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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

O Grito dos Excluídos

Quem somos...?
Saudações fraternas a todas e todos; somos integrantes da OLPN; Organização para a Libertação do Povo Negro, cujo denominação já fala por si. Após todos esses séculos passados, desde o deplorável crime contra humanidade que foi a hedionda, vil e violenta escravização dos Povos Africanos e a consequente continuação desse crime, que vem se perpetuando na atualidade através da exclusão social, que é sustentada pela colonização moderna, que vem exercendo a prática do racismo, do extermínio e genocídio dos descendentes desses Povos; estamos aqui, na condição de afrodescendentes e representantes de nossos ancestrais, esses povos que foram aberta e oficialmente violentados por esse aterrorizante crime da história.

O que queremos...?
Mesmo que, ao contrário dos povos indígenas, ciganos, judeus, palestinos e tantos outros povos, os afrodescendentes ainda não se reconheçam enquanto Povo Negro, queremos aqui nos manifestar, com o intuito de elucidar e estabelecer as devidas responsabilidades ao revelar o macambúzio ardil advindo das atitudes dolosas e desumanizadoras consequentes do citado crime da história, que foi a escravização dos Povos Africanos, praticado pelo Estado com o fim último de exercer o abuso do poder sem pudor ao fazer uso abjeto do sistema escravocrata, como forma de obter o total controle do subjetivo desse sujeito humano, por conta de sua condição social e da cor de sua pele. Dessa maneira, efetivamente, viemos aqui decretar a equidade como forma única de poder decisório do exercício dos governos na cadeira do Estado brasileiro, a partir da decisão da coletividade e através do compartilhamento desse poder.

Como faremos...?
Fazendo uso da contraditória conjuntura política e jurídica dominante monorracialmente controversa, que subalterniza o indivíduo enquanto sujeito e corrói toda a estrutura humana, gangrenando o tecido social ao transformar o cidadão num servo social e escravizando o afrodescendente enquanto sujeito social; Como membros da OLPN, determinamos hoje que, os mais de 300 anos de crime contra a humanidade, tenha o seu fim decretado, nesse momento que, enquanto coletivo, deliberamos o começo de uma era pautada pela ação equânime e re-humanizante de todos os povos que foram excluídos e exilados em seu próprio solo através do Crime tráfico negreiro, da escravidão e da colonização.  Dessa forma, convocamos todos os Povos excluídos e degredados a sustar definitivamente esse vampiresco círculo vicioso entre escravistas e escravizado, cessando definitivamente essa insídia coisificante do ser enquanto Ser.
Dessa maneira, através do processo de Reparação aos Descendentes dos Povos Africanos Escravizados no Brasil, será dado início ao Projeto Político de Nação do Povo Negro para o Brasil, a fim de redefinir a nação através de um Estado compartilhado entre as etnias que aqui vivem e tentam coexistir enquanto povos.

O que é e como se define o processo de Reparação...?
Reparação é o processo onde o Estado reconhece a escravização dos Povos Africanos no Brasil como crime da história, como foi determinado pela ONU; Organização das Nações Unidas; em 2001, na Conferência de Durban; assumindo a sua responsabilidade como participante ativo na promoção desse crime; e consequentemente, responder por esse mesmo crime, reparando os descendentes desses Povos que herdaram os traumas consequentes desse dolo.


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