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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Você sabe o que é REPARAÇÃO...?

REPARAÇÃO foi um conceito criado ao final da guerra dos 30 anos, numa Conferência realizada para procurar promover o ressarcimento do vencedor desse histórico conflito bélico,. Ela foi então concedida para cobrir os danos causados por tal guerra. Desse modo, a REPARAÇÃO foi a maneira pela qual a parte prejudicada por uma contenda bélica exigia como pagamento para recuperar os prejuízos aferidos. Era conhecida como Reparação de guerra.

Poderíamos ilustrar essa situação com mais precisão tendo como exemplo a 1ª grande guerra, quando findo o conflito, os países que deflagraram esses lastimável episódio, foram obrigados a indenizar os países vencedores e os “povos” prejudicados por tais ferozes combates. Mas como haveria de ser, os países responsáveis por tal guerra quebraram após esse pagamento, e desse modo, foi acordado que a Reparação dali por diante não seria mais exclusivamente monetária.

Dessa maneira, na 2ª grande guerra, a Alemanha, Japão, Itália em outros países do Eixo, arcaram com essas REPARAÇÕES, principalmente no que diz respeito ao povo judeu, que decidiram que queriam ter um Estado só deles como forma de Reparação. E assim foi feito, os Norte-americanos resolveram que as terras dos Palestinos confiscadas (roubadas) e doadas como propriedade ao Povo judeu. Por isso, os judeus e EUA são aliados convenientes e estrategicamente eternos. 

Aqui no Brasil, as vitimas da tortura impingida pelos militares durante o golpe de 1964, foram ressarcidos, mas não foram Reparados. Ou seja, existem diferenças categóricas entre Reparação e Indenização. Na Reparação, aquele a ser Reparado decide a forma, de que maneira e como deve ser Reparado pelo Estado Criminoso; diferente daquele que é indenizado, visto que quem decide como e de que forma se dará essa indenização é o Estado criminoso.

Podemos citar também, dando exemplo da forma perversa de agir dos Estados criminosos, o caso dos senhores escravocratas europeus que invadiram o Brasil, que exigiram (e ganharam) indenizações do Estado brasileiro, pelo simples fato de não poderem mais cometer o crime de escravização dos negros sequestrados no continente africano por conta da (falsa) Abolição da Escravatura; O Estado indenizou os escravocratas, fato este que foi registrado numa cláusula que acompanhava a lei-do-ventre-livre, recebendo até a década de 30 quando o governo Getúlio Vargas suspendeu esse pagamento indenizatório as famílias tradicionais que receberiam até hoje, caso não houvesse tal interrupção.

Este ocorrido, surpreendente por sua inversão de valores, como se deu neste caso; visto que a REPARAÇÃO se deu de forma contrária e contraditória, exatamente como o exemplo do Haiti; pois nesse caso, foi o vencedor que reparou o perdedor e não o contrário, o perdedor reparando o vencedor como reza no princípio da Reparação. Desse modo, os algozes é que foram indenizados pelos crimes que cometeram. Ou seja, mesmo perdendo eles ganharam. Aqui no Brasil, por exemplo, foi suis generis: as vítimas desses mesmos crimes transferiram esse legado aos seus descendentes, em forma de pobreza e estigmas racistas, como uma fúnebre herança dos crimes dessa escravização. 

Desde então, o Estado tem garantido a permanência desse dolo através de criação de leis como a de 1850; conhecida Lei da terra que impedia aos africanos e seus descendentes, de terem qualquer possibilidade ou condição legal de acesso a terra. Sem mencionar lei da vadiagem, que permitia, em última instância, que a elite branca aprisionasse e reescravizasse o negro que não tivesse ocupação estipulada como legal pelo Estado, como fazia a marinha do brazill sequestrando os negros sem trabalho ou sem teto para servir literalmente em seus quadros, dai o episódio do Almirante negro[1]. A recente lei do boi, que garantia a Educação gratuita aos filhos do Agronegócio como as cotas brancalóides para os filhos do judiciário que ocorre atualmente, assim como os imigrantes europeus vieram voluntariamente estimulados pelas cotas para brancos oferecidas pelo Estado brasileiro.

Deste modo então, o estigma ao negro se estendeu também a toda a cultura negra, como o samba, a capoeira, a religião e quaisquer manifestações do povo negro, que foram proibidas e desqualificadas, na medida em que o próprio negro foi sendo desumanizado e coisificado através da política da limpeza étnica conhecida como eugenia; política cujo princípio já constou na própria constituição brasileira como hoje consta o ensino religioso como única disciplina obrigatória em nossa atual constituição aprovada em 1988, confeccionada pela elite brasileira representada pelo estado Nacional.

Dessa maneira, nós negros nunca conseguimos nos integrar a sociedade brasileira como cidadãos de fato e de direitos, mesmo sendo o único povo existente no país atualmente, após a ocorrência infame do genocídio dos povos indígenas e a presença maciça dos imigrantes europeus, na tentativa inócua de formar um povo brasileiro branco; formando assim, uma população de imigrantes europeus que hoje comanda a economia de nosso país; enquanto nos fomos alijados de nossa humanidade, invisibilizados e socialmente silenciados.

Os países do mundo em sua maioria, com exceção de EUA e Israel, reconheceram, através da Conferência de Durbam, em 2001, na África do Sul, organizada pela ONU; Organização das Nações Unidas; como responsável pelos crimes de escravidão dos Povos Africanos em seu solo; fato este que o Brazil esconde de seu povo e se silencia diante das resoluções emanadas desse tratado internacional confirmado em Durbam, e mesmo estando de acordo com tais resoluções aprovadas que tipificaram como crimes da história a Escravidão dos Povos Africanos, o Tráfico Negreiro Transatlântico e a Colonização em África e América Latina. Sendo tais crimes imprescritível e inafiançável.

Dessa forma, a REPARAÇÃO é o único caminho para se negociar com esse Estado uni-étnico, de forma que seja possível promover-se minimamente a justiça, para que tal dolo possa vir a Reparar o que ainda é Reparável; pois além de tratar de um crime imprescritível, trata-se também de um Crime Continuado, já que até hoje sofremos todas as consequências provocadas por esse crime; pois é notório que a herança da escravidão para Negros e para brancos está explícita de maneira explícita e clara quando se olha para o morro e para o asfalto, em face a violenta dicotomia social e jurídica estabelecida e banalizada que reserva tratamentos diferenciados dirigido a ambos. Estamos aqui exigindo, além da justiça, através desse processo de Reparação, a nossa história, nossa memória e nossa própria humanidade de volta. REPARAÇÃO JÁ...!!!


[1] Como ficou conhecido o marinheiro João Cândido ao comandar a Revolta da Chibata no Rio de Janeiro.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Brazill: República Federativa do Holocausto Negro

A amputação de nossa história se deu com o sequestro de nossos tataravôs, no continente hoje chamado de África. Essa violência, como um nefasto crime que abalou para sempre toda a humanidade enquanto humanidade, é conhecida de forma eufêmica nos livros didáticos, como TRÁFICO NEGREIRO; também chamado de MERCADO INFAME.

Após esse violento sequestro, fomos torturados, humilhados e jogados num porão fedido de um Navio fantasma, rumo norte, em direção ao inferno branco povoado por santos eurocêntricos que prometia o sofrimento eterno para aquele que fosse portador de uma pele da cor das noites sem lua...

Fomos então depositados atrás de grades ferro, acorrentados e ensanguentados, depois postos em jaulas, inaugurando assim os primeiros zoológicos humanos do planeta, de toda a galáxia e do universo conhecido em todo seu esplendor. Assim enviezadamente imponderados, nos tornaram seres exóticos para sermos exibidos, vendidos, trocados, negociados ou dado de presente e destinado a esse futuro do presente ausente...

Hoje estamos aqui como construtores de uma nação rica e forte, que foi transformada em cárcere, em calabouço; nação transformada na câmara de tortura no holocausto continuado de um povo, nesse genocídio que se iniciou a mais de 500 anos, e que nas escolas é ensinado para nossos filhos como se fosse o capítulo de uma página virada dessa história que se passa em nosso presente; por isso, essa história adulterada e infame supostamente se refere a um povo esquecido, um povo vindo de florestas, um povo que habitava em tribos, sem civilização, um povo historicamente inferior...

Hoje vivemos aqui, exilados no país que nós construímos com nossas próprias mãos; vivemos nos Territórios de Exceção, em campos de concentração, vigiados pelo Estado e seus agentes; esse mesmo Estado que também diz nos representar dizendo que somos livres para continuar cativos ou para continuar sermos escravizados pelos descendentes de nossos sequestradores; Esse Estado nos diz que somos livres para continuar a produzir as riquezas dessas infames famílias chamadas de tradicionais, que sempre usurparam toda a riqueza por nós produzida...
A primeira noite eles vieram e roubaram uma flor de nosso jardim e nós não dissemos nada; a segunda noite eles voltaram, pisaram nas nossas floras e mataram nosso cão e nós novamente não dissemos nada; até que um dia, o mais frágil deles invadiu a nossa casa e roubou a nossa luz, e percebendo o nosso medo, roubou a voz de nossas gargantas. Hoje, mesmo que quiséssemos, já não podemos dizer mais nada...

Por isso eu conto e canto essa história silenciada nos sinistros porões dessa humanidade desumana que desfila na passarela de nossa preta cultura, soltando esse grito que arde no peito; que é o grito de uma raça nobre, é grito de uma raça guerreira, é grito da raça negra, é grito de capoeira...REPARAÇÃO JÁ...!!

Esse grito é para que possamos ver e rever o lamentável episódio do apartheid, não como um fato passado, mas poder observá-lo de modo que possamos recontextualizar-lo, enxergando não somente como um fato dessa página virada de uma história mal contada, mas sim, como um grotesco erro que jamais deva vir a ser repetido na história da humanidade, nesse momento tão caro onde a Colonização Mental tem afetado perversamente a humanidade no mais recôndito do seu ser, sem que enxerguemos os seus nefastos efeitos, que chegam envoltos em vistosos papeis de presente capciosamente concedido pelos habitantes de Troia com seu capitalismo brancopofágico que leva a sua liberdade cativa, surda e cega aos povos do mundo, impondo um saber roubado, adulterado e cheio de adornos em forma de gongóricos códigos. 


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Campanha da Reparação aos Descendentes dos Povos Africanos Escravizados no Brazil


Somos Filhos da Pátria que nos Pariu


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Pele Negra, Máscara Branca

Nos passos dados em direção ao processo de chute ao balde cheio de verdades greco-romana manipuladas, as grafias incisivas de Nietzsche despindo o despudor do cristianismo e o poder das palavras de Fanon retirando as máscaras brancas da cara preta disfarçadas do império feito de cartas jogadas com os blefes dos cerimoniais míticos de Tróia, foram determinantes para vislumbrar o corpo nu do maniqueismo religioso protegido pela máscara dual e dicotômica que separou o ser de sua humanidade.

Fanon precisou sair da Martinica para descobrir sua negritude, uma vez que chegando à França, se descobriu como um negro qualquer vindo da colônia francesa, pois foi exatamente desse modo que os franceses o trataram. Assim ele descobriu qual o requisito único para que uma pessoa pudesse ser considerada ser humano. Dessa forma, ele constata que todo negro, no afã de ser aceito se aliena de si mesmo ao definir essa patologia como Alienação Colonial, ao perceber a impossibilidade do indivíduo em participar e se constituir como sujeito de fato de sua própria história. dentro de suas relações sociais; mesmo tendo consciência dessa alienação e saiba o porquê dela. Sendo assim, não seria o bastante mudar a visão sobre o mundo para deixar de ser alienado, mas sim, seria necessário mudar o mundo.

Desse modo, inferimos que a luta não se resume ao campo das ideias; a luta deve ser prática; pois ele pensa a alienação de maneira objetiva e subjetiva, visto que o ocidente, afirmando o ser humano como razão, transferindo a natureza para o campo da emoção, e como tal, tratando-a como algo a ser dominado e controlado. Os pensadores iluministas, donos da razão, falavam narcisamente deles mesmos, se definindo como humanos a partir de sua religião, de seu Estado, tecnologia, etc. Esse padrão imposto pela violência colonial se faz presente em nosso sistema educacional hoje, que reproduz esse processo adestrando o ser humano dentro da razão eurocêntrica.

Dessa forma, para ser humano é preciso ser branco. Sendo assim, o negro passou a ter a necessidade de se embranquecer de todas as formas possíveis; no comportamento, roupas, relações afetivas, organização, linguagem, etc. para poder alcançar a sua humanidade. Assim, a busca pelo outro é mediada pelo racismo. Mas ao perceber que mesmo assim ele continua a ser negro, a partir do momento em que não é aceito pelo mundo branco, mesmo amando muito esse mundo, ele se volta com raiva contra ele, e o amor se transforma em ódio.

O lado positivo é que esse ódio pode desestabilizar a hegemonia branca; o lado negativo é que nenhuma luta política se faz através do ódio, visto que tal sentimento impede perceber, nesse processo dialético, que o outro também tem coisas que nos pertence. Somos todos sujeitos, e a divisão criada razão/emoção pelo branco é inadmissível: a inversão dos papéis não é a solução. Portanto não se trata da preservação de uma ou de outra cultura, mas sim da percepção de uma cultura humanista. Ou seja, trata-se da libertação do ser humano a partir da recontextualização dessa mesma cultura.

Desse balde chutado, esparrama-se pelo caminho o malcheiroso esterco brancalóide; mas pode ser que exista dai a possibilidade de que, em meio a esse fétido esterco, possa vir a brotar uma perfumada flor de lótus, após esse necessário processo de chutar o balde e mandar a merda o que Narciso chama de mono-espelho e a pele preta possa se mostrar limpa da mancha branca que oprime sua humanidade ao retirar essa máscara de merda.