É inevitável
fazer uma analogia entre a dificuldade encontrada para se destreinar um renitente
animal, com as nossas frequentes tentativas para desaprender e desconstruir os
limites sorrateiramente instituídos em nossa sedutora zona de conforto. Nesse
caso, os pensamentos são como tatuagens superpostas, pintadas pelos pincéis dos
sentimentos, sobre as molduras incandescentes das emoções formadas nesse
palimpsesto à flor da pele.
A vitória
se encontra no trabalhar com o poder
das emoções, aliando as mesmas aos sentimentos originados. Ou seja, trabalhar com
os únicos olhos que enxergam de fato, que são os olhos do coração; uma vez trazido
ao nível do canal da dialética, nos permitirá gerar um processo, aonde as
consequências provocadas através dos nossos atos, passem a ser medida de fato. Essa
é a maneira diligente, através da qual deixamos de ser vítimas das nossas
próprias ações, já que, somos a causa de absolutamente tudo aquilo que acontece
conosco.
Por sermos
seres curiosos por natureza, acabamos por criar variadas maneiras de produzir
nossos próprios monstrengos; principalmente quando encaramos o obscuro abismo
existente no espelho da nossa fantasia; só que realizamos esse procedimento no
metafórico processo de lançar esse olhar sobre o outro, que naturalmente já é o
nosso espelho. Portanto, é muito mais conveniente nos equipar com um
responsável a tiracolo para se apontar, que não seja a gente mesmo, pelos atos
desconfortáveis que abrolham como consequências em nosso cotidiano, para enfim,
descobrirmos mais uma vez que esse é um método simplesmente inócuo.
Deste modo,
podemos então parar observar o cenário maior, na condição de sermos nossa
própria testemunha, num processo que exige que investiguemos profundamente a nós
mesmo, com a profunda aptidão de um autêntico buscador, como um cientista se
autopsiando, confirmando ser, tudo aquilo que deseja descobrir Ser.
Portanto, é
a autoconsciência desse sentir, que
deve motivar o pensar na nossa ação, que enfim, moverá a nossa intenção. Dessa
maneira, uma bela revoada de borboletas se fará sentir no estômago, junto com a
afetuosa leveza de um coração saltitante no coroamento das refinadas, elegantes
e legítimas intenções originárias. Assim,
os mundos do Pensamento, dos Sentimentos e das Emoções, alinhados, comemorarão,
celebrando este acontecimento único com folia até nos confins da galáxia.
Eis o sujeito em festa, celebrando numa folia que acontece simultaneamente em três diferentes mundos coexistentes em seu próprio corpo. Assim, tudo o que ressoar nesses mundos, repercutirá como um raio refletido no infinito, retornando ligeiro como um bumerangue trazido pelo vazio responsivo do silente eco cósmico observador. Desse modo, o que a mão esquerda faz, a direita também vai saber, pois agora elas trabalham de forma conjugada; assim como os mundos existentes em nosso interior; o que faz do nosso corpo, um corpo celeste, orbitando em nosso próprio universo, que timidamente reflete o firmamento, frente ao desmedido brilho emitido pela abóboda desse espelho Cósmico universal.

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