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sábado, 9 de janeiro de 2021

A Metafísica da Jardinagem na Agronomia Universal

Todo ser humano é um potente agricultor, visto que, invariavelmente, seus atos e pensamentos; e tudo mais que emanar do seu coração e de sua mente; se transforma numa poderosíssima super semente; gerando frutos que inevitavelmente ultrapassarão o tempo e o espaço, indo muito além do próprio semeador. Portanto, é notória e patente a eclosão de cada semente-pensamento, gerando a toda a nossa forma de ver e sentir o mundo, ser exibida como uma criação com a assinatura e autoria definidas, na saga de uma vida vivida desde o céu até o umbral. Portanto, não existe escapatória para esse fenomenal axioma cosmológico.

Alguns rotulam esse processo, que preconiza que toda ação resulta numa reação, como Lei de retorno, Lei de Talião, etc., por conseguinte, tudo aquilo que fazemos em nosso cotidiano, metaforicamente, significa que estamos a semear um magnífico pomar com frutas diversas, um mágico bosque encantado ou uma fantasmagórica floresta assombrada nas dependências de nosso próprio lar; nosso teto; nosso mundo.

Cada suspiro que acompanha um pensamento, cada intenção e cada lamento, são como estrelas no firmamento; pois eles trazem consigo sentimentos que podem iluminar ou até mesmo nublar cada hora do nosso dia, do cotidiano ou estação do ano; e como qualquer fruto, eles germinam, crescem e amadurecem, a fim de saciar a fome do dia ou provocar uma bruta anorexia, dando assim, ao corpo, a mesma forma da alma, seja enferma ou sadia.

Somos Deuses e Deusas, criadores do Universo que existe em cada um de nós; universo que, por sua vez, formam os Multiversos que constituem o infinito Cosmo. Portanto, olhar para as estrelas no firmamento, é encarar e reconhecer a si mesmo nesse espelho que a vida sempre foi. Sendo assim, esse mesmo espelho, ininterruptamente responderá sempre, que, não há ninguém mais belo do que Você, Eu e Nós; porque somos todos, a imagem e semelhança do Amor: o criador, autor e fundador do Tudo e do Todo.

Nossos pensamentos, uma vez, nublados pelo ego, consentiram infundir e perpetuar um funesto sono em seu eterno e imortal Deus interior, ao narcotizar, separar, acorrentar e manipular os sentimentos contidos em seu sagrado ser. Desde o fruto da Árvore do Conhecimento à Maçã da Branca de Neve, que, ouvindo o canto da sereia, criamos uma realidade manipulada pelos escravagista que acorrentaram as nossas emoções, provocando pensamentos limitantes e sentimentos descapacitantes; construídos pelos sedutores sonhos de possuir uma bela mansão, uma casa na praia e carro do ano; a maravilhosas promessas de um fictícia Terra Prometida e um Paraíso Celeste; promessas essas, impressas e digitalizadas em livros sacralizados.

Desse mesmo modo, personificaram um Deus ficcional e disfuncional, e aproveitaram o ensejo para fabricar um Diabo ocasional para justificar quaisquer erros legal, real ou normal. Esse foi o golpe de mestre, o pulo do gato. Ou seja, foi a maneira mais eficiente, e habilmente usada, para realizar o distanciamento entre o divino e o humano.

Definitivamente o ser humano é um Deus. Mas, a fonte criativa, a Consciência Universal; não é um ser humano. Análogo a um ponto que dá origem a um círculo, Ele é o Tudo que está no Todo, da mesma forma que o Todo está em Tudo.

Que as nossas palavras sejam flóreas sementes candentes; assim como os nossos atos, sejam transformados num flamejante jardim de luz, para que, os mais recônditos umbrais se transmutem em fulgentes Édens; gerando assim, os devidos frutos do conhecimento há muito ocultado no imo das trevosas brumas de outrora.

Sejamos os jardineiros no Universo dos pomares do nosso Olimpo, e não mais o ceifador temível e ameaçador Caronte, capitão do tenebroso Tumbeiro que se camufla nas profundezas das cavernas platônicas, e navega livremente na superfície dos textos, disfarçado e protegido pelas letras dos discursos retóricos.

As palavras e as ações, são sementes; reluzentes ou não; mas, somente o fruto dessa semente é certeza inconteste; tão exato como a neve se derrete ao sabor abrasador do vulcão queimante; ou como a caudalosa chuva que irriga o chão assolado por longa estiagem; e assim como os raios Solares, que jamais existiriam sem a imperiosa e pungente presença do Sol, a sementeira universal também não existiria sem o seu semeador; mesmo que esse semeador seja totalmente inconsciente, ou se achar por demais inteligente para considerar esse processo como fato; inevitavelmente ele conhecerá o sucesso ou o fracasso gerado por cada ato, totalmente axiomático.

 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Om Mani Padme Hum

Observar, Aprender e Amar: como um negro gato grávido de muitas vidas já vividas; sem quaisquer medos, damos saltos de Alegria de noite e de dia; com extrema maestria; enquanto o ego se cala e silenciosamente o coração fala, chamando e procurando por nós mesmos, no interior de cada nó cego transformado em laço singelo, ao sentir no regaço, o aroma das rosas e a dor dos espinhos; eis o segredo da missão acordada de cór; desde sempre; até o momento presente.

O primeiro salto de fé rumo ao desconhecido, executado sobre a nano imensidão escura desse vazio; nesse espaço sem o chão da razão comumente usada como apoio das bengalas que escoram a nossa falsa proteção; exibimos como quesitos únicos de pontuação, somente o desapego e a aceitação como espada e escudo de combate, para executar essa missão possível, plena de descobertas e exploração.

Desvendar e cultivar o nosso continente cosmológico interno, pleno de Galáxias, Universos, Multiverso e Omniversos, requer uma atenção especial focada e voltada para o coração, que é a nossa fonte dos Duelos desprovidos de revanches ou retaliação. É dessa forma que nos sagramos Cavaleiros, não de uma cruzada evangelizadora de outrem, mas sim, de uma cruzada Cristalina, ou Crística, em busca desse Deus interior que sempre esteve lá; pois é a fonte criativa, é a Consciência Universal, o inominável com mais de mil nomes.

Tudo fora dele, dessa fonte criativa, é reflexo daquilo que o sujeito carrega em sua alma; pois, a exemplo do criador; ele também cria sua própria realidade. Mas, equivocadamente, tem relegado a responsabilidade de sua própria criação a um Deus humanizado, patenteado e disfuncional, que reside num palácio de ouro, refestelado num fictício trono de pedras reluzentes nos confins de um céu inexistente.

Enquanto estivermos executando a função de eco, reproduzindo esse discurso colonizador e escravagista que instituiu o paradigma do movimento de invasão e pilhagem de terras aborígenes e indígenas, como narrativas oficiais de extraordinárias descobertas científicas da história moderna, continuaremos a olhar para fora de nós mesmos, em direção a esse deus disfuncional, construído pela narrativa dominante e patenteado pelo poder escravagista colonial, como ideologia descapacitante mantenedora de todas as crenças limitantes, que nos formatam enquanto produtos, social e biologicamente condicionados.

Portanto, o compassivo e afetuoso processo de olhar para dentro de si, é a verdadeira descoberta que determinará a apropriada evolução humana; pois só assim, perceberemos que a verdade vem de dentro; visto que ela, a verdade, não pode ser dita nem narrada; é como um dedo apontado em direção a lua; também ela, a verdade, pode ser somente apontada; a sua descoberta cabe a cada pessoa.

Mas, no momento, a nossa permissividade à escravidão mental consegue identificar no discurso colonizador, somente o dedo apontando uma direção, enquanto oculta a lua e revela unicamente os reflexos da nossa própria escuridão, que vem a ser o receio de um doloroso futuro inexistente, provocado através dos nossos medos, adquiridos através dos sofrimentos oriundos no pelourinho, que geraram os presentes traumas humanos.

Olhar para dentro de si, é descobrir e explorar o seu próprio centro de poder; poder este que hoje é cedido ao cataléptico Estado de escravidão mental, limitante da expressão da pessoa plena de si, enquanto coletivo humano; e nesse compassivo processo, ao descobrir que somos um, Deus deixará de ter mil nomes para enfim, tornar-se um. Só assim, descobriremos que Deus é Amor e não um punhado de nomenclaturas ordenadas por ritos, bulas e regras descritos pelas crenças limitantes pregadas nas inúmeras religiões existentes.

Para curar-se desses traumas, oriundos do medo; é necessário o olhar afetuoso para si mesmo; e sem críticas ou julgamentos, desapegar-se dessas crenças limitantes aprendidas desde o berço, relegando assim, a nossa felicidade unicamente ao momento presente. Dessa forma, deixando ir, teremos espaço suficiente para descobrir, ou redescobrir, e explorar o novo paradigma do agora; teremos enfim, tempo de, metaforicamente, olhar a lua, e não mais nos determos na eterna dúvida na direção a se seguir; já que o tudo está no todo e o todo está em tudo, desde o aroma das rosas até a dor do espinho, esses sentimentos inevitavelmente serão suscitados durante o ousado salto executado através das grades dessa gaiola que enclausuram o nosso sagrado coração.

Somos como um vistoso pássaro cativo a cantar no interior de sua gaiola, ou como aquele meigo peixinho dourado circunscrito ao restrito espaço do seu belo aquário. Ambos, a exemplo das crenças limitantes que formatam o nosso mundo, têm as suas realidades concretas expressas nas grades e vidros que os circundam, sem que eles, assim como nós, tenham a mínima consciência sobre tal fato.

O medo do imenso vazio ou do profundo oceano, se ajustam entre a conformidade do daquilo que é conhecido, frente ao profundo mistério que permeia o desconhecido.  Foi desse modo que a pessoa humana se adaptou a pseudo segurança proporcionada pela rotina expostas nas paredes do seu ilusório mundo, se conformando em entoar o seu triste blues, acorrentado aos sentimentos domesticados e formatados pelo inconsciente coletivo, provenientes de seus mais profundos traumas.

Assim, os mais simples comentários a respeito de quaisquer ideias referente a algum tipo de metamorfose dirigidos a uma crisálida, podem simplesmente soar como o final dos tempos; um tenebroso e formidável armagedom. Por isso, esse processo se transformou numa luta, num permanente combate consigo mesmo; visto que, somente a própria pessoa pode se permitir caminhar, ou parar no caminho em direção a ela mesma.

Este é um contundente processo de escolha: ser uma pessoa plena de fato, ou ser resultado da manufatura de um mero produto de ocasião. Ou seja, é a escolha entre ser direcionado pelos sacralizados fantasmas dos traumas do verão passado; suscitados e continuamente ressuscitados através de nossos próprios medos; ou escolher ser guiado pela eternal presença do Deus interior; esse mesmo Deus que permitimos ser narcotizado no interior do nosso sagrado Eu Sou... É como na alegoria do dedo apontado para a Lua mencionado pelo filósofo e artista marcial Bruce Lee. Esse mesmo filósofo peremptoriamente nos admoesta a não deter a nossa atenção no dedo apontado, pois dessa forma, perderemos toda a potência, a beleza e o esplendor da Lua.

Como o compassivo processo de enxergar-se a Lua, metaforicamente significa o romper de grades e a quebra dos frágeis vidros dessa vistosa vitrine, na qual fomos expostos e condicionados como resultado de um pérfido produto narrativo; há de ser esperar que esse processo seja exibido pelas manchetes e tabloides sensacionalistas como algo extremamente dramático, e até mesmo violento para aqueles que dormitam; e, por outro lado, seja também exibido como uma advertência a fim de admoestar aqueles que se acham por demais inteligentes para atentar para tal fato, e como qualquer zumbi capitalista, sonambulam no alto do púlpito imagético, armado no picadeiro da sociedade Hollywoodiana.

Sendo assim, é este o momento em que, a crisálida escolhe entre o desacreditar na possibilidade numa existência além do casulo e, por conseguinte, na probabilidade de uma vida após a vida; cultivando assim, o doméstico medo de sua inevitável metamorfose; ou escolher efetivamente partir para o seu salto de fé em seu desconhecido vazio, desapegando-se das experiências passadas num traumático passado; além das expectativas virtuais num possível futuro; para assumir renovadas perspectivas de cada momento que se apresentam como mais um presente no Jardim do nosso eterno Agora; transformando seu sagrado peito, no paradisíaco Novo Portal de retorno ao Éden Ancestral.