Rompendo o silêncio histórico do povo melaninoso, protagonizando o outro ponto de vista de uma outra história que se evita ser contada, afrocentrizando o olhar paradigmático sobre a cultura oficialmente formatada, patenteada e legítimada como única.
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sábado, 30 de novembro de 2019
sexta-feira, 29 de novembro de 2019
A Verdadeira História de Um Brasil Brasileiro
Lamentavelmente a história
do Brasil ainda não foi escrita; e para que isso finalmente venha acontecer, o(s)
historiador(es) não poderá jamais ser um fruto dessa pervertida academia colonizada e
colonizadora, que se dedica com afinco, com esmero e extrema habilidade a função de
legitimar essa mesma dominação que impôs um padrão de produção de conhecimento,
de trabalho e de salários racializados; padrão este infligido através do crime
da escravização e da violência colonial promovida pelo Estado. Nesse cruel e
corrupto processo, foi criada e a nação brasileira fundamentada a partir de uma
sociedade monorracial, quando na verdade, a sociedade é que nasce da nação e
nunca o inverso.
Dessa maneira,
o povo indígena e o povo negro alijados dessa sociedade que foi a única no mundo
que importou, subvencionando imigrantes europeus a fim de embranquecer a
república recém-criada na Terra da Santa
Cruz, com o claro intuito de europeizar e formatar um povo brasileiro
europóide.
Mas elite
tupiniquim viu seu projeto de nação adernar, uma vez que o extermínio dos Povos
Indígenas, a eugenia e o genocídio do Povo Negro, não foram suficientes para
erradicar os genes dominantes imposto pela natureza a cada menina e menino que
nesse solo nascia com melanina, frente aos genes recessivos dos degradados portugueses
e imigrantes europóides.
Foi assim
que, recém libertos, em 1891 as negras e os negros pós escravizados, são juridicamente excluídos pelo
Estado republicano do emprego formal, cabendo aos imigrantes europeus, até os
dias de hoje, a prerrogativa de empregabilidade e o livre acesso a posse da terra. Assim funciona a nação brasileira: com diferentes povos habitantes, mas somente um
deles possuindo a cidadania plena, com acesso aos benefícios e privilégios da
presença do Estado de maneira positiva.
Dessa maneira,
podemos inferir que a questão do negro no Brasil vai além da questão racial, visto
que os sinistros fatos e as fúnebres estatísticas de ocorrências do racismo no
Brasil mostram a impossibilidade do uso da letra da lei ou da falácia da
igualdade racial, como recurso para a transformação de um indivíduo racista num indivíduo não racista, e menos
ainda, antirracista. Portanto, a busca por uma improvável e mítica democracia
racial deixou de ser prioridade para o portador de melanina; a questão do negro no Brasil, deixou de ser uma questão racial na disputa de poder; a questão do negro é uma questão
nacional.
É inadmissível
que o Estado nacional seja um Estado particular de uma elite monorracial que
não se vê no povo, e uma vez que, tal como Narciso, ela não se enxergando no
próprio povo, essa elite pouco se importa com as questões que envolve esse
mesmo povo. Ela egoisticamente se volta para si mesma, desde as telas do cinema e da TV, das capas
de revistas até na matinê, e o que cabe ao povo preto, além do pão e circo, restam-lhe somente as grades das
cadeias e dos hospícios, o frio chão dos orfanatos e dos asilos infectados.
Portanto, podemos dizer que as tentativas de integração do negro a essa sociedade europóide a partir das Ações
Afirmativas ou da retórica da ingênua exigência de igualdade racial, é análoga a
penosa missão de enxugar gelo ou encaixotar fumaça que substituí a pedra de
Sísifo do lado de lá e o látego do verdugo do lado de cá, que amarra os nós construtores dessa Matrix construída pelo Grande Irmão. Sendo assim,
a história do Brasil sem o negro, não passa de uma história desonesta,
conveniente e covarde. Ou seja, uma tétrica história de humor branco, já que a
história da “civilização” branca tem sido uma história de roubos, de mortes, de
invasões, de torturas, de saques, de corrupção e assassinatos. Os museus
europeus e norte-americanos trazem as provas dessa trilha de destruição deixadas
pelos europeus em todos os lugares em que se fizeram presentes, enquanto as marcas e cicatrizes dessa trilha foram deixadas na alma negra em forma de medos, traumas e síndromes.
Sendo assim,
a história do Brasil, quando finalmente for escrita, não será uma história de
revisionismo nem de vingança, mas sim, uma história de resgate humano, num conto habitado por Reis e Rainhas, Príncipes e Princesas, Magos, Bruxas, Fadas e
Feiticeiros e não por daquelas personagens confeccionadas pelo clero e queimadas na
fogueira da santa inquisição e retalhadas pelos chicotes do crime da escravidão.
sexta-feira, 22 de novembro de 2019
quarta-feira, 20 de novembro de 2019
sexta-feira, 8 de novembro de 2019
Da água viemos, para a água voltaremos.
Hoje, o Rio
de Janeiro amanheceu amazônico; coberto por caudalosos rios flutuantes, com
pássaros surfando como golfinhos sobre os vapores das fontes d’água que
jorravam do alto das montanhas, inundando toda cidade e enchendo o atlântico mar; nosso
grande calunga.
Eu, só rio
ao imaginar um mergulho profundo do alto do Cristo até a assembleia legislativa,
e em seguida nadar pelas Avenidas batizadas com nomes dissimuladamente fakes que tingem de preto e branco o asfalto vermelho de sangue preto, separando as águas doces das águas salgadas por onde adentravam os tumbeiros com afro-defuntos vivos, enquanto a
cidade, lá no fundo do Rio, sem botos, golfinhos nem sereias, jazia serena no
silêncio de sua tumba lacrada com sangue, suor e lágrimas, com as águas de
março enchendo esse rio flutuante, que seguia seu rumo, sem deter seu fluxo
diante de cada pau e de cada pedra encontrados pelo caminho dessas Avenidas Atlânticas chamada Brasil.
É assim que em todos os
meses de dezembro, de cada ano novo que se segue dos janeiros de todos os novembros, o Cristo redentor construído com as pedras brancas vindas do solo
Parisiense e montado na cidade de São Gonçalo, anda sobre as águas de março enquanto
se empretece ao ser parido por Nossa Senhora Aparecida.
Dessa
maneira, o verbo se faz carne nessa cidade antropofágica repleta de zumbis de
Hollywood e de Palmares; zumbis nascidos das telas televisivas e dos livros de
histórias contadas por narrativas dialéticas e retóricas. Esse diálogo faz
parte de uma das histórias do inconsciente coletivo cultivado nesse labirinto
de possibilidades trazidas pelas águas desse Rio que, sedento, sorri de si mesmo enquanto
morre de sede em frente ao mar.
O tempo de
caminhada entre a Amazônia e o Rio Janeiro passa ligeiro, pois o mesmo é
contado pelos números das inúmeras gotas geometrizadas pelo tempo que circula em torno de
si mesmo, ao afirmar que, se da água viemos, para a água retornaremos.
Enquanto
isso, as sereias e os Delfins silenciosamente circulam sob os rios flutuantes
sem serem vistos nem ouvidos, ao mesmo tempo em que, o Cristo sorrindo, abre
seus braços num abraço fraterno, antes de mergulhar em sacrifício, nas profundezas
desse Rio de sangue negro, afogando-se nas pretas lágrimas desse Rio Preto. Dessa
forma, é revelado o porquê da quântica axioma que nos diz que, se da água viemos e para a água que retornaremos; e no leito desse rio, nessa
corredeira de sorrisos feito de salgadas lágrimas, desembocaremos enfim, no cósmico oceano universal
assim que atravessarmos o interdimensional buraco negro da nossa própria consciência.
segunda-feira, 4 de novembro de 2019
REPARAÇÃO AOS EX-ESCRAVOS PRECISA SER DISCUTIDA
O artigo anexo
abaixo foi escrito há mais de 120 anos; pode ser encontrado em Brasília, no
arquivo do senado federal; foi publicado no Jornal do Senado do Império no dia
14 de maio de 1888, um dia após a assinatura da Lei Áurea. É necessário
ressaltar a notoriedade do seu atualíssimo contexto.
A criação
de TRABALHO para os libertos é uma preocupação. Os negros mantiveram tradições
do continente africano, como jogo da capoeira. Não faltaram discursos de abolicionistas
como Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, Luiz Gama e Rui Barbosa defendendo a
oportunidade de oferecer oportunidades para integrar os ex-escravizados à sociedade.
A grande
dívida com os escravizados libertos
deve ser saldada para que se possa construir uma sociedade justa e igualitária.
Nesse momento em que o Brasil comemora a assinatura da Lei Áurea, alguns
abolicionistas colocam em foco a preocupação diante do quadro nebuloso que
envolve as consequências de um processo que era inevitável diante de séculos de
domínio sobre as populações negras e que não foram contempladas com nenhum tipo
de compensação.
Em razão
disso, é lícito prever que a pauta de debates do parlamento, neste final de
século 19, deverá incluir propostas visando contemplar, de alguma forma, os ex-escravizados e seus Descendentes, é
possível até que essa discussão não tenha fim na próxima década e termine se
estendendo pelo século 20, mas desse-se ter em vista que a REPARAÇÃO que
precisa ser atribuída aos ex-escravizados e sua gente, não se confunde com
qualquer tipo de vida por representar, isto sim, um legítimo direito. Ao longo
da luta pela abolição foram discutidas propostas nesse sentido, a desapropriação
de terras não exploradas e o desenvolvimento agrícola. É mister que se estudem
ainda outras formas e acesso à educação conferindo a dignidade ao indivíduo.
14 de maio
de 1888
sábado, 2 de novembro de 2019
As Relações de Poder nas Disputas Meritocráticas no Jogo da Vida
Após o crime da colonização, a vida
afrocêntrica estatizada, passou a ser vivida sobre a cela de um assombroso
tabuleiro de xadrez, aonde as regras, na forma da lei, foram maquiavelicamente elaboradas com o auxílio de um Bispado e de um suposto rei sem
um reino real. Após cobrir esse melaninoso corpo negro com tais regras, estatutos e leis que lhe constituíram enquanto ser, ditando seus caminhos e sua identidade de destino, foi usado para tal intento, a cor desse mesmo indivíduo como
quesito que revestiu, como a armadura, a sua tez; definindo-o a partir das cores claras ou das cores
escuras a qual os mesmos jogadores desse infame jogo, como partícipes, eram portadores, com o fim único de eleger as cobaias desse
experimento racial desenvolvido sobre o sagrado solo de Urântia.
Dessa forma, o sujeito preto se viu
repentinamente num campo de batalha onde a sua cor definia e estabelecia o time ao qual ele passaria a pertencer na condição de privilegiado ou de desprivilegiado, de
acordo com as regras elaboradas para reger esse sinistro jogo; regras estas criadas
pelo branco rei sombrio, enquanto o bantu Rei de ébano, se descobriu
como preto ao aceitar, mesmo desconhecendo tais regras feneratícias e leoninas leis regentes .
Foi assim que a Rainha e o Rei Negro, sem que
percebessem tal situação, se transformaram em Peão, já que desconheciam que as suas epidermes fossem a razão da presunção de culpa,
sem jamais ser de inocência, ou algo similar a tal equânime valor, até que se
provassem o inverso. Dessa forma, as consequências de cada jogada, estava
condicionada exclusivamente a cor de cada jogador partícipe nesse labirinto de
dor, mesmo que no caput das referidas regras meritocráticas,
contraditoriamente rezassem o inverso, estabelecendo assim, uma imensurável distância entre a dissimulada prática vigente e o retórico
discurso banalizado, gongórico e prolixo no cotidiano da urbe.
Dessa maneira, diante desse proposital e conveniente
engano, esse arrepiante jogo da vida se transformou num perigoso jogo de morte
justamente para aqueles a quem se tinham sido conferidas a cor errada, passando
os mesmos então a caírem tragicamente diante daqueles que possuíam a cor aceita e o
time certo.
Esse jogo emocionante de sucesso estrondoso
foi transformado em rotineiros roteiros de filmes, novelas e comerciais, para
que os jogadores, pudessem conferir e aferir melhor os seus lugares e as suas posições
no tabuleiro preto e branco desse jogo da vida disputado a partir dessas
referências publicamente ditadas e expostas como padrão oficial pelo generoso Dream Time da mídia
europoide.
Dessa maneira, de um lado temos um time de
alta performance e totalmente profissional enfrentando um outro time que nem
sabe que não sabe que faz parte desse espetacular jogo sujo, que é televisionado,
filmado e exibido a cores como atração imperdível para os integrantes desse
desavisado time que alegremente assiste de pé, nessa arquibancada bancada com
muito pão e circo servidos durante os intervalos de cada cachoeira de sangue
jorrado nessa animalesca arena, enquanto aguardam o sorteio desse mesmo jogador que, por
hora se encontra a aplaudir, esperando a sua vez, ao mesmo tempo em que executa alegremente, e de forma profissional, aquela linda onda negra conhecida
como Ôla.
Foi dessa
forma que os integrantes da Campanha de Reparação aos Descendentes dos Povos
Africanos Escravizados no Brasil, concretizando esse intrincado jogo de
negociação com o Estado Nacional, se viu diante das complexas contradições posto
na forma da Lei, com os jogadores chave dessa ação. A Lei 6613/2019 foi a primeira Lei aprovada no
Brasil, no plenário da Câmara Municipal da cidade do Rio de Janeiro, impulsionada por um vereador com a cor certa jogando pelo time errado; enquanto
que os jogadores de cor errada imiscuídos no time certo, fizeram o possível para travar o referido processo, quando perceberam que os procedimentos iniciava a fase de efetiva de execução.
Olhando o
caminho percorrido pela militância negra, percebemos que esse mesmo ardil foi
usado pela elite dominante nos momentos cruciais desse jogo; como foi, por
exemplo, o caso da criação e estruturação da Seppir, a Secretaria de
Políticas de Promoção da Igualdade Racial, elaborada por José Dirceu, um jogador do time nórdico que, como de hábito, são sempre os mesmos jogadores que criam e protagonizam as regras para reger o time de ébano. Outro exemplo similar a este, foi o fato do relator do Estatuto da Igualdade Racial ter também sido o responsável
pela aprovação do referido estatuto sendo ele outro jogador nórdico dessa equipe da cultura dominante adversária ao
Time de ébano; estamos falando de Onyx
Lorenzoni, na época então deputado e hoje ministro
desse inominável governo.
A diferença
entre os processos citados acima e a Campanha de Reparação aos Descendentes dos Povos Africanos Escravizados no Brasil, campanha movida pela OLPN, é bastante óbvia; podemos perceber que, ao contrário do caso da formação da Seppir e da criação
do Estatuto da Igualdade Racial; estatuto esse que nenhum preto pobre tem
quaisquer conhecimentos a respeito mesmo após terem se passado vários anos de sua
aprovação; trata-se do sujeito protagonista do processo em ambos os casos; e esse é o detalhe que confere
a complexidade paradoxal ao seu desenvolvimento rumo a sua efetivação de fato e de direito.
Portanto, no enredamento entre essas cores metamórficas, manipuladas por regras e
estatutos, leis e tratados, discurso e práxis, temos um plenário partícipe rico em possibilidades, aguardando somente a coletividade negra dizer a que veio, desde
o momento que esse coletivo negro se perceba nessa atual conjuntura; mas isso só poderá ser modificado,
após a sua definição e inserção como coletivo negro de fato; promovendo assim, uma coletividade sem as grotescas feridas contidas nesse inconsciente coletivo estruturado
pelos códigos jurídicos cultivados pelo time dominante que instituiu a
colonização mental, física e epistemológica como forma de controle e poder absoluto.
Dessa forma, quando internalizaremos que todos somos um, após obviados pelo poder dominante, nossos Peões, estando a postos, inverterão suas posições numa jogada única onde se
transformarão em soberanas peças desse tabuleiro vermelho-sangue que ornamenta a Grande e branca
tela dessa mídia racista. Dessa maneira, a Rainha finalmente voltará a reinar,
abrindo o canal da vida plena, sem os entraves meritocráticos e as hierarquias
sufocantes que escravizam o ser, enquanto sujeito pleno de si mesmo. Dessa maneira, a escravização finalmente terá
seu termo, como havia de ser, mesmo que já tenha passado da hora desse inevitável
processo acontecer.
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