancar, ele existe do lado de cá e do lado de lá; daqui pra lá e de lá pra cá; vou e venho, vou no vento; no mesmo vento que trouxeram tumbeiros e tormentos. Meu movimento levanta poeira na capoeira que para o gringo é mato ou qualquer besteira; mas para o negro que não dá bobeira... é luta..., é rasteira.
Nossa senzala se renova a cada salário mínimo que se aprova..., a cada habeas corpus impetrado a favor do branco debochado, a cada foro privilegiado cedido ao político desviado, a cada imunidade parlamentar que faz a negra(o) chorar. 
Assim a TV que tudo vê, não deixa o negro virar bicho, Pantera Negra; ela domestica cada cabelo que estica, embranquecendo o olhar negro que vai esquecendo de sua história, de sua memória, trocando seu sucesso pela Ordem e pelo Progresso.
A coisa tá preta no morro que ameaça a branca pomba da paz dos condomínios e dos domínios dos "kringos". Por isso, polícia homicida e perícia parricida: capataz da paz; da branca paz privilegiada que só um gringo e seus descendentes diretos  estão "autorizados" a possuir; afinal esses são os homens de boa vontade, são os bons cidadãos; são filhos de God e não de Oxalá. Alguns pensam que são Filhos da Outra... Outra realidade... Visto que a realidade Melanodérmica não é a realidade da branquitude; mas sim a realidade da pura Negritude que desfila On-line durante três dias na passarela do Samba, e o resto do ano no Caveirão, Tumbeiro moderno de cada Negão.
Brazil...aqui jaz nosso tumbeiro, nossa senzala, nosso pelourinho; basta fechar os olhos para enxergar e Sentir na pele o açoite que domestica saindo diariamente nas telas das TVs; sentir o tapa na cara desferido pelo soldado do Bope e a justificativa da justiça omissa a cada golpe branco lançado na face negra cotidianamente.  Os olhos abertos diante da TV que nos impede de ver, embranquece a visão dessa situação, fazendo com que fechemos os olhos para ela. Assim ficamos imunizados, anestesiados e indiferentes; acreditando quando a TV (os donos da TV) diz que a maioria é minoria. Acreditamos que somos minoria como um elefante que se deixa domesticar ou um cavalo amarrado a uma cadeira.
Assim nascem nossos heróis e bandidos, nossos santos e demônios, Negros e brancos, Senzala e Casagrande, seguidas de ações sem noção e totalmente desnecessárias. A humanidade deixa de evoluir, por questões absurdamente burras como a existência do preconceito e o racismo. Desenvolvemos altas tecnologias, mais evoluímos de forma extremamente medieval, inconsequente e burra; seria isso um brinde, uma cortesia da modernidade... Ou uma prosaica bossalidade genética...!?? Como não creio no atavismo, prefiro acreditar num equívoco das escolhas, nas opções e perspectivas inerente ao ser bípede. Afinal, existem inúmeros bípedes que desconhecem possuir o livre arbítrio, conferindo esse instituto a outrem; principalmente se  esse outrem for loiro, de olhos azuis e aparecer em alguma novela ou comercial... tá tudo bem...!! é sangue bom...é sangue azul...!! Estamos bem representados, não precisamos desse tal de protagonismo; afinal, como diz o poeta: "escreveu,.. não leu...o palco é meu...!!" o teatro é nosso, o show é deles...e o palhaço quem é...!?? Seria o boi da cara preta que assusta crianças de todas as cores..? Mas agora que deixamos a tarefa de contar histórias para a TV...ficaremos sem saber. Assim a senzala se renova com leis feitas para inglês ver...e Euzébio de Queirós ganha de novo voz, frente a telespectadores perfilados sobre o silêncio da história oficial, rotulados com a pecha de marginal.




quarta-feira, 23 de novembro de 2011

JUÍZES DA INJÚRIA



Enquanto na África (do Sul) os jovens raspam a cabeça, no Brasil eles usam bonés, negando sua cor, renegando sua “raça”; tentando se moldar a um padrão de aceitabilidade: Negam sua diferença, para se tornarem iguais.
A estética negra negada e denegrida pelos meios de comunicação transforma vítima em réu, refletindo na face crioula essa branquitude para os que tentam escapar das garras do monstro do infame racismo.
Assim, mostrando a cara e ocultando seu corpo; corpo esse que é sua história, seu discurso, sua narrativa, onde ele expressa seu mundo, seu interior. Corpo esse que se entrelaça nos braços lascivos do racismo afetivo, espatifando-se frente a injuria de cada dia nesse estado de exceção, que expressa na perversa democracia amoral, todo seu ódio racial, é torturado cotidianamente ante o pelourinho digital.
Estraçalham seu corpo, seu cabelo, sua cor..., seu abraço... Sua voz, sua face, seu olhar, seu andar, seu tambor, seu sorriso... O mesmo sorriso que energiza a alma, que limpa a mente e eleva o espírito, traduzindo a solidariedade, a coletividade. Assim como o canto e a dança, o riso continua sendo um fator de resistência: esse mesmo riso negro que o colonizador se referia como “um imbecil feliz”. Esse riso que expressa seu interior, seu mundo; riso provocado pela desestruturação desse mesmo mundo, pelo caos reinante.
O riso pode ser brilhante, quente, colorido, leve, positivo; pode ser choro, pode ser pesado, pode ser um xingamento, pode ser negativo. A geografia desse riso pode vir de alguém ou ir para alguém; pode ser trocado ou doado.
Hoje o racismo afetivo, manifestado na injúria da leitura oficial, descortina a branquitude do sistema judicial que justifica essa infâmia trocando alforria por liberdade condicional. Nossa sociedade download tele-guiada pela imagem; a única coisa clara é o racismo oficial. O racista é aquele que fecha os olhos porque tem medo do escuro. Assim, a imagem nórdico-digital é a que molda e serve de referência para condenar um povo afro, que não se vêm como negro nem se consideram negro. Portanto, não se percebem como vítimas. É notório esse sentimento em alguém que habita no segundo país de maior população negra no mundo, e conhece somente a história dos brancos; a história oficial.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011



segunda-feira, 7 de novembro de 2011




Luíza Mahin foi uma mulher inconformada na condição escravizada; ela, como escrava de ganho, comprou sua alforria, e articulou a libertação de seus pares, eclodindo assim na revolta dos malês em plena cidade de Salvador, em 1835.
Após as diversas tentativas de dominar o espírito dos escravizados, tal como a lei do ventre livre; onde o estado tinha que arcar com indenização ao senhor de escravo;  lei do sexagenário, sendo que o escravizado tinha sua média de vida abreviada, raríssima exceção algum chegar aos sessenta; e a própria lei áurea, num momento em que 90% dos escravizados haviam conquistado a liberdade numa    luta iniciada com Zumbi, seguido de muitos heróis, como a própria Luíza.
Antes da teatral lei áurea, os mesmos gestores prepararam a lei 601, em 1850: foi a lei da terra que destituía os homens de cor de ter qualquer possibilidade de acesso a propriedade da terra. assim, com o "teatro da abolição" a república se instala, cedendo a terra para imigrantes europeus em detrimento do imigrante nu (ou povo da noite, como eram denominados os africanos pelos dos fundamentalistas construtores racismo).
Hoje, os descendentes dos europeus monopolizam todos as posições-chaves da sociedade, enquanto os descendentes de africanos, os afrodescendentes, precisam comprar sua alforria, assim como Luíza Mahin o fez.
É notório perceber que a  ideologia implantada pela branquitude, propaga descaradamente a inferioridade como atributo inerente as negras e negros de nossa república. Por outro lado, ela redime o afrodescendente que aceite esse mote como verdade absoluta, aceitando a branquitude como princípio. 
Assim o Brasil deixa de ser racista; as negras e negros passam a ser invisíveis para os próprios afrodescendentes, uma vez que sua identidade lhe é negada. 
Hoje, em pleno século XXI os afrodescendentes ainda vivem naturalmente como escravos de ganho;  o motorista, o professor, o lixeiro. enfim, todas as profissões próprias de escravos de ganho, sendo estimulados   pelos novos senhores de escravos, através de programas de incentivos. todo o dinheiro, ganho diariamente com o suor de seu trabalho indo para seu dono, hoje denominado de empresário. O aforismo do mecanismo da meritocracia, faz com que esse escravisado acredite que ele é livre, e que pode conseguir tudo que o eurobranco, o empresário, conseguiu. Falo desse empresário de sobrenome gringo, herdeiro do espólio dos privilégios adquiridos através das benesses da branquitude.
Os benefícios prometido aos afrodescendentes, propagada pelo sistema meritocrático aos que aderirem à branquitude, faz com que a identidade negra ganhe novos contornos. Assim, todos passamos a ser iguais perante a lei, sendo que a justiça fica por conta dos caprichos da branquitude, gestora da instituições comandada pelos eurodescendentes. 
Portanto, o Brasil hoje é um país multicultural, onde todos convivem em perfeita harmonia, a despeito do genocídio de negros, transmitido todos os dias on-line ou via satélite, ao vivo e em preto branco; tão natural como negar o sistema de cota nas universidades e negar a existência do racismo em nosso maravilhoso Brasil varonil... e quem não acreditar nessa máxima...vá pra... longe do Brazill,... zill,...zill...
Do contrário, teríamos que inventar e implantar um novo sistema de alforria...E dessa vez...Sem cotas...!!